A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), subseção de Santo André, está anunciando a introdução de antiga sugestão ou cobrança de CapitalSocial às entidades de classe da Província do Grande ABC: fiscalizar atentamente o Executivo cada vez mais concentrador de poderes e negligente em gestão. Tomara que a decisão nestes tempos de revolução seja acompanhada por outras instituições em outras cidadelas provinciais, porque os abusos e obscuridades do setor público são montanhescos. Fiscalizar é uma boa pedida, mas só fiscalizar é pouco. É preciso ir muito além dos papéis. O trabalho de campo poderá traduzir a diferença entre o oficial, documentado, e o real, praticado.
O que a OAB de Santo André pretende e que está em reportagem do Diário do Grande ABC desta terça-feira é o acompanhamento dos contratos firmados pela Administração Carlos Grana. Os três representantes da OAB (Heleni de Paiva, William Lago e Antônio Carlos Cristiano) vão analisar os contratos do governo municipal que envolvam convênios de grande monta financeira. A Administração direta e a Administração indireta estarão na alça de mira desse grupo de advogados.
Acisa comprometida
A medida é alvissareira, mas insuficiente caso se pretenda transformar a Província do Grande ABC em referência de profilaxia administrativa no setor púbico. A OAB anunciou que pretende contar com a companhia da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) e da unidade do Ciesp (Centro das Indústrias). É pouco provável que obterá retorno. Principalmente da Acisa, comprometida até a medula com a Administração Carlos Grana. Tão comprometida que conta com numerosos cargos em vários escalões. O maior desperdício está na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, entregue a uma senhora educada, fina, mas absolutamente inútil na área. Oswana Fameli é também vice-prefeita.
Tudo dentro do figurino que concebeu a candidatura de Carlos Grana e os acertos para tornar-se palatável à classe média. Algo mais que duvidoso em matéria de resultados, conforme provam os mapas eleitorais e, agora com a hecatombe das ruas, absolutamente desprezível. O PT distancia-se cada vez mais da classe média tradicional e começa a ver a água invadir o convés da chamada nova classe média, que de classe média não tem nada, apenas marquetagem oficial.
Caiu a máscara
Não tenho dúvidas de que a iniciativa da OAB de Santo André está relacionada à queda da máscara da classe politica nas ruas metropolitanas. A fragilidade da representação política é latente. Está portanto na hora de outras instituições que permaneceram na penumbra de um voyeurismo que sempre condenei saltarem para o palco da cidadania. As barreiras ainda são e continuarão a ser imensas, mas o ambiente é apropriado porque novos seguidores tendem a saltar do muro.
A classe política está assustadíssima e não terá coragem, em qualquer pedaço de território nacional, de afrontar as forças vivas da sociedade. Vivemos uma situação que no pugilismo poderia ser chamada de nocaute técnico, mas ante os políticos o melhor mesmo é um golpe fatal, para nocauteá-los. Quem sabe quando recobrarem os sentidos possam exibir um semblante menos autoritário e decisões menos autocráticas.
Precisamos reduzir urgentemente o numeroso quadro de GPP (Grupo de Predadores da Província) e isso só será possível com mobilizações também intramuros, com respaldo das ruas do País. Reconheço que às vezes sou rude com integrantes da sociedade que preferem a omissão. Há gente qualificada que só exibe essa postura porque corre riscos de retaliações ao atuar individualmente ou em pequenos grupos. Agora há fermentação mais que evidente a iniciativas mobilizadoras.
Presidente da OAB de Santo André, Fábio Picarelli provavelmente é um dos maiores beneficiários do novo ambiente social que se respira no País, particularmente em Santo André. Picarelli toma uma iniciativa com atraso em relação aos desejos de CapitalSocial, mas ainda conta com o tempo para inscrever-se como candidato a uma nova ordem institucional. Muito vai depender do andar da carruagem da administração petista em Santo André, que já emitiu sinais mais que inquietantes de que não difere nada de tantas outras agremiações de tantos outros rincões deste País, inclusive da Província do Grande ABC.
Teste do sofá
Possivelmente os próximos tempos vão confirmar a impressão de que na mesma proporção em que velhos ou novos atores políticos vão ganhar um chute os fundilhos nas eleições que virão, os agentes sociais que se destacarem passarão a ocupar posições estratégicas na gestão de recursos públicos.
Basta que não sejam contaminados por esquemas políticos e partidários que, revistos e enxotados por uma nova legislação, permitirão aos iniciantes recusar a automacidade dos testes de sofá à habilitação eleitoral.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS