Sociedade

OAB de Picarelli não vai mover uma
palha contra os abusos no Ventura

DANIEL LIMA - 28/07/2015

É claro que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Santo André, Fábio Picarelli, candidato a candidato ao Paço Municipal nas próximas eleições, não mexerá uma palha sequer para levar adiante o desafio que lhe proponho. Sei com quem estou lidando. Picarelli é adepto e defensor do quadrilheiro Milton Bigucci, comandante da MBigucci e presidente eterno do medíocre Clube dos Especuladores Imobiliários do Grande ABC (Acigabc).


 


Entretanto, não custa nada tentar: assim que Fábio Picarelli ou sua assessoria mantiver contato com este jornalista, repasso uma cópia da bomba que envolve o Residencial Ventura, uma baita aberração do mercado imobiliário que denunciei ao Ministério Público e que, finalmente, aproxima-se de desfecho.


 


A OAB poderia engrossar a lista de possíveis instituições indignadas com tudo o que aconteceu no Residencial Ventura, cujo habite-se, vejam só, foi liberado pelo então prefeito Aidan Ravin -- o mesmo prefeito denunciado ainda outro dia pelo promotor criminal José Roberto Wider, do Ministério Público Estadual, em Santo André, como integrante do time de 11 delinquentes que agiram diretamente em nome do Poder Público nos escaninhos do Semasa, a estatal de água e esgoto, não necessariamente nesta ordem, em conluio com empresários do setor. Empresários milagrosamente eliminados do quadro de bandidos pelo MP.


 


Protegendo amizade


 


Decidi aumentar o universo de potenciais mas nem por isso prováveis parceiros com os quais dividiria a honra de anunciar documento que recebi do Ministério Público de Santo André sobre o Residencial Ventura. Inicialmente, seriam apenas representantes da mídia. Agora chamo para a briga o presidente da OAB de Santo André.


 


Fábio Picarelli não terá coragem de reagir a essa convocação porque fazer média da média da média é o que mais pratica à frente de uma instituição que, no caso de Santo André, não honra as calças de institucionalidade que a demanda por cidadania exige.


 


Tanto é verdade que o escândalo do Semasa passou longe da entidade, apesar da vizinhança física com aquela empresa estatal. Picarelli não fez nada, absolutamente nada. E nem faria. As possibilidades de seu amigo Milton Bigucci estar na enrascada é mais do que certa, conforme denúncia do delator não premiado – muito pelo contrário, porque denunciado -- advogado Calixto Antônio Júnior.


 


Fosse a regionalidade da Província do Grande ABC livre de qualquer contestação, convocaria também as demais unidades da Ordem dos Advogados do Brasil a juntarem forças na divulgação, nos protestos e nas eventuais iniciativas que visassem punir os responsáveis pelos despautérios do Residencial Ventura, construído no coração do Bairro Jardim, em Santo André.


 


Entretanto, como regionalidade na Província é conversa mole para boi dormir, e só frequenta o léxico de políticos e supostas lideranças da sociedade como mecanismo prático de enrolação, prefiro centrar fogo na ausência de Picarelli.


 


Novas explosões?


 


Já imaginaram os leitores se um dia desses o Residencial Ventura vira mesmo um Barão de Mauá dos ricos? Explico: o Condomínio Barão de Mauá, construído em Mauá sobre um imenso terreno de lixo industrial, entre outras barbaridades ofensivas ao meio ambiente, pode explodir de novo a qualquer instante, porque já explodiu antes e fez vítimas fatais. Já o Residencial Ventura, construído em terreno que durante 70 anos foi ocupado por uma indústria química altamente tóxica e sem grandes preocupações ambientais, conta com 320 apartamentos de classe média-média.


 


Duvido que exista alguém com o juízo em ordem capaz de afirmar que não há risco de complicações ambientais que redundem em estragos monumentais no Residencial Ventura. Uma leitura atenta de tudo o que escrevi ao longo dos tempos e o relatório do Ministério Público Estadual ao qual darei publicidade esta semana recomendam que todo cuidado é pouco.


 


Se os leitores imaginaram o pior, imagine então como ficaria o prestígio de Fábio Picarelli na Ordem dos Advogados do Brasil em Santo André se a situação se deteriorar? Em nome de uma carreira política, de aproximações diversas e malcontadas que a ambição embala, porque a disputa por votos não é um jogo dos mais limpos, Fábio Picarelli correria o risco de ser inclusive acionado na Justiça por omissão. Ou então a OAB aqui ou em qualquer lugar não honra mais a tradição de defensora dos fracos e dos oprimidos.


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