A Lava Jato de que precisamos não é a Lava Jato da força-tarefa do juiz Sérgio Moro, dos procuradores públicos e da Polícia Federal que fizeram de Curitiba o centro do terror aos bandidos sociais. A Lava Jato de que a Província do Grande ABC tanto carece é uma Lava Jato com digitais locais, cromossomos locais, almas locais. A Lava Jato Federal entrincheirada no Paraná está preocupada, com razão, com coisas maiores, de interesse nacional. Se bem que devagar, devagar, vai chegando por aqui. É impossível a Província não estar metida em enrascadas que a Lava Jato está tratando de destrinchar, quando se sabe que tudo começou nestas paragens. Se é que me entendem.
Teríamos a Lava Jato Regional de que tanto precisamos se nossas instituições públicas e privadas não fossem, na maioria dos casos, o que são, ou seja, essa combinação sórdida de deixar como está para ver como é que fica. Quando não uma combinação sórdida de enfeitar o pavão como manobra dissimuladora das falcatruas.
Quem se dá muito mal ante alguns olhos porque quer que quer que a Lava Jato Regional seja instalada e faça esparramos é este jornalista. Denunciei série de irregularidades e o que mais tenho recebido de resposta efetiva é a truculência do Judiciário, engabelado pelos marginais sociais que vendem gatos de subjetividades sórdidas por lebres de verdades inquestionáveis.
Os especialistas em ludibriar o Judiciário são mais nocivos do que imaginam a sociedade. Eles são espertalhões na arte de transformar bandidos sociais em vítimas cruéis de jornalista metido a besta.
Casos a investigar
De memória, vou citar apenas alguns casos que merecem profundidade e acuidade de investigações, das quais os envolvidos não teriam como escapar, porque não há escape para coisas tão mal feitas e que subestimaram a inteligência. Aliás, subestimaram a inteligência em associação com desapreço às autoridades, ou mais que isso, com a certeza de que as autoridades constituídas não iriam mexer uma palha. Vejam alguns exemplos de que uma Lava Jato faria mesmo um esparramo regional inesquecível:
1. O escândalo da Cidade Pirelli.
2. O escândalo do Empreendimento Marco Zero.
3. O escândalo do Residencial Ventura.
4. O escândalo do Barão de Mauá.
5. O escândalo do Semasa.
6. Os pontos de interrogação da Fundação do ABC.
7. O escândalo das obras da OAS em São Bernardo.
8. O escândalo dos caças Gripen.
9. O escândalo dos Planos Diretores da região.
10. O escândalo das Leis de Zoneamento.
11. Os escândalos das merendas escolares.
12. O escândalo das dívidas ativas dos municípios.
Festa de arromba
Vou parar por aqui porque essa coleção parcial de 12 escândalos é o que temos como referência segura de que a Província do Grande ABC é um palco mal-iluminado pela Polícia, pelo Ministério Público e pelo Judiciário de modo a possibilitar que o tráfico de influência seja a moeda forte a unir os integrantes do Festeja Grande ABC e do Assalta Grande ABC.
Esses dois grupos organizados, que giram em torno de instâncias públicas municipais como mariposas, formam ciranda de felicidade restrita que sabota qualquer iniciativa de mudança de rumo.
Uma Lava Jato na Província do Grande ABC só é possível na cabeça de um idiota como eu, porque não há institucionalidade em qualquer esfera pública e privada da região a sugerir, ao menos sugerir, que a ideia prospere. Muito pelo contrário. Quem tem a petulância de propor tamanha desfaçatez deve ser banido da praça digital, como se não carregasse na cartucheira da credibilidade 50 anos de jornalismo.
Por isso tudo, se não desembarcarem forças-tarefas de fora, sem comprometimento com os poderes de plantão que dirigem os podres poderes municipais, não existe a menor possibilidade de alteração da rota de um avião desgovernado que só está assustado exatamente porque tem gente de fora a bisbilhotar nossas fronteiras.
Gostaria imensamente de ser desmentido pelos fatos. Gostaria muito que o título deste artigo virasse sucata de suposto pessimista por natureza. A diferença que me separa de muitos que acreditam em algo diferente é que sou bem informado.
Bandidos organizados
Senti e sinto na própria pele o que significa enfrentar bandidos sociais que infestam esta Província. Eles são inescrupulosos, dolosos, manipuladores. Usam a mentira como fonte de inspiração na tentativa de queimar reputações. São covardes, naturalmente. Não jogam o jogo em campo aberto, transparente, público. Preferem as trevas do anonimato, do apócrifo, do deletério, do insidiosamente malandro e corrupto.
Quanta falta faz na região um juiz como Sérgio Moro, uns meganhas como os da Polícia Federal e manda-balas como os procuradores da República? Será que não os temos mesmo? Será que sequer um juiz ou uma juíza não estaria a preparar surpresas que envolvam gente grossa? Talvez até tenha, mas uma andorinha não faz verão.
Precisamos mesmo é de uma força-tarefa destemida, com carta branca para agir regionalmente. Até porque, o Ministério Público Estadual, que poderia ter essa iniciativa, está muito aquém do desejado, esquartejado em infraestrutura de recursos humanos e materiais.
É muito ruim ter de admitir, mas como o próprio juiz Sérgio Moro já o fez, num rasgo de sinceridade e conhecimento, a Operação Lava Jato é praticamente uma exceção à regra geral de baixa combatividade aos delinquentes sociais que infestam as mais diferentes áreas do País.
Não somos, portanto, um lugar perdido em meio ao deserto. Somos um pedaço do próprio deserto de desiludidos.
Contradições borralheiras
Só me resta mesma a esperança de que os bandidos sociais que me perseguem, porque sabem que não os temo não encontrem guarida no MP e no Judiciário. Como não têm encontrado com jornalistas de grandes corporações, muito mais duros e incisivos do que este profissional, mas vistos como providenciais combatentes porque o Complexo de Borralheira destas praças cega os olhos do bom senso que dita a regra ética de sempre: aos amigos próximos, a blindagem contra jornalista independente; aos inimigos próximos ou distantes, a aprovação baba-ovo.
Esta é a 70ª matéria em que faço referência direta ou indireta à Operação Lava Jato. Não é pouca coisa. Espero, entretanto, que, com desdobramentos regionais pelos quais torcemos, sejam de integrantes da força-tarefa daqui ou dos doutores de Curitiba, a contagem avance muito mais.
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17/02/2026 MANDACHUVAS E MARIONETES