Sociedade

Conselhão Regional: veja o que
escreveram 34 participantes

DANIEL LIMA - 25/04/2012

Vamos reproduzir abaixo textos autorizados por 34 dos 70 integrantes do Conselhão Regional que se manifestaram sobre o melhor encaixe de identificação da região – Grande ABC ou Província do Grande ABC? A primeira enquete com representantes da sociedade regional contou com a participação de 70 dos 125 conselheiros e o resultado foi massacrante: 83% optaram pela segunda alternativa proposta pela revista digital CapitalSocial que, desde 18 de julho do ano passado, substituiu Grande ABC por Província do Grande ABC. Uma decisão que antecipou a posição do Conselhão Regional, formado recentemente. Há sentimento generalizado de frustração nesse território de 2,6 milhões de habitantes.
 
Vários outros conselheiros também expuseram depoimentos sobre a proposta de CapitalSocial, mas preferiram que o conteúdo não fosse revelado. Os 34 conselheiros que encararam a publicação de argumentos praticamente mantiveram a proporção crítica: apenas quatro perfilaram no conjunto que optou pela embalagem "Grande ABC", do total de 10 que se contrapuseram aos 58 que contribuíram à goleada de "Província do Grande ABC". Dois dos membros do Conselhão Regional tiveram escolhas anuladas porque não preencheram requisitos pré-estabelecidos.
 
A diversidade profissional do Conselhão Regional  permite ao menos uma especulação, mesmo que a modalidade de consulta não tenha valor científico: seria muita coincidência que tanta gente de tantos afazeres distintos chegasse à conclusão que Província do Grande ABC está muito mais próxima da realidade institucional, cultural, social e econômica da região do que o grandiloquente rótulo de Grande ABC.
 
Como poderão anotar os leitores, há manifestações mais que ácidas sobre o provincianismo regional. Há um certo esgotamento de paciência, quando não de esperança. CapitalSocial sente-se recompensada pela iniciativa de colocar em discussão um temário tão explosivo e incômodo. Primeiro porque foi expressivo o universo de participantes, superando a 50% do conjunto do Conselhão Regional. Segundo porque não faltaram conselheiros decididos a colocar as cartas na mesa ao permitirem a reprodução de pensamentos transformados em mensagens enviadas por e-mail.
 
Tanto uma situação quanto outra demonstram que há sim contingente de formadores de opinião decididos a emitir opiniões, a sugerir mudanças, a enfrentar as borrascas dos intolerantes e também a testemunhar destemor que por certo incentivarão possíveis adesões ainda adormecidas. É provável que a nova enquete lançada por CapitalSocial, sobre a candidatura de Regina Maura Zetone à Prefeitura de São Caetano, uma cidade conservadora, obtenha ainda mais sucesso de representatividade dos leitores, porque à parte a disputa eleitoral, o que se colocará em debate é a presença feminina numa corrida eleitoral em Município que ao longo da história não tem por hábito consagrar mulheres que se dedicam à política partidária.
 
Agora, as declarações de 34 conselheiros de CapitalSocial, das quais 29 favoráveis ao segundo enunciado, que descortinou o provincianismo da região, e quatro ao primeiro enunciado, de solidez de Grande ABC:

Luis Miguel Casas Freile, Engenheiro Civil:
Estamos perdendo aos poucos a bela história de um Grande ABC pujante e sempre crescente que nossos pais e avós nos deixaram. Acredito que a falta de profissionalismo em todas as esferas, tanto políticas como empresariais, deixou a máquina funcionar por si só, mas um grande erro ocorreu: indústrias e pessoas migraram para outros municípios que não pararam no tempo, se modernizaram e criaram estratégias e mecanismos não percebidos a tempo pela "Província do Grande ABC". E agora? O que fazer?
 
O tempo é implacável e cada dia que ficarmos nessa inércia perderemos muito mais. Tudo está ligado à Indústria, Cultura, Esporte, etc... O desinteresse é presente e se uma atitude não for tomada a tempo, criando uma força-tarefa que movimente todos os municípios de nossa "Província", interagindo o Clube de Prefeitos com os governos Estadual e Federal, teremos um futuro sem futuro, ou seja, sem pessoas.
 
Olívio Aparecido Polato, Microempresário:
Apesar de considerar as duas alternativas um pouco exageradas, entendo que a que mais se aproxima da realidade seja a de Província, principalmente pela perda da força industrial para outras regiões e por não sabermos eleger políticos que representem os verdadeiros interesses da população.
 
Wagner Redondo, Gestor de projetos:
Diferentes ideologias-proselitismo partidário prevalecem.
 
João Del Nero, Gerente comercial: 
Acredito que temos pessoas e empresas com muita capacidade e motivação para crescer. Talvez falte melhor apoio governamental para exportamos nossas riquezas e desenvolvermos o potencial da região. Os governos municipais devem focar em programas que promovam o desenvolvimento dos setores de tecnologia, medicina laboratorial e entretenimento, além de manter aquecido o setor industrial.
 
Pedro Moreira de Godoy, Professor universitário:
A Região do Grande ABC ainda não possui uma vida cultural como temos em São Paulo. Nossos teatros não apresentam grandes espetáculos e, infelizmente, sempre recorro à Capital. O Polo do Plástico morreu junto com o ex-prefeito Celso Daniel. Nada aconteceu após sua passagem pela Prefeitura de Santo André. Nossos políticos não possuem o carisma dele. Santo André está jogada às traças com o Aidan Ravin. O ABC carece de pessoas que batalhem de fato por nossa região.
 
José Carlos Versuri Rodrigues, Empresário:
Apenas discordo em relação a morar dos novos ricos que hoje preferem cidades em um raio de até 100 quilômetros da Capital com seus condomínios fechados.
 
Márcia Gallo, Educadora:
A diversidade do nível de desenvolvimento econômico, social e cultural dos municípios do Grande ABC por si só invalida a primeira alternativa. Continuamos provincianos em muitas ocasiões e setores e concordo plenamente com a afirmação sobre os "novos ricos" desejosos de compor a sociedade da Capital. Ao mesmo tempo, acredito que a tímida massa crítica regional tem feito o que pode na busca de transformações. Há vários exemplos dessa condição em todos os municípios.
 
José de Araujo Villar, Consultor de Desenvolvimento Organizacional:
Resido no ABC desde a década de 60, aqui fiz faculdade e aqui trabalhei em grandes indústrias multinacionais, algumas já fundidas com outras devido à globalização da economia. Falar que trabalhava e residia no ABC era motivo de orgulho e até status; hoje não tem grande expressão como antes. A crítica proposta é muito pertinente para que as forças da sociedade se sensibilizem e passem a atuar como se aqui fosse realmente o Grande ABC de outrora.
 
Conrado Orsatti, Advogado empresarial:
Escolhi a primeira alternativa porque acredito no potencial do Grande ABC. Exportamos grandes talentos para todas as regiões do Brasil. Somos detentores de grande capacidade intelectual. Contudo, estamos presos a líderes medíocres e sem expressão que não possuem a simples capacidade de criar e desenvolver um bom planejamento. Esses prefeitos atuais é que tornam a potência do Grande ABC uma Província de imbecis presos. Presos porque não possuímos nem a capacidade de ir e vir que a Constituição nos garante, pois estamos presos no trânsito caótico e ridículo da região. E imbecis porque de fora acham que somos o que nossos líderes são.
 
Estamos dominados por oligarquias políticas nas principais cidades do ABC, as quais fazem de tudo para se manter no poder e, quando percebem que estão perdendo, fazem de tudo para aproveitar os últimos segundos. Precisamos mudar nossos líderes. Para que isso seja possível temos que montar um movimento silencioso de Educação. Vamos educar nossa população para tirar esses pulhas do poder. A juventude é a chave da mudança.
 
Carlos Eduardo Andreoli, Empresário:
Para quem busca um mínimo de informação em qualquer veiculo que seja, até mesmo em conversas, não seria necessário ler a segunda alternativa para assinalá-la.
 
Maria Helena Musachio, Advogada:
Lamentavelmente nossos governantes não adotaram políticas publicas de regionalização, cada um ficou voltado ao seu próprio umbigo, e, com isso, a região antigamente voltada para a industrialização parou no tempo e no espaço diante do êxodo das indústrias para outros Estados do Brasil e até para o Exterior. O que ocorreu na região nesses últimos anos foi a construção de vários shoppings, onde o povo só vai passear porque as lojas estão sempre vazias.  Algumas vezes fiquei pensando como esses lojistas conseguem pagar aluguéis e funcionários?
 
O que afeta a região também é a onda de corrupção, com desvios das verbas públicas, deixando a população à deriva. Como pode um Executivo eleito pelo povo firmar contratos sem licitação com Ongs, algumas até fantasmas, no valor de 700 milhões de reais? É uma vergonha, porque nada funciona na cidade -- saúde, educação, moradia, segurança pública e, o pior de tudo, a autarquia que cuida de água, esgoto, saneamento e do meio ambiente está envolvida em crime de extorsão. Pobre região do Grande ABC que, acredito que possa melhorar se for feita a sua metropolização.
 
Jose Carlos de Lira (Carlinhos Lira), Dramaturgo:
O empobrecimento é notório a cada dia. Culturalmente estamos falidos e politicamente não existe projetos e nem artistas preocupados com a mobilização cultural no sentido de que possamos ser novamente um celeiro cultural como em meados da década de 80. O cenário cultural é muito triste. Faltam pessoas com vontade e criatividade para que mudanças pontuais em todos os setores artísticos sejam lançadas para que possamos mostrar que o ABC tem condições de revelar novos talentos na área cultural. Não podemos deixar que a classe artística, antes tão atuante, se distancie cada vez mais da sua função. O artista precisa comer e sobreviver com dignidade fazendo o que mais gosta.
 
Francisco José Santos Milreu, Professor universitário:
Um processo cultural envolvendo os mecanismos de gestão não apresenta grandes alterações em pequenos períodos. Na região, os municípios têm demonstrado engajamento e foco, guardadas as dimensões de território, tecnologia e população. Cada um, à sua forma, tem buscado alternativas para estabelecer diferenciais estratégicos que os colocam em posição de destaque, atendendo anseios e interesses regionais.
 
Por outro lado, o avanço tecnológico e as informações rápidas e em constante mudança exigem alternativas que os poderes públicos, por intermédio dos seus órgãos competentes, têm dificuldade de adequar a esses avanços às realidades legais. Mesmo com as perdas ocorridas com ações concorrenciais de outros Estados e municípios, a região tem conseguido manter-se, liderando negócios e prospectando alternativas empreendedoras, evoluindo significativamente, principalmente em relação aos aspectos socioeconômicos, preocupação maior para uma qualidade de vida digna.
 
Certo é que muito tem a ser feito. A participação cada vez maior dos munícipes nestes movimentos reivindicatórios surge uma preocupação maior para melhor focar a cultura instalada e as necessidades de enxergar um modelo de gestão mais eficaz. Acreditar nessas mudanças e na atualização dos mecanismos gestores indica um caminho oportuno, desafiador e estratégico que trará grandes alterações regionais e posiciona bem longe de ser cognominada de "Província".
 
Edgard Brandão Júnior, Engenheiro Civil e Consultor em Administração Pública:
Estive em reuniões de outros Consórcios Municipais que integram cidades de regiões. A maioria consegue uma união maior e atinge resultados satisfatórios. A proximidade com a Capital acaba por facilitar os contatos dos prefeitos tanto no Palácio dos Bandeirantes como na Assembléia. A constante alternância entre os responsáveis prejudica andamentos dos planos regionais. Ao invés de um Consórcio deveríamos ter um Instituto de Planejamento Regional com técnicos qualificados de alto nível e de forma permanente escolhidos por Concurso Público.  Aliás, essa será minha proposta para Santo André, se o Consórcio não quiser aderir.
 
Denise de Oliveira Masselco, Corretora imobiliária:
Sentiria-me feliz, satisfeita e orgulhosa em poder colocar um xis na primeira alternativa, mas infelizmente creio que estamos muito longe do exposto.
 
Wagner Alves Rodrigues Espelho, Gerente de Marketing:
Sim, acredito e sinto que vivemos muito na cola da Capital, inclusive nos esportes. Na cultura muito timidamente estamos oferecendo um pouco mais de opções; na política, realmente péssima.
 
Valmor Bolan, Educador:
O Grande ABC tem consciência de regionalidade. Tem orgulho de pertença. O que falta é ir da teoria à prática. Há muita retórica das classes dirigentes organizadas -- corporações sindicais patronais e operárias, classe política com cargos públicos eletivos ou não, instituições educacionais, associações de classe, Ongs, igrejas etc. A região não tem conseguido unificar o discurso político no que concerne à defesa dos interesses regionais. Efetivamente, há um forte amorfismo na busca do poder regional.
 
Ricardo Alvarez, Educador:
Das características apresentadas tendo a assinalar a segunda, porém, com ressalvas. Não acho que seja possível se afinar apenas com uma delas. O tema é complexo.


1. O Grande ABC tem sua identidade marcada pela organização operária e participação popular. O que não significa dizer que ela se faça a todo momento. É espasmódica. Depende da conjuntura.
2. Os movimentos sociais não lutam, em meu entendimento, pela valorização regional em si, embora seus resultados redundem nisso, como por exemplo a criação da CUT e do PT.
3. Possuímos sim uma determinada força econômica, mas ela se desfaz com o tempo. Criamos musculatura política e econômica na segunda Revolução Industrial, mas na terceira perdemos
terreno.
4. Há um problema de representatividade política no Brasil, e no Grande ABC por tabela. Entidades de classe perdem substância na medida em que movimentos sociais refluem.
5. A integração regional é uma peça de fábula, concordo.
6. Vivemos à sombra de São Paulo não apenas culturalmente, mas em outras áreas também. Podemos tentar superar essa condição, mas é preciso vontade política e mobilização social.
 
José Cláudio Fernandes, Funcionário público:
Para que haja integração regional efetiva, séria, realmente eficaz, o primeiro passo seria esquecer tendências políticas com atitudes honestas, suprapartidárias e que realmente houvesse o interesse no progresso regional. Hoje o que vemos são disputas políticas mesquinhas, deselegantes, desonestas e não o interesse real de uma solução para os problemas regionais. Cada prefeito querendo aparecer mais do que o outro; cada partido se achando dono da verdade e da situação. E a região? E a população?  Ora, a região e a população que se explodam.
 
Claudete Reinhart, Jornalista:
Optei pela segunda alternativa pois reflete exatamente o que penso sobre o nosso Grande ABC. Ao comparar com cidades do Interior paulista, para onde viajo de vez em quando, sinto a enorme diferença entre elas e nossa região. Falta motivação para a população, seja na área cultural, seja na área esportiva. Tudo tão diferente das cidades que conheço, onde os munícipes têm a chance de curtir seus cantores, atores, artistas plásticos, músicos e atletas.
 
Fabio Vital, Arquiteto e urbanista ambiental:
A segunda alternativa é bem mais realista. Acrescentaria ainda: com as organizações da sociedade civil desintegradas e protagonismo beirando a zero. Nem o  verniz gruda mais nas políticas públicas requentadas, nem o negrito nas manchetes encomendadas. É tão pitoresco esse momento que poucos sabem o que realmente são, e o que estão fazendo sentado à frente de decisões que sequer sonharam ou se prepararam para tomar. Pior ainda é observar um bando de acéfalos batendo palmas e pedindo bis.
 
Nosso protagonismo, se estava tímido há 10 anos, hoje não passa de peça de museu. A classe política que tinha em sua pauta algumas questões relativas à regionalidade praticamente a deletou, deixando na manga apenas velhos jargões para "eventualmente" jogar na mídia de ocasião ou, para não pegar mal, responder a dinossauros ou românticos históricos, segundo
eles.
 
Esse quadro nada mais é do que a tradução frágil da cidadania e dos instrumentos sociais de controle do Estado que sequer conseguem, na prática, interferirem na qualidade da varrição urbana. Daí, só restam os velhos e lógicos interesses políticos que hoje desfrutam de uma harmonia e sintonia jamais vista no período pós-abertura, com instrumentos sofisticados de autoproteção, partilha e desfrute que garantem a governabilidade de norte a sul do País.
 
A máquina pública sempre inchando, com apetite voraz de impostos e tributos que na outra ponta se alimenta das classes sociais, sob o pretexto do crescimento calcado em indicadores que revelam só um lado da moeda. De outro, as perspectivas futuras e os grandes eventos que estão por vir, que, cá pra nós, vai dar uma ressaca financeira, social e urbana que deixaremos para os nossos netos. Mas quem liga pra isso?
 
Seja a FIFA com sua ingerência descabida ou partilhada para os mais sensíveis, bem como a aprovação do Código florestal na mesma cozinha política, a realidade é que estamos assistindo, e não é de camarote, o maior descaso com a população brasileira na saúde, segurança, nos tributos e no inferno em que se transformaram irresponsavelmente as cidades. A Rio+20 pretende puxar a orelha de questões estruturais nacionais e globais e, nessa hora, governo, empresários e sociedade civil parecem estar uniformizados de palmeirenses, aclamando o mundo ideal e sustentável para as futuras gerações, com pano de fundo a aprovação do Código florestal ruralista e os vazamentos na exploração do pré-sal, com a compensação de poder encher a cara nos estádios para extravasar.
 
O triste é que a atual geração é quem está e continuará a pagar essa conta cara e continuada desse momento onde a política pública está a serviço quase exclusivo das corporações políticas e seletos grupos privados. Quem imaginaria 20 anos atrás que o ABC teria um  presidente da República saído da região e um grupo de autoridades até ministeriais? Pois é, quem imaginaria que com tudo isso, o ABC, que já foi chamado de "grande", continuasse tão pequeno.
 
Alexandre Soares de Oliveira, Coordenador de Tecnologia de Informação:
Não consigo mais enxergar o Grande ABC como uma Província pelo fato de reunir condições de um desenvolvimento autossustentável e capacidade política para influenciar outras esferas governamentais. Temos na região recursos fabris e de serviços que podem ser melhor explorados; temos oferta intelectual com algumas das melhores universidades do Estado, entre outros fatores que podem colaborar com essa ascensão ao estado de destaque regional. Mas para isso creio faltar apenas maior entrosamento entre os municípios de forma a fortalecer a região como um todo, buscando interesses coletivos e não partidários, sem sacrificar nenhum dos participantes do Grande ABC.
 
Domingos Vasallo Grande, Consultor ambiental:
Quem dará o primeiro passo? Somos -- temporariamente – a Província do Grande ABC. Anos passados, com o surgimento de outros potenciais grandes centros econômicos no País, o Grande ABC passou de região mais importante para apenas uma região importante para a economia nacional. No início foi a competitividade das regiões que queriam se sobressair e alcançar os avanços verificados no Grande ABC. Os dirigentes regionais e os sindicatos não acreditavam que a concorrência continuasse acirrada. Achavam que seria algo passageiro, subestimaram o poder das regiões rivais e "pagaram para ver". Deu nisso! Estagnação. Evasão empresarial, crescimento sem planejamento, falta de comando, falta de planejamento, falta de investimento. Existe uma desconfiança quanto ao retorno dos louros do passado. Faltou manutenção -- em todos os sentidos -- e as empresas que ficaram, a maioria sem investimentos, se sucatearam. Faltou audácia!
 
Mas isso não quer dizer que continuamos estagnados. Todos à procura do "macho ALPHA" para  dar o primeiro passo e modificar as estruturas dos governos municipais, planejando a retomada. Mas como ele não existe ainda, precisamos achar uma forma de reiniciar -- enfrentar o conhecido (condições sociais e ambientais -- recursos atuais e os necessários -- transportes e vias - política e políticos - novos investidores). Arregaçar as mangas e planejar tudo. Verificar os pontos positivos e reforçá-los. Encontrar os pontos negativos e modificá-los. Encontrar o equilíbrio e a integração regional. Reorganização. Respeito, seriedade e mãos à obra. Seremos um Grande ABC poderoso! Quem dará o primeiro passo?
 
Gilberto Wachtler, Biólogo, supermercadista, vereador em Santo André:
Ausência total de política regional, inexistência de representantes de classe, política partidária bairrista desqualificada e intrínseca. O Grande ABC é região de exploração, política e econômica, rotulada pela herança maldita dos atributos negativos do sindicalismo e agora sacramentada a terra de ninguém industrial. Grande ABC das maravilhas somente para Alice.  Vive à sobra de suas misérias sociais com suas mais de 300 favelas, erguendo condomínios em terras contaminadas e continuidade do vai trabalhar e vem dormir num trem caindo os pedaços. Somos moeda de troca barata dos governos Estadual e Federal Profissionalmente, culturalmente e ideologicamente provincianos somos os pais da Capital e provincianizados por nossa filha, conscientemente e conceitualmente inferiorizados e definidamente provincianos.
 
Cecília Maria Batista da Silva, Advogada:
O presidente oriundo do ABC frustrou a todos com sua amnésia pós-eleição. Manteve o status-quo da corrupção e nos provou que honestidade não combina com o poder. Juntou-se a eles, mesmo sendo maioria, visto estar com mais da metade da população a seu lado, talvez novas "forças ocultas". Declinou de seus ideais e declinamos todos em cultura, crescimento econômico da região e crescimento cultural e intelectivo de nossos administradores. Lamentável nossa posição.
 
Elísio Peixoto, Corretor de seguros:
É evidente que o enunciado que escolhi não corresponde à plenitude de nossa realidade regional. Tomo a liberdade de anunciar nossa região da seguinte forma: Somos um Grande ABC com um enorme potencial desenvolvimentista em todos os campos de atividades, do esporte à cultura, da economia à academia. Nossas lideranças sociais e instituições possuem massa crítica suficiente para contribuir com grandes transformações sociais. Nosso numeroso exército de mentes brilhantes precisa desflorar a cada dia mais, assumindo maiores responsabilidades para a construção de uma agenda de desenvolvimento regional.
 
Sim, temos identidade própria e devemos solidificá-la através de projetos e programas governamentais baseados em investimentos. O Brasil inteiro já ouviu falar do Grande ABC Paulista, seja pela região industrializada de montadoras de veículos ou através de sua luta social pela redemocratização do Brasil e até mesmo pela terra onde um metalúrgico tornou-se presidente da República. Sim, somos reverenciados. Mas temos muito a construir, da luta contra o gargalo da mobilidade urbana à retomada de nossas vocações econômicas. Este é o Grande ABC, onde todos têm que assumir o compromisso de lutar por dias melhores em busca de uma região moderna e dinâmica.
 
Fabiano Machado dAvila, Engenheiro de manutenção:
Estamos vivendo uma época de cada um por si. "Vou fazer de tudo para chegar na sua frente, seja lhe cortando no trânsito, furando filas ou estacionando em vaga de idosos. Aliás, idoso não tem que ir a shopping, tem que ficar em casa. Sou criado em uma época de imediatismo e tenho que conseguir tudo agora, custe o que custar, desrespeitando quem tiver que desrespeitar. A corrupção e ética estão tão banalizados que qualquer deslize não é reparado." Meu posicionamento também baseia-se em algumas perguntas: Por que há 30 anos o Santo André conseguia colocar 20 ou 30 mil torcedores não só no Bruno Daniel, mas também no glorioso Parque Antarctica, para assistir jogos contra Paulista e XV de Piracicaba, com transmissão pela Rádio Diário do Grande ABC, com narração de Rolando Marques, comentários de Jurandir Martins e reportagens de Sidney Lima?
 
Por que em 2005 somente cinco ou seis mil pessoas viram o Santo André jogar pela Libertadores da América no Bruno Daniel, logo após de sagrar-se campeão da Copa do Brasil? Por que o público também não prestigiou a belíssima campanha do Santo André vice-campeão paulista, perdendo apenas para o então imbatível Santos?
 
Por que o ABC está virando uma região dormitório, com enxurrada de lançamentos imobiliários por segundo, por construtoras "estrangeiras" hiperinflacionando o mercado numa velocidade muito maior que a infraestrutura necessária para comportar tais empreendimentos? Por que algumas áreas de mananciais invadidas foram regularizadas? Não são mais consideradas mananciais? Onde está o Plano Diretor do ABC, que permite uma completa invasão desordenada? Estão em busca apenas no crescimento anual de carnês do IPTU ao invés de recuperar os empregos perdidos?
 
Por fim, há muitas verdades na primeira alternativa, desde que se acredite nelas. Por quem deve começar a mudança?


 


Amâncio da Cruz dos Santos, Advogado e contabilista:


Considerando nosso otimismo, esperamos que haja melhora de desempenho de todos indicadores da nossa região.
 
Edson Sardano, Assessor político:
O ABC é palco de disputas políticas ultrapassadas, levadas às últimas instâncias como torcida uniformizada de futebol, de modo que sempre teremos uma parte a favor e outra contra, deixando os interesses regionais em segundo plano. Nenhum time comemora as vitórias do outro; ao contrário, torce pela derrota. Assim é nossa política. A população paga a conta.
 
Alessandro Bernardo, Educador:
Creio que a opção assinalada resume totalmente o conceito de que não existe de fato esse tal de Grande ABC, no qual apenas nós, moradores, o intitulamos como de institucionalidade existente e real. A Capital, bem como todas as outras regiões, nos chamam apenas de ABC Paulista. Talvez tenham uma dimensão mais clara do que realmente somos em termos institucionais: apenas um punhado de municípios vizinhos, cada qual pensando apenas em seu próprio umbigo, assim como descrevi no artigo "O jogo dos sete".
 
Lafaiete João Batista dos Santos, Consultor Comercial e de Marketing:
Considero que seja o nosso Grande ABC, embora parte integrante do contexto, apenas uma Província que na minha opinião é São Caetano do Sul.
 
Antonio Carlos Granado, Coordenador de Projetos na Frente Nacional de Prefeitos:


ABC Paulista: Uma Província? -- São Bernardo, além da lenda de João Ramalho, casado com Bartira, filha do cacique Tibiriçá, ter aportado a estas plagas, no ano de 1550, num espaço de chão onde vivia a tribo dos Guaianas, de fato, de fato, sedimenta-se como uma vila por volta do ano de 1735, ao redor da capela de Nossa Senhora da Conceição da Boa Viagem. Essa capela situava-se, então, num ponto do alto da Serra do Mar, onde faziam suas paradas os tropeiros que subiam a Serra em direção a São Paulo de Piratini. Foi ao redor dessa capela que se foi formando um aglomerado de casas que, em 1805, foi elevado à categoria de curato e, em 1812, à categoria de freguesia, então já com o nome de São Bernardo.
 
Essa São Bernardo surgiu, assim, em apoio a São Paulo, já àquela época, de fato, o polo de atração e a razão de ser do crescimento do altiplano paulista. Essa São Bernardo nasce nas imediações da Vila de Santo André da Borda do Campo,  também extensão, de fato, da São Paulo da época, em torno nos caminhos que se foram desenhando com assentamentos e fazendas ao redor das passagens de deslocamento entre o litoral e o altiplano. É com a sedimentação da São Paulo Railway, a partir do ano de 1859, que a história dessa região começa a mudar, com a sedimentação populacional e econômica no entorno da ferrovia que tinha a lógica do escoamento do café pelo porto de Santos, inicialmente, mas que cria as condições básicas para o início da sedimentação de um crescente parque industrial. Desse período em diante, a região do ABC vai ganhando contornos de maior modernidade e independência em relação à Capital, mas com seu comércio e sua vida cultural totalmente derivados daquela. Nesse sentido, sempre se pode falar de uma "Província" do Grande ABC. Nada demais nisso, historicamente.
 
Esse crescimento regional fez surgir, então, no ano de 1889, um Município independente da Capital, com o nome de São Bernardo, abarcando toda a área geográfica do hoje chamado ABC Paulista. Esse Município, à época, compreendia vários distritos: Santo André, São Caetano, Ribeirão Pires e Paranapiacaba. Com a presença e importância da ferrovia, o Distrito de Santo André ganhou maior pujança que os demais e a sede do Município foi para aí deslocada, no ano de 1938, ficando São Bernardo reduzida à condição de distrito. Além dos distritos já preexistentes, também surge como distrito Mauá.
 
É a partir de 1944, com a emancipação de São Bernardo, que o ABC Paulista deixa de ser um Município único. Sequencialmente, então, vão surgindo, por desmembramento, os municípios de São Caetano (1948), Mauá e Ribeirão Pires (1953), Diadema (1959) e Rio Grande da Serra (1964). No iniciozinho da década de 1980 tentou-se, inclusive, emancipar Utinga, luta que perdurou até o ano de 1990. São várias as lógicas desses desmembramentos: seja em função de novos vetores de deslocamento de pessoas e produtos (Sistema Anchieta / Imigrantes); seja por razões políticas, com a conformação de redutos novos; seja com um nicho mais rico separando-se de um nicho mais pobre.
 
Com isso, por um lado, vai-se sedimentando uma pulverização de interesses locais, fundamentalmente de caráter político, segmentando os municípios, e, por outro, um duplo papel que esses municípios vão conformando, de cidades dormitórios da Capital e gradativo fortalecimento de um parque industrial poderoso, inicialmente em função da ferrovia, e posteriormente, com a chegada da indústria automobilística, um setor industrial bastante moderno. Este segundo aspecto acabou formando um conjunto de interesses que podem ser considerados regionais. É na contramão dessa pulverização e segmentação dos municípios do ABC Paulista que se inicia, no ano de 1991, um movimento importante de busca de entrosamento entre os municípios do ABC, capitaneado, inicialmente, pela iniciativa do prefeito Celso Daniel, de Santo André, embasando-se em que, com a sedimentação dos municípios como entes federativos, pela Constituição de 1988, e pela mal- resolvida distribuição de atribuições entre os três níveis de governo, federal, estadual e municipal, uma séria de temas do "bom governo" precisariam ser objeto de ações combinadas entre entes federativos distintos, seja vertical, seja horizontalmente. É na direção de provocar essas ações combinadas entre os municípios que Celso Daniel propõe, à época, o consorciamento entre os sete municípios do ABC Paulista. Vários são os temas que demandam essa ação combinada, quais sejam, saneamento básico, mobilidade urbana, saúde, educação, etc.
 
Impossível falar-se seriamente de enfrentamento da drenagem urbana e das enchentes, ou mesmo do esgotamento sanitário, sem se levar em conta as bacias hidrográficas e, portanto, uma ação que transcenda as fronteiras de cada Município isoladamente. Não há solução para o tema no âmbito de cada Município isoladamente. Tanto quanto a mobilidade urbana, com normatizações, concessões e tarifas definidas isoladamente por cada Município ou pelo Estado, nas linhas com traçado supra fronteiriço, quando as pessoas possuem origens e destinos para trabalho, estudo ou lazer que transcendem fronteiras municipais. Na saúde, a oferta municipal não se coaduna com uma demanda que transcende fronteiras. O mesmo acontece com trânsito, com educação, com lazer, com um montão enorme de serviços públicos.
 
A articulação dos municípios regionalmente é condição de um pior ou melhor serviço público em todas aquelas áreas onde a solução local ultrapassa os municípios isolados. Mais ainda: essa articulação cria condições de força de novo tipo para o diálogo com os outros níveis de governo. Essa foi, a meu juízo, a grande sacada do então prefeito Celso Daniel, que culminou nas propostas de articulação supra-municipal, através de vários mecanismos, entre os quais o consorciamento entre os municípios do ABC.
 
O consorciamento, bem como a ação combinada entre os municípios da região do ABC Paulista, permitia (ou permitiria?) criar-se sinergia entre os mesmos e maior competitividade sistêmica num período histórico de interiorização da indústria automobilística e, simultaneamente, de fuga das indústrias caudatárias da ferrovia que, com sua modernização e com a deterioração do sistema ferroviário, também se interiorizaram. Essa interiorização da indústria, que se afastava da região do ABC Paulista,  deveria levar a duas correntes simultâneas de ação dos municípios que demandavam ação conjunta para que houvesse otimização do processo econômico, numa relação de ganha-ganha entre os municípios da região. De um lado, se deveriam fortalecer os fatores de atratividade para o parque industrial remanescente, com agregação de valor através de fatores de modernização. De outro, se deveria trabalhar na direção de vocações crescentemente terciárias para a economia local. Esses dois movimentos têm muita dificuldade de projetar-se em cada Município isolado e teriam potencialização enorme com ações combinadas supra-municipais.
 
A meu juízo, o grande problema gradativamente colocados, após a trágica morte do prefeito Celso Daniel foi a pulverização dos esforços de ação conjunta entre os municípios, com o re-fortalecimento das ações isoladas. Logicamente, algumas atuações supra-municipais ainda foram tentadas por alguns prefeitos isolados, mas a regra acabou sendo a de refluir para o interior de suas fronteiras, o que os vem isolando e individualizando, perdendo-se oportunidades de ouro que poderiam ser buscadas se houvesse esforço coletivo dos sete municípios. Vários são os casos de perdas por inação, ou por ação individual não sincronizada dos municípios.
 
Nelson Alexandre, Consultor supermercadista:
Concordo plenamente com a segunda alternativa: somos decididamente Província do Grande ABC. Em relação aos supermercados, deixamos a desejar. A região é rica em supermercados, porém não há união e não há um trabalho forte como há outras regiões. O ABC não tem uma central de negócios, as populares centrais de compras. Nem a Apas, Associação Paulista de Supermercados, tem distrital forte no ABC como em vários locais em São Paulo. O ABC merece uma atenção especial pela força que tem.


 


Silvia Mara Sousa Bertani, Educadora e advogada:


Justifico meu posicionamento por conta da inércia de uma região que parece ter adormecido no tempo ao não perceber que o Grande ABC deixou de ser grande e que agora precisa ser grande e único.
 
Leiam também:


 


Conselhão Regional é desafiado a saltar do muro: "Província" ou não?


Leia mais matérias desta seção: Sociedade

Total de 1125 matérias | Página 1

12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS
05/02/2026 GILVAN E ACISA NUM JOGO DE IMPRECISÕES
01/02/2026 E A CARÓTIDA RESISTE AO PROJÉTIL INVASIVO
08/01/2026 REGIÃO PRODUZ MENOS CRIANÇAS QUE O BRASIL
18/12/2025 NOVA PERDA DO NOSSO SÉCULO
17/12/2025 VAMOS MEDIR A CRIMINALIDADE?
25/11/2025 UMA OBVIEDADE ASSISTENCIALISTA
04/11/2025 OTIMISTA REGIONAL É OTÁRIO REGIONAL
21/10/2025 MENOS ESTADO, MAIS EMPREENDEDORISMO
20/10/2025 SOCIEDADE SERVIL E DESORGANIZADA
18/09/2025 CARTA PARA NOSSOS NÓS DO FUTURO DE 10 ANOS
04/09/2025 INCHAÇO POPULACIONAL EMBRUTECE METRÓPOLE
02/09/2025 OTIMISTA INDIVIDUAL E OTIMISTA COLETIVO
22/08/2025 PAULINHO SERRA E DIÁRIO INTERROMPEM LUA DE MEL
20/08/2025 LULA HERÓI, TRAIDOR E VILÃO DE SÃO BERNARDO
24/06/2025 CONTRADITÓRIO INCOMODA, MAS É O MELHOR REMÉDIO
11/06/2025 PÁGINAS VIRADAS DE UMA MUDANÇA DESASTROSA
05/06/2025 VIVA DRAUZIO VARELLA, VIVA A REGIONALIDADE
30/05/2025 RANKING DE QUALIDADE DE VIDA: SANTO ANDRÉ SOFRE