É preciso ser muito mal informado, ser declaradamente mal intencionado ou ser portador de algum tipo geneticamente modificado que caracteriza uma veia voltada à maledicência gratuita para acreditar que, quando este jornalista escreve Clube dos Prefeitos, Clube dos Construtores, Clube dos Comerciantes de Santo André ou outro clube qualquer, exista intenção de manchar a reputação da instituição. Vou dar uma pesquisada no acervo desta revista digital para revelar a data referente à primeira vez que utilizei algumas dessas denominações. Trata-se de simples curiosidade. Quero saber quando fachos de inteligência me atingiram. Fabricar -- no sentido jornalístico -- "clubes" é uma grande sacada de comunicação.
Então, por que, perguntaria o leitor, em vez de Consórcio Intermunicipal de Prefeitos do Grande ABC eu escrevo Clube dos Prefeitos? Por que (e isso ainda é de vez em quando) em vez de Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) eu escrevo (ainda de vez em quando) Clube das Montadoras de Veículos? Então por que em vez de Associação das Incorporadoras, Imobiliárias e Administradoras de Imóveis do Grande ABC eu escrevo Clube dos Construtores?
Ora, a resposta que serve para o primeiro serve para o segundo e serve para o terceiro casos: porque essas denominações, para quem escreve muito além do conceito informativo, porque esse é um espaço à reflexão, são tremendamente chatas e, mais que isso, do ponto de vista de comunicação, como antecipei na abertura deste artigo, são uma aberração para os leitores que querem entender logo do que se trata.
Delito de profanadores
Não existe a menor implicação delitiva que alguns mal-intencionados, mal informados ou mal gestados tentam me impingir ao adotar o uso do verbete "clube" como síntese de determinada origem de uma instituição. Se a Operação Lava Jato descobriu que existia o tal clube das empreiteiras a assaltar a Petrobras e outras estatais, não tenho nada com isso. A demonização do verbete em determinadas esferas não me fará banir a inventividade comunicativa. Mesmo que isso me custe aberrações interpretativas.
Portanto, não seria por conta da Operação Lava Jato que cometeria a besteira de suspender um estilo de tratamento institucional. Nem que a vaca tussa vou fazê-lo. Pensando bem, se me encherem o picuá sou capaz de partir à expansão da expressão. Quando escrevi Clube dos Comerciantes de Santo André estava me referindo à Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André). Querem denominação mais ultrapassada do que Acisa? Só se forem enunciados os nomes de batismo de entidades congêneres dos demais municípios da região. Acisa, Acisbec, Aciscs, Aciam -- tudo isso é de lascar. Não tem comunicabilidade alguma nestes tempos de leitura rápida, indevidamente rápida em muitos casos, mas também de leitura explicativa.
Acho que a partir de agora, sem que pareça reação biliar, vou utilizar com maior frequência e amplitude o termo “clube” para identificar a maioria das organizações criadas em tempos idos, quando marketing não constava do léxico social.
Está certo que poderemos ter uma inflação de “clubes”, mas o uso parcimonioso, intervalado com a nomenclatura original da instituição em questão, atenuará o impacto de uma repetição que se tem provado mais cansativa, além de pouco elucidativa.
Então ficamos assim: desde quando decidi trocar a sisudez de algumas denominações por “clube”, só o fiz para simplificar a compreensão dos leitores, inspirado tanto pelo Clube de Paris como pelo Clube dos Militares, instituições sobre as quais jamais pairaram desconfianças éticas e morais.
Se avacalharam com o verbete nos tempos de Lava Jato, que posso fazer? O que não podem fazer – e isso muitas vezes é mau-caratismo explícito – é imputarem maldade onde viceja apenas simplicidade informativa.
De volta às origens
Cumprindo o prometido, o texto mais antigo que encontro e que faz referência a “Clube dos Prefeitos” foi publicado na coluna “Contexto”, que assinei durante nove meses enquanto estava diretor de Redação do Diário do Grande ABC, em fevereiro de 2005. É possível que aquele artigo não seja de fato a origem da marca. Mas não há registro anterior nesta revista digital. A transposição de matérias publicadas na revista LivreMercado, num processo gradual e lento, talvez redefina aquela data. Ou seja: é provável a anterioridade no uso dessa marca.
Quanto ao “Clube dos Construtores”, o registro mais antigo é de 14 de junho de 2012. Durante um período subsequente, desativei “Clube dos Construtores”. Emergiu “Clube dos Especuladores Imobiliários”, em consonância com os pressupostos da administração do famigerado presidente Milton Bigucci. Com a chegada de Marcus Santaguita, “Clube dos Construtores” voltou à titularidade neste espaço. Acigabc, nomenclatura oficial do Clube dos Construtores, foi utilizada pela primeira vez em junho de 2009, segundo registros. “Clube dos Comerciantes de Santo André”, em referência à Acisa, só conta com dois registros, de dezembro de 2014. As demais associações comerciais não foram contempladas com denominação simplificadora e esclarecedora. Estou pensando seriamente em adotar nomes fantasias também nesses casos.
Nomes fantasias não podem ser rotulados de ofensa a qualquer instituição de classe. Só o faz quem tem culpa no cartório ou não tem conhecimento da realidade regional, embora exercite poderes supremos para traçar o destino de pessoas.
Tanto é verdade que não existe pecado pensado é que jamais pensei em mudar a denominação de OAB para Clube dos Advogados. Embora, cá entre nós, não faltem personagens nas OABs em geral que mereceriam amplamente ser relacionados com determinados clubes que não teriam nada a ver com os clubes conceitualmente facilitadores de entendimento que eu criei.
Por que querem transformar os "clubes" que criei em antros de pecadores? Quando falta razão, só resta mesmo a apelação.
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17/02/2026 MANDACHUVAS E MARIONETES