Economia

Grande ABC recupera parte dos
empregos, mas abaixo de rivais

DANIEL LIMA - 03/02/2022

Saíram os números do comportamento do emprego com carteira assinada no ano passado e os resultados não são nada satisfatórios para o Grande ABC. A criação de 37.014 postos recupera parte dos 94 mil empregos destruídos a partir de 2015, quando se iniciou a recessão produzida pela política econômica do governo federal sob o PT. Tudo depois de anos de ouro de Lula da Silva. Mas uma coisa e outra coisa são praticamente a mesma coisa, porque sequenciais de um mesmo governo. Isso será muito debatido nas próximas eleições. 

Essa recuperação circunstancial não ganhou a tração da maioria dos integrantes do G-22, o Clube dos Maiores Municípios do Estado de São Paulo. A Capital não entra no ranking. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não têm porte individual, mas engrossam as fileiras do Grande ABC.

Mais uma vez CapitalSocial se dedica a mensurar a Economia do Grande ABC em vários aspectos. 

O emprego formal é uma das balizas de análises estruturais que, entre outras conclusões, contata desde 1990 a fragilização do tecido produtivo regional com duros reflexos no mercado de trabalho.

SECRETARIAS MUNICIPAIS 

Em março de 1990 foi lançada a revista de papel LivreMercado, antecessora de CapitalSocial. E já na primeira edição de 32 anos atrás a linha editorial adotada alertava para os riscos da desindustrialização já manifesta, tanto quanto a malemolência institucional do Grande ABC. 

O Clube dos Prefeitos, sob a liderança de Celso Daniel, foi criado nove meses depois. E mesmo assim só um pouco mais tarde instalou a Economia entre as prioridades programáticas. A revista LivreMercado serviu de inspiração para Celso Daniel. Dito pessoalmente pelo então prefeito num almoço poucos meses antes do assassinato.

Celso Daniel deu a largada com o viés econômico do Clube dos Prefeitos. Ele atendeu sugestão de LivreMercado e criou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Os demais municípios seguiram o figurino. 

As pastas, entretanto, são penduricalhos no organograma de cada Prefeitura. Dotações orçamentárias são esquálidas. Mergulhos nas inquietudes do setor nem espasmódicos são. Há muito marketing e baixíssima implementação de metodologias e processos. 

G-22 DEVASTADOR 

É com base, entre outros pontos, no conceito de que o Grande ABC não é uma ilha de suposta prosperidade, que CapitalSocial dá prosseguimento às políticas editoriais de LivreMercado. 

Tanto que, olhando para um universo mais amplo, criou o G-22. E é sob esse prisma que vai analisar a partir de hoje, em datas aleatórias, mais uma temporada, agora de 2021, do emprego formal na região. 

As empresas da região de todos os setores acrescentaram no ano passado 37.014 carteiras assinadas nas folhas de pagamento. Um resultado nada surpreendente. A base de comparação, 2020, foi metralhada pelo Coronavírus e o polêmico “fique em casa”. 

O resultado da temporada passada significa que apenas 17,26% do total de trabalhadores registrados no G-22, conglomerado de municípios que são destaques no Estado, foram absorvidos pelas empresas do Grande ABC. 

MÉDIA BAIXA 

Quando se somam os empregos gerados nos sete municípios do Grande ABC e os comparam ao estoque de 2020, o crescimento alcança 5,11%. Poucos municípios do G-22 além do território regional não superaram essa média. 

Quem mais gerou empregos proporcionalmente ao estoque foi Osasco, na Grande São Paulo. O acréscimo chegou a 16,06%. Quase três vezes a média do Grande ABC. Osasco é um dos endereços de ouro beneficiados pelo Rodoanel Mario Covas. O mesmo Rodoanel que se tornou vilão para o Grande ABC neste século. Uma operação desastrosa alertada por LivreMercado e CapitalSocial. Mas os mandachuvas políticos da região não seguem o bom-senso.

Comparar resultados diversos do Grande ABC com o G-3M, formado por Osasco, Barueri e Guarulhos, todos na rota do Rodoanel Mário Covas, é um bom (ou mau) caminho para se descobrir a temperatura econômica regional. 

SALDO MUITO MAIOR 

Os três municípios do G-3M contabilizaram no ano passado saldo de 66.696 empregos com carteira assinada, resultado que redundou em crescimento de 8,51% do estoque do ano anterior. Um número 40% maior que o resultado do Grande ABC na mesma comparação.

No fim da temporada de 2020, quando todo o País sentiu os efeitos do Coronavírus que chegou em março, o Grande ABC contabilizava 724.817 empregos formais em todos os setores. No fim do ano passado, já sob efeitos da vacina e outras medidas sanitárias, o Grande ABC chegou a 761.831 carteiras assinadas.

Já o comportamento do G-3M (Osasco, Barueri e Guarulhos) foi muito mais impressionantemente positivo. Ao fim de 2020 o estoque de trabalhadores nos três municipais chegava a 783.591 profissionais. Doze meses depois, em dezembro último, o estoque alcançou 850.287. 

Além de Osasco com crescimento do estoque de 16,06% e de Barueri com 11,29%, Guarulhos, mais industrializada e de recuperação mais lenta, aumentou o universo de trabalhadores em 3,80%, um dos índices mais modestos do G-22 na temporada.

RESULTADOS LOCAIS 

Os números dos sete municípios do Grande ABC no ranking de produtividade do estoque (ou seja, a capacidade de somar carteiras assinadas às existentes ao fim de 2020) foram bem mais discretos que os do trio das regiões Oeste e Leste da Região Metropolitana de São Paulo. Diadema avançou 6,03%, Mauá 7,96%, Ribeirão Pires 3,50%, Rio Grande da Serra 1,92%, Santo André 4,45%, São Bernardo 5,51% e São Caetano 4,99%. 

A política editorial de CapitalSocial adotou o critério de inspecionar os resultados a partir do estoque do ano anterior porque tamanhos diferentes dos municípios induzem a erros de interpretação. 

Não se pode construir ranking de avanço ou perda de empregos formais na região ou em qualquer outro endereço sem contar com a âncora do estoque historicamente acumulado, que reflete o tamanho efetivo da atividade econômica.

SÃO BERNARDO MENOS 

Um exemplo de que nem sempre mais é mais para valer é São Bernardo. Na temporada passada, a Capital Econômica da região registrou número quantitativo mais expressivo de saldo positivo do emprego formal, com 13.017 novos postos de trabalho. Entretanto, no ranking de variação relativa, quando entra em campo o estoque anterior, o avanço não passou de 5,51% nos 12 meses.

Dessa forma, erra quem acredita que as 3.604 contratações líquidas de trabalhadores em Sumaré, na região de Campinas e um dos integrantes do G-22, representam desvantagem em relação às mais de 13 mil de São Bernardo. 

Quando se afere o crescimento relativo do estoque do ano anterior, Sumaré contabiliza avanço de 6,78%. Portanto, mais que os 5,51% de São Bernardo. 

Ou seja: os efeitos de recuperação econômica na temporada passada foram relativamente maiores em Sumaré do que em São Bernardo. 

Um outro exemplo de que não se deve levar em conta números absolutos, mas sim números relativos, pode ser retirado da comparação entre Santo André e Mogi das Cruzes. 

SANTO ANDRÉ MENOS 

O que é maior para efeitos práticos?: os 8.557 empregos formais de saldo positivo de Santo André ou os 4.661 de Mogi das Cruzes. Acertou quem apontou Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O estoque daquele município cresceu 4,84% no ano passado, enquanto Santo André apontou 4,45%. 

Para quem não haja dúvida alguma sobre a metodologia aplicada, uma nova comparação: quem quiser retirar dos números de assassinatos um ranking que expresse o estado de atenção de cada endereço municipal ou mesmo nacional, deve recorrer exclusivamente ao número de casos dividindo-o pela respectiva população. 

Aí se tem o retrato fiel do estágio de criminalidade no principal e mais preocupante quesito. 

Os empregos com carteira assinada vão voltar às páginas de CapitalSocial. Como sempre voltaram.



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