Completa-se neste sábado o vigésimo-aniversário do lançamento do livro Complexo de Gata Borralheira, escrito por este jornalista. Definida como uma obra esclarecedora do perfil sociológico do Grande ABC, Complexo de Gata Borralheira se somou a outras publicações do gênero, desse mesmo autor, e que tratam especialmente da regionalidade.
Voltar no tempo é imprescindível à compreensão do sentido de integração regional e suas nuances.
Uma nova geração está na praça e pega o rabo de foguete de gravidade do ambiente regional que se acentuou neste século.
Os textos que se seguem, a partir do lançamento festivo de Complexo de Gata Borralheira no lotadíssimo Teatro Municipal de Santo André em 16 de abril de 2002, reproduzem os valores que nortearam a produção da obra, sobretudo o ambiente regional que se respirava em forma de catarse, três meses após o assassinato do prefeito Celso Daniel.
O que se segue são elementos informativos que não só reproduzem aquele estágio de regionalidade como, principalmente, desafia a escandalosa inércia coletiva que se seguiu e alcançou os dias de hoje.
Redes sociais, arenas de interlocução, foram invadidas pela política nacional e, com isso, o conjunto dos moradores que exercitam suposta democracia participativa, simplesmente e em larga escala ignora o próprio quintal onde medíocres instalados em paços municipais e em instituições em geral praticam exercícios incansáveis de descaso com a própria sorte, que virá em forma de futuro que sempre vira presente.
Talvez esteja na hora de uma nova edição de Complexo de Gata Borralheira, atualizada de acordo com estes tempos sóbrios tanto na economia quanto na cultura, no sentido mais amplo da expressão.
O Grande ABC do começo do século retratado em Complexo de Gata Borralheira conseguiu a proeza de ficar pior. As ilhas de eficiência e de produtividade social e econômica são engolfadas por mandachuvas e mandachuvinhas cada vez mais poderosos.
Os textos que se seguem foram publicados na revista impressa LivreMercado, antecessora de CapitalSocial.
Emoção na festa
para Celso Daniel
DA REDAÇÃO - 20/04/2002
O Teatro Municipal de Santo André recepcionou na noite de 16 de abril provavelmente um dos eventos mais expressivos da história cultural da região, com o lançamento do livro Complexo de Gata Borralheira, do jornalista Daniel Lima, diretor-executivo da Editora Livre Mercado.
A programação contemplou mais que a distribuição inicial de 10 mil exemplares de uma obra que faz voo institucional sobre as razões de o Grande ABC viver atávico sentimento de inferioridade em relação à vizinha Capital, fenômeno que atinge a periferia das Capitais metropolitanas em todo o mundo.
A leitura dramática adaptada do livro, o show de dança do Grupo Integrarte, de São Bernardo, e a entrega de placas comemorativas à data aos patrocinadores culturais da obra, aos atores da dramaturgia e também à mãe do prefeito Celso Daniel, dona Maria Clélia, compuseram uma torrente de emoções. Todo esse conjunto de atividades consumou a programação mais representativa em memória de Celso Daniel, assassinado em 20 de janeiro último e que completaria 51 anos na data em que a Editora Livre Mercado resolveu homenageá-lo.
Primeira vez no palco
Os cerca de 500 convidados que tomaram todos os assentos do Teatro Municipal viveram 110 minutos de surpreendente roteiro. A apresentação do Grupo Integrarte, formado em parte por deficientes auditivos sob comando de Geisa Minzoni Dias e Antonio Fontalva, apresentou o espetáculo Um Século em 30 Minutos. Foi a primeira vez que os jovens dançarinos tiveram o Municipal de Santo André como palco. Foram aplaudidos intensamente ao final da exibição.
Na sequência, representantes das 15 empresas que aderiram às cotas de patrocínio cultural do livro Complexo de Gata Borralheira foram chamados ao palco pelo mestre-de-cerimônia Antonio Carlos Micheloni e receberam placas especiais com a capa da obra estilizada. Foram homenageadas as seguintes corporações: Coop, MZM Construtora, Polietilenos União, Bridgestone Firestone, CVC Turismo, Luel Encadernadora, Iesa, Guedes Consultoria, Colégio Singular, Grupo Saúde ABC, Savol Veículos, Pixolé Calçados, Telemax Telecomunicações, Petroquímica União, Grupo Radar, Gráfica Bandeirantes e Ofner.
