O São Bernardo está conseguindo a proeza de deixar escapar o grande objetivo da temporada: classificar-se à Série D do Campeonato Brasileiro, incorporando-se, mesmo que provisoriamente, ao calendário nacional. O empate de 1 a 1 em casa diante do Mogi Mirim, domingo à noite, num jogo-pelada em que faltou quase tudo, pela Séria A do Campeonato Paulista, tornou a proposta do São Bernardo pouco provável, embora não impossível. E a classificação às quartas-de-final está praticamente descartada: quatro pontos atrás da Ponte Preta e restando apenas duas rodadas, precisará de um quase milagre para enfrentar o Santos na Vila Belmiro.
Para entender a viabilidade de o São Bernardo chegar à Série D do Brasileiro é preciso reconhecer que, das duas vagas regulamentares, há apenas uma disponível. O Botafogo de Ribeirão Preto soma 28 pontos como líder do Grupo B do Campeonato Paulista e já garantiu classificação no Brasileiro. A outra vaga é disputada por Ituano (22 pontos, seis vitórias e saldo positivo de quatro gols), São Bernardo (20 pontos, cinco vitórias e saldo positivo de três gols), Rio Claro (19 pontos, cinco vitórias e saldo positivo de três gols), Penapolense (18 pontos, seis vitórias e saldo zero), e Audax (17 pontos, quatro vitórias e saldo negativo de dois gols). Audax e Penapolense têm um jogo a menos e vão se enfrentar nesta terça-feira. Só derrota ou empate do Penapolense evitaria que o São Bernardo seja ultrapassado na classificação geral.
Mesmo com os dois tropeços em casa nas duas últimas rodadas, quando a programação de novos seis pontos foi impactada pela soma de apenas dois, o São Bernardo não está fora da briga pela Série D; mas é preciso reconhecer possibilidades fortemente reduzidas.
Se o foco da disputa centralizar-se no São Bernardo e no Ituano, deixando-se de lado Audax e Penapolense, está claro que o time da região depende de terceiros. O confronto no Interior com o Bragantino equivale ao jogo do Ituano no Morumbi contra o São Paulo. Explica-se: com vantagem de dois pontos, resultados iguais na penúltima rodada manterão o Ituano na frente, podendo decidir a vaga na última rodada em casa diante do Penapolense, enquanto o São Bernardo enfrentará o praticamente rebaixado Oeste no Estádio Primeiro de Maio.
Vantagem improvável
Só existe uma possibilidade de o São Bernardo jogar a última partida em casa sem depender de derrota ou empate do Ituano: terá de vencer o Bragantino no Interior e o Ituano perder do São Paulo. Essa combinação dará um ponto ganho de vantagem ao São Bernardo na rodada final. Uma perspectiva com dificuldades de viabilidade plena, porque o Bragantino luta com o Rio Claro pelo segundo lugar no Grupo D do Campeonato Paulista (o primeiro é do Palmeiras). Bragantino e Rio Claro têm 19 pontos. O Bragantino disputou um jogo a menos (enfrenta amanhã a Portuguesa, na Capital) e, depois de enfrentar o São Bernardo na penúltima rodada, encerra participação diante do Paulista, já rebaixado, em Jundiaí. O Rio Claro enfrenta o visitante Santos e sai contra a Portuguesa na última rodada.
Se o Audax acrescentar-se aos prognósticos classificatórios, a situação do São Bernardo se tornará um pouco mais delicada. Se o time da Capital vencer o Penapolense nesta terça-feira, somará os mesmos 20 pontos do São Bernardo, bem como o mesmo número de vitórias (cinco). A vantagem de cinco gols do São Bernardo no saldo de gols ante o Audax (três positivos contra dois negativos) poderá fazer a diferença. O Audax enfrentará o Comercial em Ribeirão Preto e o Linense na Capital, adversários que lutam contra o rebaixamento.
Pelada sem alma
O empate de 1 a 1 com o Mogi Mirim no Estádio Primeiro de Maio na noite de domingo provavelmente se converteu na pior apresentação do São Bernardo na temporada. Um time sem alma, longe de se acreditar que concorre a uma vaga às quartas de final e outra à Série D do Brasileiro vagou durante quase todo o tempo. Só acordou, sem brilho técnico e com obviedade tática de lançamentos em direção à área adversária, nos últimos 20 minutos, quando caiu na real de que a derrota de 1 a 0 seria danosa demais. Um gol do atrapalhado Bombinha a três minutos do apito final amenizou os estragos.
Está mais que clarificado que o São Bernardo é um time de uma nota só, manjadíssima pelos adversários. Sem capacidade técnica de criar espaços com habilidade e engenho, o time de Edson Boaro voltou a explorar as laterais, principalmente a direita, e a abusar dos cruzamentos em diagonal. Muito pouco mesmo diante de um adversário excessivamente permissivo na marcação, embora habilidoso na formulação de jogadas. O primeiro tempo foi de indigência alucinante. O ritmo negligente das duas equipes contrastava com a importância dos três pontos também para o visitante, ameaçado de rebaixamento.
O segundo tempo foi menos doloroso porque o Mogi Mirim fez o gol logo aos cinco minutos e obrigou o São Bernardo a cair decididamente no ataque. O técnico Edson Boaro trocou o volante Daniel Pereira pelo atacante Diogo Acosta, depois substituiu o cansado Edson pelo finalizador Jean Carlo e em seguida o dispersivo lateral Rafael Cruz pelo meia-atacante Erick Flores. Nada disso resolveu, exceto o revigoramento da tática de usar as laterais para cruzamentos seguidos à área adversária, agora com Eduardo pela direita e Jean Carlo pela esquerda. O Mogi Mirim não teve eficiência para fechar os espaços laterais, tampouco para escalar um terceiro zagueiro, e com isso alcançou a proeza de permitir que o tosco Bombinha empatasse de cabeça.
Pobre Rivaldo
Pior que o jogo como um todo foi a atuação de Rivaldo, que acumula a presidência do Mogi Mirim. Alguém precisa lhe recomendar com a franqueza escassa na sociedade que aquele que já foi eleito o melhor do mundo precisa cair na real de que futebol já não é mais seu ofício. Aos 41 anos, Rivaldo poderia livrar o técnico do Mogi Mirim do constrangimento de, à beira do gramado, alteração preparada para tentar dar mais vida à equipe, solicitar permissão para retirá-lo de campo.
Rivaldo caiu de joelhos ao tentar dominar uma bola na lateral ofensiva no primeiro tempo. Ali ele poderia ter aproveitado para agradecer a Deus pelo talento recebido. Agora que os músculos lhe faltam, seguir como dublê de presidente e alguma coisa que lembra vagamente um atacante que volta para tentar virar meia, é um deboche ao profissionalismo destes tempos, cada vez menos talento e mais força. Rivaldo esteve à altura do jogo em São Bernardo.
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