Sociedade

Conselhão aponta caminhos para
Marinho ser competitivo em 2018

DANIEL LIMA - 04/07/2012

Muita água política e eleitoral ainda vai rolar sob a ponte da disputa pelo governo do Estado de São Paulo em 2018, inclusive um provável obstáculo complicadíssimo chamado Bruno Covas, mas o Conselhão Regional da revista digital CapitalSocial traçou os principais trechos que poderiam conduzir o prefeito Luiz Marinho, de São Bernardo, a uma jornada vitoriosa. Uma jornada mais que árdua porque, além de provável confronto com o neto de um mito da política nacional, o ex-governador Mário Covas, o petista terá de contornar inúmeras barreiras. Mais que dificuldades, são desafios que durante os primeiros quatro anos de mandato não conseguiu superar.


 


A enquete preparada por CapitalSocial foi encaminhada a 131 integrantes do Conselhão Regional, instância de consulta desse veículo de comunicação composta por formadores de opinião da Província do Grande ABC. Aliás, esse mesmo Conselhão Regional avalizou, na primeira enquete, que a expressão “Província do Grande ABC” mais se adapta à realidade regional, em vez da historicamente grandiloquente “Grande ABC”. Por esse posicionamento é possível entender que a maioria dos formadores de opinião reunida por CapitalSocial não adota posturas acomodatícias. 


 


Do total de conselheiros que participaram dessa terceira enquete (a segunda definiu a importância de Regina Maura Zetone como candidata à Prefeitura de São Bernardo, levando-se em conta fatores de gênero e administrativos), 49 remeteram posicionamentos à redação de CapitalSocial. Entre os demais, 48 repetiram a omissão das duas enquetes anteriores, ou seja, não enviaram resposta. Por isso estão excluídos do Conselhão Regional. Agora o universo dessa instância de consulta está limitado a 82 participantes. E será reduzido ainda mais na medida em que novas inadimplências de cidadania forem consumadas. A direção editorial de CapitalSocial considera que, salvo exceções, a omissão de conselheiros nesse tipo de avaliação que preserva o anonimato individual e valoriza o comprometimento coletivo, não deve merecer outro destino senão a supressão da lista de participantes.


 


Processo definidor


 


Ante 10 enunciados apresentados ao Conselhão Regional, CapitalSocial sugeriu o apontamento individual de ao menos cinco. Ou seja: cada conselheiro poderia apontar prioritariamente até cinco das 10 proposições sobre as pontes de competitividade que levariam Luiz Marinho a viabilizar-se candidato do Partido dos Trabalhadores nas eleições ao governo do Estado de 2018.


 


Como se sabe, o prefeito petista de São Bernardo está fora de qualquer possibilidade de concorrer ao governo do Estado em 2014. Os assessores de Marinho consideram indigesto tanto em nível interno do partido quanto externamente um enfrentamento com o governador Geraldo Alckmin. Possivelmente terão sinalização semelhante ante a possibilidade de, quatro anos depois, encararem o neto de Mário Covas, ou se voltarão para valer para um embate que pretenderiam concorrido? É aí que os resultados da enquete de CapitalSocial ganha relevância porque, no mínimo, aponta alguns caminhos que teriam de ser perseguidos por Luiz Marinho. Que seus marqueteiros, geralmente egressos de outras planícies e que chegam ditando regras, não percam a oportunidade de informarem-se sobre algumas nuances da alma regional.


 


Dos 10 enunciados apresentados ao Conselhão Regional, quatro tornaram-se mais importantes que os demais. Vejam a sequência dos enunciados em ordem de votação dos conselheiros, com os respectivos percentuais. É sempre importante lembrar que a soma dos percentuais ultrapassa a 100% porque as respostas foram múltiplas – até cinco por conselheiro participante.


 


Conquistar uma vitória expressiva nas próximas eleições em São Bernardo, inclusive com a obtenção de maioria confortável no Legislativo – 55,10%.


 


Dirigir o Clube dos Prefeitos e deixar como herança mais que um projeto de planejamento econômico e social, mas o encaminhamento de políticas resolutivas que finalmente coloquem a região num patamar de positividades integracionistas a salvo de solavancos político-partidários – 49%.


 


Construir liderança partidária regional de forma a consolidar alianças e evitar crises localizadas como em Mauá, onde o prefeito Oswaldo Dias sofreu um golpe de seus próprios companheiros de partido – 47%.


 


Comprovar com iniciativas transparentes que é um dirigente público livre da tutela sindical – 43%.


 


Consolidar pelo menos um grande projeto econômico para São Bernardo, amenizando a excessiva dependência automotiva – 37%.


 


Mobilizar esforços regionais para transformar as restrições à ocupação das áreas dos mananciais em compensações financeiras que seriam prioritariamente aplicadas naquelas mesmas áreas, reduzindo-se a degradação histórica – 31%.


 


7º Manter os laços que o prendem ao ex-presidente Lula da Silva sem, entretanto, depender demasiadamente do padrinho – 26%.


 


Prestar detalhadamente a cada seis meses de eventual novo mandato contas públicas sobre investimentos de São Bernardo em Saúde, Educação, Segurança Pública e Publicidade – 26%.


 


Priorizar ações e resultados que enfatizem a redução do custo da mobilidade urbana gerada pelo excesso de veículos nas ruas e pela desvairada ocupação espacial do mercado imobiliário – 20%.


 


10º Promover a cada 60 dias uma entrevista coletiva com a Imprensa e representantes da sociedade para prestação de contas geral de sua Administração – 0%.


 


18% descartam


 


A enquete com o Conselhão Regional acrescentou um 11º ponto para escolha: a desconsideração de todas as alternativas e a impossibilidade de Luiz Marinho ou qualquer petista chegar ao governo do Estado de São Paulo nos próximos 20 anos, por causa de fatores políticos, culturais e históricos. O total de conselheiros que adotou a proposta chegou a 18%. Menos que nove dos 10 enunciados da cartilha de competitividade de Luiz Marinho.


 


Vou tentar destrinchar a alma do Conselhão Regional numa próxima abordagem sobre esse experimento de cidadania. Na edição desta quinta-feira pretendo, mais que interpretar a hierarquia decidida pelos conselheiros, posicionar os leitores sobre a viabilidade de Luiz Marinho tornar-se competitivo internamente, ou seja, nos interiores da Província do Grande ABC para, em seguida, tentar dar um salto que ele imagina possível.


 


De antemão, e salvo evidentemente a dinâmica política que faz do admirável de hoje o condenável de amanhã, engajo-me intelectualmente, sem qualquer resquício ideológico, nos 18% dos conselheiros que consideram a missão de Luiz Marinho muito improvável. Sobretudo se a disputa se der mesmo com Bruno Covas. O que está mais que bem encaminhado.


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