Economia

PIB Público de Santo André
atrapalha o PIB produtivo

DANIEL LIMA - 09/10/2019

O desempenho econômico de Santo André nos últimos anos com o prefeito Paulinho Serra não será diferente dos resultados acumulados nos 14 anos anteriores, a partir de 2002. Isso não é uma previsão qualquer. É diagnóstico praticamente sem margem de erro. O PIB de atividades públicas de Santo André atrapalha o PIB de atividades produtivas.

A projeção de repetir o passado está fundamentada no presente mais que escancaradamente apático da gestão do tucano no campo econômico. Seria pior, claro, se Paulinho Serra não recuasse do aumento cavalar do IPTU no ano passado, vencido pela pressão popular e obediente ao bom senso.

A confirmação do avanço do Poder Público no PIB Geral de Santo André é questão de tempo. Pouco tempo. Basta esperar pelo desembarque da safra de dados de 2017, em dezembro deste ano, e dos anos subsequentes, sempre em dezembro de cada temporada.

Santo André é uma calamidade em desenvolvimento econômico desde muito tempo: ritmo dos últimos 14 anos já medidos do PIB da Administração Pública, que é em resumo o custo do Estado, no caso do Município, é o dobro do PIB Geral, que poderia ser definido como produtivo. Afinal, envolve tudo que está fora da interferência direta da gestão pública.

Descendo a ladeira

Depois de São Caetano, cujos dados revelamos ontem, são raros os casos no G-22, o Clube dos 20 Municípios Mais Importantes do Estado (fora a Capital e com a inclusão de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), estrutura econômica tão sofrível quanto a de Santo André.

Tanto que no ranking do PIB Geral da Região Metropolitana de São Paulo deste século (ano-base de 2002 até o limite de 2016) Santo André ocupa a 31ª colocação entre 39 municípios. Um desastre.

Nos 14 anos já medidos o PIB da Administração Pública em Santo André, resultado direto de salários e impostos, cresceu em termos reais mais que o dobro do PIB Geral, que engloba atividades econômicas da livre iniciativa.

O crescimento real do PIB da Administração Pública em Santo André avançou 65,32% em quase uma década e meia, o que resultou em crescimento médio anual de 4,66%. Muito mais que os 2,32% de crescimento médio anual do PIB Geral.

Quem considera esse descompasso uma equação adequada ou promissora sofre de uma doença crônica, praticamente sem cura: adora estatização, o Estado superpoderoso e alimentador da fornalha de gastos acima da criação de riquezas, do PIB bom da livre-iniciativa.

Temática desconhecida

Acreditem os leitores que tanto o prefeito Paulinho Serra, de Santo André, também titular do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, quanto os demais titulares dos paços municipais não têm a mínima ideia do peso do Poder Público no PIB Geral de cada Município. Aumentar impostos e fortalecer a fiscalização são medidas rotineiras quando o calo orçamentário aperta por conta do esvaziamento econômico.

Em termos nominais, sem considerar a inflação do período de 14 anos, o peso do PIB da Administração Pública em Santo André cresceu 278,56%, ante 203,45% do avanço do PIB Geral. Portanto, houve descompasso de 75,11 pontos percentuais entre uma coisa ruim e uma coisa boa. A coisa ruim é o peso do Município. A coisa boa é a engrenagem econômica da livre-iniciativa.

Esse era um dos pontos que colocaria na imensa agenda de temas que preparei para um enfrentamento do prefeito Paulinho Serra assim que cumprisse a promessa de aprovar o Conselho Especial de Assessoramento Econômico que lhe propus e foi imediatamente aceito no começo deste ano.

Como se sabe, Paulinho Serra fugiu da raia de expor as vísceras dos descaminhos da gestão desenvolvimentista de Santo André.

Sorocaba dá virada

Quem considera que medir o tamanho do PIB da Administração Pública e confrontá-lo com o PIB Geral é uma bobagem (o prefeito Paulinho Serra tem a péssima mania de desclassificar todos que não comungam com a ignorância econômica que desfila nas entrevistas) deveria prestar atenção ao que ocorreu no mesmo período em Sorocaba.

Escolho Sorocaba porque há série de semelhanças em relação a Santo André – e também fundas diferenças. Sorocaba era um patinho feio econômico diante de Santo André nos anos 1990. Mas se tornou um dos endereços mais queridinhos de investidores nas duas últimas décadas, a ponto de superar largamente Santo André.

No período de 14 anos a partir da base de 2002, por exemplo, o PIB Geral de Sorocaba cresceu nominalmente 363,94%, enquanto Santo André patinou na marca de 203,45%. Uma diferença de 79%.

Quando o PIB Geral cresce mais que o PIB da Administração Pública é sinal de que o Estado pantagruélico em forma de Município não é tão monstruoso assim. Afinal, é indispensável que se façam investimentos em infraestrutura administrativa e os impostos municipais gerados pela dinâmica econômica também crescem. Nada de pecaminoso.

Alimentação recíproca

Foi o que se deu em Sorocaba nos últimos 14 anos: o PIB da Administração Pública cresceu mais que em Santo André (345,05% versus 278,56%), mas o PIB Geral foi extravagantemente superior naquela cidade do Interior (363,94% versus 203,45%). O saldo positivo de Sorocaba, de 17,89 pontos percentuais, é contrastante, portanto, com o déficit de Santo André, de 75,11 pontos percentuais.

Quando se coloca em confronto o PIB da Administração Pública de Santo André com o PIB da Administração Pública do Estado de São Paulo, a situação é desfavorável ao Município da região: em 2002, Santo André contava com peso de custo do Estado inferior à média estadual (7,65% versus 8,12%), mas em 2016 inverteu-se o quadro (9,58% versus 8,18%). Ou seja: enquanto a gulodice paulista ficou praticamente congelada neste século, em Santo André o crescimento do PIB da Administração Pública registrou aumento de 25,22%. Não é pouca coisa.

Quem acha que esses dados são tenebrosos, deve começar a rezar, embora seja inútil: quando saírem dos fornos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) os números do PIB dos Municípios de 2017, teremos situação ainda pior.



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