Sociedade

De escola a um
clube popular

DA REDAÇÃO - 05/07/1997

Se o parque industrial do Grande ABC já não é mais o mesmo comparado há 10 anos e isso é fácil verificar passando os olhos sobre a diversidade de galpões abandonados e o surgimento de estabelecimentos comerciais e de serviços em antigos espaços fabris, é natural que o SESI, Serviço Social da Indústria, tenha mudado também.


 


Não que ocorreram alterações na personalidade de qualquer uma das 48 unidades paulistas dessa entidade criada em 1946 para proporcionar respaldo social através de ações voltadas à educação, esporte e lazer, saúde, cultura e qualidade de vida. O que aconteceu de maneira sensível no SESI de São Bernardo, um dos cinco maiores do Estado com 53 mil metros quadrados de área no Bairro Assunção e 150 funcionários, é muito mais mudança de forma do que de conteúdo.


 


Como o número de trabalhadores e dependentes da indústria caiu consideravelmente nos últimos anos, num reflexo lógico da evasão e da reestruturação do parque fabril que reduziu o contingente populacional de atendimento, não restou alternativa a não ser estender os serviços à comunidade em geral. O SESI São Bernardo continua com a mira bem centralizada na prestação de serviços aos empregados da indústria e dependentes, mas hoje participam de suas atividades mesmo aqueles que não têm qualquer vínculo profissional com o meio industrial.


 


É nas áreas de esporte e lazer que se identifica com mais transparência a nova face do SESI São Bernardo. Dos cerca de 13 mil cadastrados, praticamente metade não trabalha na indústria e nem é dependente de quem trabalha, pré-requisitos anteriormente indispensáveis. Ou seja, metade são sócios beneficiários e outra metade são associados de caráter comunitário. "O SESI se transformou em um grande clube popular" - define Douglas Morato Ferrari, coordenador das áreas de esporte e lazer.


 


É bom negócio sobretudo à população carente, que não tem condições de bancar a compra de um título de clube particular. Para se tornar sócio comunitário, paga-se R$ 5,00 pela inscrição, além da taxa de manutenção, variável de R$ 4,00 a R$ 12,00, a cada dois meses. A relação A relação custo-benefício é vantajosa. Dos 53 mil metros quadrados do SESI São Bernardo, 40 mil são destinados a atividades físicas.


 


A instituição agrega um ginásio poliesportivo coberto com capacidade para 800 pessoas, três quadras poliesportivas externas, uma pista de atletismo, um campo de futebol não-oficial, salas de ginástica e de musculação, ginásio para modalidades olímpicas, sala de jogos sociais como tênis de mesa, dama, xadrez e cartas, duas quadras de tênis e outras duas para paredão destinadas ao treinamento do tênis, além de área de convivência.


 


Parque aquático


Um espaço especial, entretanto, chama atenção de quem trafega pelas ruas próximas: um parque aquático com quatro piscinas, uma infantil, uma recreativa, uma semi-olímpica e outra para saltos ornamentais. Douglas Ferrari, que diz conhecer de perto todos os clubes poliesportivos da região, afirma que não há no Grande ABC parque aquático com capacidade semelhante.


 


O diretor administrativo Vamberto Martinez lembra que cerca de 50% dos 13 mil associados podem ser considerados ativos. A outra metade deixa de frequentar o SESI nos meses frios para voltar junto com o sol mais forte, uma oscilação natural principalmente porque o grande chamariz são as piscinas.


 


Vamberto afirma que o SESI São Bernardo chega a ter 20 mil associados ativos nos meses mais quentes do ano, mas o melhor negócio para candidatos a sócios beneficiários e comunitários, costuma orientar Douglas Ferrari, é providenciar inscrição na baixa temporada. "Os que fazem inscrição em meses como julho e agosto são atendidos rapidamente e saem com a carteirinha imediatamente, mas os que deixam para dezembro ou janeiro têm de se submeter a filas e esperar até cinco dias pela carteira de ingresso" -- explica.


 


A iniciativa de abrir-se à comunidade corresponde também à estratégia de buscar receitas em fontes alternativas complementares à indústria, que contribui para manutenção da entidade com 1,5% da folha de pagamentos e cujo valor é repassado pelo INSS. Mas há áreas nas quais o SESI São Bernardo atende quase que exclusivamente aos empregados e dependentes da indústria, como educação e saúde, porque, mesmo com a evasão e o enxugamento dos quadros que afetam diretamente as receitas, há demanda imensa, superior até à capacidade de serviços, dentro da comunidade industrial.


 


Demanda que é inversamente proporcional à competência do Poder Público em garantir direitos constitucionais e também à capacidade do trabalhador médio em bancar serviço privado. Em 1996, a quantidade de inscrições para ingresso no Primeiro Grau, o ponto mais forte do SESI São Bernardo com 1.200 alunos, mostrou concorrência digna dos vestibulares mais acirrados do País. Para 30 vagas abertas houve quase três mil inscrições, ou relação de 100 por um. "A prioridade na seleção é sempre o dependente do trabalhador de baixa renda" -- explica Vamberto. "O número de vagas abertas é pequeno porque o índice de desistências é baixíssimo" -- esclarece Meire Segatto, coordenadora do Centro Educacional.


 


Com 12 salas de aula, um laboratório para química e física, uma biblioteca com cinco mil títulos e uma oficina pedagógica, na qual alunos de 5ª à 8ª séries ganham intimidade com marcenaria, elétrica, hidráulica e cerâmica, o SESI São Bernardo tem outros 400 alunos no supletivo de Primeiro Grau, 80 no Telecurso 2.000 e mais 200 no Centro de Educação, totalizando quase dois mil alunos. O Centro de Educação é mais do que uma creche em meio-período ou período integral para crianças até cinco anos. "Além de acolher as crianças, o Centro Educacional se preocupa com seu desenvolvimento psíquico-motor e também com a educação através dos trabalhos de professores e pedagogos" -- frisa Vamberto. Nutricionistas se encarregam do balanceamento do café da manhã, do almoço e do lanche da tarde servidos aos pequenos.


 


A atuação na saúde é marcada pela odontologia. São três consultórios com três dentistas trabalhando de manhã e à tarde para realizar média de 700 atendimentos/mês. Os preços são cinco vezes inferiores aos de mercado em muitos casos, assegura a chefe do setor, Maria Lúcia Cassimiro.


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