As representações locais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) dariam prova incontestável de que não trafegam apenas por interesses corporativos ou de menor importância para o conjunto da sociedade, ou mesmo por razões particulares, caso se inspirassem no presidente nacional da instituição, Ophir Cavalcante, quanto à preocupação com os gastos das obras e demais providências para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Não me chamem de ingênuo por procurar transplantar tamanha sugestão porque não acredito que sequer as OABs locais vão se reunir para debater a sugestão. O que quero mesmo é mostrar que estamos regionalmente muito longe de uma revolução que passe pela entidade que, lá atrás, muito contribuiu para a derrubada de um presidente da República.
Aqui não se derruba nem um coqueiro em qualquer um dos Paços Municipais, muito menos se desmascaram mercantilistas imobiliários que deitam e rolam em campos de privilégios, quando não de infrações penais.
Até prova em contrário as OABs do Grande ABC estão para a reestruturação da sociedade assim como as colunas sociais para comprometimento de mudanças no jornalismo.
As unidades da OAB do Grande ABC têm valores predominantemente corporativos, os quais ninguém melhor que os próprios profissionais do ramo sabem avaliar.
Quanto à cidadania no sentido cosmopolita do termo, de entrega a ações que ultrapassem os muros dos iguais ou semelhantes, esqueçam porque as medidas pontuais avalizam a regra geral de alheamento completo.
Uma pesquisa de satisfação dos advogados do Grande ABC com o grau de eficiência das respectivas unidades da OAB provavelmente seria tão desconfortável quanto uma outra pesquisa sob completo sigilo de identidade de leitores sobre a qualidade da maioria dos veículos de comunicação da região.
Sei que não é agradável nem simpático muito menos politicamente correto para não dizer estratégico ou minimamente ajuizado afirmar que as franquias locais da OAB distanciam-se demais do que se imagina de uma instituição detentora de imagem herdada da atuação federal e que portanto se beneficia de medidas de cunho moralizador como as anunciadas agora pelo presidente nacional. Mas é o que posso e devo escrever para que não se compre gato por lebre.
Não se tem notícia de independência das OABs no Grande ABC dos respectivos Paços Municipais. E não estou pregando política de beligerância, de hostilidades, de oposicionismo barato. Nada disso: há programas públicos que poderiam ser adotados pela entidade dos advogados sem que significassem atrelamento ao respectivo titular do Paço Municipal. Há também buracos sociais que deveriam contar com o aporte e a massa crítica dos advogados.
Determinadas questões que envolvem o futuro do Grande ABC só dão com os burros nágua porque a sociedade é amorfa como um todo e as entidades de classe empresarial, sindical e de serviços preferem o voyeurismo improdutivo. Todas ou quase todas vivem num mundo de fantasias, replicantes na inação.
São mutuamente cópias fieis. Ou originais que se copiam? Seja lá o que forem, a baixíssima institucionalidade regional está aí e nos esfregar na cara um painel de cores pálidas, indecifráveis, manipuláveis.
Que tal se as OABs do Grande ABC fossem a campo para liderar, por exemplo, um grupo de associações para acompanhar a quantas andam os projetos de Pólos Tecnológicos programados para a região, os quais foram anunciados com tanta insistência até pouco tempo atrás e, agora, um silêncio ensurdecedor incomoda a todos?
O que dificultaria as unidades da Ordem dos Advogados do Brasil no Grande ABC a darem prova de que não têm rabo preso com quem quer que seja e, mais que isso, que estão comprometidas com o futuro regional?
Sem pestanejar, elaboro em cinco minutos uma lista de pelo menos 10 temas de suma importância para o futuro regional, aos quais a Ordem dos Advogados do Brasil deveria com as subseções locais encaminhar um processo de liderança compartilhada de monitoramento.
São assuntos que estão para o equilíbrio social e econômico do Grande ABC semelhantemente à determinação da OAB nacional de acompanhar inclusive com a participação do Tribunal de Contas da União o desenrolar as obras à Copa do Mundo, que envolverão recursos financeiros da ordem de R$ 23 bilhões.
Somente quando pelo menos uma unidade da OAB no Grande ABC decidir quebrar paradigmas que há muito ajudam a engessar o senso de responsabilidade social teremos, quem sabe, algo que justifique regionalmente a tentativa de recuperação da imagem de vigilância da OAB nacional.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS