Economia

Agora com a cara, coragem
e marketing de verdade

MALU MARCOCCIA - 05/09/1999

A Universidade Bandeirante de São Paulo também vai ajudar a mudar a agenda econômica do setor moveleiro da região. O Centro de Design do Campus ABC da Uniban acaba de se agregar ao esforço modernizador da indústria de móveis para mexer em um de seus pontos mais frágeis: a falta de uma grife que identifique o Grande ABC. “Não se trata apenas de criar desenho inovador ou arrojado, mas de trabalhar toda uma estrutura de montagem, embalagem, catálogos e conceito ergonômico que diferenciem os móveis da região dos demais” – explica o professor e coordenador de Centro de Design da Uniban, Álvaro Guilhermo.


Padronizar os produtos do Grande ABC é velha aspiração dos moveleiros, a maioria tratando individualmente as técnicas de fabricação ou reciclando ideias de fora. Não é difícil entender a importância da grife para potencializar um produto: nas épocas áureas, poucos deixaram de identificar os móveis Hobjeto dentro de uma residência ou de um grande projeto de decoração. Mais recentemente fez sucesso a linha tubular Giorgio Nicoli e agora a nova sensação é o estilo reto-futurista da Tok Stok. “Vamos finalmente ter uma cara, sem abrir mão do perfil produtor de móveis sob encomenda que caracteriza o Grande ABC” – anima-se Hermes Soncini, presidente do Sindicato dos Moveleiros de São Bernardo e Região.


A expectativa do professor Álvaro Guilhermo é de que essa identidade seja desenvolvida em até seis meses. O Centro de Design da Uniban ANC é o único entre os seis campi da rede e foi montado em 1996 para abastecer a demanda tanto acadêmica quanto empresarial, seja em pesquisa como em manufatura de produtos. Os mais recentes são uma nova cadeira para tratamento de fisioterapia, uma mamadeira que promete eliminar a disfunção bucal de bebês não amamentados no peito e uma nadadeira universal encomendada pelo campeão olímpico Gustavo Borges. O conceito de trabalho é multidisciplinar, ou seja, participam vários agentes envolvidos no assunto, o que significa que no caso do design para os moveleiros da região serão chamados especialistas em madeiras, engenheiros gráficos e anatomistas que desenvolvam adequada ergonomia, entre outros.


A estrutura digital existente no instituto da Uniban é de última geração, com equipamentos e softwares que simulam infinidade de protótipos. “Não será difícil criar uma identidade para a região, pois temos bons produtos e fabricantes que estão se estruturando” – comenta o professor Guilhermo. Além da compra de projetos, o convênio com o centro de ensino inclui a utilização de universitários como designers de móveis. Prefeitura e agência São Bernardo do Sebrae (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa) também estão na parceria.


O convênio para que a indústria moveleira da região tenha finalmente padronização de linhas por meio de desenvolvimento tecnológico foi o ponto alto da 1ª Festa de Móveis, Decoração e Design de São Bernardo, megaprogramação que teve por finalidade amplificar atividades em torno da tradicional Feira de Móveis, este ano na 61ª edição. A exposição com 52 fabricantes e lojistas no Espaço Cidadania, que repetiu a frequência em torno de 70 mil visitantes, ganhou programas paralelos como circuito turístico e gastronômico, com promoção de preços em 21 bares e restaurantes do Município, além de mostras de sete artistas da região montadas no Shopping Metrópole e Espaço Cidadania, antiga Agesbec.


O tradicional corredor moveleiro da Rua Jurubatuba, considerado o maior shopping a céu aberto de móveis do País, participou do evento com queima de estoques em 100 lojas e o Anfiteatro Cacilda Becker sediou congresso que reuniu fabricantes e decoradores para discutir tendências e aproximação entre os dois setores. O momento econômico também permeou os debates, por meio da presença do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do estado), Horácio Lafer Piva, do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros e do secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo, José Aníbal. “É uma semente de mobilização entre os protagonistas da cadeia que acredito estará consolidada em cinco anos” – aposta Hermes Soncini. O setor moveleiro reúne cerca de 450 fabricantes no Grande ABC, seis mil empregos diretos e se debruça sobre ampla agenda de reformulação nos métodos de gestão e de produção para resgatar a fama de Capital do Móvel. É uma das atividades estratégicas no programa de desenvolvimento que integra a pauta da Câmara Regional ao ABC.


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