Economia

Grande ABC segue com riqueza
mais forte que a Grande Osasco

DANIEL LIMA - 06/10/2010

Desde antes da implementação do trecho oeste do Rodoanel, que beneficiou tremendamente a vizinha Grande Osasco, o Grande ABC sofre seguidas surras dos oito municípios que formam aquela região da Grande São Paulo. Já mostramos neste espaço várias facetas dessa situação. Entretanto, pelo menos num quesito, resultado direto do desempenho histórico, o Grande ABC segue em vantagem no confronto direto que tem como agente redefinidor de protagonismo metropolitano esse cinturão viário que só chegou por aqui em abril deste ano. Trata-se do Índice de Potencial de Consumo, especialidade da IPC Marketing, espécie de PIB do consumo.


Comparando-se os dados de 1999 com os projetados para esta temporada, o Grande ABC terminará o período com vantagem de 39,7% em números absolutos. Quando transposta para a acumulação de salários e rendimentos por habitante, a média regional é 22,60% superior.


Como se explica esse quadro de supremacia do Grande ABC numa situação que resgata o tempo no qual a Grande Osasco cresceu muito mais em Valor Adicionado (produção de riqueza), em arrecadação de tributos próprios (ISS, IPVA, IPTU, entre outros), e também em investimentos na forma de novas unidades empresariais?


Simples: o Índice de Potencial de Consumo é resultado de riquezas em forma de salários e rendimentos de capital que se acumularam ao longo do tempo. Em resumo, é o que a população de uma determinada localidade tem para gastar numa temporada. E só tem para gastar porque juntou os recursos de geração em geração.


O Grande ABC é mais rico, diríamos assim, que a Grande Osasco porque o passado de desenvolvimento econômico dos sete municípios locais é mais consolidado que o da maioria dos municípios da Grande Osasco. Como costumo definir, Potencial de Consumo é um transatlântico de movimentos lentos tanto em direção a águas tranquilas quanto a um iceberg. O Grande ABC vem perdendo força faz muito tempo, a Grande Osasco vem registrando avanços há pelo menos uma década, mas a diferença que separava as duas áreas não se desfaz num passe de mágica.


Grande ABC versus Grande Osasco não é um jogo de time grande contra time pequeno que perdeu três jogadores por conta de decisão do árbitro. Também não é um clássico de resultado imprevisível e de equilíbrio estatístico. É um jogo de um novo-rico do futebol contra um adversário tradicionalmente forte, mas claramente decadente.


Vejam os números dos valores monetários nominais (sem considerar os efeitos inflacionários) que o Grande ABC e a Grande Osasco dispunham para gastar em 1999 e o que contam para gastar em 2010.



  • Em 1999 a Grande Osasco de 1.669.393 habitantes contava com potencial de consumo de R$ 8.203 bilhões, o que dava a média per capita de R$ 4.915 mil. O Grande ABC de 2.323.565 habitantes contava com potencial de consumo de R$ 13.794 bilhões, o que dava a média per capita de R$ 5.938 mil.
  • Em 2010 a Grande Osasco de 2.042.557 habitantes conta com potencial de consumo de R$ R$ 26.921 bilhões, o que dá a média per capita de R$ 13.183 mil. O Grande ABC de 2.624.142 habitantes conta com potencial de consumo de R$ 44.967 bilhões, o que dá a média per capita de R$ 17.038.

Como se explica, perguntaria o leitor, que em números absolutos a Grande Osasco reduziu a diferença entre 1999 e 2010 de 40,53% para 39,70% se na contabilidade por habitante a diferença aumentou, de 17,22% para 22,60% favoráveis ao Grande ABC? A resposta está na demografia: a Grande Osasco ganhou muito mais moradores do que o Grande ABC no período. Em 1999 o Grande ABC contava com contingente populacional 28% superior à Grande Osasco, enquanto neste ano de 2010 a diferença cairá para 22%. Também esses resultados compõem a cesta de efeitos colaterais da chegada do trecho oeste do Rodoanel muito antes do trecho sul, que passa tangencialmente pelo Grande ABC.


Uma tomada dos números que a IPC Target do especialista Marcos Pazzini fornece coloca mais fachos de luzes nas comparações entre as duas regiões. O G-7, como pode ser chamado o Grande ABC, conta relativamente com maior número de residências de Classe Média-Alta e Classe Média-Média, enquanto o G-8, como pode ser chamada a Grande Osasco, reúne mais Classe Média Emergente e Baixa Renda. Vejam os números:



  • Em 1999 a Grande Osasco contava com 4,04% de classe Média-Alta, contra 6,17% do Grande ABC. Na classe Média-Média eram 23,34% das residências da Grande Osasco, contra 31,36% no Grande ABC. Na classe Média-Emergente eram 44,39% na Grande Osasco e 38,23% no Grande ABC. E na Baixa Renda eram 28,21% na Grande Osasco e 24,22% no Grande ABC.
  • Em 2010 a Grande Osasco conta com 5,01% de classe Média-Alta, contra 6,97% do Grande ABC. Na Classe Média-Média são 34% na Grande Osasco e 37,48% no Grande ABC. Na Classe Média-Emergente são 45,95% na Grande Osasco e 42,93% no Grande ABC. E na Baixa Renda são 15,02% na Grande Osasco e 12,59% no Grande ABC.
  • Em 1999 a Grande Osasco contava com 428.924 domicílios, contra 619.205 do Grande ABC. Em 2010 são 580.366 domicílios na Grande Osasco e 779.964 no Grande ABC.

Seria uma maravilha se o Grande ABC fosse o retrato do potencial de consumo de São Caetano. Seríamos um paraíso. Vejam só as diferenças entre os números de São Caetano e a média dos números do Grande ABC previstos para este ano:



  • São Caetano conta com 13,37% de moradias de classe Média-Alta, contra a média regional de 6,97%. Já na Classe Média-Média, São Caetano registra o total de 44,13% das 51 mil moradias, enquanto o Grande ABC chega a apenas 37,48%. Na Classe Média-Emergente, São Caetano conta com 34% da população, contra 42,93% do Grande ABC. E na Baixa Renda, São Caetano registra apenas 8,38% da população, contra a média de 12,59% do Grande ABC.

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