Economia

Até quando Luiz Marinho vai se
calar ante bobagem de aeroporto?

DANIEL LIMA - 21/10/2011

O prefeito Luiz Marinho não pode esconder-se no caso do suposto projeto para construção de aeroporto em São Bernardo. Até prova em contrário — e sou capaz de apostar que não existem provas em contrário — o assunto é uma tremenda barrigada jornalística, de quem ressuscita um assunto que não encontra o menor respaldo técnico-financeiro-ambiental, ou uma burrada de um marketing requenguela da Administração petista.


Fomentar essa bobagem é algo tão dilacerante à imagem de seriedade do prefeito que não se entende como chega às redações sem mais nem menos. Exceto se existirem muito mais que menos. Exceto se acreditarem todos que a Província é formada por um bando de imbecis, de gente sem alma, sem cérebro, sem senso crítico algum.


O que o prefeito Luiz Marinho tem a fazer em nome da coerência administrativa que tem pautado seu governo, praticamente longe de fanfarronices verbais, é oferecer informações definitivas sobre o requentamento de um assunto ainda recentemente esgrimido por Valter Moura, ao assumir a presidência da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.


Valter Moura não fez nada que fugisse do exibicionismo típico de uma posse. Mas é possível que acredite piamente no que disse, porque a falta de informação combinada com o triunfalismo rastaquera são a porta aberta às incontinências verbais. Mas o prefeito Luiz Marinho, cá entre nós, não tem o direito de escorregar na maionese da ignorância nem do entusiasmo desregrado porque conta com um projeto político que não permitiria abrir a guarda a tamanha estupidez.


Caieiras é a opção


Se não bastassem megacontrapontos à obra, o jornal Valor Econômico desta sexta-feira mostra mais uma vez que se há alguma possibilidade de a Região Metropolitana de São Paulo construir um novo aeroporto, o espaço previsto de nove milhões de metros quadrados, ou dois terços do território de São Caetano, não está na Província do Grande ABC, mas em Caieiras, do outro lado da RMSP, longe portanto da Serra do Mar, um dos impeditivos ao projeto de São Bernardo.


Vamos a alguns trechos da matéria do Valor Econômico, algo que é importante puxar para os leitores desta revista digital porque a quase totalidade da mídia regional, em plataforma impressa ou eletrônica, simplesmente se omite porque prefere a redoma do provincianismo.


Aliás, a Província do Grande ABC não chegou ao estágio que chegou por obra do acaso. Boa parte do setor de Imprensa tem enormes dificuldades para entender que a cartografia regional é um manancial extraordinário de informações e análises, desde que confrontado com ambientes nacionais e internacionais.


Ou a chegada de novas montadoras de veículos, agora asiáticas, não vai mexer com nossa estrutura econômica e social, como a abertura desregrada de Fernando Henrique Cardoso e a guerra fiscal nos roubaram nos anos 90 nada menos que um terço da indústria de transformação?


Vamos, como disse, ao Valor Econômico de hoje:



  •  Depois de quatro anos e R$ 30 milhões investidos em estudos, além de um “não” do governo federal, Andrade Gutierrez e Camargo Correia ainda acreditam no projeto de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo. Para subsidiar a argumentação, os grupos encomendaram um novo conjunto de estudos à Boeing sobre o tráfego aéreo da cidade. Paralelamente ao projeto, ambos estão firmes no propósito de disputar as concessões dos aeroportos programadas para o início de 2012.

  •  O projeto é temido por outros grupos que disputarão as concessões de aeroportos federais — por terem o receio de que o terminal sugue a demanda de cargas e passageiros (e, consequentemente, o faturamento) de Guarulhos e, principalmente, Viracopos (por este ser mais distante). Por conta do risco do novo concorrente, a alemã Fraport e o parceiro brasileiro EcoRodovias já declararam ao Valor, em outubro, que vão concentrar os esforços em Guarulhos no leilão de aeroportos.

  •  Independentemente de os dois grupos saírem vencedores de uma concessão, o governo federal não é simpático à ideia do novo aeroporto. Segundo o vice-governador do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, o Planalto prefere que os terminais já existentes atraiam os investimentos da iniciativa privada. Além disso, para o governo federal, os investimentos realizados depois das concessões de Guarulhos e Viracopos darão conta da demanda na região.

  •  Caso o projeto do Novo Aeroporto de São Paulo não possa ser concretizado, as empresas perderiam os R$ 30 milhões investidos nos estudos. Os executivos dizem ainda não haver planos para a venda do projeto, nem mesmo nessa situação. Por outro lado, caso não faturem nenhum dos terminais que passarão por concessão, os executivos apostarão suas fichas no Nasp. O projeto é um aeroporto comercial de escalas nacional e internacional. Os grupos já firmaram uma parceria com a Flughafen Zurich AG, operadora do aeroporto de Zurique, na Suíça, para a administração do terminal. Com custo total de R$ 5,3 bilhões e previsão de demanda para 40 milhões de passageiros quando estiver 100% concluído, o empreendimento, caso saia do papel, ficará no município de Caieiras — a 30 km de São Paulo — num terreno de nove milhões de metros quadrados. (…) O aeroporto ficaria entre as rodovias Anhanguera e dos Bandeirantes, pouco a norte do Rodoanel.

Espaço atravancado


O espaço territorial da Província do Grande ABC — e não exclusivamente de São Bernardo, que detém metade dos 840 quilômetros quadrados da geografia regional — simplesmente não comporta um aeroporto das dimensões anunciadas para Caieiras. Falta espaço físico, para ser mais claro. Mas, há outros impeditivos muito mais sérios. Principalmente a sustentabilidade ambiental. Se o Rodoanel Sul já foi um exercício de alquimias espaciais, com restrições agudas para não comprometer o meio ambiente, como ao menos supor que o impacto de um aeroporto internacional poderia ser contornado? Bobagem, bobagem, bobagem, repassada bovinamente pela mídia comoditizada.


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