Ficamos assim, caros leitores: toda vez que aparecer em anúncio de lançamento imobiliário, em páginas de jornais, em notícias de TV, que a Província do Grande ABC terá uma linha do metrô, o que teremos de fato, de verdadeiro, é um ramal do monotrilho. A diferença de status, de preço, do escambau, entre metrô e monotrilho, é a mesma entre uma Ferrari e um Golzinho. Quando se anuncia que teremos metrô, não monotrilho, e se anuncia essa barbaridade com frequência, há duas explicações mais prováveis: faz-se o jogo da ganância imobiliária, para enganar trouxas, ou se é puramente ignorante.
Na mídia há muito desconhecimento sobre a diferença entre metrô e monotrilho, embora especialistas no assunto nem sempre façam questão de esclarecer. Já os mercadores imobiliários deitam e rolam. Frequentemente recolho panfletos nas esquinas mais movimentadas e lá estão impressas informações sobre os empreendimentos. O futuro traçado do monotrilho é tratado como traçado do metrô.
Monotrilho não tem charme nenhum, por isso se prefere chamá-lo de metrô. Monotrilho é uma mulher mal-ajambrada, uma periguete, por assim dizer. Incomoda porque agride o visual e a audição. Aquela periguete da novela das nove, uma chata de galocha, está para o sistema de transporte chamado monotrilho assim como a protagonista Paloma, da mesma novela das nove, está para o metrô. Há um abismo a separá-las, hão de convir homens de bom gosto, mulheres comedidas e até os menos isso ou mais aquilo que entendam do riscado de elegância e de beleza.
O que estão vendendo para a Província do Grande ABC é uma Paloma em forma de Valdirene, como são identificadas as duas personagens de Amor à Vida que assisto todas as noites entre outros motivos porque não quero arriscar meu coro com saídas noturnas sabendo que sei que tem gente louquinha para me fazer de tiro ao alvo.
Fosse esse País algo minimamente sério e o consumidor de informação, assim como o Direito do Consumo, não fosse tratado como estorvo, há muito providências teriam sido tomadas para evitar que se prolifere o conceito de metrô à linha 18 Bronze quando, de fato, o que teremos se tivermos mesmo, é monotrilho a 15 metros de altura, sobre uma estrutura de cimento armado que lembra sim um minhocão mais estreito e muito mais comprido. Os maledicentes fálicos são capazes de inventar um nome popular para o monotrilho. Aliás, não sei como já não inventaram, porque brasileiro faz anedota de desgraça, como não faria de algo tão explícito? Lombrigão não seria uma má pedida, convenhamos.
Metrô é algo discreto, que corre terra abaixo, oferece mais conforto, mais rapidez, mais tecnologia, mais tudo. Monotrilho é um quebra-galho de menor custo de investimentos e de operações. É uma musiquinha do Tiririca perto do contraponto de Beethovem.
Estão querendo nos vender uma bugiganga útil, mas bugiganga, como se fosse um produto de marca, de primeira linha.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS