Economia

Fritos e mal pagos

DANIEL LIMA - 25/03/2008

Depois de, semana passada, rodar 470 quilômetros para conhecer mais de perto a economia de Bragança Paulista e de Hortolândia, tenho péssima notícia aos maledicentes que dizem que só reservo más notícias quando me refiro ao Grande ABC.


Estamos fritos.


Não vou nem mesmo resvalar em detalhes sobre o que encontrei, porque tudo estará contado em reportagens que preparei durante o feriado e que serão publicadas na edição de abril da revista LivreMercado.


O que posso dizer com todas as letras é simplesmente o seguinte:


Estamos fritos.


Qualquer que seja o ângulo de análise sobre a economia de Bragança Paulista e a economia de Hortolândia, a conclusão será sempre a mesma:


Estamos fritos.


Da mesma forma que os administradores públicos do Grande ABC aperfeiçoaram políticas públicas sociais, voltadas para apagar incêndios de uma abertura econômica desastrada nos anos 1990, os gerenciadores públicos daqueles dois municípios, réplicas preocupantes de tantos outros do Interior de São Paulo, dão show de bola quando se trata de atrair investimentos.


Por isso, repito, estamos fritos.


Foram 470 quilômetros rodados na minha velha e fiel caminhonete. Valeram a pena, apesar dos pesares de colchões inadaptáveis dos dois hotéis em que me hospedei apenas para dormir. Colchões que estão longe das maravilhas que me proporciona o costumeiro de minha residência, de densidade forte, não molenga nem disforme como os que encontrei.


Dormir mal, sono entrecortado, corpo pendendo a todo instante para um dos lados, provavelmente revoltado com o fato de que, em casa, a parede serve de garantia de que não despencarei, dormir mal é um caminho curto para a intolerância com os interlocutores do dia seguinte.


Mas não foi o meu caso com autoridades públicas e agentes empresariais de Bragança Paulista e de Hortolândia. O que me incomodou de verdade foi constatar que minhas desconfianças quanto ao futuro do Grande ABC eram generosamente otimistas, porque achava que não estamos assim tão fora da fita, tão entregues à própria sorte.


O que encontrei me arrancou a expressão que repito:


Estamos fritos.


Não é ousadia alguma dizer o que vou dizer agora, porque de fato já o disse antes, embora provavelmente sem a consciência prática de agora: nossos agentes públicos e privados que tratam de desenvolvimento econômico são aprendizes perto daqueles que encontrei naqueles dois municípios.


Por isso, estamos fritos.


Pode até parecer paradoxo o fato de que o Grande ABC é um celeiro da livre-iniciativa, terra da mobilidade social dos bons tempos, que o setor público jamais teve peso preponderante no balanço do navio do desenvolvimento econômico, mas a verdade é que não conseguimos forjar estrutura e gente com talento para enfrentar a borrasca da desindustrialização.


Sugiro aos leitores que esperem a próxima edição de LivreMercado e leiam com atenção o que se passa em Bragança Paulista e em Hortolândia.


Estamos fritos. E mal pagos.


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