Sociedade

Conselhão Regional começa a avaliar
candidatura de Regina Maura Zetone

DANIEL LIMA - 02/05/2012

Por que Regina Maura Zetone, superassessora do prefeito José Auricchio Junior, é candidata ao Palácio do Cerâmica? Será  por que é mulher escalada no embalo de aprovação nacional do governo Dilma Rousseff? Será que entrou na disputa por que seria o somatório de qualidades técnicas na administração petebista e da imagem da presidente da República? Ou por que é competente no que faz, independentemente do gênero coincidente com o da ocupante do Palácio do Planalto?
 
Esta é a síntese da nova enquete preparada pela revista digital CapitalSocial. A consulta será respondida até 22 de maio pelo Conselhão Regional. A instância consultiva de CapitalSocial foi acionada pela primeira vez há dois meses e decidiu que Província do Grande ABC é a marca mais apropriada à compreensão da realidade individual e coletiva dos sete municípios da região. Foram 83% dos votos à "Província" ante 17% ao "Grande ABC". Depois da enquete sobre a candidatura de Regina Maura Zetone, outro concorrente eleitoral na Província do Grande ABC será levado à avaliação do Conselhão Regional. O objetivo que passa ao largo de questões políticas e partidárias. Funda-se decididamente em questões culturais. Por isso, é provável que Luiz Marinho, de São Bernardo, seja o próximo concorrente a passar pelo crivo do Conselhão Regional.
 
Os três enunciados possivelmente não preenchem todas as demandas de interpretação e avaliação da candidatura de Regina Maura Zetone. Como em trabalhos análogos, de cenários previamente fechados, há margem à contestação ou a complementaridade. Faz parte do jogo interpretativo.
 
Entretanto, eventuais restrições ou sugestões não desqualificam o principal núcleo dessa enquete. O que queremos saber é como os 125 integrantes do Conselhão Regional interpretam a projeção de uma mulher dirigir um Município conservador e patriarcal como São Caetano. Regina Maura Zetone seria a primeira prefeita eleita num reduto fechadíssimo, mais rico e mais exigente da Província do Grande ABC.
 
Vantagens e desvantagens
 
Mais rico e mais exigente contrapõem-se na Administração Pública, embora poucos tenham se atinado para isso. A maioria prefere avaliar São Caetano sob a ótica bonificadora de abundância. Esquece o ônus de demandas sociais de uma majoritária classe média zelosa por prestação de serviços. O Município de 150 mil habitantes que ocupam apenas 15 quilômetros quadrados de território em meio a 8,5 milhões de quilômetros quadrados e de 20 milhões de pessoas da Grande São Paulo é um estranho na selva de pedras e de exclusão social da maior metrópole nacional.
 
Quando se trata de universo político, a distinção é ainda mais singular. O lançamento de Regina Maura Zetone à Prefeitura não é um acontecimento comum. Afinal, é mulher num Município que sempre elegeu homens. Mais que isso: num Município que, até que a memória alcance, jamais se dispôs a eleger uma mulher ao Executivo. E raramente deu vez à mulher no Legislativo.
 
Está certo que a maioria das cidades brasileiras elege homens. Mas poucos restringem tanto o espaço à candidatura feminina. O que pesa na equação a envolver Regina Maura Zetone é que quase nenhum desses municípios reúne o perfil de São Caetano, de valores culturais arraigados por conta de baixos níveis migratórios em contraste com a realidade de seu entorno e, também, um oásis de qualidade de vida num mundaréu metropolitano completamente insano.
 
Seria Regina Maura uma simples extensão eleitoral do sucesso de Dilma Rousseff no Executivo Federal?  Seria Regina Maura uma associação de qualificações individuais apropriadamente embaladas pelo sucesso de Dilma Rousseff? Seria Regina Maura uma concorrente com individualidade própria, e, portanto, à distância dos efeitos de Dilma Rousseff? Em suma, o Conselhão Regional terá um desses três caminhos a escolher. Todos resumidos nos três enunciados que se seguem:
 
 A candidatura de Regina Maura Zetone é uma articulação de marketing do prefeito José Auricchio Júnior, detentor de alto nível de aprovação popular. Regina Maura Zetone está na disputa principalmente por questão de gênero, apesar da reconhecida competência técnica. Regina Maura será embalada subliminarmente pela presidente Dilma Rousseff, com recorde de aprovação popular, superando inclusive Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso em tempo semelhante de governo. A candidatura de uma mulher numa sociedade conservadora e patriarcal como a de São Caetano não é, portanto, uma jornada cega. Muito pelo contrário: é a segurança de que a imagem de austeridade, responsabilidade e compromisso com a ética pública, observada na aprovação de Dilma Rousseff, poderá ser repassada em larga escala à indicada do prefeito de São Caetano. Regina Maura é a expressão da competência feminina num mundo político congestionado por homens.
 
 A candidatura de Regina Maura Zetone é a associação de qualidades técnicas da escolhida pelo prefeito José Auricchio Júnior com a imagem pública da presidente Dilma Rousseff. Há um equilíbrio subjacente que envolve as razões do processo de escolha de Regina Maura Zetone. Nem tanto ao mar do sucesso de Dilma Rousseff como suporte à candidata do Paço de São Caetano nem tanto à terra de que a decisão teria se fixado basicamente nas atividades de superassessora que Regina Maura Zetone desempenha na Prefeitura. É do equilíbrio entre o real, ou seja, da prática funcional da candidata, e da imagem positiva de uma mulher no poder máximo da República, a preferência indicativa do grupo comandado pelo prefeito.
 
 Fundamentalmente, a escolha de Regina Mara Zetone para concorrer à Prefeitura de um Município conservador e patriarcal se deve às qualidades técnicas, políticas e pessoais da candidata, detectadas pelo seu entorno político, comandado pelo prefeito José Auricchio Júnior. Por mais que a presidente Dilma Rousseff seja largamente aprovada pela população brasileira, não se pode, de forma alguma, confundir as bolas. Prefeitura é uma coisa, Presidência da República é outra. Não há motivos para fundir as imagens de duas mulheres em cargos tão distintos. Trata-se apenas de coincidência. Regina Maura seria concorrente mesmo se Dilma Rousseff não houvesse ganhado a eleição presidencial ou se eventualmente não desfrutasse de indicadores tão festejados.


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