Sociedade

Martins e Dotto transigem com
De Nadai e empatam disputa

DANIEL LIMA - 24/01/2012

Se Evenson Dotto e Flávio Martins repetirem nas eleições de quinta-feira da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) o desempenho nas respostas a esta revista digital, na seção Entrevista Indesejada, tudo indica que o resultado será de igualdade.


 


Como é praticamente impossível chegarem a tanto nas urnas, a prevalecer a tênue vantagem apresentada, Flávio Martins será o vencedor. Sim, Flávio Martins foi levemente superior na perspectiva deste jornalista.


 


Mas se querem saber se me fosse dado o direito de eleger o presidente da Acisa por conta das respostas à CapitalSocial, juro por todos os juros que tomaria uma decisão inusitada: formularia novo conjunto de perguntas e quem melhor se apresentasse deveria ser festejado.


 


Houve entre as quase duas dezenas de indagações aos dois candidatos que estão botando fogo no conceito de institucionalidade empresarial na Província do Grande ABC uma questão sobre a qual nenhum deles conseguiu encaixar o golpe que seria fatal. Mais que isso, como não encaixaram e nem pretenderam encaixar, embora a mandíbula do desvio ético estivesse prontíssima para ser golpeada, embora o ataque na região da cintura fosse iminente, embora a ginga de corpo pudesse favorecer uma estocada estonteante, Flávio Martins e Evenson Dotto desperdiçaram uma grande oportunidade de liquidar a fatura.


 


Faltou o nocaute


 


Do que se trata afinal o grande e insofismável vácuo dos dois concorrentes à presidência da Acisa a ponto de levar a disputa ao empate técnico? Onde eles teriam falhado redondamente por não enxergarem ou desprezarem um lance de inegável e portentoso ataque? Que momento eles perderam para mostrar aos associados dos quais pretendem mais que o voto, o compromisso de novos tempos, que estão mesmo prontos para mudanças?


 


Qual foi o monumental deslize de Evenson Dotto e Flávio Martins na Entrevista Indesejada deste CapitalSocial? Onde eles demonstraram indecisão, embora por mais que tenha sido grave a escorregadela nem assim acabaram reprovados porque, no fundo, no fundo, há explicações que minimizam tamanha benevolência?


 


É claro que estou me referindo às indagações sobre a participação do empresário Sérgio De Nadai no Conselho Superior da Acisa mesmo depois do escândalo da Máfia da Merenda. Sérgio De Nadai foi condenado por integrar uma quadrilha que atingiu profundamente os cofres públicos. Não se trata de especulação. É informação sustentada por decisão judicial.


 


Por mais que se compreenda o sentimento de solidariedade e de espírito de corpo de Flávio Martins e de Evenson Dotto, companheiros de longas jornadas de Sérgio De Nadai, as respostas de um e de outro estão a quilômetros de distância do esperado, do desejável e do eticamente adequado. Os dois candidatos simplesmente contemporizaram. Flávio Martins foi um pouco menos condescendente, ao sugerir nas entrelinhas que o convite a Sérgio De Nadai no Conselho Superior da Acisa seria reavaliado. Evenson Dotto chegou ao exagero de lembrar que o empresário ganhou um troféu de Destaque do Ano do Prêmio Desempenho Empresarial, da revista LivreMercado, sob o comando editorial deste jornalista. Verdade verdadeira que merece explicações.


 


Sérgio De Nadai ganhou mesmo em 1998, por decisão do Conselho Editorial de LivreMercado, então composto de 18 membros da sociedade, um dos títulos de Destaque do Ano no setor empresarial. Não foi o principal troféu, mas foi meritório. E por pouco a De Nadai Alimentação, a mesma empresa que 13 anos depois foi colhida em flagrante delito como malversadora de contratos de merenda escolar em dezenas de municípios, chegou muito próximo do título máximo do Prêmio Desempenho. Perdeu para a então OPP, do Pólo Petroquímico de Capuava, o título de "Melhor das Melhores".


 


Case de muito valor


 


A De Nadai Alimentação só não conquistou o troféu de "Melhor das Melhores" conferido pelo Conselho Editorial de LivreMercado (cujas planilhas passaram em todas as edições por auditorias externas) porque o case da OPP era fabuloso e também porque faltou uma ação mais vertiginosa de marketing, já que o empreendimento de Sérgio De Nadai alcançou o título, no mês anterior ao Prêmio Desempenho, de "Uma das 50 Melhores Empresas para Trabalhar", da revista Exame.


 


Resumo da ópera: a realidade daquele 1998 tão distante não pode imunizar a carreira de um empresário e de sua empresa às críticas da mídia e tampouco esterilizar as ações judiciais. Ao avocar aquela premiação e ao sugerir que se mobilizem forças para convencer Sérgio De Nadai a investir em Santo André, Evenson Dotto demonstrou uma fidelidade absoluta ao amigo, mas, em contrapartida, uma excessiva falta de sensibilidade social.


 


Por conta do golpe fatal que seria um posicionamento contundente em relação às travessuras de Sérgio De Nadai, empresário que já não tem atividades em Santo André, exceto latifúndios de imóveis muito bem protegidos, tanto Evenson Dotto como Flávio Martins perderam uma senhora oportunidade de desequilibrar uma luta, a bem da verdade, sem golpes fatais, mas também sem a covardia de procurarem as cordas a todo instante, para interromper a disputa. Por isso eles foram relativamente bem e merecem sim, no frigir dos ovos, o máximo de participação de associados da Acisa nas eleições desta quinta-feira.


 


Seja qual for o resultado, e diante dos burburinhos que as candidaturas provocaram, com elevação da temperatura nos últimos dias, certamente a institucionalidade diretiva da Província do Grande ABC não será mais a mesma nos próximos tempos.


 


Aliás, sobre isso, cabe imensa responsabilidade à mídia regional que não se pode mais dar o direito de continuar aplaudindo o sistema ditatorial e improdutivo de Milton Bigucci à frente da Acigabc, a Associação dos Construtores, e também de Valter Moura, há mais de duas décadas soberano na Associação Comercial e Industrial de São Bernardo. Sem contar outros menos votados mas igualmente ensaboadíssimos especialistas na arte de fingir que comandam entidades inúteis.


 


A Província do Grande ABC precisa passar por reoxigenação total. Tomara que a Acisa seja o começo de uma nova jornada que contribuiria bastante para desenferrujar uma engrenagem envelhecida também porque ao longo dos tempos, como queridinha de uma banda do jornalismo regional, optou preferencialmente pelo estrelismo em vez da operacionalidade.


 


A Acisa está muito aquém da grandeza construída no imaginário de muitos (basta analisar as declarações dos dois candidatos na operação lava-roupa-suja), mas, nestas alturas do campeonato, esse mito é ótima oportunidade para chacoalhar as instituições econômicas que, muito menores e menos importantes, também pouco fizeram quando se observa a linha do tempo com rigores de responsabilidade social.


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