Sociedade

Líder regional, Auricchio tem um pé
na periferia e outro na classe média

DANIEL LIMA - 30/03/2011

O prefeito José Auricchio Júnior é a principal liderança regional. Esse é o resultado de uma enquete com formadores e tomadores de decisões no Grande ABC. Eles se manifestaram pela Internet em circuito fechado e isoladamente, utilizando-se dos respectivos endereços digitais. Uma série de alternativas não excludentes foi exposta para que os votantes pudessem relacioná-las com os prefeitos dos sete municípios da região. O resultado não estabelece nem exclui necessariamente juízo de valor de gestão. Trata-se predominantemente de avaliação de imagem, porque da totalidade dos leitores uma minoria é de São Caetano. Decifrar até que ponto há intimidade causal entre valor palpável de gestão e valor subjetivo de imagem regional é um desafio que favorece elucubrações, mas é improvável que se dispense complementaridade.


Ou seja, é difícil separar uma coisa da outra. Uma coisa no caso é a eficiência, a produtividade, a seriedade e o comprometimento social dos nomes listados com seus respectivos municípios. Outra coisa é a percepção do gestor público por gente que acompanha o noticiário da mídia, independente do domicílio.


José Auricchio Júnior, portanto, é a maior liderança regional se a questão que se coloca à mesa for a qualidade da imagem de administrador público.


Uma avaliação municipalizada para a composição de ranking de liderança regional dos atuais prefeitos será sempre imprecisa e contraproducente, porque as demandas locais são específicas. O que já foi superado em termos de expectativa de resolução em São Caetano pode ser ainda um sonho em Ribeirão Pires. O que Santo André já consolidou Diadema provavelmente ainda alimenta em fase embrionária.


Por isso trabalhei com um mesmo questionário para a compreensão das ações de todos os prefeitos. A vitória de José Auricchio é mais substantiva ainda porque enfeixa uma maioria do leitorado do universo de votantes que não está domiciliada em São Caetano. Ou seja, não houve bairrismo na escolha. Pelo menos em grau suficiente para contaminar o resultado.


É possível que não faltem leitores que vejam o resultado da sondagem sob ângulos diversos. Pode ser que para determinados estratos sociais e econômicos de São Caetano o prefeito José Auricchio não esteja com essa bola toda. Aprovação e reprovação fazem parte da democracia. Determinados problemas ganham dimensões estratosféricas entre aqueles mais diretamente envolvidos, enquanto para outros não passam de marolas e, portanto, não influenciam avaliações.


Não sei, francamente, a quantas andam os índices de popularidade interna, municipal, de José Auricchio. Sei por fontes mais que confiáveis que esse médico escolhido pelo então prefeito Luiz Tortorello para se apresentar como candidato da situação em São Caetano monitora permanentemente o ambiente local.


Um instituto de pesquisas dos mais respeitáveis toma a temperatura de São Caetano a cada tempo, cercando-se de todos os cuidados para detectar possíveis vazamentos de eficiência e também para aperfeiçoar programas públicos, principalmente os situados na linha de frente, mais próximos dos contribuintes.


Os técnicos dessa consultoria política têm experiência com municípios de tamanhos e realidades diversas. Contam com estudos comparativos. São cases constantemente confrontados em pontos que tenham essencialidades comparativas. Experiências bem sucedidas em outros ambientes municipais e adaptáveis a São Caetano são levadas a sério. Outras são simplesmente descartadas.


Diferentemente do que imaginam os leigos, gestor público competente não se perde na burocracia sempre incômoda e tomadora de tempo e paciência. Faz muito mais que isso. Arma-se de embasamento científico de especialistas para não deixar escapar focos de inconformidades que comprometam objetivos traçados. Crises por mais que aparentemente solucionáveis provocam dores de cabeça e desvios de rota estratégica quando não prontamente debeladas.


Muitos administradores públicos não encontram mais o caminho das índias de soluções desejadas porque enredam por contratempos que se avolumam. São situações que estilhaçam a imagem de austeridade, impessoalidade e razoabilidade. Reputação é conceito tão sensível aos gerenciadores públicos nestes tempos de plataformas de mídias múltiplas que, mesmo em situação de paz, caberia preventivamente a avaliação do ecossistema público, sempre com embasamento de fontes insuspeitas de informação.


José Auricchio tem análises produzidas por gente que não se deixa levar por pressão. É um gestor com o controle total do organismo que dirige. São Caetano, mal comparando e sem nenhum sentido mercantilista, é um produto que desafia o prefeito a lhe emprestar cuidados extremos.


No varejo, a intervenção pública é cada vez mais exigida num mundo globalizado e excludente. No atacado, entra em campo a disputa por um marketing que sustente a agremiação municipal na Primeira Divisão do reduzidíssimo Clube da Qualidade de Vida.


Ao menor sinal de incômodo popular numa atividade específica, reage com presteza cirúrgica. Mas, como se sabe, nem tudo obedece a uma lógica mecanizada de perfeição. Lidar com a opinião pública é muito complexo. Daí a importância de preparação para não deixar desandar. Questões simples muitas vezes geram desequilíbrios de governança e de governabilidade porque se subestimam movimentações fora dos registros habituais. Frágeis correntes de vento podem virar tsunamis num piscar de olhos.


Insisto em ponderar o resultado da consulta quanto a qualquer avaliação municipalista, mas não creio que a gestão de José Auricchio apresente quadro esquizofrênico, de fulgor externo e de complicações insanáveis internas.


Por mais que São Caetano tenha a fama e mesmo a prática de isolamento do restante do Grande ABC, até porque situa-se na vizinhança mais intestina da Capital, respingos sempre saltam muros municipalistas. A liderança municipal de Luiz Tortorello, antecessor de Auricchio, jamais expandiu-se aos demais municípios locais. Muito pelo contrário. Faltavam-lhe a simpatia e a atenção que esbanjava no ambiente doméstico, as quais o atual prefeito de São Caetano regionalizou.


José Auricchio Júnior tornou São Caetano mais simpático aos vizinhos regionais. Daí o resultado da enquete com leitores especiais não surpreender. Até porque, potencialmente o favorito ao primeiro lugar, por conta de tanta coisa que valeria outro artigo, Luiz Marinho optou pelo enclausuramento municipalista e por varejismos administrativos.


José Auricchio Júnior caminha para o encerramento de um segundo mandato enfeixando duas obviedades locais que todos os antecessores simplesmente desprezaram, certamente porque não se municiaram de instrumentos de auscultação permanente da população.


Quais são essas duas obviedades, esses dois ovos de Colombo que José Auricchio colocou em pé?


Primeiro, não repetiu a soberba administrativa de antecessores que se deixaram seduzir pela imagem primeiromundista de uma São Caetano que também tem pobres, oferecendo-lhes o programa PróFamília, versão mais robusta do Bolsa Família de Lula da Silva.


Segundo, e agora, abriu uma frente ampla de atratividade a produtos e serviços indicadíssimos à classe média que é a maioria da população local e que também está órfã de opções no restante do Grande ABC. É o caso emblemático do lançamento do Espaço Cerâmica. Ali se terá de tudo, até mesmo residências de alto padrão, e um hospital, o São Luiz, grife recomendada apenas aos grandes e modernos centros urbanos.


Apenas para complementar, vejam os quesitos expostos aos formadores e tomadores de decisões para se manifestarem sobre o nome do político do Grande ABC que mais se adequava à lista:



  •  Capacidade técnica
     
  • Relacionamento com os demais prefeitos
     
  • Sustentação Econômica do Município em que é titular

  •  Relacionamento com esfera do poder estadual

  •  Relacionamento com esfera do poder federal

  •  Relacionamento com esferas estadual e federal

  •  Articulação com secretários e funcionários públicos

  •  Articulação com a sociedade civil

Leia mais matérias desta seção: Sociedade

Total de 1125 matérias | Página 1

12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS
05/02/2026 GILVAN E ACISA NUM JOGO DE IMPRECISÕES
01/02/2026 E A CARÓTIDA RESISTE AO PROJÉTIL INVASIVO
08/01/2026 REGIÃO PRODUZ MENOS CRIANÇAS QUE O BRASIL
18/12/2025 NOVA PERDA DO NOSSO SÉCULO
17/12/2025 VAMOS MEDIR A CRIMINALIDADE?
25/11/2025 UMA OBVIEDADE ASSISTENCIALISTA
04/11/2025 OTIMISTA REGIONAL É OTÁRIO REGIONAL
21/10/2025 MENOS ESTADO, MAIS EMPREENDEDORISMO
20/10/2025 SOCIEDADE SERVIL E DESORGANIZADA
18/09/2025 CARTA PARA NOSSOS NÓS DO FUTURO DE 10 ANOS
04/09/2025 INCHAÇO POPULACIONAL EMBRUTECE METRÓPOLE
02/09/2025 OTIMISTA INDIVIDUAL E OTIMISTA COLETIVO
22/08/2025 PAULINHO SERRA E DIÁRIO INTERROMPEM LUA DE MEL
20/08/2025 LULA HERÓI, TRAIDOR E VILÃO DE SÃO BERNARDO
24/06/2025 CONTRADITÓRIO INCOMODA, MAS É O MELHOR REMÉDIO
11/06/2025 PÁGINAS VIRADAS DE UMA MUDANÇA DESASTROSA
05/06/2025 VIVA DRAUZIO VARELLA, VIVA A REGIONALIDADE
30/05/2025 RANKING DE QUALIDADE DE VIDA: SANTO ANDRÉ SOFRE