Economia

Mercado imobiliário merece mais
atenção e respeito no Grande ABC

DANIEL LIMA - 28/05/2010

Os empreendedores do mercado imobiliário merecem mas também devem exigir mais atenção e respeito no Grande ABC. Na quase totalidade formado por empresas familiares, o setor não pode ser atirado no mesmo saco de gatos de complicações derivadas de questionamentos técnicos e éticos de casos como o da contaminação do terreno do Residencial Ventura, em Santo André.


A generalização de incidentes de ordem particular é o caminho mais curto para esmaecer a imagem conjunta do setor. Daí, nada mais ajuizado que definir e aprovar medidas restritivas e seletivas de ordem corporativo-comportamental para atenuar o grau de risco de investidas destrambelhadas. Quem trabalha e vive no Grande ABC tem muito mais responsabilidade e compromissos a compartilhar com a sociedade.


Atravessadores locais e grandes conglomerados imobiliários egressos de outras paragens que observam o Grande ABC apenas com a lente de mercantilismo estão pouco ligando para a repercussão de seus atos ao conjunto da atividade.


Não foram poucos os exemplos em que, como coordenador-geral do Prêmio Desempenho Empresarial (que também teve desdobramentos como Prêmio Desempenho Social e Prêmio Desempenho Cultural) homenageamos a cadeia imobiliária do Grande ABC. Construtores, incorporadores, imobiliárias e fornecedores de insumos tiveram muitos representantes subindo nos palcos para receber justas homenagens.


A história econômica do Grande ABC não seria a mesma de dinamismo nos tempos de vacas gordas e de resistência nos momentos mais tensos se o mercado imobiliário descartasse os empreendedores locais. É essa gama de experiências, talentos e dedicação ao trabalho que não pode cair na vala comum preparada sob o imediatismo de rentabilidade de operadores de ocasião.


O Residencial Ventura, insisto, deverá, portanto, transformar-se em marco não só de resistência, mas também de indignação e de reviravolta dos empreendedores domésticos.


Não se pode, num cambaleante e falso espírito de corpo, e a pretexto de proteger a classe, atirar sob o tapete do descaso as repercussões daquele empreendimento forrado de irregularidades.


Muito pelo contrário: construtores, incorporadores e agentes imobiliários que têm compromisso com o futuro no Grande ABC devem aparelhar-se de ideias para contribuir na tarefa de cercear os passos de novos empreendimentos de modus operandi semelhante ao do Residencial Ventura.


Isso quer dizer exatamente o seguinte: não se pode permitir que a imagem do setor imobiliário, construída com a argamassa de trabalho e dedicação de gente que respira e amassa o barro regional, seja confundida com o caso do Residencial Ventura.


A denúncia contra o grupo empresarial que excedeu-se no processo de erguer aqueles 320 apartamentos num terreno ocupado durante 70 anos por uma indústria química é, ao contrário do que sugerem os simplistas, uma atitude que poderá ajudar a revolucionar o mercado imobiliário regional. A bola está em jogo e no jogo deve permanecer — apesar das pressões que se sentem para apressar o apito final.


Em última instância, o que se registrou com a compra e comercialização do terreno e dos apartamentos do Residencial Ventura foi o que poderia ser caracterizado como concorrência desleal. Ou pode ser considerada justa uma disputa por imóvel que faz parte do estoque de terras do Grande ABC na qual os empreendedores dão um nó na legislação ambiental?


As perguntas que já estão sendo formuladas e que serão direcionadas a Milton Bigucci, presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Incorporadores e Imobiliárias do Grande ABC), dentro da série “Entrevista Indesejada” poderão representar um divisor de águas nas categorias econômicas enfeixadas na entidade.


A situação de quase anorexia institucional da Acigabc não pode permanecer, sob risco de levar empreendedores locais ao descrédito sempre que algum fato explosivo, como o condomínio Barão de Mauá e o Residencial Ventura, aparecer nas manchetes de jornais.


Mais que isso: uma representação associativa de empresários não pode seguir cartilha surrada e fora de moda num mundo globalizado no qual vivemos, ao misturar responsabilidades com corporativismo puro.


Tradução: qualquer instituição, empresarial, sindical, social e cultural, não pode enxergar apenas o próprio umbigo. Há uma sociedade clamando por novidades, por compartilhamento, por integração, por responsabilidade mútua.


A importância de sacudir as instâncias legais que conduzem o mercado imobiliário do Grande ABC está ligadíssima também à própria perspectiva de consolidação de uma atividade que vive nos últimos anos inebriante demanda, na esteira do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e, principalmente, da reorganização do sistema de financiamento habitacional no País.


Cresce a participação do mercado imobiliário no bolo de financiamento de atividades econômicas do País. Isso é ótimo e maravilhoso, mas as contrapartidas precisam e devem ser observadas com lupa: é o momento ideal para reorganizar as instâncias institucionais que respondem por esse importante naco de desenvolvimento econômico.


O modelo de atuação do Acigabc não é muito diferente de outras entidades locais, estaduais e nacionais. Esse é o ponto nuclear que precisa ser mais que contestado: é preciso dinamitá-lo para que dê lugar a algo inovador, contemporâneo, indiscutivelmente cidadão. Entre outros motivos porque, assim, todos terão a ganhar. Não apenas alguns mais espertos.


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