Devo estar hoje, quinta-feira, com o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Santo André, Fábio Picarelli. Ele procurou este jornalista em reposta ao texto que publicamos nesta semana sobre alguns supostos enroscos na entidade e eventuais graus de comprometimento nas relações com a Administração Carlos Grana.
Fábio Picarelli parece diferente de outros protagonistas da vida institucional da região. Não exibe a empáfia dos que se acham intocáveis e respeita o trabalho da Imprensa independente. Há os que, como Milton Bigucci, não arredam pé da arrogância de casa grande e, também como Milton Bigucci, só dialogam com jornalistas que lhe servem de plataforma de embarque a voos egocêntricos.
Será muito interessante a conversa com Fábio Picarelli. Ele, mais que ninguém, precisa de transparência na relação com a classe dos advogados e com a sociedade como um todo. Primeiro porque representa uma instituição com história de combatividade pelos direitos humanos e pela moralidade pública.
Segundo porque tem pretensões políticas legítimas e como tal não pode construir um edifício de projetos que possa delinear perspectivas de mesmices.
Na conversa telefônica que mantivemos para tratar do encontro pessoal fui claro e específico com Fábio Picarelli, provavelmente até corrigindo interpretações caolhas sobre os textos que já produzi nesta revista digital: a OAB de Santo André não precisa ser necessariamente adversária da Administração Carlos Grana ou de qualquer outro gestor público, porque as relações institucionais não podem perecer ante eventual impetuosidade, mas também não pode se alinhar automaticamente a tudo ou a quase tudo que tenha o Paço Municipal como fonte de informações e decisões.
Fábio Picarelli é por enquanto o único titular das subseções de OAB na Província do Grande ABC que não foge completamente do noticiário mais abrasivo, mas não pode fazer de determinados posicionamentos uma grande interrogação sobre desdobramentos que viriam. Quem começa uma disputa por transparência e moralidade como Fábio Picarelli começou, não pode recuar, porque não faltariam ilações que o colocariam em maus lençóis. A imagem de independência estaria comprometida.
Tom adequado
Vamos ver o que vai dar o encontro com Fábio Picarelli. Reconheço as dificuldades que um comandante de OAB encontra para encaixar entre o politicamente responsável e o politicamente conveniente o tom de uma gestão que não pode deixar de olhar em direção ao Paço Municipal tendo como perspectiva o saudável encontro entre o ético e o funcional.
Dirigir uma OAB na Província do Grande ABC, entretanto, não pode ser a confirmação de um espaço neutro, inodoro, incolor, entre a omissão deliberada às travessuras dos titulares do Poder Executivo e a fragilização reflexiva da sociedade. É preciso vontade política para sacramentar um novo modo de convivência democrática que não se deixe levar por benesses do poder nem tampouco cair na vala comum da oposição enraivecida e inócua.
CapitalSocial é um espaço jornalístico nobre que intermedeia as relações entre formadores de opinião e tomadores de decisão e, como tal, sempre se colocará à disposição de quem pretende ver a Província do Grande ABC diferente do que temos de suportar.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS