Sociedade

Santo André dá salto positivo no
Ranking de Homicídios do G-20

DANIEL LIMA - 24/07/2014

Mal das pernas na área econômica há mais de três décadas, com perdas cumulativas que comprometem o tecido social e os recursos públicos para investimentos, Santo André melhorou consideravelmente a posição no ranking de homicídios dolosos (quanto há intenção de matar) no G-20 Paulista, o grupo dos 20 principais municípios do Estado de São Paulo (exceto a Capital), criado por CapitalSocial. Em relação ao ranking divulgado há dois anos, tendo como base da pesquisa o ano de 1999, Santo André deu o maior salto positivo entre os integrantes do agrupamento: deixou o 11º lugar para ocupar o quarto. São Bernardo também melhorou, ao passar do 15º para o nono lugar, enquanto São Caetano se manteve na liderança histórica, Diadema desabou e Mauá sofreu leve queda. Antes da virada do século os cinco municípios da região ocupavam as últimas colocações no ranking.


 


O indicador de homicídios dolosos registrados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo é um dos mais confiáveis para medir níveis de criminalidade, mas nem por isso deve ser radicalizado como espelho fiel de qualidade de vida. Trata-se de uma das peças mais importantes de um imenso mosaico que envolve inclusive aspectos intangíveis. A sensação de insegurança pública muitas vezes independe de números frios.


 


No indicador de assassinatos não há subnotificações, como em tantas outras modalidades de crime, mas o desabamento dos registros de casos nos 14 anos pesquisados por CapitalSocial reúne nuances que especialistas avaliavam como importantes à análise. Um dos pontos a mensurar, mesmo que subjetivamente, são resíduos de permissividade ou de tolerância entre forças policiais e grupos organizados de delinquentes. Haveria certa complacência à preservação de vidas em troca de algumas concessões em outros campos. Mas isso não vem ao caso no ranking do G-20.


 


Reversão discreta


 


Os cinco representantes da Província do Grande ABC no agrupamento (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá) reverteram nos dois últimos anos a acelerada queda de assassinatos verificada deste o final dos anos 1990. No balanço de 2011, sempre tendo como base 1999, a redução de casos de homicídios na região para cada grupo de 100 mil habitantes era de 83,12%. O balanço de 2013 aponta que a queda em 14 anos é de 81,29%. Houve, portanto, uma retomada discretíssima de casos.


 


De qualquer modo, a velocidade do rebaixamento do número de assassinatos nos cinco mais importantes municípios da região e também nos demais integrantes do G-20 é extraordinário ao longo de 14 anos. Em 1999 morriam assassinadas nos cinco municípios locais 51,48 pessoas para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2013, o índice foi rebaixado a 9,63. Um resultado expressivo porque os demais integrantes do G-20 apresentaram redução inferior, de 32,50 para 10,90 homicídios por 100 mil habitantes.


 


Uma outra leitura sobre a diferença entre os municípios da região no G-20 e os demais componentes do agrupamento é que em 1999 Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá sofriam as dores terríveis de um quadro alarmante de homicídios, enquanto os outros 15 estavam em situação menos grave. A marca registrada pelos municípios da região quando cotejada com os demais componentes do G-20 explicita que há certa uniformidade no indicador. Os 15 demais membros do G-20 apresentaram ao final de 2013 o índice de 10,90 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Ou seja: um resultado 13% superior aos dos municípios da região. A média no G-20 é de 10,58 homicídios para cada 100 mil habitantes. O G-20 reúne população de 10.571 milhões de pessoas e engloba um terço do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado de São Paulo.


 


Veja o ranking atualizado de assassinatos do G-20:


 


1. São Caetano com índice de 2,67 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, ante 12,01 em 1999. Redução de 77,76% no período.


 


2. Santos com 5,34 para cada grupo de 100 mil pessoas, ante 26,24 em 1999. Redução de 79,64% no período.


 


3. Jundiaí com índice de 7,32 para cada grupo de 100 mil pessoas, ante 14,12 em 1999. Redução de 48,15% no período.


 


4. Santo André com índice de 8,65 assassinatos para cada grupo de 100 mil pessoas, ante 39,43 em 1999. Redução de 78,06% no período.


 


5. São José do Rio Preto com índice de 9,26 assassinatos para cada grupo de 100 mil moradores, ante 9,19 em 1999. Redução de 0,75% no período.


 


6. Barueri com índice de 9,27 assassinatos, ante 60,77 em 1999. Redução de 84,74% no período.


 


7. Mogi das Cruzes com índice de 9,47 assassinatos, ante 16,44 em 1999. Redução de 42,39% no período.


 


8. Sorocaba com índice de 9,70 assassinatos, ante 20,01 em 1999. Redução de 51,52% no período.


 


9. São Bernardo com índice de 9,73 assassinatos para cada 100 mil habitantes, ante 51,19 em 1999. Redução de 80,99% no período.


 


10. São José dos Campos com índice de 9,93 assassinatos, ante 47,85 em 1999. Redução de 79,24% no período.


 


11. Paulínia com índice de 10,05 assassinatos, ante 30,39 em 1999. Redução de 66,93% no período.


 


12. Ribeirão Preto com índice de 10,32 assassinatos, ante 39,94 em 1999. Redução de 74,16% no período.


 


13. Sumaré com índice de 12,19 assassinatos, ante 44,43 em 1999. Redução de 72,56% no período.


 


14. Campinas com índice de 12,23 assassinatos, ante 52,60 em 1999. Redução de 76,75% no período.


 


15. Mauá com índice de 12,31 assassinatos, ante 51,94 em 1999. Redução de 76,44% no período.


 


16. Osasco com índice de 12,69 assassinatos por 100 mil habitantes, ante 33,76 em 1999. Redução de 62,41% no período.


 


17. Guarulhos com índice de 13,30 assassinatos por 100 mil habitantes, ante 56,03 em 1999. Redução de 76,26% no período.


 


18. Piracicaba com índice de 13,69 assassinatos por 100 mil habitantes, ante 21,12 em 1999. Redução de 35,18% no período.


 


19. Diadema com índice de 14,79 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, ante 102,82 em 1999. Redução de 85,61% no período.


 


20. Taubaté com índice de 18,78 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, ante 14,62 em 1999. Aumento no período de 28,45%.


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