Se você estiver esperando que eu faça um relato minucioso sobre o escândalo de um crime que ronda o Paço Municipal de Santo André, é melhor trocar de canal. Vou fazer suspense nos pontos principais, mas não vou me omitir em dizer o mínimo que precisa ser dito. Sobretudo porque disponho de provas suficientes para me estender no momento certo, em outros textos, se necessário.
E vai ser necessário. Muita água de complicações vai passar por essa ponte de poderes supostamente contrariados.
E também, claro, para não ser levado a tribunais sob a acusação de enfeitar o pavão de sensacionalismo. Não frequento essa sintonia da mídia em busca de audiência. Mais que isso: disponho de tantas provas materiais que não custaria nada revelar tudo neste texto. Preferi a dramatização de seriados.
Sabe-se que haveria uma ação rigorosa para apurar o crime porque entre outras razões as forças da Polícia Civil estão empenhadíssimas em destrinchar pontos refratários a conexões. Mas há abundância de provas.
FARTA DOCUMENTAÇÃO
Há documentações e informações suficientes que colocam o Caso André do Viva como embaraço político-administrativo em Santo André. Por isso, se pretende complementar as investigações o quanto antes. Principalmente porque haveria possibilidades de a Polícia Federal atuar para valer.
Uma das ramificações envolveria possíveis desvios de dinheiro federal durante a pandemia do Coronavírus, já denunciados pela Controladoria-Geral da União.
O que sei precisa ser escrito mesmo sem detalhamentos nominais mais amplos porque o que sei é coisa cabeluda.
O prefeito Paulinho Serra tem perdido o sono nestes últimos dias porque um homem de sua confiança, que o acompanha com frequência em eventos públicos e encontros reservados, estaria no centro de um crime de ameaça de assassinato e também de sequestro após invasão de domicilio e roubo.
Não se trata de especulação o que os andares do Paço Municipal, os corredores do Legislativo e mesmo as salas do Judiciário, ou seja, do Centro Cívico de Santo André, comentam à exaustão.
ENREDO, NÃO NARRATIVA
Haveria um bombástico crime não consumado mas que teria deixado rastros de implicações que podem se espalhar em direção a outras esferas da Administração Municipal.
Essa contaminação processual é vista como consequência natural e inescapável. Tudo teria ocorrido porque existe uma Prefeitura em Santo André e nessa mesma Prefeitura há autoridades de vários calibres. No caso em questão, o prefeito e um secretário de destaque seriam os pontos centrais.
Ou seja: esse enredo não é uma narrativa. Não se trata de supostas fantasias nem contos do além. Há materialidades que cruzam com fatos a enriquecer inquéritos policiais.
EMBARALHAMENTO
O homem que estaria embaralhadíssimo nessa história, portanto longe de especulação, é de máxima confiança do prefeito Paulinho Serra. Ele, esse homem, é citado com ênfase num dos boletins de ocorrências policiais como mandante do crime.
A identidade desse homem-chave de Paulinho Serra remete a uma caudalosa chegada de imigrantes europeus no século passado em Santo André --- e na região como um todo.
O nome popular desse denunciado pivô dos acontecimentos foi mencionado no boletim de ocorrência inicial por um dos criminosos preso nestes dias pela Polícia Civil. Dadas as circunstâncias pretéritas, tudo indica com segurança que o mandante é ele mesmo, a ramificação familiar do Mediterrâneo que não sairia da barra das calças do prefeito Paulinho Serra.
ESPANHOL, ESPANHOL
Espanhol, Espanhol, Espanhol, eis a identidade popular do assessor especial de Paulinho Serra que teria supostamente agido intelectualmente para concatenar um crime contra o homem da mídia, dublê de político em início de carreira, que, ano passado, concorreu ao cargo de deputado federal e obteve 17 mil votos.
O homem da mídia popular ganhou o apoio do Paço Municipal. Tornou-se linha auxiliar do prefeito Paulinho Serra durante a campanha eleitoral da primeira-dama Carolina Serra, eleita deputada estadual com quase 200 mil votos, 80% obtidos em Santo André.
André do Viva desistiu de candidatar-se a deputado estadual para empoderar a votação da primeira dama. Ou seja: foi um cabo eleitoral de luxo.
Como se vê e se cheira, há forte ligação entre o homem da mídia, André do Viva, e o Paço Municipal. Seu canal de transmissão nas redes sociais rastreia problemas da população da periferia de Santo André. Durante muito tempo André do Viva foi uma pedra no sapato da imagem de prefeito perfeito de Paulinho Serra. Portanto, leva-lo para o controle do Paço Municipal é um roteiro clássico da política.
FORTES LIGAÇÕES
Também o mencionado Espanhol, apontado como mandante de um crime de variáveis que só não se concluiu em forma de assassinato, teria fortes ligações com André do Viva.
Claro que tudo se deu até que o percurso de amizade entre eles foi abalado. Houve desentendimentos e tudo teria desandado. Aponta-se o prefeito como suposto catalisador do desentendimento que virou caso policial.
O que se sabe é que André do Viva está temeroso depois de passar maus bocados. A invasão da casa em que mora com a família o abalou. Esses acontecimentos serão parte de uma nova matéria que vou preparar.
André do Viva está tão inquieto que foi às redes sociais. Anunciou que as investigações policiais seguem em ritmo acelerado e que toda a verdade dos fatos será revelada. André do Viva diz que não pode dizer o que deveria dizer porque o segredo de Justiça o impede.
Dias depois, em nova aparição nas redes sociais, André do Viva fez uma gravação em que declarava estar despachando a filha para fora do País por conta das ameaças sofridas por ele e a família. Aparentemente, a filha de André do Viva estava no saguão de um Aeroporto, provavelmente Cumbica. De costas para a câmera do André do Viva.
O prefeito Paulinho Serra não se pronunciou publicamente sobre o caso André do Viva porque o prefeito de Santo André acredita que seria dar corda a supostas especulações, dizem nos corredores do Paço Municipal.
Mas não falta aconselhamento de assessores. A proposta já formulada é que o prefeito procure sair da enrascada se enrascada houver de fato ao invés de esperar os resultados das investigações.
Sugeriu-se inclusive ou principalmente que o suposto mandante do crime, Espanhol, seja afastado da Administração. Mas Espanhol segue em frente. Pareceria seguro de que é intocável no enxadrismo de poder no Paço Municipal.
Espanhol estava anteontem ao lado do prefeito num encontro com vereadores de Santo André. A reunião foi programada a toque de caixa sob o impacto dos recordistas índices de criminalidade sobrerrodas em Santo André. O Município lidera os casos de furtos e roubos de veículos no Estado de São Paulo. Paulinho Serra viveu um dia atabalhoado com a repercussão nacional da notícia veiculada inicialmente pela Grande Mídia.
AMBIENTE PESADO
Funcionários comuns e mesmo secretários municipais registram um ambiente pesado no gabinete do prefeito Paulinho Serra. Reuniões a portas fechadas são constantes. Semblantes cerrados não são algo que denote alguma boa notícia a ser levada à assessoria de imprensa e aos marqueteiros do Paço Municipal, escoadouros compulsórios da política de emoldurar a imagem de Paulinho Serra nas relações com consumidores de informações.
Há alguns pontos obscuros, senão desafiadores, quando não intrigantes, no Caso André do Viva. Sabe-se que os acontecimentos tipificados no catálogo legislativo como crime não só contra o jornalista, mas extensivo à família do jornalista, foram registrados há um ano e só agora foi reativado na esfera policial. Houve um hiato desafiador.
CONGELAMENTO
O que se pergunta é o que teria ocorrido nesse intervalo para que o incidente aparentemente estivesse sobre controle, ou seja, sem ingressar na pauta criminal. O congelamento investigativo virou pó. Até agora, com o reinício (ou início?) das investigações policiais, três participantes das ações cumprem pena de prisão preventiva.
Um desses presos trabalhou na Prefeitura de Santo André até recentemente na mesma secretaria da qual Espanhol era o titular. Mais que isso: era assessor imediato de Espanhol. Foi exonerado do cargo em abril deste ano. A demissão consta oficialmente dos registros municipais.
Esse mesmo ex-funcionário e criminoso preso pela Polícia conta com uma coleção de fotos cercado de figurões da política regional. O deputado federal Alex Manente e o vereador de São Bernardo, Julinho Fusari, estão nas redes sociais com o ex-servidor público ligado a Espanhol. Abraça os dois políticos ligados ao prefeito Paulinho Serra. Uma ação facilitada porque se posiciona entre eles.
Na edição de segunda-feira vamos dar nome a todos os bois. No caso de Espanhol, há histórico suficiente para não se colocar a escanteio as informações de um dos presos. Exatamente o funcionário público da Prefeitura de Santo André que atuava sob o controle de Espanhol. E que foi demitido quando, supostamente, o caso, ocorrido no ano passado, já não ameaçaria mais a Administração de Paulinho Serra.
Um lembrete: CapitalSocial tem por dever de ofício a responsabilidade social de adotar política de edição de fatos criminosos (e de tantas arenas) embasado em documentação e testemunhos associados, ou seja, uma combinação guarnecedora de ética informativa.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS