Imprensa

Por que me consagram quando
chegam as campanhas eleitorais?

DANIEL LIMA - 16/10/2012

A resposta é simples como o dia após a noite: porque os políticos dizem sem a menor polidez verbal, sem respeito pessoal e sem cerimônia tudo que escrevo com estilo próprio há milhares de anos sobre a Província do Grande ABC. A diferença é que os hipócritas, os malandros das praças, as sanguessugas, movem perseguição contra este jornalista porque querem me calar, enquanto aos políticos dedicam audiência e reverência. Aos políticos, portanto, tudo. Aos jornalistas que não têm medo de cara feia, perseguição, maledicência e tantos outros tratamentos são a sentença definitiva. E depois ainda dizem que sou severo, vejam só.


 


Quando uma ministra de Estado, como Miriam Belchior, educada em berço esplêndido, vai a Diadema em campanha eleitoral e diz que o adversário do petista Mário Reali, no caso Lauro Michels, não passa de pastel de vento, todo mundo acha graça, ou absolutamente natural, menos o ofendido, é claro.


 


Já imaginaram se este jornalista escrevesse que Milton Bigucci é pastel de vento, que Ronan Maria Pinto é pastel de vento, que Sérgio De Nadai é pastel de vento. Seria uma calamidade. Mais ações criminais e civis recheariam meu cotidiano. Como não escrevi e jamais escreverei que Milton Bigucci é pastel de vento, que Ronan Maria Pinto é pastel de vento, que Sérgio De Nadai é pastel de vento, porque são muito mais que pastel de vento, sou sumariamente execrado pela gentalha fina, finíssima, que domina o mercado de oportunistas regionais.


 


Um terço explicado


 


Não vou reproduzir aqui o festival de ofensas mútuas que candidatos ao segundo turno nos três municípios da região e também antes, nos sete municípios, despejaram aos olhos dos leitores dos jornais impressos e eletrônicos. Tenho tudo arquivado. Há baixarias demais e compromissos sociais de menos. Mas é assim que se faz política, o que se pode fazer? Depois reclamam que um terço do eleitorado regional votou em branco, anulou o voto e desapareceu das urnas. Não fosse o voto obrigatório, seria uma hecatombe cívica.


 


Voltando à ministra Miriam Belchior, que recebeu de resposta um ataque duríssimo do candidato oposicionista à Prefeitura de Diadema, remetendo-a ao mensalão, convenhamos que é surpreendente tanta permissividade. Até onde chega a temperatura eleitoral, a ponto de alguém de posicionamento tão destacado na hierarquia da República sair por aí a desancar um adversário partidário?


 


Aquela testemunha de Milton Bigucci que disse a um juiz de Santo André que sou severo demais no tratamento crítico que a profissão me impõe (“no tratamento crítico que a profissão me impõe” é complemento de minha autoria, não uma extensão da frase daquela testemunha) acabou me coroando com adjetivação da qual nem havia me dado conta, embora o sentido fosse outro, como sei. Ser severo demais no trato jornalístico é algo de que não abro mão. Aliás, jamais abri mão, principalmente quando se trata de escarafunchar entranhas de gente graduadíssima na ocupação de espaços institucionais na região e que por isso mesmo se sente intocável. Como é o caso de Milton Bigucci, um dos protegidos da mídia regional porque rega generosamente os cofres das publicações com o lobby sempre farto do mercado imobiliário.


 


Política é para políticos


 


Talvez a fama mais que justa de severidade, vista por meia dúzia de procrastinadores da verdade como pecado capital, ganhasse nova configuração e entendimento se contrariamente ao fato de ser jornalista, político fosse.


 


Aliás, comentando outro dia com uma pessoa muito próxima a meus pensamentos, disse mais ou menos o seguinte: se fosse o que muita gente gostaria que fosse, jamais seria jornalista e engrossaria o caldo da cultura permissiva da política. Trocando em miúdos, seria político com direito a hipocrisias, salamaleques, falsidades, enganações e o escambau, que, convenhamos, são as digitais da maioria daqueles que se metem a depender de votos para alcançar objetivos, entre outros motivos porque, se agirem diferentemente, dão com os burros nágua. Pois como jamais tive vocação à opacidade, optando sempre e sempre pela transparência e pela franqueza, jamais político seria ou serei. Portanto, é pura perda de tempo acreditarem que vou mudar.


 


As campanhas eleitorais são meu bálsamo de recomposição emocional depois de longo período de pressões por conta de que não exercito facetas que se adequam às conveniências. Não seria depois de amadurecido que violentaria o aprendizado de vida com meu velho pai direto e reto. 


 


Mas no fundo, no fundo, o que sinto mesmo nestes tempos de caça aos votos é um estranho e tormentoso asco a cada linha produzida pelos jornais da região sobre o comportamento dos candidatos em busca dos paços municipais. Afora as promessas irrealizáveis e também as constatações de que tenho sido até generoso quando afirmo que a Província do Grande ABC parou no tempo em desenvolvimento econômico, em sustentabilidade social e em produtividade institucional, entregue que está às baratas do improviso e de muitos oportunistas, os ataques pessoais disfarçados de projetos de administração são tremendamente ofensivos aos leitores.


 


Por isso, aqueles que por ventura perfilarem ao lado dos Biguccis da vida sobre os meus escritos, que tratem de botar a cabecinha para funcionar, deixem de estupidez e se conscientizem de que se há alguém que precisa de corretivos nessa sociedade, sinceramente não é este jornalista. A baixaria dos políticos não permite, nessas circunstâncias, um desabafo em termos mais elegantes. Nada, entretanto, que ao menos se assemelhe aos discursos de ocasião de quem quer ganhar a confiança dos eleitores. Meu compromisso é tão somente com os leitores -- uma obrigação que me imponho diariamente.


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