Sociedade

"Província" ou "Grande ABC" abre
consulta ao Conselho Regional

DANIEL LIMA - 16/02/2012

"Província do Grande ABC" ou simplesmente "Grande ABC?" Esta é a questão à análise do Conselhão Regional, instância que a revista digital CapitalSocial está organizando para efetivar série de estudos. Os integrantes do Conselhão Regional já selecionados (e outros que serão aos poucos) já foram comunicados sobre o temário da primeira ação coletiva. Uma batata quente e tanto, que vai testar o nível de sinceridade e de convicções dos conselheiros. 


 


Sei lá qual será o resultado final da abordagem, mas uma coisa é certa: não tenho vontade alguma de alterar uma decisão tomada há quase um ano, quando, cansado de tantas lutas, entendi que já passara da hora de trocar "Grande ABC" por "Província do Grande ABC".


 


Sei que a expressão soa provocativa, algo que provavelmente me levaria à falência eleitoral se fosse candidato a alguma coisa, mas como reconheço o viés provocativo e como jamais fui ou serei candidato a alguma coisa, porque qualquer coisa é incompatível com o jornalismo que pratico, sigo em frente. Somos uma Província sim. Pejorativamente falando. Mas isso não quer dizer que não respeite quem pense diferente. E muito menos quem se manifesta em contrário.


 


Aliás, estou tão seguro quanto a isso que não temo eventual maioria do Conselhão Regional rejeitar a expressão "Província do Grande ABC". Muito pelo contrário: quanto mais gente eventualmente contrariada com este jornalista por conta desse rótulo, mais vou me sentir esperançoso de que algo poderia mudar num horizonte não muito distante. Mas essa posição não significaria também que aliados deste jornalista não se vejam num ponto de mobilização, porque é assim que reajo à minha própria invenção. Criei "Província do Grande ABC" tanto no aspecto depreciativo como também como motivação pessoal para me embrenhar em questões que possam ser bem resolvidas.


 


Efeitos terapêuticos


 


Creio que "Província do Grande ABC" tem efeitos terapêuticos mais aconselháveis que "Grande ABC", apesar de toda a carga idiossincrática que a envolve. Antes depreciar para ferir e ferir para provocar reações do que lambuzar-se em elogios, elevar a região a um patamar de irrealidade de autoestima que seria sustentada por "Grande ABC" tão acomodatício quanto de baixa fertilidade social. Acreditamos o tempo todo no poder mágico de "Grande ABC" e desprezamos a concorrência por investimentos produtivos, principalmente no setor industrial, plataforma de embarque à constituição de classes sociais sustentáveis no logo prazo.


 


Ainda não me defini sobre a forma para tentar extrair dos integrantes do Conselhão Regional a garantia de que terão seus direitos de análise rigorosamente respeitados. Não é nada fácil expor conceitos antagônicos que defendem a expressão "Grande ABC" e também a expressão "Província do Grande ABC". Tenho de me manifestar com equilíbrio e justiça, como se duas cabeças diferentes estivessem a perpetrar cada um dos dois formatos. Os argumentos que sustentarão "Grande ABC" fatalmente serão confrontados com os argumentos de "Província do Grande ABC". E vice-versa. Um jogo interessante, convenhamos.


 


Gata Borralheira


 


No fundo, no fundo, esse assunto não é um rebento novo. Quando escrevi "Complexo de Gata Borralheira", em 2002, já exprimia o sentimento de subalternidade próprio de Província que o Grande ABC carrega no ventre sociológico a reboque da Capital e que se cristalizou com a chegada das indústrias, cujos executivos de ponta preferiam morar na vizinha Capital, mais cosmopolita. Aliás, até hoje, quem quer demonstrar que está em outra estratosfera social, mesmo uma estratosfera lubrificada de malandragens, de rombos milionários, não pensa duas vezes e se manda para São Paulo. Frequentar rodinhas sociais de velharias paulistanas, então, é o suprassumo da breguice. Que as colunas sociais destas plagas divulgam extasiadas, porque somos uma Província.


 


Vamos reservar na enquete sobre a robustez ou o embuste da expressão "Província do Grande ABC" um espaço para comentários dos integrantes do Conselhão Regional. A manifestação de cada um deles vai ser transposta às páginas desta revista digital, desde que devidamente autorizadas. Não podemos perder a oportunidade que se oferece para dissecar um assunto que até outro dia era absoluto tabu entre os formadores de opinião. Segregam-se os reclamos de indicativos de nosso provincianismo, como se pecado fosse debater a questão claramente. É isso que estamos propondo ao Conselhão Regional. Que prato apimentado para início de uma nova jornada de transparência e interação jornalísticas, não acham?


Leia mais matérias desta seção: Sociedade

Total de 1125 matérias | Página 1

12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS
05/02/2026 GILVAN E ACISA NUM JOGO DE IMPRECISÕES
01/02/2026 E A CARÓTIDA RESISTE AO PROJÉTIL INVASIVO
08/01/2026 REGIÃO PRODUZ MENOS CRIANÇAS QUE O BRASIL
18/12/2025 NOVA PERDA DO NOSSO SÉCULO
17/12/2025 VAMOS MEDIR A CRIMINALIDADE?
25/11/2025 UMA OBVIEDADE ASSISTENCIALISTA
04/11/2025 OTIMISTA REGIONAL É OTÁRIO REGIONAL
21/10/2025 MENOS ESTADO, MAIS EMPREENDEDORISMO
20/10/2025 SOCIEDADE SERVIL E DESORGANIZADA
18/09/2025 CARTA PARA NOSSOS NÓS DO FUTURO DE 10 ANOS
04/09/2025 INCHAÇO POPULACIONAL EMBRUTECE METRÓPOLE
02/09/2025 OTIMISTA INDIVIDUAL E OTIMISTA COLETIVO
22/08/2025 PAULINHO SERRA E DIÁRIO INTERROMPEM LUA DE MEL
20/08/2025 LULA HERÓI, TRAIDOR E VILÃO DE SÃO BERNARDO
24/06/2025 CONTRADITÓRIO INCOMODA, MAS É O MELHOR REMÉDIO
11/06/2025 PÁGINAS VIRADAS DE UMA MUDANÇA DESASTROSA
05/06/2025 VIVA DRAUZIO VARELLA, VIVA A REGIONALIDADE
30/05/2025 RANKING DE QUALIDADE DE VIDA: SANTO ANDRÉ SOFRE