Para o gerente de Ferramentaria da Volkswagen, Wagner de Souza, a corrida representa acima de tudo mecanismo imprescindível de higiene mental. “Meu dia-a-dia é marcado por reuniões frequentes e as pressões aumentam ainda mais nos períodos que precedem lançamento de produtos. Se não corresse, já estaria meio louco” — afirma o executivo de 53 anos, à frente de setor que envolve 1,1 mil trabalhadores. “Quem tem muitas responsabilidades precisa estar com a cabeça e o corpo em ordem, senão o rendimento profissional fica comprometido” — completa.
Wagner de Souza começou a correr há 25 anos motivado por um amigo professor de educação física. Jogava futebol nos finais de semana e ele o aconselhou a adotar uma atividade constante, que não trouxesse risco de leões por contatos físicos. Desde então, Wagner não parou mais: corre cinco vezes por semana, num total de 40 a 50 quilômetros, e ainda faz musculação em academia. “Deixo de correr apenas dois dias por semana para que a musculatura possa descansar” — comenta.
Wagner de Souza enxerga a corrida como válvula de escape para as tensões cotidianas porque a atmosfera que envolve a prática representa a antítese de ambientes profissionais marcados por pressões, cobranças e competitividade exacerbada. Ele nota que o Parque Celso Daniel, onde costuma correr nos finais de tarde, proporciona raro espetáculo de diversidade e democracia ao unir usuários de diversas procedências e matizes sociais em torno do mesmo ideal. “A corrida é a liga que faz com que o médico, o engenheiro e o catador de lixo se relacionem de igual para igual, sem preconceitos. Por ser uma atividade introspectiva, a corrida traz a sabedoria da humildade. O meio esportivo só tem gente bem intencionada. Eu recomendo” — conclui o executivo, que já participou de várias provas de 10 quilômetros, como a tradicional Corrida de Reis de São Caetano, apenas pelo prazer de cruzar bem a linha de chegada.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS