O Caso Saul Klein volta ao noticiário. O UOL e seu braço de mídia audiovisual lançaram na praça um documentário que segue a mesma trilha da narrativa da reportagem especial do Fantástico, da TV Globo, de dezembro de 2020, e, em seguida da CNN Brasil. Coloque a Folha de S. Paulo no meio. E adicione uma infinidade de jornais de papel e digitais. Portais e tudo o mais. Uma algazarra geral.
Agora o que se tem é um requentamento marcado pelas mesmas acusações que não teriam encontrado materialidade nas investigações policiais sob segredo de Justiça.
Mais que isso: já há decisões preliminares do Judiciário que retiram o Caso Saul Klein da bitola pretendida pelos acusadores.
Desta feita, foram entrevistadas seis jovens que frequentaram a residência de Saul Klein em Alphaville e um sítio em Boituva. Elas seriam quase a metade do universo de 14 mulheres que formalizaram denúncia na Delegacia da Mulher em Barueri. No ano passado, chegou-se a divulgar que seriam mais de três dezenas de mulheres.
CAI FEMINISTA
A novidade do Caso Saul Klein é que a advogada Gabriela Souza deixou a função de defender as mulheres supostamente vítimas de Saul Klein.
Gabriela Souza provavelmente caiu por extrapolar as fronteiras conceituais de feminismo, como se identifica ao defender mulheres. Durante todo o tempo procedeu a medidas que caberiam perfeitamente no outro lado da moeda de gênero, reservado ao machismo. Quando o feminismo canhestro entra em campo com sinais trocados, não passa mesmo de machismo.
Há quem prefira o verbete femismo como contraponto ao machismo. No caso específico de Barueri, a advogada Gabriela Souza jamais sinalizou que as chefonas das operações, Marta Gomes da Silva e Ana Banana, eram superiores por serem mulheres. Gabriela Souza as tornou invisíveis e intocáveis. Trata-se de variante do feminismo de igualdade de gêneros e, supostamente, de responsabilidades.
ESQUECENDO MULHERES
Explicando: não se estabeleceu hierarquia de mandachuvismo das duas chefonas da operação em relação a Saul Klein. A iniciativa seria contraproducente ao feminismo que Gabriela Souza desfralda, carregadíssimo de semântica abusiva.
Marta e Banana, as duas mulheres à frente do recrutamento de mulheres, jamais ingressaram no enredo da advogada autointitulada feminista. Marta e Banana parecem ficção, embora tanto uma quanto outra tenham sido exaustivamente denunciadas pelas supostas vítimas – mulheres que Gabriela Souza defendeu com ardor.
Gabriela Souza atuou como “feminista”, entre aspas, ao abandonar a defesa pela igualdade de gênero e adentrar o espaço de tipificação criminal exclusivamente do homem. A advogada jamais incursionou pelo centro visceral do Caso Saul Klein, ligadíssimo à atuação de duas mulheres, Marta e Ana Banana. Como advogada de mulheres, possivelmente também viveu situação constrangedora porque outras mulheres do Caso Saul Klein saíram em defesa de Saul Klein.
Gabriela Souza subestimou a essência do Caso Saul Klein: a cafetina Marta Gomes da Silva e Ana Banana, braço direito no sequestro de um homem portador de depressão durante muitos anos, eram mulheres e comandavam o espetáculo. Jamais Marta e Banana foram glorificadas por Gabriela Souza como expressões de femismo.
ESPETÁCULO DA DUPLA
Para a advogada de mulheres (e ao que parece também para o escritório que a substitui), não há mulheres no centro das operações simplesmente porque elas, as advogadas, defendem que mulheres e mulheres, sejam quais forem as mulheres, mesmo protagonistas, não devem ser consideradas alvos de acusações.
Mais que isso: mulheres infratoras desapareceram do raio de ação da defensora das mulheres. O centro é o namorador Saul Klein.
O espetáculo comandado durante muitos anos pelas duas mulheres esquecidas pela advogada feminista acabou quando a ficha de Saul Klein caiu e ele descobriu-se completamente dominado dentro de sua própria casa, no condomínio luxo em Alphaville, Barueri, na Grande São Paulo.
CapitalSocial acompanha atentamente o Caso Saul Klein e tem como premissa um valor inegociável: acusações em qualquer campo exigem provas que jamais se cristalizaram por parte das acusadoras.
Com a retomada do Caso Saul Klein pelo portal UOL, CapitalSocial também está de volta com a temática que já se desdobrou em mais de 30 textos.
PACOTE HISTÓRICO
E para que os leitores possam ter base de sustentação às novas informações, recorremos à reprodução integral do texto que preparei para a edição de quatro de janeiro de 2001.
Em seguida, reproduzimos também a íntegra da entrevista que realizamos em maio do ano passado com André Boiani, advogado de Saul Klein.
A advogada Gabriela Souza se recusou a dar entrevista em maio do ano passado. Ela tem um critério muito específico para atender à Imprensa: só fala com quem comunga com o feminismo adulterado que defende. Também reproduzimos a entrevista enviada à advogada.
E, para completar, disponibilizamos na sequência a entrevista que jornalistas do UOL fizeram com as representantes do escritório que passou a cuidar dos interesses das supostas vítimas.
O que estaria mesmo por trás do
assassinato social de Saul Klein?
DANIEL LIMA - 04/01/2021
O que os leitores vão acompanhar a partir de hoje e em datas cronologicamente arbitrárias é muito mais que a história e um homem bem-sucedido, namorador de mulheres, mas atacado exatamente por mulheres controladas por outras mulheres. Paradoxalmente, essas mesmas mulheres usam de ardilosos artifícios para se autoproclamarem vítimas de estrupo e de outras supostas transgressões que ditam regras contemporâneas de comportamento social.
Na primeira leva de denunciantes supostamente violentadas somaram-se 14 nomes. Outras 25 estariam na ponta da agulha de acusações que seguem o mesmo roteiro de detalhes, como cópias fiéis. É, portanto, um festival de versão única. Tão única que parece saída do forno da combinação prévia.
Uma combinação tão prévia que está na alça de mira de ceticismo de quem não tem por ofício acreditar em tudo ou mesmo em quase nada. Até que se prove a verdade dos fatos. Depoimentos previamente preparados não oferecem garantia alguma de isenção e credibilidade.
E a verdade dos fatos que dá suporte à avaliação de que se trata de assassinato social é que, por enquanto, o jogo jogado pela mídia é unilateral tanto quanto o jogo narrado pelo Ministério Público Estadual. Há muita água de contraditório a correr sob a ponte da Justiça, que não pode ser confundida com Justiçamento.
Indústria do sexo
A Industria do Sexo, constelação de pequenas, médias e grandes empresas de eventos, está no centro do palco. Quem acredita em combustão espontânea do Caso Saul Klein não sabe onde está colocando a própria reputação. Duvidar do conjunto de parágrafos sentenciosos da denúncia do Ministério Público Estadual é medida providencial. Explicações não faltam.
Há muito mais ingredientes idiossincráticos em jogo. Inclusive mais dinheiro do que supõe quem conhece objetivamente a meta de moças em busca de futuro de abundâncias materiais. Ou alguém tem dúvida de que o que move a montanha de prazer das mulheres do prazer e dos homens namoradores igualmente desperta ambições na Bolsa de Valores, por exemplo?
Os mais entranhados no mundo do sexo sabem que a comparação não é um crime. Uma coisa estaria ligada à outra em muitas cabeças masculinas. E femininas também.
Bolsa de mulheres
A bolsa de valores de mulheres é informal e praticada conforme as mãos invisíveis do mercado. Não apenas as mãos invisíveis do mercado. O instrumental é outro e se configura sob o princípio do consentimento, da conjunção carnal e de outras situações com ou sem eventuais restrições. Também flexibilizadas pelo mesmo mercado de acordo com a precificação monetária.
Uma espiadinha nos sites da abrangente e abrasiva indústria do sexo discrimina preferências individuais e preços sobressalentes. Resta saber se, de tão massificado, trata-se mesmo de mercado paralelo ou o filão principal no interior da indústria de entretenimento sexual sob a cortina de eventos e outros badulaques de sensibilização.
Eventos especiais
É muito difícil examinar o setor com olhares cândidos. Nem tudo que brilha de suposta sofisticação profissional é de fato atributo que valoriza a mulher sob o ponto de vista de comportamento convencional.
Muitas das deslumbrantes mulheres que desfilam em eventos requisitadíssimos pela mídia, como os tradicionais salões do automóvel ou mesmo as etapas locais da Fórmula-1, são mulheres que não são apenas mulheres em atividade profissional explicitada. Há duplas ou triplas especialidades.
Abundam mulheres que saltam dos sites do mercado digital de sexo diretamente às imediações das pistas de corridas e dos imensos centros de exposição de produtos e serviços.
Diante da constatação de que o inquérito é uma coleção de depoimentos de supostas vítimas de estupro, mas sem provas, alguém tem dúvida de que, além da condenação judicial, mulheres denunciantes pretendem se refestelar no dinheiro de Saul Klein?
Estupro e estupro
Não há entre as retardatárias denunciantes quem participou de festas e tenha registrado formalmente um único e eventual abuso do anfitrião namorador. Mais que isso: a frequência com que retornavam aos endereços citados no inquérito ministerial não se conecta a dissabores e horrores; muito pelo contrário.
A situação se agrava com a propagação do crime de estupro denunciado por uma representante do Ministério Público Estadual. A etimologia técnico-judicial de estupro, em muitos casos, não é exatamente o que imagina a opinião pública. Sim, há diferença na definição técnica e na construção popular entre estupro que pressupõe penetração e estupro que também caracteriza pressão psicológica ou mesmo física sem consumação carnal. Quando o estupro técnico vira estupro jornalístico não há VAR cultural que reduza o estrago ao denunciado.
Mulheres, mulheres
Muitos personagens do Caso Saul Klein são mulheres. As principais protagonistas são mulheres. Muitas mulheres a prospectar a possibilidade de levar Saul Klein a nocaute judicial não é uma ironia para um homem metido com as mulheres. É consequência. Tanto quanto as mulheres que começam a se movimentar em defesa de Saul Klein.
Há duas listas em confronto nesse começo de disputa por uma narrativa que pretende capturar a atenção da opinião pública e influenciar as investigações. Uma das quais já escandalizada pela mídia.
A primeira turma, articuladíssima e que redundou na denúncia do Ministério Público Estadual, é capitaneada por duas mulheres com a anuência ingênua ou crédula demais de outras duas mulheres.
A segunda turma, em defesa do relacionamento namorador com Saul Klein, pretende restaurar a verdade dos fatos que o outro lado de mulheres combate por manter, depois de sair na dianteira contando com o apoio maciço da chamada Grande Mídia.
Não se tem ideia, ainda, do quanto será intenso e dramático o processo de assassinato social de Saul Klein. Essa fase antecede investigações policiais e eventual decisão judicial.
Um corpo estendido
O empresário está subjugado pela mídia de versão única ou apenas supostamente equilibrada que dá destaque a versões que causam danos muitas vezes irreparáveis -- e mitigam o que é contraponto, como se fosse o resto do resto de argumentação.
A Grande Mídia constrói imprecisões, omissões, falsas verdades e meias-verdades. Vai à velocidade máxima. Até que a opinião pública seja plenamente convencida de que o alvo em questão está aniquilado.
Saul Klein é um corpo estendido no chão social. Mesmo que redes sociais, surpreendentemente, saiam em sua defesa. Mas redes sociais são uma coisa; interesses profissionais e pessoais de Saul Klein são outros. Os danos já são muitos. O que é difuso de um lado é específico de outro. As redes sociais servem de consolo a Saul Klein, mas não são o imunizam das denúncias.
Vingança de mulher
A vingança de uma ex-namorada está se confirmando. Uma ex-namorada que virou fonte de informação do Ministério Público Estadual. Uma ex-namorada que a Imprensa poupa. Uma ex-namorada e coordenadora de jovens que, incrível, está entre as vítimas. Expor a ex-namorada é um passo à frente ao descredenciamento do modelo prescrito da versão de estupro do caso Saul Klein.
Não é isso que a Grande Mídia pretende. Pior que isso: transforma a ex-namorada em fonte privilegiada e quase única de acusação. Caso do Fantástico, programa da Rede Globo no qual a ex-selecionadora atuou como espécie de âncora mascarada, quando não com imagem distorcida. Um recado subliminar de que a ex-namorada estaria supostamente em risco. Como se não fosse conhecida fartamente nas redes sociais em vestimentas íntimas e ações privadas. A ex-namorada tem passivos desclassificatórios.
Múltiplas teorias
A guerra deflagrada tem várias frentes que se fecham num mesmo objetivo: colocar Saul Klein fora de combate. Há certezas já caracterizadas e materializadas e especulações a apurar. São imensas e abrangentes as alternativas não excludentes de que tudo não tem parentesco algum com a denúncia de estupro.
Teorias conspiratórias à parte, o que está em execução é um jogo pesado. Várias nuances ganham a perspectiva de ocuparem a mesma rede de interesses. Tudo tutelado pela ganância, pelo dinheiro. Muito dinheiro. Dinheiro do passado de fartura e do presente de escassez.
O que era entretenimento, diversão, pecados da carne, virou crime. Pinta-se um monstro. Falta combinar com as imagens de felicidade geral do passado, que nem o Fantástico conseguiu esconder, embora transpirasse interesse no uso como prova denunciatória. Falta combinar também com o contraditório de moças que, defensoras de Saul Klein, refutam a versão maciçamente divulgada. Elas defendem a namorador que outras chamam de estuprador.
Empacotamento geral
Gradativamente se revelarão todos os pontos do caso Saul Klein. Alguns dos quais ainda fora de uma rede de segurança investigativa.
Pense em tudo na órbita pessoal e profissional do empresário. Da política ao futebol. Da indústria do sexo ao inventário milionário da Família Klein. De amor não correspondido às tentativas de achaques tendo segredos íntimos como moeda de troca aviltante. Ter muitas mulheres é a multiplicação de prazeres e problemas de ter apenas uma mulher.
Coloque tudo isso no mesmo invólucro, como se fosse um imenso presente de inimigos secretos e inimigos declarados. O resultado aparece em forma de Saul Klein.
O grande desafio à compreensão do Caso Saul Klein é observar a situação além da simplificação denunciatória. O importante é unir os pontos em comum que dariam suporte a imensa constelação de interesses convergentes. O maior dos desafios é conciliar retalhos aparentemente dispersos; é unir alguns ou muitos pontos que fermentam o contexto.
Denúncia e conexões
O que parece uma série de complicações distintas pode ser uma massa de possíveis conexões. Seriam peças do mesmo jogo de xadrez. Há situações concretas, inquestionáveis, mas também algumas ilhotas de interesses específicos e desgarradas no arquipélago de investigação. Descobrir a natureza do Caso Saul Klein poderá levar as investigações a inimaginável plataforma de verdades secretas.
A ordem do Caso Saul Klein é que tudo se torne espetaculoso desenlace policial, regado de moralidade cínica no campo comportamental, recheado de vantagens financeiras de quem esqueceu que o tempo passa e, para completar, um riquíssimo elevador de ascensão institucional.
O ponto em comum desta série é tornar a denúncia do Ministério Público Estadual um bloco resistente ou frágil ao contraditório policial e judicial. Exatamente o que a Grande Mídia sonega.
Esta série de análises sem data para terminar pretende definir premissas com base em documentos, informações e evidências incontornáveis, mas não fugirá da possibilidade de tangenciar algumas questões que estariam no horizonte de investigações.
Assassinato social
Recorro à expressão “assassinato social” desde as primeiras chamadas que preparei nas redes sociais à leitura desta série. Não me parece identificação mais apropriada ao se tratar de caso que envolva relações entre homens e mulheres em conflito público.
Optei por “assassinato social” à “assassinato de reputação”, título de livro relatado pelo ex-delegado Romeu Ruma Júnior numa coleção de casos famosos. “Assassinato de reputações” explorou o Caso Celso Daniel. Tratei durante anos da morte do então prefeito de Santo André. Celso Daniel seria um dos cinco homens mais fortes do presidente Lula da Silva, eleito oito meses depois à Presidência.
Como fiquei traumatizado com a narrativa da Grande Mídia repleta de imprecisões, não repetiria o título quando me referir ao Caso Saul Klein. É “assassinato social” com variantes, vejam só, de “realismo social”, nas redes disponíveis na Internet.
Acabou a farra
O que vem a ser assassinato social? Afora a possibilidade de a denúncia do Ministério Público consagrar-se como verdades acumuladas, a precipitação é clamorosa ao atribuir a Saul Klein protagonismo criminoso.
A denúncia apressada do MPE não pressupõe que a proclamação de um assaltante sexual tenha robustez de provas. Ao contrário disso: quando tudo se estruturou no terreno movediço de duas mulheres enfurecidas com o fim de uma longa jornada de benesses financeiras para manterem a coleção de mulheres que divertiam Saul Klein, o que resta constar é que o modesto tabuleiro denunciatório abriga inquietações à luz de evidências e provas em contrário.
Tomam-se contrariedades profissionais (selecionar mulheres conforme prescrição do freguês é a atividade profissional das duas mulheres que estão no centro das ações, embora uma delas nem apareça na denúncia) por fatos que estão longe de se comprovarem no inquérito ministerial.
Liberdade à verdade
O assassinato social é um enquadramento jornalístico adequado. O estilhaçamento da reputação de Saul Klein é resultado da retirada do lacre de confidencialidade do processo. O vazamento à imprensa, a começar pela Folha de S. Paulo, é um dos aspectos que integraram a rede de informações a serem apuradas.
A liberdade de imprensa é pressuposto a ser guardado a sete chaves contra o autoritarismo, mas não pode ser utilizada como correia de transmissão de informações alquebradas, de endereçamento acusatório associado a protecionismo escandaloso.
O inquérito do Caso Saul Klein está protegido pelo segredo de Justiça. Saul Klein foi assassinado socialmente porque o segredo de Justiça foi violado e, mais que isso, manipulado pela Grande Mídia. Teremos um capítulo ou mais para tratar disso. Também teremos protagonismos que vão muito além de Saul Klein e que a Grande Mídia esconde. Segredo de Justiça com direcionamento deliberado à condenação é espécie de arma clandestina a serviço de matadores profissionais.
Quadrilha está por trás de tudo,
garante a defesa de Saul Klein
DANIEL LIMA - 05/05/2021
Estão redondamente enganados os apressados caluniadores ou ingênuos consumidores de informações deformadas ao avaliarem as denúncias do Caso Saul Klein. CapitalSocial acompanha desde o princípio esse escândalo midiático, contando com a vantagem editorial de acesso a informações precedentes ao registro de denúncias no Ministério Público Estadual. Quem reforça essa garantia é o advogado do empresário Saul Klein.
Pela primeira vez, André Boiani vai contar com a publicação integral de todas as respostas que concedeu à imprensa. Da mesma forma que CapitalSocial publicará integralmente as respostas da advogada das mulheres denunciantes. Resta apenas saber se Gabriela Souza responderá à demanda pela transparência informativa. Inicialmente ela se recusou. Mas tem prazo até terça-feira que vem para refletir. É possível que prefira seguir com o enquadramento generoso da mídia paulistana de assassinatos sociais.
Uma quadrilha organizada, assegura André Boiani, está por trás de tudo. Como CapitalSocial tem publicado desde o início. Até provas materiais em contrário. Vejam a entrevista.
CAPITALSOCIAL – Como observa o desenrolar das denúncias contra o senhor Saul Klein?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein se encontra, mais uma vez, na posição de vítima de falsas e criminosas acusações. Precedentes tentativas frustradas de várias das “denunciantes” nas áreas cível e trabalhista comprovam a farsa ora em marcha, que muito impacta a integridade moral e o prestígio social dele. Iniciativa semelhante já foi devidamente desqualificada e arquivada, a pedido do Ministério Público, após ampla investigação da Polícia Civil. A sobreposição de mentiras e especulações não prosperou em ambiente que preserva a realidade dos fatos, o que novamente acontecerá.
CAPITALSOCIAL – As eleições municipais em São Caetano têm alguma correlação com o caso?
André Boiani -- Deve ser destacado que, além do interesse financeiro das supostas vítimas -- e de quem as arregimentou, pessoa que já está sendo desmascarada durante a investigação –, não é por acaso que a cronologia de registro e divulgação das acusações falsas contra o Sr. Saul Klein coincidiu com a da eleição municipal de São Caetano do Sul, na qual ele concorreu ao cargo de vice-prefeito. Muitos são, assim, os motivos para a existência das falsas acusações. Com algumas das autoproclamadas vítimas, efetivamente o Sr. Saul Klein manteve relações consensuais sacramentadas de acordo com as regras do reconhecido relacionamento “sugar”. A frequência repetitiva das modelos, que livremente frequentaram eventos do Sr. Saul Klein por meses ou anos, se constitui em óbvia prova do consentimento dos relacionamentos, que se tornaram conflituosos exclusivamente na versão fraudulenta levada ao conhecimento do Ministério Público, tudo por conta de interesses patrimoniais inconfessáveis que vêm sendo trazidos à tona durante o desenrolar da investigação policial.
CAPITALSOCIAL – O senhor Saul Klein estuprou e abusou das mulheres ou não?
André Boiani -- É bom que se saliente: o Sr. Saul Klein jamais manteve relações sexuais não consentidas. Ele também nunca admitiu a presença de menores de idade em seus eventos, tendo sempre sido esse tema pauta de sua agenda de responsabilidade como anfitrião. Os seguranças de seus eventos eram todos funcionários de empresa especializada que simplesmente garantiam a tranquilidade de todos, atuando na área externa dos imóveis. Eles jamais intimidaram quem quer que fosse -- até porque o relacionamento “sugar” não tem correlação com intimidação de qualquer espécie.
CAPITALSOCIAL – O senhor criou ou adaptou ou incorporou uma expressão (sugar-daddy) para resumir o prazer comportamental do senhor Saul Klein. Até que ponto essa definição está encaixada no conjunto de ações que ele tomou ao longo dos tempos?
André Boiani – O círculo íntimo de convivência do Sr. Saul Klein sabe, há muitos anos, de seu profundo apreço pela companhia de mulheres jovens e atraentes, e do prazer que ele sente por habitualmente exercer o papel de “sugar daddy” de todas elas. É claro que ele nunca fez alarde quanto a isso a fim de evitar o julgamento moral da sociedade, mas ele é, sim, adepto dessa lícita prática. Em termos simples, “sugar daddy” é o indivíduo que se satisfaz por suprir de maneira habitual e ostensiva as necessidades e os caprichos materiais de mulheres que se apresentam como “sugar babies”. O contato inicial entre “daddies” e “babies” se dá das mais variadas formas: por apresentação de amigos, por indicação de outros participantes desse hábito social, por agenciamento e até mesmo por exposição de perfis em websites especialmente dedicados ao tema.
CAPITALSOCIAL – Como se explica essa relação?
André Boiani -- A relação que se estabelece entre “daddy” e “baby” nem sempre envolve encontros sexuais, mas pode evoluir para isso se ambos concordarem, e claramente não se confunde com a prostituição ou com a exploração sexual porque não consiste na troca de sexo por dinheiro ou na exigência de favores físicos mediante coação ou privação de liberdade. Na realidade, os envolvidos nesse tipo de relacionamento mantêm laços afetivos importantes, embora temperados pela fantasia de dependência recíproca que os move e qualificados pela liberdade que caracteriza a relação. Juntos eles frequentam eventos, compartilham experiências, e, muitas vezes, mantém relações sexuais.
CAPITALSOCIAL – Por que o senhor Saul Klein temia tanto ser exposto em suas preferências intimas?
André Boiani -- É claro que, do ponto de vista de um certo código de moralidade, seria compreensível dizer que um tal comportamento se mostraria digno de reprovação -- e exatamente por isso o Sr. Saul Klein não desejava que esse assunto se tornasse de conhecimento público. Mas não se pode confundir essa possível condenação moral com uma afirmação de ilicitude dessas práticas. O direito simplesmente não as proíbe. Nesse campo de exercício regular de direito, o Sr. Saul Klein por anos celebrou eventos periódicos das quais participaram diversas mulheres com as quais mantinha laços “daddy-baby”. O maior deleite do Sr. Saul Klein nesses encontros vinha da interação pura e simples com moças interessantes e bonitas – conversas, jogos, danças, leituras, compartilhamento de experiências ligadas à arte e à gastronomia etc. Essa era a fantasia dele: estar cercado de mulheres agradáveis, com quem pudesse livremente passar horas de prazer mental e físico, em um ambiente seguro e desprovido de preconceitos e julgamentos.
CAPITALSOCIAL – Rolava ou não rolava sexo nos encontros do senhor Saul Klein?
André Boiani -- Nessas festas poderiam, ou não, ocorrer relações sexuais, sendo comum que tais eventos se esgotassem apenas em divertimento não-sexual. Quando ocorreram, porém, foram absolutamente consensuais, afinal, os participantes eram maiores, desimpedidos, e estavam ali de livre e espontânea vontade – e, saliente-se, todas queriam voltar aos eventos, em franca demonstração de que estavam de acordo com o que ali acontecia.
CAPITALSOCIAL – As restrições impostas às mulheres, sobretudo quanto ao uso de celulares, têm justificativa ou, conforme as denúncias, se inseriam num campo de anormalidades comportamentais?
André Boiani -- Para preservação da intimidade de todos, era incentivada a abstenção do uso de smartphones ou de aparelhos similares durante os encontros. Se não fosse assim, tanto o Sr. Saul Klein quanto as mulheres que frequentavam os eventos – muitas delas bem longe do conhecimento da família – já poderiam ter sido expostos indevidamente na internet. Como é típico para um “daddy”, o Sr. Saul Klein distribuía presentes nessas ocasiões, de modo que as participantes ansiavam não apenas por participar delas, como também por retornarem reiteradamente ao convívio dele. E não era incomum que as “babies” comentassem com outras amigas tudo aquilo de bom que tinham vivenciado em sua companhia – o que gerava uma espécie de demanda constante de vagas para os eventos que ele patrocinava. Sem surpresas, tudo isso atraiu também a atenção de uma grande quantidade de pessoas inescrupulosas e interessadas em explorar financeiramente esse traço da personalidade do Sr. Saul Klein.
CAPITALSOCIAL -- Em geral, qual o histórico das relações do senhor Saul Klein com as mulheres que recebia em sua casa?
André Boiani -- Algumas delas tentaram enganá-lo, outras procuraram abusar da bondade dele. Tudo normal e esperado. Mas houve também aquelas que praticaram extorsão e ameaça contra ele, em especial durante um longo período em que ele esteve fragilizado por uma grave depressão, e que inclusive chegaram a lhe causar prejuízos milionários mediante condutas que envolveram cooptação de pessoas, falsificação de documentos e ajuizamento de ações fraudulentas.
CAPITALSOCIAL – Qual é o papel da cafetina Marta Gomes da Silva nas denúncias contra o senhor Saul Klein?
André Boiani – Não concordo com a indevida divulgação de procedimento investigativo que tramita em segredo de justiça. Assim, os esclarecimentos que ora presto respeitarão os limites impostos pela lei, evitando exposição de nomes. Sobre sua pergunta, antes de a relação “sugar” ser tão difundida e de existirem “sites” especializados na internet, era comum que os interessados em tal tipo de relacionamento se conhecessem por meio de agenciadores especializados. Foi assim que o Sr. Saul Klein foi apresentado, no final dos anos 2000, a uma empresa que se responsabilizava por todas as questões operacionais dos eventos, como contratação, pagamento e transporte das modelos, além de decoração, alimentos, bebidas, garçons, músicos etc. A responsável pela empresa disponibilizava, inclusive, colaboradoras que permaneciam no local do evento, notadamente uma que curiosamente se apresentou como uma das “supostas vítimas” no procedimento de investigação.
CAPITALSOCIAL – Como se operacionalizava essa relação?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein contratava a empresa para que organizasse as festas e selecionasse modelos que estivessem dispostas a conhecê-lo e a participar de seu evento. Havendo afinidade, poderia daí surgir uma relação “daddy-baby”. Repita-se: todas as moças com quem o Sr. Saul Klein eventualmente manteve relacionamento o fizeram por opção própria, em razão de terem tido afinidade com ele.
CAPITALSOCIAL – As festas que tinham o senhor Saul Klein como anfitrião eram mesmo de arromba?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein realizava eventos com 5, 10, 15 ou até mesmo 20 modelos. Esses eventos poderiam durar mais de um dia. As moças eram estimuladas a não permanecer com seus aparelhos celulares, mas nenhuma moça jamais foi obrigada a permanecer no local caso quisesse ir embora; nenhuma delas jamais foi proibida de ter acesso a seu aparelho telefônico caso precisasse ou quisesse falar com alguém; nenhuma modelo sofreu qualquer ameaça por parte do Sr. Saul Klein ou de qualquer de seus funcionários ou seguranças – aliás, diga-se que a segurança do Sr. Saul Klein sempre foi feita por empresas de segurança conhecidas e devidamente autorizadas a funcionar.
CAPITALSOCIAL – Quando começou o processo de desgaste entre o senhor Saul Klein e a dona da empresa de agenciamento de modelos?
André Boiani -- Em março de 2018, durante um período em que o Sr. Saul Klein enfrentava uma severa depressão e ainda se recuperava de um câncer de pele, ele foi procurado pela dona da empresa com uma notícia que muito estranhou: segundo ela, duas modelos que teriam participado dos eventos dele desejavam receber elevada quantia em dinheiro para não exporem a intimidade dele à imprensa – elas, que agora são apontadas como supostas vítimas do procedimento de investigação, possuíam fotos íntimas dele e dos eventos, em franca demonstração, por si só, de que nunca houve rigor absoluto dele quanto à proibição e fiscalização de celulares. Fragilizado pela depressão e muito preocupado em não se expor negativamente na mídia, o Sr. Saul Klein informou para a dona da empresa que, apesar de entender que esse problema deveria ser resolvido por ela, concordaria em firmar “acordos” com as moças para não ter que se preocupar com a indevida exposição de sua imagem pela imprensa. Isso efetivamente aconteceu, embora o Sr. Saul nunca tenha tratado diretamente com essas mulheres ou com os representantes delas, tendo todos os contatos sido realizados pela dona da empresa.
CAPITALSOCIAL -- E quando, finalmente, se deu o rompimento com a cafetina?
André Boiani -- Após uma série de acontecimentos que deixaram claro ao Sr. Saul Klein que estava sendo vítima de golpes por parte da dona da empresa e de algumas de suas modelos – acontecimentos que estão em discussão em procedimentos sigilosos e, por isso, não é possível entrar em detalhes sobre eles –, em março de 2019 ele anunciou a ela que não mais contrataria seus serviços. Sintomaticamente, logo após essa interrupção, notificações foram encaminhadas ao Sr. Saul Klein deixando claro que a dona da empresa, seus sócios e subordinadas -- muitas delas agora autoproclamadas vítimas na nova investigação e na já arquivada – , acostumados a obter dele grandes lucros pecuniários, parecem ter se associado criminosamente para dele obter vantagem financeira indevida, sob pena de forjarem um inexistente vínculo de emprego que teriam com ele e, principalmente, de exporem sua imagem a ridículo, acusando-o de ilícitos que jamais praticou.
CAPITALSOCIAL – E a enxurrada de processos?
André Boiani -- Após as notificações, que foram devidamente ignoradas pelo Sr. Saul Klein, se iniciaram os vários processos cíveis e trabalhistas, além de um inquérito policial. Foram tantas as condutas indevidas de que o Sr. Saul Klein foi vítima que, em um dos processos cíveis, o MM. Juízo de Direito assim afirmou: “Embora este Juízo entenda que ao que parece realmente houve crime no acordo firmado entre as partes envolvendo a extorsão do réu o que de fato deveria ser apurado pelas autoridades policiais, cabe às partes tomarem as providências que entenderem cabíveis. (...) Ademais, eventual exploração de prostituição crime que também poderia ser melhor apurado não necessariamente teria o réu deste processo [o Sr. Saul Klein] como réu do processo criminal. Não parecendo ser ele aquele que explorava prostituição, e sim, a mencionada [dona da empresa]”. Como se vê, no processo em que a prova já está mais evoluída, reconheceu o Juízo a existência de indícios de conluio criminoso contra o Sr. Saul Klein para dele extorquir dinheiro mediante ameaça de exposição à mídia ou mesmo de outras medidas que poderiam lhe trazer prejuízo. Ele também notou naqueles autos a suspeita de que a dona da empresa pode explorar a prostituição.
CAPITALSOCIAL – E quando se deu o rompimento do lacre do silêncio do senhor Saul Klein?
André Boiani -- Não bastassem esses elementos, em outro processo foi comprovada a falsificação da assinatura do Sr. Saul Klein em um suposto “acordo” com uma das modelos contratadas pela empresa, em franca demonstração de que escrúpulos não existem para esse grupo. Cabe salientar que o Sr. Saul Klein, sempre preocupado com a exposição de sua imagem, havia optado por não requerer instauração de inquérito policial para apurar os crimes de que foi vítima – extorsão e falsificação de documento, no mínimo. Porém, diante da absurda acusação que novamente o atinge e, principalmente, diante da exposição do caso pela imprensa, entendeu que teria chegado o momento de tudo ser colocado às claras.
CAPITALSOCIAL – Já se tem a dimensão dos fatos que determinaram a reação do senhor Saul Klein?
André Boiani -- Certamente muitas coisas escusas ainda aparecerão e poderão ser mais esclarecidas diante das investigações efetivadas no inquérito policial requisitado pelo Ministério Público. Por exemplo, algumas das supostas vítimas deixaram claro que eram obrigadas pela dona da empresa a enganar o Sr. Saul Klein quanto a seu nome e, algumas vezes, idades, apresentando a ele documentos falsos. É evidente, assim, que as “novas denúncias” levadas ao conhecimento do Ministério Público se inserem justamente nesse histórico de fraudes e extorsões praticadas contra o Sr. Saul Klein. As fantasiosas e levianas afirmações feitas pelas supostas vítimas que deram início ao novo inquérito sintomaticamente surgiram diante das sucessivas derrotas cíveis e trabalhistas das “denunciantes” e logo depois do anúncio de que o Sr. Saul Klein concorria ao cargo de vice-prefeito da cidade de São Caetano do Sul, momento em que estava naturalmente mais exposto na mídia e nas redes sociais. Na verdade, as tais supostas vítimas são o oposto disso, e o Sr. Saul Klein tem a convicção de que tal situação ficará devidamente comprovada ao final da investigação.
CAPITALSOCIAL – Acredita que a Justiça será feita?
André Boiani – É importante salientar que isso já começou a ocorrer, tanto que as medidas cautelares que inicialmente o impediam de sair do Brasil e manter contato com as supostas vítimas foram revogadas pelo próprio Juízo que as havia deferido. E obviamente o Sr. Saul Klein não saiu do Brasil e nem tentou contato com qualquer delas.
CAPITALSOCIAL – Há um caso precedente que o senhor utiliza como espécie de síntese da situação geral?
André Boiani -- Não é a primeira vez que o Sr. Saul Klein sofre acusação semelhante – e falsa. Há alguns meses foi arquivado inquérito policial que tratou de alegações bem parecidas e que ficou esvaziado quando a própria suposta vítima naquele feito – que, não surpreendentemente, também constou da notificação enviada ao Sr. Saul em abril de 2019 – esclareceu que na realidade nada de errado havia sido feito pelo Sr. Saul Klein. Não bastasse, a Polícia Civil também ouviu testemunhas que desmentiram integralmente a acusação original.
CAPITALSOCIAL -- O senhor forneceu essas informações aos jornalistas que o procuraram para falar sobre o “caso Saul Klein”?
André Boiani -- Sim, essas informações foram fornecidas.
CAPITALSOCIAL – Afinal, há elementos que provem que o sr. Saul Klein aliciava ilegalmente mulheres para que elas fossem à sua casa e se colocassem à disposição para o seu prazer sexual?
André Boiani -- Somente há a palavra de algumas pessoas contra a palavra de outras. Na verdade, o Sr. Saul Klein nunca pagou diretamente a mulheres para que elas se colocassem à disposição para o seu prazer sexual. Ele buscava a companhia de mulheres jovens, todas maiores de idade, que tivessem interesse em conhecê-lo para, havendo afinidade, manter um relacionamento conhecido como “sugar”, que pode ou não envolver relacionamento sexual – até porque os eventos eram frequentados por até vinte modelos, sendo até intuitivo saber que ele não manteria necessariamente relações sexuais com todas elas.
CAPITALSOCIAL -- O sr. Saul Klein mantinha ou ainda mantém essa espécie de harém em sua casa? Havia menores de idade envolvidas?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein nunca manteve “harém” algum em sua casa ou em qualquer lugar. Ele realizava eventos com várias modelos, que compareciam a eles por livre e espontânea vontade, podendo neles permanecer ou sair quando quisessem, sendo certo que a quase totalidade das modelos pedia para voltar em eventos futuros. Quanto a menores de idade, ele nunca admitiu em seus eventos pessoas que não comprovassem ser maiores e capazes. Se foi utilizado documento falso a tanto, ele não sabe dizer.
CAPITALSOCIAL -- O sr. Saul Klein manteve relações sexuais com mulheres sem que elas dessem consentimento ou sem que estivessem em condição de consentir, como, por exemplo, embriagadas, drogadas ou constrangidas de alguma forma? Em outras palavras, ele praticou estupro de alguém?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein jamais manteve relações sexuais não consentidas ou com quem estivesse sem condições de consentir. Esse tipo de comportamento é considerado por ele como absolutamente reprovável, repugnante e inadmissível.
CAPITALSOCIAL -- O sr. Saul Klein mantinha mulheres presas em sua casa? É verdade que elas ficariam sem acesso aos seus telefones celulares por dias?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein nunca manteve qualquer pessoa em cárcere privado. Jamais uma pessoa presente a qualquer de suas propriedades ou eventos ali esteve de forma compulsória. As mulheres sabiam que não poderiam registrar imagens e que, por isso, seus celulares poderiam ser recolhidos ao ingressarem no local, mas também sabiam como recuperá-lo a qualquer momento que quisessem – já que poderiam sair do local quando bem desejassem. Totalmente absurda a afirmação de que as supostas vítimas ficariam “presas”, constrangidas por seguranças armados, praticamente em cárcere privado, já que, repita-se, saíam quando queriam e, principalmente, voltavam com frequência para novos eventos, muitas vezes fazendo isso ao longo de anos, o que, por si só, já se mostra uma incoerência insuperável.
CAPITALSOCIAL -- O sr. Saul Klein intimidava, de alguma forma, essas mulheres (por exemplo, por meio de seguranças armados ou pelo simples poder financeiro)?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein jamais intimidou qualquer pessoa, seja de forma física, seja de forma moral. Ele manteve relacionamentos “sugar”, o que é completamente incompatível com intimidações. A segurança do Sr. Saul Klein sempre foi feita por empresas reconhecidas e habilitadas, cujos funcionários, devidamente registrados e legalmente armados, nunca entraram nas áreas íntimas de sua residência e evidentemente jamais intimidaram quem quer que fosse. Quanto ao poder financeiro, o Sr. Saul Klein o usava para agradar as participantes de seus eventos, e não para intimidá-las. A intimidação certamente estragaria o objetivo de seus eventos, que era conquistar as mulheres e com elas manter um relacionamento “sugar”.
CAPITALSOCIAL -- Houve divulgação de que o sr. Saul Klein foi alvo de inquérito policial sobre favorecimento de prostituição e exploração sexual de vulnerável no ano passado. Por que o inquérito foi arquivado? É possível fazer alguma relação entre esses casos?
André Boiani -- Referido inquérito policial investigava a alegação de uma mulher que fazia afirmações muito semelhantes às feitas pelas supostas vítimas do procedimento atualmente em andamento. E nem poderia ser diferente, já que a pessoa que se afirmou vítima no primeiro inquérito, já devidamente arquivado, fez parte do grupo que, em abril de 2019, intensificou o achaque ao Sr. Saul Klein em busca de dinheiro para não expor, publicamente, seus eventos. O arquivamento se deu, a pedido do Ministério Público, após profunda investigação da Polícia Civil de São Paulo, que deixou clara a inexistência de qualquer elemento que apontasse para a veracidade da absurda acusação contra o Sr. Saul Klein. Antes de abril de 2019 outras pessoas – várias delas agora tratadas como “supostas vítimas” – já haviam tentado obter vantagem indevida do Sr. Saul Klein através da utilização de argumentos parecidos com os que surgiram agora – todos absolutamente falsos, mas que, expostos ao público pela imprensa, certamente trariam prejuízos.
CAPITALSOCIAL – Como se explica que algumas das mulheres obtiveram sucesso nas investidas contra o senhor Saul Klein?
André Boiani -- É verdade que algumas delas inicialmente obtiveram algum sucesso financeiro em seu intento criminoso, aproveitando-se de um período em que o Sr. Saul Klein sofreu com grave depressão. Uma vez recuperado, porém, em março de 2019 ele se afastou por completo dessas pessoas e, não por acaso, passou a ser ainda mais constantemente achacado por notificações, reclamações trabalhistas, processos cíveis e investigações criminais, em cujos procedimentos ele vem esclarecendo a verdade e obtendo resultados amplamente favoráveis.
CAPITALSOCIAL – O senhor acredita em resultado semelhante agora?
André Boiani -- Está certo o Sr. Saul Klein de que o destino da nova investigação será o mesmo do inquérito anterior, ou seja, o arquivo, já que ele nunca praticou qualquer ato ilícito. Até lá, porém, ele também sabe que estará sujeito a injusto julgamento moral público provocado por pessoas inescrupulosas que, sem apreço pela verdade e objetivando exclusivamente ganho patrimonial – e, talvez, político – indevido, buscam dar divulgação a um caso que tramita sob rigoroso sigilo de justiça, circunstância que impede o próprio Sr. Saul Klein de expor todos os responsáveis por essa situação.
CAPITALSOCIAL -- O Sr. Saul Klein reconhece ter mantido relações sexuais com todas as alegadas vítimas?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein, por nome, não consegue se recordar de todas as alegadas vítimas; algumas delas ele tem certeza de ter conhecido na condição de modelos que participaram de eventos por ele promovidos, e, sobre essas, pode afirmar que todas as atividades realizadas, de natureza sexual ou não, foram consentidas legitimamente.
CAPITALSOCIAL – Afinal, o que está por trás de tudo isso?
André Boiani -- O Sr. Saul Klein vem sendo vítima, há algum tempo, de um grupo organizado que se uniu com o único objetivo de enriquecer ilicitamente às custas dele, através da realização de ameaças e da apresentação de acusações falsas em âmbito judicial, policial e midiático. Várias dessas pessoas já conseguiram se aproveitar dele em outras oportunidades, causando-lhe prejuízo milionário, e estavam acostumadas a essa situação. Quando perceberam que esse tempo acabou, passaram a difamá-lo publicamente. Ele sente profunda indignação diante desse quadro, mas se defende com toda a tranquilidade, pois tem absoluta confiança na Polícia, no Ministério Público e no Poder Judiciário, que já atestaram sua inocência em investigação anterior e certamente o inocentarão mais uma vez.
Advogada feminista do Caso
Saul Klein foge de perguntas
DANIEL LIMA - 14/05/2021
Como era esperado, a feminista e também advogada Gabriela Souza fugiu da Entrevista Especial de CapitalSocial sobre o Caso Saul Klein. Ela não resistiu aos questionamentos porque não tem conteúdo argumentativo e provas materiais para sustentar um discurso próprio de assassinos sociais.
Gabriela Souza é uma das principais articuladoras do projeto de destruição da imagem da Família Klein. Com Samuel Klein, patriarca que construiu a rede Casas Bahia, agiu pós-morte. Com Saul Klein a investida é em vida.
CapitalSocial cumpriu rigorosamente um rito do jornalismo sem partidarismo e comprometido com o contraditório. Primeiro, ouviu o advogado André Boiani, que defende Saul Klein. Em seguida, remeteu questionamentos a Gabriela Souza.
Entrevista Especial de CapitalSocial é um modelo diferenciado do convencional de perguntas e respostas da maioria da mídia brasileira. Não há possibilidade de o produto consumido pelos leitores ser revestido de fraude editorial.
Fraude editorial é a execução de tarefa jornalística voltada a preencher o ego do entrevistado e possivelmente de grupos que o apoiam, sempre em sacrifício ao incômodo de questionamentos esclarecedores.
Gabriela Souza, a feminista empedernida, não é tão feminista assim. Dublê de feminista e advogada, Gabriela Souza deve viver em permanente conflito entre o equilíbrio de manter a ética em defesa das mulheres e os interesses profissionais. Só assim se explica a contradição de defender supostas mulheres violentadas por Saul Klein e, ao mesmo tempo, lavar as mãos quando as mulheres estão do outro lado, ou seja, do mesmo Saul Klein e também de suas próprias reputações.
Gabriela Souza fugiu da raia porque Gabriela Souza tem entre os compromissos assumidos a imperiosidade de calar-se ante a possibilidade de incriminar-se eticamente.
CAPITALSOCIAL – A senhora parece encontrar dificuldades num ponto visceral na empreitada que pretende criminalizar o senhor Saul Klein. É incômodo o fato de a principal agente das acusações do Ministério Público Estadual integrar quadrilha que extorquia o denunciado? Trata-se da ex-namorada e desafeta de Saul Klein, Ana Paula Banana. A senhora entende que ela é descartável à acusação, já que jamais a mencionou? É possível acreditar que Ana Banana não esteja entre suas representadas? Seria ela um estorvo à narrativa de estupro?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – Soa no mínimo estranho, quando não incoerente, ou seria uma prática salvacionista da própria versão destilada na mídia, que Ana Banana não esteja na lista de representadas da advogada Gabriela Souza. Independentemente de qualquer resposta (e é por isso, também, que a advogado não respondeu), Ana Banana é um explosivo à tese do processo instaurado pela promotora criminal Gabriela Manssur, do Ministério Público Estadual, igualmente caçadora de agressores de mulheres. Ana Banana era mesmo uma infiltrada da cafetina Marta Gomes da Silva nos domicílios de Saul Klein. Formava uma rede de extorsões. O desdobramento do Caso Saul Klein, na esfera criminal, trará complicações a Ana Banana.
CAPITALSOCIAL – Há documentos (audiovisual) que colocam Ana Paula Banana, a principal informante e acusadora do caso Saul Klein, na condição de organizadora do grupo de mulheres contratadas pela empresária de entretenimento sexual (em linguagem popular, cafetina) Marta Gomes da Silva para atuar nas residências do denunciado. Numa das provas, Ana Paula afirma categoricamente que conta com mais de 50 mulheres -- segundo expressão dela -- para trabalhos na área. Há informações suplementares de que essa lista foi utilizada à exaustão por Ana Banana no chamamento denunciatório contra Saul Klein. A senhora sabe quantas das supostas violentadas por Saul Klein constavam da lista de Ana Paula Banana?
Gabriela Souza -- Nada.
CapitalSocial – O processo acusatório da promotora criminal Gabriela Manssur foi todo elaborado tendo como matéria-prima as declarações de Ana Banana. Há vídeos e áudios que comprovam declarações de Ana Banana como arrebanhadora de jovens mulheres para servir à clientela. É a própria Ana Banana que faz a afirmação. Além disso, Ana Banana é duramente criticada por mulheres que procuraram a Polícia Civil de Barueri em defesa de Saul Klein.
CAPITALSOCIAL – Temos informações de que a promotora criminal Gabriela Manssur está lhe dando assessoria informal para obter resultados incriminatórios contra o senhor Saul Klein. Gabriela Manssur, como a senhora sabe, conduziu os trabalhos iniciais do Ministério Público Estadual e conta com ação específica de apoio a mulheres violentadas. Ana Banana foi a âncora das acusações formuladas por Gabriela Manssur e, também, âncora camuflada da reportagem do Fantástico em dezembro do ano passado. Quais são os próximos passos que terá em companhia de Gabriela Manssur?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – Gabriela Souza mobiliza-se com lideranças feministas de todos os quadrantes para pressionar o Judiciário e a Polícia Civil na ação punitiva a Saul Klein. A advogada aparelhou-se de profissionais de comunicação adeptos da causa de salvaguarda de mulheres violentadas. Tem participação ativa inclusive nas denúncias posteriores a de Saul Klein, envolvendo o pai Samuel Klein, morto há sete anos.
CAPITALSOCIAL – A senhora apresentou ao Judiciário uma informação em forma de denúncia de que teria partido de Saul Klein uma tentativa de cooptar mulheres que constam da lista de denunciantes, em Barueri. Tudo teria sido por meio de telefonema. O portal UOL deu ampla matéria sobre o assunto, reproduzindo o telefonema supostamente a mando de Saul Klein. Sabe-se que o juiz do Caso Saul Klein sugeriu que a denúncia fosse levada à Delegacia de Polícia da Mulher em Barueri. Há informações de que a senhora não deu sequência porque poderia se chegar à origem do que é visto como delito processual. Ou seja: o grupo que acusa Saul Klein estaria por trás da iniciativa. Qual sua posição a respeito?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – Nada foi levado ao inquérito policial em Barueri que daria conta de pressões de Saul Klein na tentativa de cooptar mulheres que o denunciaram. Gabriela Souza recorreu ao Judiciário e se deu mal, porque a medida é uma atribuição policial. Mas o objetivo era mesmo influenciar futuras decisões do magistrado. Uma manobra muito conhecida nos meios jurídicos. Possivelmente a advogada tenha refugado à iniciativa de estender a solicitação à Delegacia da Mulher de Barueri porque o tiro do telefonema poderia sair pela culatra do grupo que representa. Caso contrário, a dar veracidade à informação, Saul Klein flertaria com a insanidade. E o que se sabe é que o empresário se recupera de depressão aguda que o colocou a nocaute (e à sanha da cafetina Marta Gomes da Silva e de parceiros advogados) durante cinco anos.
CAPITALSOCIAL – Várias das denunciantes sob sua guarda jurídica teriam repensado participação no Caso Saul Klein e, individualmente, teriam se mostrado preocupadas com os desdobramentos jurídicos. O temor delas é que teriam sido enganadas por terceiros – sobretudo Ana Banana – e viessem ao fim da disputa judicial passar à condição de denunciação caluniosa. Como lidou com o problema?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – O que se sabe é que Gabriela Souza faz ação permanente de motivação das jovens que representa. O trabalho consiste em abafar e desqualificar todas as informações que contrariem o discurso de violência e estupro, ao mesmo tempo em que festeja cada matéria favorável à denúncia publicada na mídia. Transpira-se nas declarações de Gabriela Souza na imprensa que o mais importante não seria necessariamente a vitória das supostas violentadas, mas o nocaute social de Saul Klein ou, mais, da família Klein. Além, claro, da notoriedade. Gabriela Souza é uma caça-espaço midiático.
CAPITALSOCIAL -- A senhora escreveu recentemente algo que segue o seguinte conceito: filho de peixe, peixinho é, ao se referir às denúncias póstumas que atingiram a memória do empresário Samuel Klein, morto há sete anos, e o caso do filho Saul Klein, do qual a senhora é protagonista nas acusações. Há base cientifica nas declarações da senhora, ao avocar o vetor intergeracional para transportar um comportamento ao outro, ou o que se pretende mesmo é o efeito-contaminação, para gerar suposta credibilidade a uma denúncia do MP que não teria encontrado respaldo policial e tampouco judicial? Se a senhora for uma profissional medíocre seria previsível que no futuro eventual herdeiro consanguíneo e profissional seja visto também assim?
Gabriela Souza -- Nada.
CapitalSocial – A declaração de Gabriela Souza faz parte do enredo direcionado a colocar os Klein em saia justa, condenando todas as gerações da família a um quarto de despejo de imoralidades e abusos. O propósito da declaração foi claro: tornar as supostas aventuras delituosas do patriarca Samuel Klein uma corrente de lama que atingisse o filho Saul Klein.
CAPITALSOCIAL – A senhora é considerada peça-chave na ampla reportagem da Agência Pública sobre a vida de Samuel Klein, pai de Saul Klein, e que teria se empenhado tanto porque entenderia que o vínculo supostamente hereditário entre eles seria uma medida que daria robustez ao inquérito policial em Barueri. Qual sua participação naquele trabalho de denúncia necrológica?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – São notórios os laços que ligam a advogada Gabriela Souza à produção da reportagem que retiraram Samuel Klein do patamar de grande empresário e o colocou na lista de abusadores sexuais de alto calibre. Fundir pai e filho é uma tática evidente nas narrativas publicadas. Gabriela Souza vai se transformando em, até prova material em contrário, uma das principais peças da engrenagem de assassinato social.
CAPITALSOCIAL – Qual é a avaliação que a senhora faz do conflito de declarações envolvendo grupos de mulheres que dizem ser Saul Klein um violentador e violador enquanto o outro afirma que se trata de um cavalheiro, preocupado inclusive com o bem-estar social e cultural delas?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – Há dois grupos de mulheres que fazem do Caso Saul Klein desafio investigativo às autoridades. As mulheres denunciantes e as mulheres defensoras do empresário. Os depoimentos na Polícia Civil de Barueri são uma leitura imperdível. Em comum, entre várias mulheres dos dois grupos, é a participação ativa de Ana Banana como espécie de vilã do sistema. A mesma Ana Banana heroína das denúncias no Ministério Público. A mesma Ana Banana abandonada, não interessante, não acessível ou qualquer coisa do gênero à defesa de Gabriela Souza.
CAPITALSOCIAL – A senhora tinha pleno conhecimento dos fatos antecedentes às denúncias de Ana Paula Banana ao Ministério Público Estadual? O que quero dizer é o seguinte: o desempenho funcional de Ana Banana como representante de uma cafetina disfarçada de empresária nos interiores das casas de Saul Klein, contratada pela mesma cafetina, eram de seu conhecimento?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – É muito provável que a advogada Gabriela Souza desconhecia a ficha corrida de Ana Banana como parte da rede de uma das cafetinas mais conhecidas da Capital. E que ao tomar conhecimento da atuação de Banana nas redes sociais e, em seguida, em depoimentos na Polícia de Barueri, a tenha descartado como cliente. Afinal, seria um contracorrente na narrativa fluvial de vitimização das mulheres que representa.
CAPITALSOCIAL – Há dualidade desafiadora sempre que se coloca na mesa de discussões questões de supostos abusos de ordem sexual de origem no passado remoto ou mesmo recente. Argumenta-se por um lado que as mulheres são vítimas e por outro que usufruíram de situações que as favoreceram e só decidiram tornar abusos porque as circunstâncias as beneficiaram, quer por ordem moral, quer por motivação financeira. A senhora consegue distinguir uma coisa da outra no Caso Saul Klein? Ou seja: as mulheres denunciantes foram vítimas mesmo? Até que ponto as mulheres que se apresentaram favoráveis a Saul Klein são diferentes das mulheres denunciantes? Teríamos um caso de bipolaridade sexual do denunciado ou há mesmo uma bipolaridade de conveniências?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – O questionamento teve sim conotação provocativa, praticamente interpretativa, porque já se apresentava como cenário mais que provável a fuga da entrevista. A feminista e também advogada possivelmente fique em situação desconfortável quando enfrenta sinuosidades da humanidade que estão muito além de definições de gênero. Ou seja: o feminismo é um dispositivo sujeito a chuvas de imperfeições e trovoadas de contradições.
CAPITALSOCIAL – Qual é a recomendação que a senhora transmite às mulheres em caso de violência sexual comprovada? Qual é o conceito da senhora sobre violência sexual comprovada? Provas materiais são indispensáveis?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – Esperar que respondesse à questão também se insere no terreno do desafio à capacidade de a advogada das denunciantes dar um drible na ausência de materialidade no suposto crime. Mas para Gabriela Souza nada importa a não ser a narrativa de criminalização de Saul Klein. Ela abastece a mídia com narrativas de fluidez subjetiva, quando não imperativa, própria de quem sequestra fatos em nome de versões.
CAPITALSOCIAL – O portal UOL editou no último domingo uma matéria em que Saul Klein aparece dançando com uma das supostas denunciantes. A senhora vê nesse tipo de flagrante algo criminalizável?
Gabriela Souza -- Nada.
CapitalSocial – Quem abasteceu o site ligado ao Grupo Folha foi Gabriela Souza. E mostra bem a impetuosidade da advogada. Uma imagem de Saul Klein numa festa acompanhado por (supostamente) uma das denunciantes é motivo de uma legenda, de um título, de um texto que levem à falsa caracterização de delito sexual. Como se homem nenhum pudesse estar acompanhado de mulher alguma em qualquer ambiente, mesmo num quarto de motel. O que não era o caso.
CAPITALSOCIAL – Independentemente de juízo de valor sobre a vida sexual de Samuel Klein, na versão da Agência Pública e uma rede de publicações virtuais e impressas, a senhora entende que o compartilhamento de piscina com jovens mulheres, numa festa de aniversário no Guarujá, compõe o tabuleiro de sustentação denunciatória daquela reportagem? E mesmo fotos de Samuel Klein com mulheres, em ambientes públicos, convertem-se em lastros probatórios?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – A advogada defensora de mulheres teria mesmo dificuldades em associar aquela imagem ao crime de estupro e de abusos sexuais. Mas para quem está pouco se importando com a verdade dos fatos materializados em vídeo, optando pela subjetividade de acusações e ilações, qualquer possibilidade de abrir as portas à relativização e à ponderação nas relações entre homens e mulheres é uma provocação.
CAPITALSOCIAL – A pergunta pode parecer fora do eixo principal de que tratamos, o Caso Saul Klein, mas é colocada justamente para saber se a senhora tem alguma prova material recolhida de suas representadas que dê alguma sustentação real às denúncias?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – O inquérito na Delegacia da Mulher em Barueri é um deserto em forma de materialidades de supostos crimes sexuais atribuídos a Saul Klein. Mais que isso: é uma competição de contraditórios sobre a conduta do denunciado. Há quem o veja como um homem gentil, diplomático e preocupado com o futuro das jovens; e há também as denunciantes escaladas por Ana Banana, a ex-namorada inconformada, que colocam Saul Klein no polo oposto, de vilania.
CAPITALSOCIAL – Os dois médicos que atenderam por vários anos as mulheres das casas de Saul Klein declararam à Polícia que jamais houve qualquer ocorrência que relacionasse o comportamento do anfitrião àquilo que as denunciantes disseram ao Ministério Público. Ou seja: diferentemente do que foi relatado, os médicos declararam que havia um feixe de cuidados com a saúde das mulheres e que sempre atuaram inclusive para minimizar os problemas que muitas apresentavam antes de participarem de encontros em Barueri e Boituva. Os médicos estão mentindo?
Gabriela Souza -- Nada.
CapitalSocial – Sabe-se que os depoimentos dos dois médicos foram sólidos em defesa dos métodos adotados por Saul Klein para dar conforto e tranquilidade às jovens que frequentaram suas residências durante anos. E sabe-se também que em nenhum momento a supostamente tão preocupada feminista Gabriela Souza se solidarizou com a médica Silvia Petrelli, ginecologista contratada por Saul Klein para dar atenção às jovens mulheres. Petrelli foi atacada duramente nas redes sociais, especialmente em São Caetano, onde tem consultório. A seletividade de Gabriela Souza coloca as mulheres em patamares diferenciados. Mulheres que se alinham a Saul Klein são abominadas. Só valem as mulheres doutrinadas por Ana Banana, o braço armado da cafetina Marta Gomes da Silva.
CAPITALSOCIAL – A senhora tem feito trabalho intenso para levar o Caso Saul Klein às mais diferentes instâncias sociais, não somente à mídia. Está evidente que a senhora pretende criar um ecossistema integrado por personalidades de diversas áreas que acreditam na versão unilateral da mídia paulistana. Como avalia os resultados até agora?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – A advogada deve estar feliz porque saiu do anonimato. Deve estar se deliciando com a repercussão na mídia. Sobretudo entre as representações ditas minoritárias. Remete ações a acontecimentos internacionais. Cita casos de escândalos no mundo do cinema e da moda. Vive um momento de êxtase. E não tem interesse algum em ouvir Ana Banana, centro de todas as denúncias.
CAPITALSOCIAL – Convocou-se uma manifestação diante do prédio da Casas Bahia como forma de suporte à matéria da Agência Pública no caso Samuel Klein. A repercussão foi pífia. Tanto na mídia como, principalmente, entre o público supostamente indignado. Havia literalmente uma meia dúzia de militantes em causas femininas. A senhora ficou decepcionada?
Gabriela Souza – Nada.
CapitalSocial – O fracasso da manifestação é um interessante ponto de interrogação quando se coloca uma questão a ser observada: será que as denúncias pós-morte do patriarca da família Klein, não foram tiros no pé?
CAPITALSOCIAL – Ainda sobre o Caso Samuel Klein: é legitima, inviolável, respeitosa, a questão ética de denunciar alguém que não poderia se defender, contando-se também que nenhuma decisão judicial o considerou em algum momento violador de padrões legais nas relações com mulheres? Esse revisionismo pós-morte seria um novo padrão de conduta das feministas?
Gabriela Souza -- Nada.
CapitalSocial -- Até que ponto as representações feministas, principalmente as representações feministas, não extrapolam a legitimidade de protestar e de procurar meios jurídicos para estabeleceram mudanças no tratamento de gênero na sociedade, até que ponto não estariam ultrapassando o terreno do razoável? Principalmente quando praticam assassinato de memória.
Caso Saul Klein: advogados de 14
vítimas buscam acelerar inquérito
Camila Brandalise e Pedro Lopes
De Universa, em São Paulo -- 25/03/2022
Depois de um ano e meio desde que um grupo de mulheres denunciou o empresário Saul Klein, 68, por crimes de violência sexual —incluindo lacerações nas partes íntimas—, cárcere privado e transmissão de doenças venéreas, entre outros, o caso está travado por sucessivas trocas de delegados responsáveis pelo inquérito e pela dificuldade da polícia em encontrar testemunhas chave, que precisam depor mas ainda não foram localizadas.
A investigação está na fase inicial, dos depoimentos, mas as novas advogadas das vítimas, as especialistas em violência contra a mulher Priscila Pamela dos Santos e Maíra Recchia, acreditam que já há provas suficientes nos relatos das jovens para confirmar as denúncias. Agora, elas planejam não só agir para que o inquérito caminhe mais rapidamente como também vão entrar com um processo civil pedindo indenização por danos morais e materiais para que as garotas sejam ressarcidas —em um caso como esse, o valor pedido individualmente pode chegar a R$ 2 milhões. No total, 14 vítimas fazem parte do processo contra Klein na Justiça. O empresário nega todas as acusações (informações sobre os argumentos da defesa podem ser encontradas no final deste texto).
UNIVERSA - Poderiam nos relembrar a cronologia do caso?
PRISCILA PAMELA DOS SANTOS - Em setembro de 2020, algumas garotas começaram a se entender vítimas de crimes violentos praticados por Saul Klein e procuraram um projeto que se chama Justiceiras [de acolhimento de mulheres] para expor os abusos aos quais elas haviam sido submetidas. Conforme esses relatos foram sendo colhidos e repassados ao Ministério Público, o que começou como alegação de fraude sexual ou eventual crime de estupro passou a ser também de tráfico de pessoa, cárcere privado, transmissão de doença venérea, uma série de tipos penais. O inquérito foi instaurado. É um caso complexo e nós perdermos bastante tempo na colheita de elementos. Então, o que se tem de lá para cá são depoimentos.
Qual a situação da investigação atualmente?
SANTOS -- Temos os depoimentos de todas as 14 meninas que se dispuseram a ser ouvidas e vários laudos psicológicos e psiquiátricos, pois os danos são enormes já que tem aí tentativas de suicídio, um suicídio consumado e várias ainda têm acompanhamento psicológico porque se encontram completamente abaladas. É o que vai dar materialidade porque são crimes que ocorriam em um ambiente fechado e que outras pessoas não tinham como ter acesso e presenciar. Só quem vivia ali, naqueles espaços, é que pode contextualizar. Também temos a versão apresentada pelo Saul Klein. Vamos pedir para serem colhidas imagens de câmeras de segurança, como registros de entradas em um flat onde garotas alegam terem sofrido violências. É um caso bastante complexo, poucos elementos foram produzidos, mas são de grande substância. Já confirmam a prática que acontecia naqueles ambientes e que colocavam essas meninas em uma condição de sub-humanidade.
Quais são esses elementos?
SANTOS -- São vários. Os depoimentos delas são muito consistentes. Aliados aos laudos médicos e psicológicos, apontam para uma situação de afronta à dignidade delas. Isso acontecia desde o primeiro contato com alguém do esquema, quando elas eram convidadas para um trabalho de modelo e chegavam para uma entrevista, para a realização de um desfile ou algo nesse sentido, e eram surpreendidas com a notícia de que teriam que ir para o quarto para serem testadas por um homem. Há esse aliciamento, essa conduta fraudulenta que usa essas meninas para que cheguem nesses espaços e, ali, elas serem submetidas a atividade sexual. Algumas, inclusive, menores de idade.
A partir de então, ele aprovava ou desaprovava as meninas. Elas tinham que se enquadrar no perfil, que tinha que ser bastante infantilizado. Também precisam demonstrar uma cultura que a maioria não tinha porque era muito jovem, muito humilde. Elas relatam ter um histórico de vida de dificuldades financeiras na família, então não tinham essa bagagem que ele exigia, mas eram treinadas para dizerem que eram pessoas da alta sociedade, escolarizadas. Para ele era muito importante que as meninas fossem muito jovens e falassem como crianças. Além disso, há vários outros pontos. Uma coisa que elas dizem é que ele não cortava as unhas e machucava as partes íntimas delas. Elas ficavam ali sangrando e não podiam buscar atendimento médico porque estavam dentro daquele ambiente e não podiam sair. Isso é cárcere privado, já que elas não podiam sequer escolher quais eram as médicas ou médicos de confiança a quem se submeteriam.
Como será a nova ação que será feita pelas vítimas com pedido de indenização monetária?
MAÍRA RECCHIA -- A ideia é fazer uma análise de cada caso individualmente. A lei fala que se a prática de um ato ilícito causar prejuízo ao outro, a pessoa fica obrigada a reparar o dano. Houve dano moral por causa do abalo psíquico gerado pelos abusos. E, a partir do momento que essas garotas sofrem isso, a capacidade laborativa delas diminui. Elas não conseguem se recolocar ou então estar no mesmo patamar da corrida no mercado de trabalho porque estão emocionalmente abaladas.
Ele deve ser processado e eventualmente julgado para reparar esse dano moral e material, que é o que elas deixaram de ganhar e também por tratamentos psiquiátricos que eventualmente elas precisaram. Vamos analisar caso a caso.
O dano moral é difícil de mensurar, então o juiz vai fazer uma análise do escopo de todo o processo para tentar imprimir em valores financeiros aquela dor. Tem também a questão pedagógica. Nessa indenização, vamos incluir alguma iniciativa no sentido de promover cursos com relação à questão do gênero, ao combate à violência contra mulher, aos abusos sexuais.
Saul Klein alega que a relação com as garotas era de "sugar daddy", em que ele as bancava. O argumento foi aceito pela Justiça ao serem indeferidas medidas protetivas para as vítimas no início de 2021. O que dizem sobre isso?
SANTOS -- É curioso porque eles não entenderam qual é o conceito de sugar daddy. É uma relação afetiva, de uma pessoa mais velha, e tem os combinados entre ambos, algo completamente diferente da relação entre Saul e essas meninas. O problema é que o preconceito e a nossa estrutura patriarcal fazem com que as pessoas que estejam à frente dessas instituições acolham esses argumentos, de que elas queriam, de que não há nada de errado. Nosso trabalho aqui será de aparar essas arestas, fazer uma demonstração global do que essas violências significam e tentar demonstrar que, quando a gente não entende essas situações como violência, atua reproduzindo o machismo de todos os dias na sociedade. Sem o olhar do machismo, os crimes ficam incontestes.
Essa questão das protetivas é absurda. Elas precisam ter mais respostas da Justiça, e não só elas. Como mulher, queremos nos sentir seguras, validadas. É uma resposta que a sociedade precisa como um todo. É muito triste ver o Estado dar essa resposta e com algo claro: elas foram procuradas depois que os depoimentos foram para a mídia, para pararem de falar. Foram ligações, e-mails, e ainda assim a protetiva, para que ele não pudesse contatá-las de nenhuma maneira, foi indeferida.
RECCHIA -- Isso dá a noção de como o Judiciário é. Prefere levar em consideração as alegações da defesa, muito machista e agressiva em relação às vítimas, a basicamente proteger a saúde física e mental delas. A partir do momento que o Judiciário, ao se pesarem essas questões, faz uma opção em favor da defesa, do acusado, passa um recado muito claro para a sociedade, de que esse tipo de conduta ainda é naturalizado.
Essas garotas não tinham a condição de negociar e, nessa outra relação, de sugar daddy, as pessoas têm combinados claros. É um argumento inaceitável.
O caso já teve quatro delegados diferentes desde o início do processo. Apontariam algum problema em relação a isso?
SANTOS -- A estrutura administrativa da polícia é, de fato, muito rotativa. Os delegados mudam muito. Abrem-se novos postos de delegacia, eles são redirecionados, acontece muito e não é exclusivo desse caso. Isso prejudica? Sim, porque a cada vez que se troca a autoridade policial que preside o procedimento, essa pessoa tem que tomar a frente de tudo, começar a entender e adotar as diligências dali para a frente.
Há prejuízo, mas também faz parte da questão administrativa. O delegado ou delegada é responsável por reunir elementos, e isso está acontecendo. Demora? Demora. É comum a demora? Infelizmente é, faz parte da administração pública, que não investe nessas estruturas.
O machismo que citam fazer parte da investigação e do Judiciário também faz parte da opinião pública?
SANTOS -- Sim. Se fosse uma agressão física que tivesse acontecido logo antes da denúncia, a complexidade seria menor. Aqui, tudo se confunde muito e mostra como nosso preconceito é grande. As pessoas dizem: Ah, mas elas voltavam depois. Sim, porque a partir de então elas começam a mudar de vida, conseguem sair de um nível que elas não tinham acesso a nada para ter acesso às coisas, isso acabou criando dependência financeira.
Ela conseguia, em uma semana indo encontrar Saul Klein, alcançar valores financeiros que a mãe não alcançou a vida toda. Nesse caso a gente precisa desmistificar todos esses preconceitos que trazemos para, de fato, olhar para todos os crimes que foram praticados e para o quanto essas meninas foram violentadas, e ainda seguem sendo, porque não há uma resposta judicial à altura.
RECCHIA -- Inclusive a dificuldade de outras vítimas denunciarem se deve a não ter nenhuma responsabilização sobre ele até agora. Essas meninas foram expostas, muitas estão extremamente vulneráveis e não tiveram nenhuma resposta do Estado até esse momento. As demais pensam: Como vou entrar nessa batalha também? Só a partir do momento que a gente tem uma resposta estatal é que conseguirá mensurar o tamanho dessa catástrofe que ele promoveu.
Nós estamos atendendo essas mulheres por meio de um projeto voluntário do nosso escritório que se chama She Law. Acredito demais no uso do direito como transformação social. Elas ganham com a nossa entrada e nós também ganhamos muito em também abrir precedentes no sistema que, volto a dizer, é machista, racista e patriarcal. A ideia é que a gente faça desse caso uma forma de se criar um outro olhar para outras vítimas, para que elas sejam ouvidas e para que os culpados de fato sejam penalizados.
Quando o inquérito será finalizado?
SANTOS -- O prazo de conclusão de um inquérito é de 30 dias, e isso vai sendo dilatado. O caso pode ficar em andamento por muito tempo, e o que delimita não ser eterno é o prazo de prescrição dos crimes. Aqui, os prazos, pela dimensão e gravidade dos crimes, são longos.
Agora, a conclusão do inquérito está prejudicada, e vamos tentar resolver isso. Nós precisamos ter outras diligências. Mas dizer que isso vai acontecer em um mês, dois meses ou um ano é impossível.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS