Sociedade

“Construindo o Grande ABC”
é marketing de especuladores

DANIEL LIMA - 21/10/2015

O Clube dos Especuladores Imobiliários realiza nesta quinta-feira um encontro de classe e de apoiadores da classe chamado “Construindo o Grande ABC”. Tudo não passa de farsa típica do chefe Milton Bigucci. Antes de entrar em detalhes sobre o que se planejou para vender a ilusão de que existe preocupação com a sociedade regional, vou expor elenco de propostas que formulei e encaminhei àquela agremiação que pensa representar um setor importantíssimo.


 


Veja o que propus aos especuladores em dezembro de 2011, razão principal pela qual o chefe Milton Bigucci me aciona constantemente no Judiciário nem sempre com bom senso e comedido para preservar o direito constitucional de liberdade de expressão e liberdade de imprensa fundamentado em responsabilidade social. Para certos magistrados, aliás, o exercício da crítica jornalística independente e autoral requer a prisão do autor. Monumentos à inutilidade como o Clube dos Especuladores são templos sagrados.


 


Vou reproduzir apenas os títulos das medidas sugeridas há quatro anos de forma inédita não só na região, mas para o mercado imobiliário como um todo no País. Medidas que no fundo, no fundo, eram provocativas, no bom sentido da expressão. Sabemos todos que Milton Bigucci jamais vai abrir mão de iniciativas bem diferentes. O conjunto da obra está a um click do leitor logo abaixo. Leiam com atenção os pontos destacados:


 


 Mapeamento do IPTU residencial, comercial, serviços e industrial.
 Composição de Conselho de Ética contando com representantes da sociedade civil.
 Políticas proativas para disciplinar a contratação de agentes de distribuição de material propagandístico em vias públicas.
 Mapeamento completo de áreas industriais disponíveis.
 Gradualismo na utilização da mecânica de aplicação de outorgas onerosas.
 Completa transparência administrativa, incluindo-se atividades empresariais dos dirigentes da entidade.
 Comitê misto de avaliação das relações entre agentes econômicos e mutuários de imóveis.
 Organização estatística do valor do metro quadrado na venda de imóveis novos e usados.
 Organização estatística do valor do metro quadrado na locação de imóveis novos e usados.
 Pesquisa anual para aferir o manancial de questões que movimentam o mercado imobiliário.
 Projetos para a ocupação harmoniosa dos principais corredores viários e seus entornos.
 Plano Estratégico para dar completa transparência à aprovação de empreendimentos.
 Plano Estratégico à organização dos mananciais.
 Mapeamento completo e divulgação permanente de áreas públicas que constam da lista de licitações.
 Formação de diretorias específicas das áreas de incorporadoras, construtoras e imobiliárias.
 Conselho Permanente de acompanhamento e reforço de organismos responsáveis pela condução de políticas públicas de operação do sistema viário.
 Prestação de contas anual em assembleia geral.
 Desenvolvimento de políticas para aumentar a formalização do mercado de trabalho.
 Conselho para analisar criticamente todos os entraves burocráticos ao desenvolvimento do setor, estabelecendo-se medidas em comum para toda a região.
 
Crianças salvas 
 
Repararam os leitores que, entre todas as propostas, apenas uma, que se refere aos distribuidores de panfletos foi devidamente solucionada? E mesmo assim por iniciativa do Ministério Público do Estado. Caso dependesse do Clube dos Especuladores, os riscos de atropelamentos e outros acidentes continuariam ativos. Milton Bigucci chegou ao desplante de afirmar, à época, que desconhecia o problema. Provavelmente ele não trafegava pelas ruas da região. Ou se trafegava, fechava os olhos.
 
Fosse o “Construindo o Grande ABC” endereçado à sociedade regional, o temário básico seria integrado pela adoção de boa parte das propostas que formulamos. O que o encontro do Clube dos Especuladores reserva é uma ação corporativista, voltada ao próprio umbigo, quando não preferencialmente ao próprio bolso. Portanto, o valor social é bastante restrito. E, por isso mesmo, inadequado. O estatuto do Clube dos Especuladores faz referência explícita ao cumprimento de medidas que interessem à sociedade. Palavras vazias, como se sabe.
 
Segundo a programação, eis o que está reservado aos convidados:
 


a) Precificação de imóveis: a evolução dos preços no mercado do Grande ABC, com Eduardo Gama Shaeffer, CEO da Zap Imóveis.


 


b) Desafios na implementação de normas ABNT na construção civil, dentre elas a de desempenho, um workshop conduzido por Ronaldo Sá, membro das comissões de normalização da ABNT.


 


c) Painel Infraestrutura: o futuro das cidades do Grande ABC, contando com a mediação do empresário Aparecida Viana, da Viana Negócios Imobiliários, e como convidados secretários de Desenvolvimento Urbano da região.


 


d) Terceirização: oportunidades e riscos de redução de custos no cenário atual, com Tosca Almeida, diretor da Five Star e apresentador do programa “Empresário de Sucesso”, no SBT.


 


e) Novidades em Crédito e Financiamento Imobiliário, com Fernando Magesty, consultor e vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal.


 


Especialistas e aprendiz
 
É isso aí, portanto, o que está sob o guarda-chuva marqueteiro de Construindo o Grande ABC. Façam uma comparação com a agenda que preparei há quatro anos para dar nova face de responsabilidade social ao Clube dos Especuladores. Comparem. Leiam a matéria no link abaixo. Leiam atentamente. Isso não é apenas um convite. É um desafio.



O chefe Milton Bigucci entende provavelmente muito mais do que este jornalista de mercado imobiliário. Desvios éticos e morais à parte, roubalheiras descontadas, é do ramo e se tornou milionário na atividade. Mas de gente, de regionalidade, de responsabilidade social, não é sequer aprendiz, porque todo-poderoso do alto da empáfia de considerar-se acima de qualquer crítica. Mas nem por isso deixa de propagar aos quatro cantos que é benfeitor de criancinhas. 
 
O valor intrínseco do evento desta quinta-feira do Clube dos Especuladores não ultrapassa o terreno do corporativismo de classe, de defensa de um reduto duramente abalado nestes tempos de desajustes fiscais, de quebra da demanda na esteira de crédito escasso. O evento deve ser respeitado apenas sob esse ângulo. Qualquer derivação não passa de farsa, de embuste.
 
O que Milton Bigucci pretende mesmo é provar o impossível: que o Clube dos Especuladores não passa de uma entidade mequetrefe. Daí o ponto central de representantes do setor imobiliário estarem preparando nova entidade para representá-los. Eles sabem que o Clube dos Especuladores virou propriedade de Milton Bigucci, que está no comando da entidade desde antes da queda do Muro de Berlim. Nem Ricardo Teixeira durou tanto na CBF.   


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