Atores voluntários
Os 11 atores que aceitaram convite para representar os personagens de Complexo de Gata Borralheira, além dos diretores Amaury Alvarez e Euclydes Rocco Júnior, também foram chamados ao palco antes da dramatização para receber placas de homenagem. Foram premiados: Milton Andrade, Sérgio de Oliveira, Ério Girelli, José Bonifácio Carvalho, Simone Fusari, Adriana Pecego, Márcia Vezzá, Haydêe Figueiredo, Clésio Brajato, Ana Maria Mattosinho Alvitte e Celso Frateschi.
A chamada ao palco da mãe de Celso Daniel, dona Maria Clélia, que também recebeu uma placa comemorativa à data de aniversário de nascimento do prefeito assassinato, foi o instante mais emocionante da noite. Todos os convidados se levantaram e aplaudiram intensamente dona Maria Clélia, que preferiu não se manifestar.
A leitura dramática só começou depois do pronunciamento do jornalista Daniel Lima. O diretor-executivo da Editora Livre Mercado disse estar reticente quanto à leitura de um texto preparado ainda sob o trauma da morte do prefeito de Santo André, período no qual também elaborou o texto do livro. Fez suspense sobre a decisão de verbalizar o conteúdo, por temer ser vencido pela emoção. Decidiu enfrentar o perigo de ser tomado pelo impacto que a morte de Celso Daniel provocou.
Avamileno no palco
Na sequência, depois de demorados aplausos, Daniel Lima fez uma surpresa: convidou a subir ao palco, também para ser homenageado, o agora prefeito João Avamileno. O jornalista fez suspense temporário sobre a identidade do premiado, até que, ao passar a detalhar a atuação do dirigente público, sem citar seu nome, os convidados acabaram por identificar o prefeito.
"João Avamileno também é um legado de Celso Daniel. Ele demonstrou, durante todo o período em que se manteve quase anônimo como vice-prefeito, que é um homem público ético, conciliador, interessado nos destinos de Santo André e da região. Depois, como prefeito, revelou-se humilde, firme, decidido, experiente. Todos nós nos enganamos ao imaginar que a simplicidade de João Avamileno é sinônimo de incapacidade. Estamos todos nós, inclusive eu, contaminados pelo vírus da Casa dos Artistas, do Big Brother Brasil, que alçam as notoriedades a um patamar inconcebível e muitas vezes desprezam os competentes que preferem a discrição" -- afirmou o jornalista.
Leitura dramática
Os 40 minutos da leitura dramática com elenco dirigido por Euclydes Rocco Júnior e Amaury Alvarez consumaram o espetáculo múltiplo no palco do Municipal. Os personagens do livro de Daniel Lima ganharam força especial e levaram o público a risos, deboches, ovação e até mesmo à irritação. Não faltaram reações que obrigaram os personagens a fazer pausa em suas intervenções.
O momento mais crítico envolveu o personagem do Estado de São Paulo, que, seguindo a trajetória reservada pelo autor do livro, chegou tarde ao encontro entre os municípios do Grande ABC e da Capital. Nesse ponto, o sarcasmo da Capital, a Cinderela da alegoria de Daniel Lima, revelou sem reparos o grau de deterioração do relacionamento histórico entre o governo estadual e os municípios do Grande ABC. E, também, o divisionismo do próprio Grande ABC, núcleo do trabalho do jornalista e da principal ação que o então prefeito Celso Daniel desempenhou durante mais de uma década na região.
O ator e ex-secretário municipal de Cultura de Santo André Celso Frateschi encerrou o espetáculo, após o último diálogo de Gata Borralheira, com dois poemas de temática sobre violência de dois autores estrangeiros.
Encerrado o espetáculo, cada convidado recebeu um exemplar do livro à saída do Municipal. No saguão, a Ofner atendeu a todos com café especial. Uma exposição de fotos da vida e morte de Celso Daniel, preparada por profissionais de LivreMercado e Diário do Grande ABC, contribuiu para resgatar a memória do prefeito que ocuparia o Ministério de eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília.
Jovens surpresos
com divisionismo
DA REDAÇÃO - 05/05/2002
A falta de integração do Grande ABC, realidade apenas arranhada por várias entidades constituídas na década passada, é a grande surpresa para alunos de 8ª série do Grupo Educacional Trevo Master, em Santo André. A revelação unânime dos 15 estudantes reunidos pelo professor Josué Catharino Ferreira foi o resultado mais insistentemente mencionado ao jornalista Daniel Lima, diretor-executivo da Editora Livre Mercado, durante o primeiro workshop promovido para debater os conceitos do livro Complexo de Gata Borralheira.
O inesperado provocado pela leitura que decifra o DNA sociológico de um Grande ABC recheado de barreiras municipalistas revela um quadro de obviedade muitas vezes desconsiderada, tal a força de incoerência que carrega: é absolutamente impensável, para os jovens que vivem e estudam no Grande ABC, que o gerenciamento público dos sete municípios esteja voltado quase que exclusivamente a interesses restritos à geografia de cada território.
O senso comum dos estudantes vai no sentido de que se o Grande ABC existe como região, nada mais lógico que planeje e atue em conjunto, para valer. Afinal, se esses mesmos estudantes frequentam ambientes da região sem se darem conta das divisas territoriais, por que os adultos envolvidos na administração pública, em entidades de classe e em movimentos sociais e culturais erguem tantas barreiras e praticamente se isolam?
Lançado em 16 de abril com apoio cultural de 15 empresas do Grande ABC, Complexo de Gata Borralheira está sendo distribuído em diferentes endereços: de escolas a igrejas, de empresas comerciais e prestadoras de serviços a indústrias, bem como aos formadores de opinião e tomadores de decisão da região.
Além da surpresa que o livro provocou em quem imaginava que o Grande ABC era modelo bem-acabado de integração institucional, os estudantes do Trevo Master se mostraram também cientes sobre outro núcleo básico da obra -- o sentimento de inferioridade da região em relação a São Paulo se manifesta das mais diferentes formas que os próprios jovens reconhecem existir. A identificação da personagem de São Paulo como toda-poderosa preencheu a expectativa dos estudantes.
Assistido pelo gerente administrativo da escola, Giancarlo Oliveira de Frias, o encontro dos alunos com o jornalista e escritor se estendeu por quase duas horas e marcou o primeiro evento de uma série que terá sequência nesta quinta-feira, 23 de maio, quando Daniel Lima debaterá o trabalho com professores de diversas áreas do Colégio Singular, em Santo André.
Outros workshops estão sendo agendados. A expectativa do autor é de que Complexo de Gata Borralheira contribuirá para disseminar os conceitos dos quais o Grande ABC carece para reagir organizadamente ao desequilíbrio econômico e social que a incipiente complementaridade institucional provoca.
Teatro permanente
A decisão de reunir-se com diferentes representantes da sociedade é apenas uma das faces da estratégia de popularização da obra, segundo o autor. O novo passo a ser dado deverá envolver grupo de colaboradores que o jornalista está convidando para sustentar a encenação permanente da adaptação do texto do livro.
Depois da leitura dramática em 16 de abril no Teatro Municipal de Santo André, Daniel Lima decidiu que daria prosseguimento ao projeto cênico. Entretanto, por causa das dificuldades de manter o conjunto de atores profissionais que se apresentaram excepcionalmente como voluntários, o jornalista resolveu inovar: a formação de um grupo de teatro amador tendo jovens carentes do Grande ABC como atores é a iniciativa que está em fase de formatação legal. "Vamos levar Gata Borralheira para fábricas, escolas, igrejas e entidades de classe. Onde houver interesse em conhecer a história institucional da região, haverá uma apresentação da peça" -- afirma Daniel Lima.
No palco outra vez,
agora em inglês
DA REDAÇÃO - 05/06/2002
O livro Complexo de Gata Borralheira, do jornalista Daniel Lima, vai ganhar nova leitura dramática. Depois de lançado em 16 de abril no Teatro Municipal de Santo André com apresentação de um conjunto de profissionais da arte cênica, Gata Borralheira vai ser encenado na língua de Shakespeare em evento programado inicialmente para agosto. A novidade é anunciada por Sueli Lessa, diretoria da Lessa Idiomas, escola localizada na Vila Paulicéia, em São Bernardo. Depois de ler um exemplar, Sueli afirma que não conseguiu resistir à tentação de dramatizar a adaptação do livro, produzida pelos teatrólogos Euclydes Rocco Filho e Amaury Alvarez. Um grupo de teatro recém-formado na escola de línguas já está com cópias da adaptação.
Em consulta a Daniel Lima, também diretor executivo da Editora Livre Mercado, Sueli Lessa recebeu como resposta não só o entusiasmo de quem quer reviver as emoções de ver os personagens de papel saltarem para o palco como também caixas de exemplares da obra para distribuição entre boa parte dos 500 alunos. "Ver Gata Borralheira de novo no palco, e agora em inglês, certamente será uma emoção redobrada" -- afirma o jornalista.
A apresentação de Gata Borralheira em inglês marcará a inauguração do teatro da Lessa Idiomas, que comporta 120 convidados. A escola é espécie de exorcismo ao Complexo de Gata Borralheira que também sobrevive nas relações econômicas internas dos municípios, porque sua proprietária decidiu investir em qualidade física e pedagógica num bairro e não na região central de São Bernardo -- um pulo do gato que dá resultados positivos, porque a densidade de alunos mantém-se elevada. O conceito convencional de que escolas de idiomas precisam estar em bairros nobres das áreas centrais dos municípios foi demolido pela iniciativa de Sueli Lessa.
Difusão cultural
A peregrinação de Daniel Lima para difundir os conceitos de Gata Borralheira teve nova etapa em maio, quando o jornalista participou do quarto workshop da empreitada, reunindo alunos do Ensino Médio e Ensino Básico do Iesa de Santo André, um dos Destaques do Ano do Prêmio Desempenho desta temporada. O encontro com estudantes, que foram acompanhados por Suzete Alves, da área de marketing, e pelo diretor José Francisco Vitarelli, confirmou a experiência anterior do jornalista com alunos do Grupo Educacional Trevo Master: há surpresa generalizada dos jovens com a falta de integração institucional do Grande ABC.
Os 10 mil exemplares impressos do Complexo de Gata Borralheira estão quase que integralmente distribuídos. Um total de 150 livros foi entregue pelo padre Antonio Francisco da Silva, da Igreja Nossa Senhora da Salete, em Santo André. O evangelizador leu e recomendou a obra aos fiéis durante missa dominical.
Preocupado em socializar os conceitos de Gata Borralheira, o padre Antonio Francisco solicitou que os exemplares sejam devolvidos para ser repassados a outros fiéis. "Queremos que mais pessoas da comunidade tenham informações corretas sobre o sentimento de inferioridade dos municípios do Grande ABC em relação a São Paulo, descrito nas páginas de Gata Borralheira" -- afirma o religioso.
Singular e Uni-A dão
subsídios ao autor
DA REDAÇÃO - 05/06/2002
Professores, coordenadores de ensino e alunos do Colégio Singular e Uni-A participaram de novos workshops do livro Complexo de Gata Borralheira, lançamento da Editora Livre Mercado. O jornalista e autor do texto Daniel Lima, que expõe o sentimento de inferioridade da região em relação a São Paulo e desnuda a falsa integração regional, participou dos dois encontros e não economizou elogios: "Tanto no Singular quanto na Uni-A encontrei ambiente prospectivo que em muito contribuirá para a segunda versão de Gata Borralheira, prevista para o ano que vem" -- afirma.
O encontro no Singular reuniu professores e coordenadores de ensino selecionados pelo diretor Paolo Gambogi. Particularmente, dois pontos chamaram a atenção de Daniel Lima. O primeiro, sobre a influência da cultura manufatureira nas relações institucionais. Falta cidadania no Grande ABC porque a região só se preocupou em formar técnicos e mão-de-obra braçal voltados para a então efervescência da indústria de transformação. O relato de que os pais esperam dos filhos a garantia de carreiras nas indústrias, em vez de profissões relacionadas a trabalhos culturais e intelectuais, fortaleceu a tese da valorização da força física numa indústria de baixa tecnologia em vez de atividades cerebrais.
O encontro no Singular deixou no ar a expectativa que se pode ter em relação ao futuro do Grande ABC quando se sabe que a transposição da sociedade manufatureira para a sociedade cerebral é processo demorado. A fragmentação da região também foi debatida com ângulo contundente: enquanto o Grande ABC é de fato uma região integrada nos problemas semelhantes que a atingem, é extremamente municipalista nas tentativas de encontrar soluções. Nada mais lógico do que, em função dessa contradição, crescerem as dificuldades para encontrar saídas conjuntas.
O antídoto contra os males da divisão regional, segundo interpretação de professores e coordenadores de ensino do Singular, é a consolidação de uma cidadania igualmente regional. A constatação de que como consumidores os moradores do Grande ABC são regionalistas precisaria, dessa forma, ser transportada para o papel de contribuintes e cidadãos que todos também são.
Leitura dramática
Na Uni-A, também em Santo André, o jornalista Daniel Lima foi surpreendido pela inovação do professor Antonio Nelso Ribeiro: parte dos alunos de Comércio Exterior adaptou o texto de Gata Borralheira ao introduzir números e informações obtidos nas Prefeituras dos sete municípios da região. Em forma de leitura dramática, os universitários da Uni-A apresentaram o trabalho diante de mais de 80 colegas e professores da instituição.
O professor Antonio Nelso explicou que os próprios estudantes foram a campo para colher informações e prepararem trabalho que, coincidentemente, está alinhado com o texto de Gata Borralheira. Daí à ideia de apresentar a leitura dramática foi um passo.
Daniel Lima considerou a iniciativa pedagogia pura, porque transformou o didatismo do texto de Gata Borralheira em ferramenta de reformatação pelo professor da Uni-A. "A impressão que tenho é que, à medida que novas experiências somar nessas reuniões a que me lancei como missionário da regionalidade, mais e proveitosas novidades acrescentaria às minhas observações para escrever uma segunda versão ainda mais rica em conteúdo e personagens" -- afirma.
SESI faz do
livro um jogo
DA REDAÇÃO - 05/07/2002
Que tal um teste de cidadania do Grande ABC? Então, responda às seguintes perguntas, sem pestanejar:
Quais as duas cidades que estão mais longe das zonas de invasão demográfica?
Qual cidade do ABC ganhou o título de Cidade Turística?
Qual cidade do ABC tem o maior problema de topografia?
Qual cidade do ABC é a Capital dos Cosméticos?
O que os moradores de Diadema dizem a respeito de morar nesta cidade tão violenta?
Qual é o maior problema de Diadema?
Quais os principais fatos que tiraram o cargo de São Bernardo de economia vice-líder do Estado?
O que é evasão industrial?
Por que São Paulo acha-se superior ao ABC?
Por que São Caetano teme que a General Motors e as Casas Bahia deixem seu território?
Qual cidade teve seu prefeito cruelmente assassinado?
Por que o nome Complexo de Gata Borralheira?
As respostas para todas essas perguntas, e para muitas outras, estão no livro Complexo de Gata Borralheira, lançado em abril deste ano pelo jornalista Daniel Lima, diretor-executivo da Editora Livre Mercado. Com a edição de 10 mil exemplares quase esgotada, a obra continua levando o autor a atender convites para participar de workshops nos mais diferentes endereços da região.
O mais recente, no final de junho no Sesi de Santo André, surpreendeu o jornalista. Exatamente porque todas as perguntas relacionadas acima fazem parte de cartelas de um jogo do tipo Show de Milhão, de perguntas e respostas. Os próprios alunos do Sesi são os autores da ideia. Eles entregaram a caixa com o brinquedo e as instruções depois de um encontro que reuniu 200 estudantes desse braço educacional do conglomerado Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai/IRB.
Daniel Lima não escondeu a emoção da atenção que sua obra recebeu dos dirigentes, professores e alunos do Sesi de Santo André. O diretor-titular Sérgio Moretti fez questão de participar do encontro, apresentando o jornalista aos meninos e meninas do Ensino Básico.
Embora o tempo para o encontro fosse escasso, Daniel Lima respondeu a muitas perguntas. E deixou o Sesi carregando não só a caixa de papelão com o jogo do Complexo de Gata Borralheira, como o brinquedo foi batizado pelos alunos, mas também com outros trabalhos inspirados no tema.
O encontro no Sesi de Santo André, preparado pelo professor Nelson Ceresani, confessadamente leitor ávido e entusiasmado de Complexo de Gata Borralheira, marca o que Daniel Lima chama de sequência do caráter missionário que atribui às jornadas de massificação dos conceitos do livro. O jornalista produziu a obra que descreve com criatividade o sentimento de inferioridade do Grande ABC em relação a São Paulo, consequência do divisionismo interno.
Com apoio de um grupo de empreendedores do Grande ABC, Complexo de Gata Borralheira está sendo distribuído gratuitamente em escolas, indústrias, igrejas, escritórios, clubes sociais, clubes esportivos, condomínios residenciais e em muitos outros endereços.
O jornalista de LivreMercado desabafa contra uma minoria que o pressionou a deixar de se manifestar sobre o trabalho: "Há uma oligarquia improdutiva no Grande ABC que tem muita culpa no cartório do estado de dificuldade socioeconômicas que atravessamos, por isso seus representantes, ou amigos de seus representantes, imaginam que sejam capazes de evitar que eu propague os fundamentos de Complexo de Gata Borralheira. Bobagem pura, porque a literatura nos ensina que, sem tocar nos pontos críticos de uma sociedade, é impossível a recuperação com que tanto sonhamos" -- afirma.
Daniel Lima já esteve em várias instituições de ensino para debater Complexo de Gata Borralheira e antes de assistir aos ensaios da leitura dramática em inglês, preparada para agosto por alunos e professores da Lessa Idiomas, de São Bernardo, tem novos compromissos já agendados. "Quanto mais pessoas se debruçarem sobre o livro, mais possibilidades teremos de recuperação" -- confia o jornalista.
Leitura dramática
em inglês
DA REDAÇÃO - 05/11/2002
A leitura dramática em inglês da adaptação do livro Complexo de Gata Borralheira marcou a inauguração do Teatro William Shakespeare na Lessa Idiomas, uma das melhores escolas de línguas do Grande ABC, com sede na Vila Paulicéia, em São Bernardo. O jornalista Daniel Lima, diretor-executivo de LivreMercado e autor da obra, recebeu homenagem especial de diretores, estudantes e convidados da Lessa Idiomas após o final da apresentação teatral adaptada pelo teatrólogo Amaury Alvarez.
Diretores da Lessa Idiomas, Ari e Sueli Testa recepcionaram mais de uma centena de convidados numa noite de gala que teve nos estudantes-protagonistas as grandes atrações. Ariane Testa, Alan Bovolini, Bianca Eslava, Ezequiel Santana, Filipe Romano, José Antonio Rodrigues, Karen Bisterzo, Livia Zanin, Raoni Fiedler, Steve Rufino, Vanessa Cavicchiolli e Vitor Rafael Nogueira representaram individualmente os sete municípios da região, a cidade de São Paulo, o Estado de São Paulo, Brasília, a exclusão social e a criminalidade -- todos personagens do livro.
Realizada com apoio do Rotary Clube Planalto, de São Bernardo, a dramatização teve caráter benemerente e exigiu três meses de ensaios dos estudantes, sempre sob comando de Sueli Testa.
Complexo de Gata Borralheira começou a ser escrito por Daniel Lima um dia antes do sequestro do prefeito Celso Daniel. O assassinato do então coordenador do programa de governo de Lula da Silva levou o autor a lançar a obra na data em que Celso Daniel completaria 51 anos, dia 16 de abril, num Teatro Municipal de Santo André lotado de convidados para acompanhar a leitura dramática. A iniciativa chamou a atenção da direção da Lessa Idiomas. Quando as obras do teatro da escola foram encerradas, o grupo teatral já estava pronto para o show de dramatização em inglês.
Interesse crescente
A edição de 10 mil exemplares do livro Complexo de Gata Borralheira está quase esgotada. Pelo menos uma centena de exemplares foram consumidos por estudantes da ETE Lauro Gomes, de São Bernardo, por recomendação do professor Carlos Chaves. Análises críticas da obra constam da atividade extracurricular, que foi complementada em outubro com palestra de Daniel Lima para mais de 200 estudantes.
Alguns dias depois de expor aos estudantes da ETE Lauro Gomes e de responder a inúmeras perguntas, Daniel Lima voltou a apresentar os conceitos de Gata Borralheira durante duas horas para alunos de administração da Faculdade Anchieta, também em São Bernardo. O jornalista abriu a Semana de Administração da tradicional escola e promoveu noite de autógrafos.
Para Daniel Lima, a demanda de jovens pela leitura de Complexo de Gata Borralheira está acima da expectativa: "O mais importante de tudo é que existe espontaneidade da comunidade estudantil, de diretores, professores e alunos, em devassar cada página da obra que fizemos sob medida para os jovens. Tenho conhecimento de casos emocionantes envolvendo a busca de compreensão do livro. Há evidente sede de conhecimento das realidades que fazem do Grande ABC uma usina de riqueza e de pobreza no contexto de uma Região Metropolitana por si só desafiadora" -- explica.
O que mais o jornalista de LivreMercado ouve dos estudantes é sobre a eventualidade de Complexo de Gata Borralheira ter nova versão. A resposta: "Com a vitória de Lula da Silva para a Presidência da República e com a necessidade de ampliar a compreensão do fenômeno de gataborralheirismo a novos personagens, estou quase decidido a cancelar a decisão tomada recentemente de limitar o projeto à edição que já está praticamente esgotada. É provável que Gata Borralheira II seja lançado no ano que vem. Provavelmente menos Gata Borralheira do que antes, por causa da vitória de Lula, mas ainda Gata Borralheira. Afinal, não se resolvem nossos traumas num passe de mágica nem numa única eleição presidencial"-- afirma o jornalista.
Total de 1125 matérias | Página 1
12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS