Uma boa notícia para quem se engajou no ideário de LivreMercado por uma UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) que, além da valorização do conhecimento e da pesquisa com olhos postos no Brasil, converta-se em ponto de referência e de influência no destino econômico e social da região: o reitor Luiz Bevilacqua e agentes públicos de Santo André já passaram da fase de ensaio e partiram para vários projetos que vão colocar a UFABC também ao alcance da comunidade local. Ou seja: está superada a ameaça de que a universidade estaria apenas a serviço de vocações pedagógicas e tecnológicas para o Brasil como um todo. Com isso, o Grande ABC não será barriga de aluguel desse que é o maior empreendimento do governo federal nas últimas décadas nos sete municípios locais.
O imbricamento da UFABC e da Administração Municipal de Santo André reúne de imediato duas secretarias (de Educação e de Desenvolvimento Econômico) e também a InNova, incubadora de empresas. A intensificação de iniciativas que unissem a universidade e os planos da Prefeitura comandada por João Avamileno se deu depois da substituição do reitor Hermano Tavares pelo até então vice-reitor Luiz Bevilacqua. E principalmente após o mal-estar provocado por Hermano Tavares — em entrevista a LivreMercado, edição de outubro do ano passado, quando ele praticamente atirou às feras do desinteresse a integração da UFABC com o Grande ABC.
Pena que até agora — como se a sede do campus provisório da UFABC fosse impeditiva de ações regionais — representantes de outros municípios do Grande ABC não se tenham mobilizado para ampliar a área geográfica de atuação dessa escola pública de Ensino Superior implantada no ano passado por decisão do governo Lula da Silva. A exclusividade de Santo André na aproximação com a cúpula da UFABC vai muito além do endereço da escola. A coincidência de que a UFABC está sediada num Município sob administração petista de alguma forma serve de pretexto para o distanciamento dos demais agentes públicos e privados da região. Uma situação de autarquismo municipalista que o livro “Complexo de Gata Borralheira” explica sem subterfúgios. É por isso que por enquanto a UFABC é apenas parcialmente do Grande ABC. É uma espécie de UFA (Universidade Federal de Santo André).
Há também aspectos históricos mais recentes para explicar o isolamento de Santo André no plano de integração da UFABC à comunidade. A universidade veio para um Grande ABC completamente despreparado. Uma espécie de Planejamento Estratégico Regional é miragem, embora a medida fosse vital à produção de respostas ao empobrecimento local.
Apenas o começo
Mesmo no caso da Administração Municipal de Santo André, que agora inicia relações sólidas, há necessidade de calibrar e aprofundar iniciativas porque reage a toque de caixa para incluir a UFABC no organograma de parcerias. Uma resposta louvável mas que por mais que seja vitoriosa influenciará apenas em parte a recuperação da qualidade de vida e de trabalho nos sete municípios.
A iniciativa de LivreMercado de defender uma UFABC que não se limitasse a enxergar o Brasil foi aprovada em março último por larga margem dos membros do Conselho Editorial. Apenas 28% dos conselheiros optaram pela alternativa que defendia uma UFABC nacional, sem maiores vocações regionais. Em nenhum instante ao longo da campanha pela regionalização da UFABC LivreMercado ao menos insinuou que a instituição devesse olhar os sete municípios com exclusividade. Mas continua defendendo a tese de que as atividades regionais devam ser intensas.
A implementação do modelo da Universidade do Grande ABC com os pés tanto no academicismo quanto no desenvolvimentismo é uma vitória da sensibilidade do reitor Luiz Bevilacqua. Dissolveu-se a desconfiança de que ele poderia tornar-se simples extensão do perfil do educador Hermano Tavares, antecessor perdidamente oposicionista a projetos de cunho regional. Por isso mesmo acabou defenestrado no final do ano passado, diante da repercussão negativa de entrevista a LivreMercado.
O noticiário que dá conta de que Hermano Tavares foi exonerado por causa de pressões de entidades do Grande ABC é uma falácia. Em realidade, dado o estado de inércia institucional do Grande ABC, única e simplesmente LivreMercado tem-se dedicado a interceder em favor de uma universidade territorialmente menos dogmática, de observar apenas o mapa do Brasil. Entidades empresariais, instituições políticas e organizações sociais não levantam um dedo sequer para participar da modulação pedagógica da UFABC.
Às vésperas da aposentadoria compulsória, depois de completar 70 anos de idade em fevereiro, Luiz Bevilacqua poderá continuar na UFABC como consultor especial. Nada mais lógico, porque o desenho da escola é um somatório profissional de experiências práticas e teóricas cuja capacidade de articulação do idealizador é colocada como indispensável.
Discreto, diplomático, didático, Luiz Bevilacqua acabou de evitar uma crise institucional e política que ameaçava abater a Universidade Federal do Grande ABC no nascedouro.
Encontro definidor
Ele soube contornar com diálogo a ruptura ensaiada pelo antecessor Hermano Tavares. Um rápido encontro com a direção de LivreMercado, intermediado pelo secretário de Governo da Prefeitura de Santo André, Mário Maurici, em meados do mês passado, colocou um ponto final na ameaça de o Grande ABC converter-se em barriga de aluguel de uma universidade pública reivindicada inutilmente ao governo estadual durante três décadas. Barriga de aluguel é expressão que Valmor Bolan, reitor da Universidade de Guarulhos com passagem por universidades privadas do Grande ABC, utilizou para conceituar a ameaça de que a UFABC estaria “no” mas não seria “do” Grande ABC.
O resultado do encontro com o reitor da Universidade Federal do Grande ABC no Paço Municipal de Santo André também é uma vitória de LivreMercado, única mídia a se ocupar de forma até mesmo implacável em defesa de uma UFABC que some à vocação científica a aderência numa região duramente abatida pela abertura econômica.
Quando no futuro se estudar a inserção da UFABC na realidade social e econômica do Grande ABC será preciso recorrer à entrevista do então reitor Hermano Tavares, publicada na edição de outubro do ano passado de LivreMercado sob o título “UFABC é símbolo de novos tempos”. LivreMercado chamava a atenção para o que se preparava ao afirmar que a entrevista do reitor era tão esclarecedora quanto preocupante para quem vive numa região que ainda sofre os efeitos do fogo da desindustrialização e da marginalização social.
Pela primeira vez em então quase 17 anos de circulação, LivreMercado complementou o tradicional espaço editorial de entrevista, no caso com Hermano Tavares, com um texto no qual repassava aos leitores a inquietação causada pelo desenho funcional da instituição. Historicamente, LivreMercado não acrescenta restrições editoriais nas entrevistas de páginas amarelas por considerar as respostas responsabilidade exclusiva dos entrevistados. No caso de Hermano Tavares, dada a importância do assunto e até mesmo certa dose de arrogância com que se referiu ao Grande ABC, LivreMercado resolveu reagir.
Um trecho daquela entrevista:
As respostas do reitor Hermano Tavares instalam a UFABC muito mais próxima dos interesses do País do que do Grande ABC. Essa é a diferença entre “no” Grande ABC e “do” Grande ABC, que integra uma das questões da entrevista à qual o reitor confessou não ter compreendido. Provavelmente nesse ponto o contato pessoal entre jornalista e entrevistado fosse mais elucidativo (a entrevista se deu por e-mail) porque o ponto de interrogação seria retirado diante da explicitude de que “no” significa apenas estar sediada no Grande ABC e “do” significa estar voltada a questões econômicas e sociais que mais afligem a região — registrou LivreMercado naquela edição de outubro.
O ponto mais inquietante da entrevista com Hermano Tavares e que virou símbolo da empreitada regional de LivreMercado envolveu o ex-secretário de Desenvolvimento e Ação Regional da Prefeitura de Santo André, Jeroen Klink, pró-reitor da área de extensão da UFABC. Hermano Tavares se referiu ao chamamento do ex-secretário para os quadros de direção da seguinte forma: “A sua escolha para compor a equipe pró-tempore da UFABC decorre mais da sua formação acadêmica, reconhecida competência profissional e bom relacionamento em todos os níveis, na região, do que como consequência de sua especialidade na economia regional do Grande ABC”.
Estado de alerta
Foi especificamente essa resposta que colocou LivreMercado em estado de alerta quanto às intenções pedagógicas e curriculares de Hermano Tavares. Afinal, se regionalidade não sensibilizava o reitor quando se tratava de um especialista escolhido a dedo pelo então prefeito Celso Daniel para comandar uma das mais importantes secretarias da Prefeitura de Santo André, o que esperar da inserção da UFABC nas entranhas dos sete municípios bombardeados pela abertura econômica combinada com guerra fiscal?
A advertência de LivreMercado sobre o encaminhamento estritamente academicista do reitor Hermano Tavares não significou, entretanto, a desclassificação daquele engenheiro eletrônico formado em 1964 pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) de São José dos Campos, com diploma de Estudos Avançados pela Universidade de Toulouse, França, e Docteur en Physique, também pela Universidade de Toulouse. Tanto que a publicação reconheceu que, sob a problemática nacional, não havia grandes reparos à UFABC moldada com olhos e alma num Brasil que desperdiça a maioria dos talentos escolares entre outros motivos porque apressa-se demais em determinar que rumos devem seguir e os lança sem qualificações técnicas num mercado de trabalho constrangido por sucessivas crises econômicas. “Nesse ponto — publicou LivreMercado em outubro do ano passado — a UFABC anunciada pelo reitor Hermano Tavares se apresenta como estuário de maturidade”. E completou: “O problema é que o futuro imediato do Grande ABC não está na próxima esquina do plano exposto pelo reitor”.
Em linhas gerais, a UFABC é um projeto audacioso do Ensino Superior brasileiro. A idéia da criação da universidade começou a ser discutida em 2003 no MEC (Ministério da Educação). Da idéia ao Projeto de Lei foi um passo e em meados de 2005 o Congresso Nacional aprovou o Projeto. Foi aí e ao longo de seis meses, sob a liderança de Luiz Bevilacqua, que um grupo de 30 renomados pesquisadores de diversas universidades brasileiras discutiu o formato da universidade.
A inovação da UFABC é que, ao contrário da praxe, o aluno não é submetido a uma escolha profissional precoce, já que ingressa em curso comum e interdisciplinar que oferece visão do desenvolvimento da ciência. O aluno terá formação composta por três módulos distintos. O primeiro módulo, de matérias obrigatórias, tem carga de quase 20% nas áreas de humanidades. Dois outros módulos seguem-se, nos quais o aluno exercerá liberdade de escolha para construir o próprio currículo, um dos quais de matérias eletivas, dentro de conjuntos específicos de disciplinas, e um último de matérias completamente livres. Essa liberdade é contraponto à rigidez costumeira dos currículos nacionais. Ao término dos três módulos, depois de três anos, o aluno conclui o BCT (Bacharelado em Ciência e Tecnologia) e recebe diploma que é inovação no mercado brasileiro.
O ponto nuclear do cronograma da UFABC, entusiasticamente detalhado por Hermano Tavares na entrevista de outubro de 2006, é que o aluno fará opção de especialização em momento diferente da vida escolar, não aos 16 ou 18 anos, quando se inscreve para o vestibular, mas mais tarde, quando, além de mais maduro, já tiver visto as bases de diferentes linhas científicas, sempre com abordagem interdisciplinar. Uma construção pedagógica que se descuidou, entretanto, da importância de adaptação às vocações regionais e, com isso, contrariou frontalmente o discurso do presidente Lula da Silva nas eleições do ano passado. O candidato petista reafirmou a importância de o Ensino Superior federal transformar-se em suporte ao desenvolvimento regional.
Vez da economia
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Ação Regional da Prefeitura de Santo André, Luís Paulo Bresciani, não esconde satisfação ao observar a aproximação com a UFABC. Confesso admirador da universidade como agente estratégico para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, exatamente na linha do reitor Luiz Bevilacqua, mas também defensor de cuidados que ampliem a capacidade de inovação regional, Luís Paulo Bresciani enumera quatro medidas que instalam Santo André na dianteira dos planos da UFABC.
A primeira operação envolve a participação formal da UFABC no Conselho Orientativo da InNova Santo André, desde setembro do ano passado. A integração de fato ainda é incipiente e só decolou depois da demissão do reitor Hermano Tavares. A InNova Santo André é uma incubadora de empresas tecnológicas constituída em 2002 e gerida de forma tripartite pela Prefeitura de Santo André, Agência de Desenvolvimento Econômico e Sebrae. “Vamos abrir a possibilidade de as empresas atendidas utilizarem a infra-estrutura dos futuros laboratórios da UFABC” — projeta Luís Paulo.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André garante também que a UFABC se propõe a apoiar o desenvolvimento de produtos da incubadora, principalmente através de avaliações tecnológicas de empresas que pretendem ingressar na iniciativa, assim como nos editais de fomento à inovação das agências federais e estaduais. Professores da UFABC e integrantes da InNova já realizaram algumas reuniões para prospectar oportunidades, além de mapeamentos para selecionar editais de apoio à captação de recursos financeiros.
Na última semana de março, uma dezena de empreendedores foi convidada a visitar as instalações do campus administrativo temporário da UFABC, no Centro de Santo André. Recepcionados pela vice-reitora Adelaide Faljoni-Alário e pelo pró-reitor de extensão, Jeroen Klink, os incubados da InNova Santo André acompanharam atentamente a exposição da vice-reitora sobre o perfil da universidade. Em seguida, foi a vez de Jeroen Klink discorrer sobre os planos de integração da UFABC no tecido econômico regional. Uma situação impensável até recentemente.
Outra iniciativa que torna aliadas a Prefeitura de Santo André e a UFABC é o projeto Divulgação da Área de Engenharia no Ensino Médio. A proposta é promover a disciplina nas escolas de Santo André. O valor previsto para investimento é de R$ 500 mil, liberados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). A iniciativa vai promover a divulgação das áreas de engenharia a alunos e professores de nível médio. Atividades didáticas, eventos científicos, culturais e tecnológicos, incluindo laboratórios, oficinas, núcleos de experimentação científica, feiras de ciências, entre outras ações, formam coquetel de atividades. O que se pretende é enfatizar a inserção econômica e social das engenharias na sociedade e fomentar atividades de motivação, aprimoramento e atualização de professores de ciências exatas e naturais. Como se sabe, a engenharia é o centro nervoso do processo de ensino da UFABC.
Um terceiro ponto que coloca na mesma raia de interesses a Prefeitura de Santo André e a UFABC é o chamado Núcleo de Inovação Tecnológica, que pretende ampliar e consolidar um sistema regional de inovação a partir de Santo André com a integração entre universidade, setor produtivo e governos locais. O secretário Luís Paulo Bresciani afirma: “A Prefeitura criou estrutura que permite a constante busca de editais de financiamento e sua sistematização em linguagem empresarial, o chamado Observatório de Editais, bem como mantém contato com empresários da região para conhecimento das demandas em inovação, procurando ainda amplificar o alcance de programas de desenvolvimento econômico local e regional, a exemplo da incubadora tecnológica e do fomento aos Arranjos Produtivos Locais. Nosso objetivo é elaborar propostas e projetos para apresentar às agências financiadoras”.
Completando o grupo de iniciativas de retirada do cabresto anti-regionalista com que a UFABC dos primeiros tempos sob o comando do reitor Hermano Tavares reforçava a idéia de barriga de aluguel, o secretário Luís Paulo Bresciani relaciona as ações no campo de cooperação técnica e interação universidade-empresa. O Projeto Canadá é uma parceria entre Prefeitura de Santo André, Universidade de British Columbia e Agência Canadense de Cooperação. O Projeto Japão envolve Prefeitura e grupo de empresários que visitaram Santo André recentemente. Tanto no primeiro caso quanto no segundo, professores da UFABC estarão integrados. No primeiro caso, o temário é governança metropolitana como foco na promoção de conceitos de trabalho decente, formulado a partir das conferências da OIT (Organização Internacional do Trabalho). No segundo, dos japoneses, a produção digital é que ditará o tom.
Vez da educação
Secretária de Educação e Formação Profissional de Santo André, Cleuza Repulho participou ativamente da formulação da Universidade Federal do Grande ABC. Foram viagens constantes a Brasília. Debates, discussões. Está feliz com a obra concretizada. E continua a colocar massa numa estrutura que espera ver assentada em projetos regionais que acrescentem porções substantivas do Grande ABC. Por isso anuncia com entusiasmo as duas primeiras ações que aproximam a secretaria e a UFABC. Uma vai contar com alunos da universidade como monitores da Sabina Escola Parque do Conhecimento recentemente inaugurada em Santo André. A outra vai reunir diretores da rede pública de Santo André e professores da UFABC.
O quadro de monitores da Sabina será elevado para 160 alunos com o reforço da UFABC. Hoje são 90 jovens estudantes da Fundação Santo André. Ainda no primeiro trimestre outros 70, agora da Universidade Federal, vão explicar aos visitantes o que é, detalhadamente, cada uma das atrações físicas, químicas e matemáticas desse complexo de educação diferenciado que Santo André construiu para colocar professores e estudantes, principalmente, frente a frente com um novo mundo.
A Sabina está instalada em 14 mil metros quadrados ao lado do Parque Central. Projetada por Paulo Mendes da Rocha, consumiu R$ 32,9 milhões. O custeio anual está previsto em R$ 1,5 milhão, sem contar outros R$ 3 milhões para renovação de convênios e contratação de atrações e exposições.
Os 70 alunos da UFABC que vão dar mais suporte ao atendimento dos visitantes receberão individualmente R$ 900 por mês a título de bolsa de estudo, além de cesta básica. “Eles são estudantes de engenharia e exatas e têm muito que interagir com professores e estudantes que querem saber todos os detalhes das atrações lúdicas e interativas da Sabina” — explica a secretária Cleuza Repulho.
Já o programa de pós-graduação para gestores de educação — especificamente diretores da rede pública de Santo André — será lançado neste mês. Serão 360 horas de estudos. Participará um diretor por unidade educacional sob o guarda-chuva de Santo André, de creches a escolas profissionalizantes. Professores da Universidade Federal do Grande ABC e especialistas convidados vão se encarregar das aulas. “A complexidade que o cargo de diretor reúne, principalmente com a autonomia que as escolas têm já há três anos na administração orçamentária, torna o curso na área de gestão reforço formidável para melhorar ainda mais os níveis de empreendedorismo que têm-se mantido em patamar satisfatório, porque não registramos um único caso de reprovação nas auditorias realizadas nas 90 escolas de Santo André” — afirma Cleuza Repulho.
A secretária de Educação e Formação Profissional lembra que convênio similar de pós-graduação com a USP (Universidade de São Paulo) garantiu a formatura de 140 professores da rede municipal. “Agora temos a UFABC no nosso quintal” — comemora.
A expectativa da secretária de Santo André é que tanto os alunos da UFABC que forem contratados para atuar como monitores na Sabina quanto os professores que transmitirão conhecimentos de gestão aos diretores das escolas municipais viverão mais intensamente as relações locais, com prováveis desdobramentos que adensariam o sentimento de regionalidade.
Esse é o ponto mais sensível de uma situação em que estudantes, professores e cúpula diretiva formam uma ampla maioria egressa de outros municípios e regiões do País e que por isso mesmo se sentem estranhos no ninho. Nada pior porque pode prevalecer a idéia de que sejam todos malvistos quando, de fato, o que o Grande ABC mais quer é que tenham motivos de sobra para aplicarem conhecimentos aqui, participando como novos munícipes na geração de riqueza que somente os bons endereços educacionais são capazes de assegurar.
Fundação reforça atuação comunitária
TUGA MARTINS
A Fundação Santo André reafirma postura de socializadora do conhecimento. Em outubro de 2006 alinhavou trabalho das pró-reitorias Comunitária e de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão ao reforçar o papel voltado para questões sociais. Na prática, isso significa ir a campo, extrair necessidades de cada comunidade e processar levantamentos a fim de transformar dados em cursos específicos e pesquisa. “Trata-se de via de mão dupla que assegura benefícios tanto para a comunidade acadêmica, que encontra possibilidade de pôr o conhecimento em prática, quanto para a sociedade que tem acesso facilitado ao conhecimento” — afirma o reitor professor doutor Odair Bermelho.
Bom exemplo é o incremento do Centro Tecnológico. Em parceria com IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), Agência de Desenvolvimento Econômico e Prefeitura de Santo André, a Fundação Santo André oferece ao mercado meios para contribuir tecnologicamente no desenvolvimento de produtos, análise de materiais, aperfeiçoamento de processos industriais, busca de literatura de soluções já publicadas e, principalmente, formação em pesquisa aplicada. Foram investidos R$ 20 milhões em obras e equipamentos nos seis laboratórios da Faeng (Faculdade de Engenharia) com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “Com isso conseguimos também otimizar recursos do Centro Integrado de Apoio ao Plástico que funciona desde 2005 com apoio do Pólo Petroquímico” — afirma o pró-reitor de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão, professor doutor Paulo Rogério Stella.
Em outra ponta, um curso de pós-graduação em defesa civil está sendo organizado. Há dificuldade em especialização na área, então a pró-reitoria de pós-graduação está criando um curso multidisciplinar específico que vai desde conhecimentos em Biologia até administração de recursos.
A Pró-reitoria Comunitária foi criada em 2005. Com isso, a inserção da Fundação Santo André nas comunidades foi intensificada com programas para qualificação profissional da população de baixa renda, além de projetos de inclusão digital e abertura de novos espaços a atividades educativas e sociais. A lista de ações é extensa. A criação da Biblioteca Circulante na comunidade Tamarutaca foi inspirada na constatação de que moradores frequentavam a biblioteca do Centro Universitário. “Entramos em contato com o programa Santo André Mais Igual para entrar na comunidade e instalamos a Biblioteca Circulante” — diz a pró-reitora Comunitária, professora mestre Maria Amélia Ferreira Perazzo.
Mais ações
Além de campanha de arrecadação de livros que montou acervo de 350 unidades, a Fundação Santo André respondeu pelo treinamento de moradores dispostos a dar plantão na Biblioteca Circulante nas dependências do Centro Comunitário. Com ênfase nos projetos de economia solidária, a Fundação Santo André mantém casa restaurada em Paranapiacaba, onde funciona Centro de Estudos e Pesquisas Ambientais. A casa acomoda até 40 estudantes e serve como luva a ações de geração de emprego e renda. É o caso do curso de gastronomia do chef e professor universitário da USP Celso Vieira Pinto, que encaixou 12 jovens da comunidade em restaurantes renomados de São Paulo. O Projeto Cozinha Escola conseguiu patrocínio da Fundação Banco do Brasil na primeira etapa. “Já temos demanda local para dar continuidade ao programa cozinha-escola na Vila” — adianta o reitor professor doutor Odair Bermelho. Ainda em Paranapiacaba, a Fundação Santo André, em parceria com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), restaura cinco casas. Moradores são capacitados em restauração.
Mais próximo do campus e em fase de execução é o curso de qualificação de mão-de-obra para produção de material de limpeza, que envolve a Engenharia de Materiais e a Central Pública de Trabalho e Renda no núcleo habitacional Sacadura Cabral, em Santo André. Qualificação para produção de cosméticos é outra ação prevista para este ano. “Estamos perseguindo a missão comunitária” — explica a pró-reitora Comunitária, Maria Amélia Ferreira Perazzo. Para atender demanda da Casa de Apoio à Criança com Câncer, o curso de Pedagogia vai qualificar ainda neste semestre alunos para ministrar reforço escolar a crianças e adolescentes em tratamento oncológico. “Queremos preparar profissionais para o trabalho pedagógico em ambiente hospitalar” — diz o pró-reitor de Pós-graduação, Paulo Rogério Stella.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS