Sociedade

Bigucci fracassa ao tentar roubar
a cena em almoço dos construtores

DANIEL LIMA - 14/05/2014

O almoço que o empreendedor Fernando César realizou ontem num restaurante chique de Santo André envolvendo pesos pesados, pesos médios e pesos leves do setor imobiliário, especificamente do segmento de construtoras e incorporadoras, marcou novo vexame do empresário Milton Bigucci. O também presidente da esquelética e desmoralizada Associação dos Construtores, Incorporadores e Imobiliárias do Grande ABC -- o tal Clube dos Construtores e Incorporadores ao qual me refiro nesta revista digital, caiu do cavalo da impetuosidade. Bigucci, em maus lençóis porque é visto como integrante de uma banda nada nobre do setor, tentou que tentou um espaço de destaque no cerimonial. Foi barrado do baile de declarações ao microfone. Permaneceu como convidado que, como os demais, pagou para participar do encontro com o prefeito de Santo André, Carlos Grana, e alguns secretários.


 


Chegou a ser constrangedora a presença de Milton Bigucci. Não necessariamente pela presença em si, porque a diplomacia seria subvertida caso fosse afastado deliberadamente de um encontro que a entidade a qual preside jamais foi capaz de realizar porque não tem representatividade na classe. O que pegou muito mal para o empresário que já tentou na Justiça retirar do acervo desta revista digital todas as matérias que lhe fazem referência, o que pegou muito mal foi a insistência com que se lançou à empreitada de ocupar o microfone e dar informações que, disse ele, pasta executivo em punho, eram muito importantes para os convidados.


 


Milton Bigucci tem a mania de acreditar que tudo o que diz ou tem a dizer é relevante. Mesmo que sejam dados furados sobre supostas pesquisas sobre o comportamento do mercado imobiliário da região.


 


Não me faltam informações de fontes confiáveis presentes naquele almoço sobre algo que resvalou no patético. Milton Bigucci se expôs de forma tão intempestiva em busca de um lugar no púlpito a ponto de recorrer a todas as instâncias que julgava decisórias. Até ao prefeito Carlos Grana, ensaboado por natureza, o empresário recorreu. Imaginem os leitores se o prefeito de Santo André meteria a mão nessa cumbuca: dar vez ao microfone a um dirigente de uma entidade improdutiva e, cumulativamente, a um empresário enredadíssimo em escândalos, inclusive ao ser incluído na máfia das construtoras que atuou em conluio como a máfia dos fiscais da Prefeitura de São Paulo.


 


Talvez esteja a faltar ao empresário e ao dirigente Milton Bigucci (e todos os textos que produzi neste espaço se referem à duplicidade de funções de Milton Bigucci, jamais ao chefe de família) alguém que lhe dê conselhos, orientação, qualquer coisa nesse sentido. Milton Bigucci ainda não se apercebeu de que há momentos para tudo na vida, inclusive para uma retirada estratégica, senão definitiva, da cena pública. Mesmo considerando que a atividade da qual faz parte é um mar de complicações éticas e que ele não é exemplar exclusivo de deslizes, há momentos que sinalizam transformações. E Milton Bigucci não integra eventual novo momento de mudanças.


 


A simples constatação de que um jovem e atrevido agente do mercado imobiliário que atua na área de comunicação, caso de Fernando César, foi capaz de reunir cerca de 100 empreendedores de 40 empresas diferentes num encontro com o prefeito de Santo André, deveria servir de alerta à fadiga de material institucional da entidade dirigida por Milton Bigucci e, também, ao desgaste do empresário como porta-voz da classe.


 


Ao tentar roubar a cena num evento do qual não integrava a organização (e que por isso mesmo foi um sucesso) Milton Bigucci não se dá conta de que a falta de transparência, o descaso com o trabalho em conjunto, a esqualidez de infraestrutura e o mandonismo à frente do Clube dos Construtores e Incorporadores durante mais de duas décadas o levaram à bifurcação da qual tentou fugir como o diabo da cruz: ou se compenetrava de que é apenas um convidado que pagou convite para uma festa, sem direito a regalias do cerimonial, ou dedicava o tempo de que dispôs no horário do evento a cuidar do conglomerado de empresas que dirige. 


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