Economia

Esqueceram Marinho e
trabalhadores na festa

DANIEL LIMA - 15/02/2002

Cadê Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na solenidade de inauguração da linha de produção do Polo na unidade da Volkswagen em São Bernardo?


Cadê Luiz Marinho, liderança sindical respeitada e que tem trânsito livre nas mais diferentes esferas sociais, políticas e econômicas, que eu não vejo no palanque armado para a festa na Volks?


Estou vendo as fotos com o chanceler alemão, Gerhard Schröder, mas Luiz Marinho não está a seu lado. Onde está Luiz Marinho, que com a flexibilidade dos líderes de verdade, de quem defende mais o trabalho, é verdade, mas reconhece a importância do capital, contribuiu imensamente para que a Volkswagen concretizasse o projeto da nova família de veículos?


Se Luiz Marinho não está ao lado de Schröder, bem que poderia estar próximo de Werner Müller, ministro da Economia e Tecnologia da Alemanha, mas não está. Que terá acontecido com Luiz Marinho, que consegue com seu comando e seus comandados evitar que a Volkswagen de São Bernardo e o Sindicato dos Metalúrgicos caiam nas mãos de extremistas que acham que todo empresário é ladrão, explorador, essas coisas que a velharia ideológica ainda propaga?


Tento achar Luiz Marinho ao lado do vice-presidente mundial da Volkswagen, Ferdinand Piëch, que também está no palanque armado, e não encontro nem sombra dele. Será que nessa festa do capital o trabalho não tem vez? Não, não é possível, porque a Volkswagen tem tradição de tratar trabalhadores como importantes ativos. A Alemanha socialdemocrata mantém estrutura de Estado de Bem-Estar-Social que valoriza a classe trabalhadora sem discriminação em relação aos funcionários do Estado — ao contrário do Brasil — ao oferecer rede de proteção social invejável.


Olho bem na foto, insisto no olhar, porque minha hipermetropia pode me trair, e não encontro Luiz Marinho nem ao lado do prefeito Maurício Soares. Desconfio de que o jornal que publicou a foto esteja bronqueado com o presidente do sindicato por qualquer motivo, sabe-se lá, e tenha resolvido apagá-lo do flagrante. Será isso possível? Acho que não, porque esse truque é dos tempos da vovozinha do jornalismo.


Começo a especular com meus botões sobre a ausência de Luiz Marinho entre as autoridades mais importantes do projeto Polo. Talvez esse que foi apontado com uma das maiores lideranças da América Latina para o novo século, segundo uma publicação internacional, não quisesse aparecer ao lado de representantes da multinacional e do prefeito. Mas, pensando melhor, Luiz Marinho não seria capaz de tamanho despropósito, porque diplomacia é sua marca registrada.


Continuo a não enxergar Luiz Marinho no palanque nem mesmo quando os jornais falam do discurso do presidente da VW no Brasil, Herbert Demel. O que o presidente da multinacional teria dito em relação aos trabalhadores e à liderança de Luiz Marinho? Procuro uma fonte de informação que me dá a resposta: a corporação não foi lembrada por Demel, o presidente do sindicato foi esquecido pelo Demel.


Mais. A fonte me garante o que as fotos induziam: Luiz Marinho não foi convidado a subir no palanque. Ficou sim entre os mais de 500 convidados. Quase anônimo. Como se os R$ 2 bilhões que a Volkswagen investiu no projeto não fossem parte do resultado das relações institucionais entre o sindicato que dirige e a empresa que Demel comanda.


É claro que contra Luiz Marinho não existe nada na direção da Volkswagen do Brasil. Pelo contrário: Marinho é festejado como interlocutor confiável, preocupado com a economia do Grande ABC. Tudo não teria passado de uma grande barrigada do cerimonial. O trabalho não foi efetivamente representado na festa de lançamento do Polo, embora o sucesso do produto, por mais tecnologia que abarque, por mais robôs que envolva, dependa da eficiência, da produtividade e do empenho de cada trabalhador que Luiz Marinho representa.


Esqueceram de convidar Luiz Marinho para o palanque. E a mídia, sem exceção, esqueceu que Luiz Marinho não estava no palanque. Que grande barrigada da mídia, não é verdade?


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