O Clube Atlético Aramaçan comemora 70 anos de uma trajetória que começou quando 22 jovens de Santo André, todos funcionários da Prefeitura, decidiram transformar um lago na Vila América em espaço para praticar natação e remo, esportes relegados pelos clubes da época, voltados exclusivamente para o futebol. Era 6 de agosto de 1930. O lago desapareceu há cerca de 35 anos -- por conta do crescimento no número de associados e das exigências de novos equipamentos de lazer -- para dar lugar a uma das mais modernas e concorridas agremiações do Grande ABC. Na verdade, uma verdadeira cidade formada por aproximadamente 25 mil sócios e com orçamento para este ano de R$ 7 milhões, quase metade dos R$ 17 milhões da vizinha cidade de Rio Grande da Serra.
O desenvolvimento impôs ao Aramaçan exigências bastante conhecidas em municípios como São Caetano, por exemplo, obrigado a se verticalizar porque faltam áreas para se expandir. Apesar de estar encravado em terreno de 75 mil metros quadrados, o Aramaçan só encontrou uma maneira de oferecer mais opções de lazer e entretenimento: crescer para o alto. Não por acaso, a prioridade da diretoria comandada pelo presidente José Antonio Guilhem, que está no segundo mandato, é concluir o prédio de nove mil metros quadrados e seis pisos até o final de 2001.
"É uma obra cara, por isso temos ido devagar. É um projeto importante para o clube, mas não vamos nos endividar para apressar a construção" -- acautela-se o presidente. A obra foi iniciada em 1987 e sofreu interrupção de três anos. Foi retomada com vigor em 1990 e já exigiu investimentos de R$ 9 milhões no projeto do arquiteto Sílvio Tadeu Pina. Estão inaugurados o piso térreo, com piscinas térmicas e saunas, e o segundo andar, que abriga pistas de boliche e lanchonete. Pelos cálculos de Antonio Guilhem, serão necessários aproximadamente mais R$ 3 milhões para finalização. "Esse valor contempla um bom acabamento, mas não o luxuoso granito" -- esclarece.
O cuidado com as finanças não se limita a analisar detalhadamente e planejar investimentos em obras, manutenção ou melhorias no clube. Administrador de empresas que trabalhou durante 29 anos na Karmann-Ghia antes de se tornar pequeno empreendedor, Antonio Guilhem comanda processo de modernização que vai permitir economia de cerca de 50% no gasto com energia elétrica em locais como vestiários e piscinas aquecidas, que estão ganhando sistema de aquecimento a gás. "A economia não é no total de consumo, mas nas áreas onde estamos fazendo a troca" -- explica. O que não deverá ser pouco, porque os chuveiros significam boa fatia dos cerca de R$ 31 mil mensais gastos com energia, para consumo médio de 220 mil kw/mês.
O clube não dispõe de estatísticas, mas é quase certo que praticantes de futebol são os maiores consumidores de energia e de água -- são 5,2 mil metros cúbicos/mês produzidos por poços artesianos. Afinal, nada menos que 3,5 mil associados, dos pequeninos aos veteranos, passando por mulheres, estão disputando o Campeonato Pé na Bola, que neste 2000 está completando 57 anos. Considerado o maior torneio de futebol do mundo, reúne nesta temporada 220 equipes.
Indústria do lazer -- O futebol é carro-chefe, mas o Aramaçan é verdadeira indústria do lazer. Registra frequência mensal média de 60 mil associados, que vão ao clube em busca de atividades esportivas, recreativas e sociais. Para manter essa cidade em condições de funcionamento, 150 funcionários se revezam entre 6h30 e 22h.
O clube dispõe de quatro campos de futebol iluminados (dois de grama sintética), quatro piscinas (duas térmicas), sauna com hidromassagem, cinco quadras de tênis, duas de tamboréu, duas de squash, duas de basquete e um ginásio poliesportivo. Há ainda sala de musculação, quatro canchas de bocha, duas de malha, salão social para sete mil pessoas, dois ambulatórios médicos e pista de atletismo, entre outros equipamentos. As mulheres têm espaço exclusivo: o Centro de Integração Feminino, prédio de três pavimentos com vestiários, solário, salas de ginástica, balé, jazz e instalações para cursos de corte e costura, culinária e etiqueta, além de berçário.
A história dos 70 anos do Clube Atlético Aramaçan estará em parte contada em exposição de fotos e objetos que será inaugurada este mês dentro das comemorações de aniversário. Antonio Guilhem não duvida de que uma das maiores atrações da mostra será um barco com o qual um dos sócios percorria o lago que deu origem ao Aramaçan. "Esse associado guarda o barquinho até hoje. É demais"-- emociona-se o presidente.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS