Sociedade

Santaguita acaba com fraudes
estatísticas no setor imobiliário

DANIEL LIMA - 16/01/2017

Em meio ao mais que previsto (aqui) desarranjo no mercado imobiliário da Província do Grande ABC, a melhor notícia da temporada que acabou de terminar e que marcou o primeiro ano do mandato do presidente Marcus Santaguita no Clube dos Construtores Imobiliários é que o ciclo nefasto de informações fraudulentas do antecessor Milton Bigucci finalmente virou passado. O lamentável é que não exista punição a malfeitores estatísticos. Prefere-se ameaçar jornalistas que os denunciam. Santaguita acabou com a longa jornada de dribles numéricos com uma terapêutica ética simples: não divulgou dados do comportamento do mercado imobiliário na região. 

Não há notícia mais auspiciosa para quem combateu durante muito tempo os estelionatos de Milton Bigucci. Uma sociedade tratada com respeito por instituições privadas (e também públicas) é uma sociedade em contato com a realidade, não com desfiladeiro de ilusão. 

Tudo isso ainda é pouco para que o Clube dos Construtores encontre o potencial de que dispõe. Para colocar a casa dos construtores em ordem ainda falta muito. Mas nada disso surpreende. Santaguita encontrou escombro organizacional com consequente desmoralização da imagem da instituição sob o jugo de um autocrata ao longo de um quarto de século.

É melhor não ter 

A Província do Grande ABC segue sem referenciais no mercado imobiliário. As estatísticas manipuladas do Clube dos Construtores sob o controle interesseiro de Milton Bigucci viraram um pesadelo. Desde que Marcus Santaguita assumiu a presidência em janeiro do ano passado houve apenas uma modesta rodada de informações estatísticas. O dirigente sabia que entraria numa fria se levasse adiante o cronograma utilizado por Milton Bigucci. Não voltou mais a divulgar informações.  

Com Milton Bigucci e sua sede incontrolável de ocupar a mídia com mentiras deslavadas a cada trimestre choviam dados falsificados, sem qualquer transparência e uma montanha de incoerências. O empresário e dirigente classista foi ao Judiciário para me perseguir, sem, contudo, jamais utilizar-se de qualquer documento que colocasse em xeque as informações publicadas nesta revista digital. Bigucci é amante da subjetividade que nem sempre o Judiciário detecta. Manipulou as frases que produzi como manipulou dados estatísticos do mercado imobiliário. 

Espera-se para os próximos dias um balanço do ano passado do mercado imobiliário regional. Marcus Santaguita deverá anunciar números que chocariam o distinto público. O melhor conselho ao dirigente que representa esperança de novos tempos no setor é que desconsidere qualquer iniciativa de suposto esclarecimento sobre o andar da carruagem imobiliária na região se os insumos estatísticos e a metodologia seguirem na esteira dos tempos de Milton Bigucci. 

Está mais que provado que tudo aquilo que Milton Bigucci anunciou não tem credibilidade. Mais que isso: não resistiria a auditoria externa independente que vasculhasse todos os dados para emitir um selo que certamente seria desclassificatório. Fosse esse País mais sério ao lidar com o bolso dos consumidores as instituições do mercado imobiliário seriam obrigadas a jogar limpo. 

Passado comprobatório 

Escrevo com a experiência de quem acompanha o setor há muito tempo e não poupou críticas à antiga e personalista gestão de Milton Bigucci. Alguns links abaixo provam que essa avaliação não tem nenhum outro sentido senão defender o orçamento de famílias que compraram ou pretendem comprar imóveis numa região à deriva econômica. 

Milton Bigucci foi mais que presidente do Clube dos Construtores e presidente do conglomerado MBigucci. Ele se converteu em propagador de fanfarronices informativas para manter aquecido o mercado imobiliário mesmo quando a contração econômica na região, que sempre chega antes que no País como um todo, já se impunha. 

Pode parecer extremismo, mas o que vou expressar não ultrapassa a linha conceitual do bom senso: é melhor que o Clube dos Construtores não apresente dados se a alternativa é a repetição das mentiras cabeludas de Milton Bigucci. Jamais a caixa-preta daquela entidade metamorfoseou-se em forma de transparência. Com a aquiescência da mídia regional, cúmplice da megalomania numérica de Milton Bigucci, tivemos elucubrações mercantilistas. 

O Clube dos Construtores jamais exerceu o compromisso social de impedir que famílias fossem ludibriadas pelo artificialismo marqueteiro de agentes imobiliários. Mais que isso: sempre sob o controle de Milton Bigucci, a entidade oficializou a tempestade de irregularidades na relação com os potenciais interessados em imóveis.  

Estancando hemorragia 

Por isso que, mesmo longe de dar ao Clube dos Construtores a estrutura adequada, o atual presidente Marcus Santaguita deve ser saudado. É muito provável que o jovem dirigente seja a notícia mais importante do setor empresarial da região na temporada que passou. Afinal, não é pouca coisa estancar a enxurrada de manobras que tornava o Clube dos Construtores prolongamento de assaltos informativos que campeiam na Província do Grande ABC. 

Combater alucinações informativas de Milton Bigucci no Clube dos Construtores se tornou missão de cidadania. Era preciso mostrar a realidade dos fatos. A mídia regional é escrava de Milton Bigucci e com ele fechou questão em torno da divulgação permanente de barbaridades que perpetrava em prejuízo da sociedade regional. Enfrentar um milionário influente em várias instâncias de poder não é tarefa a qualquer um.  

Milton Bigucci contou com a sorte como aliada ao ser substituído por Marcus Santaguita no Clube dos Construtores. O engenheiro e empresário esculpe nova face na entidade sem criar áreas de atritos inconciliáveis. O fim das baboseiras numéricas que a mídia regional reverenciava, porque lhe interessa encher a bola da falsa prosperidade de uma região em pandarecos, é um cruzado diplomático que Santaguita desfechou na mandíbula de abusos de Bigucci. 

Portanto, a melhor notícia do ano passado foi a não-notícia. O Clube dos Construtores deixou de enganar a sociedade regional. Já é um bom começo, claro, mas ainda é muito pouco perto do que pode empreender. Não se pode negar a satisfação de informar ao público: acabar com mentiras estatísticas é uma missão do jornalismo como intérprete da demanda da sociedade. Não se deu bem quem se calou durante todo o tempo divulgando festivamente as barbaridades biguccianas.  

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