Economia

São Bernardo concentra 93%
das perdas com Dilma Rousseff

DANIEL LIMA - 24/10/2022

Capital Econômica do Grande ABC, São Bernardo concentra 93% da perda de geração de riqueza na década completada no ano passado e que envolve os cinco primeiros anos de dois mandados dos prefeitos reeleitos em 2020, casos de Orlando Morando, Paulinho Serra e José Auricchio, e os cinco últimos anos de seis da presidente Dilma Rousseff. 

Como mostramos na semana passada, quando pegamos para valer o que aconteceu com a economia do Grande ABC no período de 2012-2021, tendo 2011 como ano-base, os estragos provocados pela maior recessão da história nacional, entre 2015-2016, deixaram rastros de destruição.   

São Bernardo e Diadema reagiram nos últimos cinco anos do quinquênio analisado, mas em ritmo insuficiente diante da hecatombe petista comandada por Dilma Rousseff.  

BURACO IMENSO  

Quando se somam em valores monetários atualizados a dezembro do ano passado, reta de chegada do estudo que tem na origem os números de 2011, São Bernardo e Diadema acusam déficit de R$ 25.203.824 bilhões.  

O volume é reduzido para R$ 22.726.724 bilhões por causa do bom desempenho de Mauá, uma discretíssima reação de Santo André e uma reação mais forte de Ribeirão Pires.  

SÃO CAETAO MELHOR  

Nada disso, entretanto, amenizou para valer a situação que envolve esse pré-indicador do PIB (Produto Interno Bruto) dos municípios do Grande ABC.  

Somente no ano que vem será conhecido o PIB dos Municípios Brasileiros correspondente ao que se passou no ano passado. Antecipamos o andar da carruagem com o Valor Adicionado porque se trata de um indicador muito íntimo do PIB. 

Dos três prefeitos do Grande ABC diretamente envolvidos na década dividida entre o dilúvio petista de Dilma Rousseff e a recuperação discreta que veio em seguida com Michel Temer e Jair Bolsonaro, quem obteve resultados mais expressivos foi José Auricchio Júnior. 

Considerando-se que Auricchio está à frente de São Caetano nos últimos cinco anos (ficou fora o ano passado inteiro, por causa de complicações com a Justiça Eleitoral, mas seguiu coordenando a Prefeitura), o resultado alcançado no terceiro e parte do quarto mandato é bastante satisfatório. 

O Valor Adicionado cresceu 51,36% acima da inflação do período (40,31%). São Bernardo do prefeito Orlando Morando cresceu em termos reais 10,90% acima da inflação, enquanto Santo André de Paulinho Serra avançou 15,49% também acima da inflação.  

Quando a comparação tem como base o ano de 2011, chegando-se a 2021, os dados são comprometedores demais. O aumento regional do Valor Adicionado entre 2016 e 2021, de 12,65%, não arrefeceu o desastre na década, que registrou 18,37% de queda. 

DOENÇAS HOLANDESAS  

Um resultado nada surpreendente porque o Grande ABC é movido principalmente pela indústria automotiva (São Bernardo, Diadema e São Caetano, principalmente) e pelo setor químico-petroquímico (Santo André, Mauá e também São Caetano).   

Mais que medidas internas pretensamente restauradoras de riquezas num período curto demais a grandes transformações, os resultados dos três municípios estão conectados à realidade econômica individual.  

São Bernardo demora mais para reagir porque está presa ao setor automotivo com a Doença Holandesa. Já Santo André conta com as benesses da Doença Holandesa Químico-Petroquímica, muito mais interessante. São Caetano também obtém resultados positivos porque conta com terminais da Petrobrás, além da General Motors.  

SEM PLANOS E AÇÕES  

Embora a derrocada econômica do Grande ABC já tenha completado mais de quatro décadas, iniciada que foi por uma combinação de fatores ligados ao movimento sindical e à guerra fiscal, nada de novo se apresentou como planejamento e execução de qualquer projeto municipalista ou regional. 

Sempre é oportuno lembrar que supostas instanciais regionais oferecem um cardápio histórico de ineficiência. Algumas tentativas de reação coordenada foram sufocadas pelo personalismo político e divisionismos de uma região de sete pedaços inconciliáveis. O Grande ABC é uma abstração institucional com ramificações em diversas atividades.  

VEJA OS DADOS   

Para que se compreenda sem maiores dificuldades o que se passou com a economia da região nessa década perdida, veja o comportamento do Valor Adicionado em cada um dos sete municípios.  

1. Santo André registra no período um saldo positivo de R$ 108.821 milhões. Registrava VA de R$ 9.266.524 bilhões em 2011 (R$ 16.661.205 bilhões em valores atualizados) e chegou a R$ 16.770.026 bilhões em 2021. Crescimento de 0,6%. 

2. São Bernardo registra no período a perda de R$ 21.104.603 bilhões. O Valor Adicionado de 2011 correspondia a R$ 31.680.750 bilhões em valores nominais (R$ 56.961.988 bilhões deflacionados) e caiu para R$ 35.857.385 bilhões em 2021. Queda de 37,05% no período.  

3. São Caetano registra no período saldo negativo de R$ 1.675.843 bilhão. O Valor Adicionado de 2011 correspondia a R$ 10.409.398 bilhões (R$ 18.716.097b bilhões em valores deflacionados) e caiu para R$ R$ 17.040.254 bilhões em 2021. Queda de 8,95%.  

4. Diadema registra no período saldo negativo de R$ 4.099.221 bilhões. O Valor Adicionado de 2011 correspondia a R$ 9.182.744 bilhões (R$ 16.510.574 em valores deflacionados) e caiu para R$ 12.411.353 bilhões em 2021. Queda de 24,83%.  

5. Mauá registra no período saldo positivo de R$ 3.950.208 bilhões. O Valor Adicionado de 2011 correspondia a R$ 6.906.441 bilhões (R$ 12.417.780 deflacionados) e subiu para R$ 16.367.988 em 2021. Aumento de 24,33%.  

6. Ribeirão Pires registra no período saldo positivo de R$ 306.637 milhões.  O Valor Adicionado de 2011 correspondia a R$ 1.135.151 bilhão (R$ 2.041.001 bilhão em valores deflacionados) e subiu para R$ 2.347.638 bilhões em 2021. Aumento de 15,02%.  

7. Rio Grande da Serra registra no período saldo negativo de R$ 212.723 milhões. O Valor Adicionado correspondia a R$ 236.207 milhões (R$ 424.701 milhões deflacionados) e caiu para R$ 211.878 milhões. Queda de 50,09% no período. 



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