Sociedade

Província melhora mas segue muito
atrás em roubos e furtos de veículos

DANIEL LIMA - 10/04/2012

Quatro das cinco cidades da Província do Grande ABC que integram o G-20, o Clube dos 20 Municípios mais importantes do Estado de São Paulo, menos a Capital, estão entre os últimos colocados no ranking de furtos e roubos de veículos. A exceção é Mauá, que ocupa a 10ª colocação. Os demais estão muito mal na fita classificatória. São Caetano é lanterninha, Santo André penúltimo colocado, São Bernardo 16° e Diadema 17° entre as duas dezenas de cidades que respondem por 30% do PIB (Produto Interno Bruto) paulista e por mais de 10 milhões de habitantes.
 
Por mais que tenha rebaixado os índices de furtos e roubos de veículos durante os últimos 11 anos, a partir de 1999, base dos dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, é bastante incômoda a situação da região. Para se ter ideia do quanto o potencial de sinistralidade sobrerrodas coloca a Província em desvantagem na cesta de qualidade de vida, as possibilidades de ocorrências em São Caetano, última colocada do G-20, ante a líder Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, é oito vezes maior.
 
O consolo é que a situação estava muito pior em 1999. Embora os cinco municípios da região que integram o G-20 tenham apresentado queda bastante significativa nos índices registrados no final do século passado, o fardo é tão pesado que praticamente não se moveram na tabela classificatória. Tudo isso apesar da maioria dos demais municípios apontar números relativos inferiores e, em vários casos, aumento de ocorrências.
 
A tese que coloca a Província do Grande ABC como endereço discriminado pelas companhias de seguros não passa de discurso vitimista. Já há algum tempo não se bate mais na tecla furada de que os municípios da região seriam prejudicados pelas empresas seguradoras por conta de apólices mais salgadas do que de municípios do Interior do Estado. O potencial de incidência de ocorrências está mais que explicitado no ranking. Barueri e São Caetano são casos extremos entre os 20 municípios, mas na maioria das situações a Província do Grande ABC está em desvantagem. O ranking de roubos e furtos de veículos é formulado com base em estatísticas da Secretaria de Segurança Pública, que divide o total dos casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Uma contabilidade de sufoca qualquer distorção.



Barueri deu o maior salto na classificação de roubos e furtos de veículos entre 1999 e 2011. Vejam o ranking:
 
1. Barueri reduziu a incidência de furtos e roubos de veículos em 77,65% no período, passando de 609,26 ocorrências por 100 mil habitantes para 136,15. De 13ª colocado, passou à liderança.
 
2. Mogi das Cruzes praticamente não se moveu na classificação -- era terceira colocada em 1999 e chegou ao segundo lugar no ano passado. O resultado poderia ser melhor se o índice não subisse 5,08% no período, passando de 249,09 para 261,75.
 
3. São José do Rio Preto chegou em terceiro lugar após constar em sétimo lugar em 1999. Também poderia ter melhorado mais, porque aumentou em 0,66% o volume de ocorrências por 100 mil habitantes: eram 352,56 e passou a 354,91.
 
4. Santos também melhorou na classificação, mesmo com aumento de 3,05% de ocorrências no período. Contava com índice de 350,77% roubos e furtos por 100 mil habitantes e passou a 361,50%.
 
5. Paulínia subiu para o quinto lugar, depois do oitavo em 1999. Melhorou o índice em 9,53%: eram 417,33  ocorrências por 100 mil habitantes em 1999 ante 377,55 em 2011.
 
6. Sorocaba também subiu dois pontos na classificação geral: chegou ao sexto lugar em 2011 após ocupar o oitavo no ano-base da pesquisa: contava com índice de 310,50 ante 396,79 -- aumento de 27,80% de casos no período.
 
7. Guarulhos também deu grande salto no período de 12 anos, depois de apresentar redução de 43,42% de registros de roubos e furtos de veículos: deixou o 15° lugar para ocupar o sétimo. Tudo porque rebaixou o índice de 709,01 ocorrências por 100 mil habitantes para 401,12.
 
8. São José dos Campos melhorou o índice no período em 6,02%. Com isso, deixou o 10° lugar e passou ao oitavo: o índice de 474,32 caiu para 445,75.
 
9. Taubaté sofreu enorme tombo no período, ao trocar o primeiro lugar pelo nono, após apresentar aumento de 480,21% nos registros de furtos e roubos de veículos: eram 81,44% casos por 100 mil e passou a 472,53.
 
10. Mauá é a melhor colocada da Província do Grande ABC, ao ocupar o 10° lugar no ranking do G-20. Melhorou em 24,39% o desempenho ao rebaixar o índice de 634,80 casos em 1999 para 479,97 em 2011.
 
11. Piracicaba sofreu um dos maiores tombos entre as 20 cidades que integram o ranking, do segundo para o 11° lugar no período: aumentou em 115,69% o índice de casos, passando de 242,85 para 523,80 casos no período.
 
12. O 12° lugar conquistado por Osasco significa avanço no período, porque estava em 16° lugar antes da virada do século. Pesou a melhoria de 26,50% -- de 741,05 casos por 100 mil habitantes para 544,70.
 
13. Jundiaí praticamente não se movimentou na classificação: estava em 12° lugar e caiu para 13°. Uma queda relativa, porque obteve 16,33% de melhora entre o índice de 1999, de 607,84 casos por 100 mil habitantes, para 597,91.
 
14. Ribeirão Preto também se deu mal nos últimos 12 anos, quando caiu do quinto para o 14° lugar após aumentar em 82,92% os casos de registrados: de 337,04 para 616,52.
 
15. Sumaré também desceu na classificação, do 11° lugar para o 15°. Tudo porque aumentou em 31,30% o índice de sinistralidade, que passou de 525,78 para 690,34 para cada 100 mil habitantes.
 
16. São Bernardo também se movimentou pouco, já que deixou o 17° lugar em 1999 e passou a ocupar o 16° em 2011. Mesmo com melhora significativa, já que rebaixou em 40,31% o índice no quesito, de 1.297,10 para 774,23.
 
17. Diadema caiu dois pontos, porque era 15ª colocada em 1999 e chegou à 17ª posição. Tudo isso apesar de ter rebaixado a incidência de casos em 17,70% no período, de 970,54 para 798,77.
 
18. Campinas manteve o 18° lugar, mesmo com queda de 46,70% nos registros durante os 12 anos pesquisados: contava com 1.571,12 em 1999 ante 837,43 em 2011.
 
19. Santo André também não arredou pé do 19° lugar na classificação geral, apesar de ter reduzido o índice em 55,88% no período: era de 1.951,92 para cada 100 mil habitantes e passou a 861,17.
 
20. São Caetano reduziu em 50,12% o índice de roubos e furtos de veículos em 12 anos, mas não conseguiu escapar da lanterninha. Os 2.215,34 casos por 100 mil habitantes em 1999 passaram a ser 1.105,03 na ponta da pesquisa.


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