Imprensa

Uma proposta que já completou
11 anos. E a Província nada fez

DANIEL LIMA - 23/09/2014

Há 11 anos e alguns meses publiquei uma proposta de gestão geoeconômica de negócios na Província do Grande ABC. Esta revista digital ainda era uma newsletter direcionada a um número muito baixo de leitores em relação a estes tempos. Os leitores vão ter a oportunidade de ler o texto no link abaixo. Chamava a atenção dos leitores à época para a provável perda de tempo daquele trabalho, porque os gestores públicos da região não têm vocação ao empreendedorismo.


 


Na maioria ou quase totalidade dos casos o que os gestores públicos querem mesmo e o que mais praticam são exercícios de marketing à próxima eleição. O Observatório de Promessas e Lorotas é a prova cabal da mediocridade que os une. Os registros do OPL já foram mais constantes. Temerosos de repercussões negativas, os prefeitos decidiram conter o ímpeto, mas o legado está disponível nestas páginas.


 


Diria, sem o menor medo de errar que, agora mais que antes, sendo que antes também era perfeitamente possível, as plataformas tecnológicas e a massificação de instrumentos de comunicação contribuem ainda mais para o que já chamava de revolução e revolução continua a ser.


 


Vou tentar dar um exemplo de como funcionaria aquele treco, no bom sentido da expressão, sem canibalizar o texto de mais de uma década.


 


Imagine o caro leitor que pretenda montar um negócio em Santo André. Um leitor que é especializado em mecânica de automóvel. Um especialista em tudo que diz respeito a motores. Aonde montar uma empresa com viabilidade econômica respaldada por dados estatísticos?


 


Negócios imobiliários


 


Fosse a Prefeitura de Santo André não um centro de negócios imobiliários como na administração passada e ao que tudo indica também nesta administração, porque o mercado imobiliário manda e desmanda, fosse a Prefeitura, portanto, o que deveria ser, o leitor que quer criar uma oficina mecânica poderia contar com o respaldo do Poder Público. Uma consulta online com eventual suporte informativo de um funcionário público forneceria dados básicos sobre a potencialidade de negócio em determinado espaço territorial.


 


À tela do computador surgiriam dados microterritorais, de zoneamentos espaciais de Santo André, indicando a quantidade de oficinas mecânicas em atividade, suas características técnicas, os dados socioeconômicos da população potencialmente a ser atendida, inclusive com quantidade de veículos particulares correspondente ao número de moradores. Também estariam disponíveis informações sobre a renda familiar média daquele espaço territorial e tantas outras métricas econômicas.


 


Pronto, de posse de tudo isso, o potencial empreendedor poderia decidir com mais segurança sobre o investimento. É lógico que, tendo à disposição dados distritalizados de todo o Município, e contando com consultoria que o Sebrae trataria de ajustar, a empreitada não seria um tiro no escuro como a maioria ao longo dos tempos.


 


Tudo é possível


 


Não existe nada de minimamente impraticável nesta proposta nem agora nem quando a versão original foi publicada em maio de 2003. Minha memória não me ajuda quanto a desdobramentos daquele texto, se investi também nas páginas impressas da revista LivreMercado, então irmã siamesa de CapitalSocial  porque contava com a mesma paternidade e cuidados. Acho que cheguei a escrever outros textos sobre isso.


 


O futuro vai esclarecer a situação porque continuo a rastrear os acervos de LivreMercado e de CapitalSocial. Neste final de semana, por exemplo, não só encontrei a matéria que me leva a este artigo como também muitas outras preciosidades. Uma das quais em forma de Entrevista Especial da jornalista Malu Marcoccia com um experiente sindicalista da região. Escreverei sobre o tema ainda nestes dias.


 


Enquanto escrevo este artigo para ressuscitar o vigor que jamais se exauriu do texto de 2003, não resisto à indignação de acompanhar a morosidade, quando não a pusilanimidade da maioria dos gestores públicos municipais da região completamente alheios ao destino econômico da região.


 


A esquálida estrutura de secretarias de Desenvolvimento Econômico na região, bem como o improviso na escolha de vários de seus titulares, contando com a harmoniosa e escandalosa parceria de entidades de classe como a Acisa, em Santo André, não deixa outra mensagem senão a de que estamos mais que a malhar em ferro frio. Estamos assinando um atestado de estupidez ao simplesmente sugerir que façam alguma coisa revolucionária quando, lamentavelmente, nem do mais simples eles dão conta.


 


Ação por etapas


 


A utilização de armas tecnológicas em associação com bancos de dados atualizados não é uma heresia quando se discute o presente e o futuro da economia da região. Fossem as prefeituras não um depósito de inutilidades mas um estrondoso convite à modernidade, todos os territórios municipais da região teriam subdivisões geográficas que apontariam amplo mapeamento de estabelecimentos comerciais, de serviços e mesmo industriais à consulta de interessados. A experiência poderia ser feita a partir de um determinado espaço distrital como chamariz aos demais que automaticamente brotariam.


 


E imaginar que de vez em quando aparece em minha tela de computador uns e outros leitores suspeitos e politicamente comprometidos para tentar nos dar lição de moral. Gentinha sem qualificação que deveria se manter para sempre nos guetos de iguais,  porque entre os iguais por conveniência jamais existirá a menor possibilidade de contraditório fértil e, portanto, tudo parecerá em absoluta ordem.


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