Imprensa

ARCA DE NOÉ CONTRA O
GATABORRALHEIRISMO (6)

DANIEL LIMA - 01/05/2026

A síntese do que você vai ler logo abaixo é a simplificação atrevida e contestatória de uma análise enviesada que coloca a  polarização nacional no topo do ranking de temática demoníaca. Neste sexto capítulo da coletânea que procura reproduzir 60 anos de atividades deste jornalista, não há equívoco algum ao selecionar os dois textos que se seguem. Embora o pressuposto de regionalidade possa induzir ao erro leitores que imaginariam questões estritamente territoriais, o ambiente nacional e internacional influencia a sociedade como um todo em qualquer lugar do planeta em que conhecimento vira cultura. As redes sociais comprovam essa premissa.

Decidi juntar um texto a outro texto para compor um único texto para efeitos desta série porque há complementaridades siamesas. Trato, como se verá abaixo, de um contraponto ao livro “Biografia do Abismo”. Há 28 meses procurei traduzir a leitura daquela obra não só em suprimento de informação como, principalmente, em confronto reflexivo  direto, em forma de debate virtual, e, em seguida, inferir observações desligadas do roteiro inicial.  Ou seja: uma operação em que o contraditório toma o lugar de pretensa realidade que não passa, de fato, de unilateralidade. Quem tem medo de contrapontos sinaliza precariedade argumentativa.

Como se verá em seguida, prefiro os desafios, os desencantos, os extremismos e tudo o mais que caracterizariam a polarização nacional,  a retroceder aos tempos da brilhantina de conchavos. O Fla-Flu  destes dias turbulentos é um confronto bem mais interessante que o Flamengo versus Madureira do passado. O processo democrático é dolorido mas indispensável quando submetido à medição de forças -- e terrivelmente anestésico quando o embaralhamento de cartas é apenas prestidigitação para eternizar poderes.  

ABISMO OU REDENÇÃO?

Acompanhem o primeiro texto deste capítulo, publicado na revista digital CapitalSocial de 8 de dezembro de 2023 sob o título “Biografia do Abismo e Biografia da Redenção”. 

De vez em quando faço o que estou fazendo agora. Pego pelo colarinho da insatisfação uma entrevista de alguma publicação importante e me meto na conversa em forma de contraditório pirata. Ou seja: participo da entrevista sem autorização. É o que faço agora após ler as declarações do cientista social Felipe Nunes à Folha de S. Paulo.  

A manchetíssima acima (“Biografia da Redenção e Biografia do Abismo”) é a síntese de minhas intervenções. Oponho a “redenção” ao “abismo” por razões que explico logo em seguida, em contraposições.   

Sem perda de tempo, vou começar a disputa, porque isso é mesmo uma disputa. Primeiro, reproduzo a abertura da entrevista da Folha de S. Paulo. Em seguida, faço o contraponto. Daí em diante, entram no campo de batalha a Folha de S. Paulo com os respectivos questionamentos, as respostas de Felipe Nunes e meus contraditórios. Vale a pena acompanhar:   

FOLHA -- O cientista político Felipe Nunes usa uma comparação bem brasileira para descrever a nova realidade política do país. Para ele, é como se as torcidas do clássico Flamengo x Fluminense estendessem a rivalidade para fora do estádio, num enfrentamento ininterrupto e definidor do comportamento de grupo. Nunes, também diretor da empresa de consultoria e pesquisas Quaest, está lançando com o jornalista Thomas Traumann o livro "Biografia do Abismo", cujo subtítulo traça um cenário realista e sombrio: "Como a polarização divide famílias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil". Passado um ano da eleição entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), decidida com a menor diferença entre candidatos à Presidência desde a redemocratização, os autores citam dados de pesquisas, revisitam o noticiário e recorrem a estudos para explicar o quadro de divisão social jamais visto antes. "Os dois grupos vão ter que topar o desafio de baixar as armas ao mesmo tempo e tentar viver de uma maneira menos individualizada, para que a gente saia dessa calcificação", diz Nunes à Folha, citando o termo usado no livro para definir o estágio de polarização enraizada existente no Brasil. O cientista, que também é professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirma que a obra tem caráter empírico e propõe um exercício de sociologia política, com visão crítica sobre esquerda e direita, numa discussão sobre causas, impactos e possíveis saídas para a questão.  

CAPITALSOCIAL – O contraponto que justifica a construção de um novo título do livro que acabei de comprar utiliza outra metáfora futebolística, sem desconsiderar a profundidade sociológica do cientista político na escolha. O que temos no País, para valer mesmo, é muito mais que um Fla-Flu, porque se trata de algo só aparentemente calcificado. O construtivismo criativo do processo de destruição se sobrepõe ao passado de um Flamengo versus Madureira, que, sem exagero, representava a política e a sociedade brasileira antes do desembarque da Internet e especialmente das redes sociais, forças propulsoras das sacudidelas que estamos vivendo. Com os insumos publicados na entrevista da Folha e após ler as primeiras 100 páginas do livro “Biografia do Abismo”, cujo subtítulo “Como a polarização divide famílias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil”, cristalizei uma ideia-título oposta: “Biografia da Redenção: “Como o derretimento da alienação fermenta a sociedade e desperta o Brasil”.  Os tempos de jogo amistoso entre os mandachuvas e mandachuvinhas do País e a sociedade desorganizada já passaram. Em meio a entulhos, é preciso construir um País menos desigual, menos corrupto, menos judicialmente ativista e menos agressivo na arte de sustentar uma queda rigorosamente aviltante da qualidade de vida. Tudo herança de muitos Flamengo versus Madureira.    

FOLHA -- Que abismo é esse que está citado no título do livro?  

FELIPE NUNES -- É a situação política em que a gente se meteu desde 2018 e que foi nos afastando tanto do outro lado e nos tornando tão intolerantes a ponto de gerar um abismo. São dois grupos com preferências e visões de mundo diferentes e reconciliá-los nos parece uma tarefa muito desafiadora e que vai levar tempo.  

CAPITALSOCIAL -- A situação política e consequentes desdobramentos sociais vem de um passado anterior às eleições presidenciais de 2018. Um marco que nem poderia ser considerado inicial, mas de visibilidade mais acentuada, se estabeleceu nas manifestações de junho de 2013 contra o governo Dilma Rousseff. A partir dali, finalmente, brasileiros começaram a entender, principalmente por conta das redes sociais, que aquele jogo até então jogado era um uma farsa democrática. Uma democracia que interessa às elites. As máscaras institucionais caíram.   

FOLHA -- Em que momento o sr. percebeu o fenômeno da polarização social, que ultrapassa o ambiente eleitoral?  

FELIPE NUNES -- Quando comecei a olhar para o cenário internacional e ver que tendências lá de fora, principalmente dos Estados Unidos, estavam sendo reproduzidas aqui. O principal alerta foi quando, durante o processo eleitoral, as pessoas começaram a responder nas pesquisas que não suportavam mais conviver com e entender o outro. Fui percebendo que o Fla-Flu estava se dando não mais só durante a partida, mas foi para a rua, para fora do estádio.  

CAPITALSOCIAL -- O Fla-Flu tem raízes próprias no território tupiniquim, por mais que a cultura política internacional seja cada vez e mais acentuadamente transbordante. Mas, principalmente após a Operação Lava Jato, ponto de transformações sociais, o inconformismo já era latente. E o então candidato Jair Bolsonaro absorveu e disseminou o sentimento de boa parte do eleitorado, rompendo um roteiro de aproximações e concubinatos contínuos de falsos adversários políticos, no caso o PSDB e o PT, primos próximos em encenações que não tinham outro sentido senão manter as respectivos latifúndios da vida nacional.    

FOLHA -- Quando efetivamente esse processo começou?  

FELIPE NUNES -- Notei que a polarização deixou de ser partidária e política para ser afetiva no processo eleitoral de 2018, marcado por uma ideia antissistema. A palavra polarização não dá mais conta de descrever o que vivemos. Por isso, adotamos o termo calcificação, que é esse processo de enrijecimento dos lados.  

CAPITALSOCIAL -- O cientista político acertou em cheio, mesmo não exatamente por fios condutores bem engendrados. O outro lado do espectro político-partidário, que no fundo expressa o liberalismo econômico e o conservadorismo nas pautas sociais, cansou de assistir ao mesmo filme sem tem o direito de reclamar. Era o espectador do fundo do cinema diante do lanterninha exigente que tolhia o direito a reclamações contra o som grave de manobras alinhadas aos protagonistas de plantão.   

FOLHA -- Outro termo abordado no livro é o de bolhificação da política, ou seja, a organização por bolhas. Esse processo foi o que desembocou na calcificação?  

FELIPE NUNES -- Não haveria calcificação das preferências políticas, não haveria esse comportamento de torcedor no processo político que depois transbordou para a vida em sociedade, se não fossem as redes sociais. Elas mudaram tudo, porque permitiram à sociedade buscar cada vez mais se informar sobre aquilo que lhe interessa, mas também confirma seus preconceitos, suas atitudes, suas ideias. É um processo que nos coloca dentro de bolhas que confirmam nossos vieses e reforçam nosso hedonismo, nossa vontade de estar certo, nossa vontade de ter razão no debate o tempo todo.  

CAPITALSOCIAL -- Mais uma vez o cientista político tem uma leitura precisa, embora com maniqueísmos sobre o processo de mudanças da vida nacional, em todas as áreas, com ônus e bônus de uma transposição tão acelerada de pensamentos, ideias e decisões. O brasileiro até então sem espaço no mundo da comunicação era obrigado a engolir verdades, meias verdades e mentiras inteiras da mídia tradicional, defensora de sistema alquebrado de um Estado incompetente, uma política de cleptocratas e um Judiciário muito aquém das demandas da sociedade. Tudo isso as redes sociais escancaram diariamente. Acabou a servidão informacional.   

FOLHA -- Concorda com a corrente que aponta a nova direita mundial, inclusive pelo emprego das redes sociais, como responsável pelo processo de radicalização em vários países?  

FELIPE NUNES -- A extrema direita é diretamente responsável pela mudança da dimensão do conflito político. Antes da entrada dela, discutíamos temas como o papel do Estado, ser a favor ou contra privatização. A extrema direita passa a fazer uma disputa de visões de mundo e temas de foro privado, gerando um apartheid.  

CAPITALSOCIAL -- Bobagem cabeluda do cientista político. A nova direita estava apenas dispersa, silenciosa e desatenta à importância do contraditório, até porque não havia disponibilidade tecnológica para a massificação do sentimento de oposição às dores e aos horrores. Os excessos da nova direita não são diferentes dos excessos da antiga esquerda. São almas gêmeas com sinais trocados, de defesa da individualidade de um lado e da santificação do coletivismo a qualquer custo, do outro.   

FOLHA -- Os srs. colocam no livro que tanto Lula quanto Bolsonaro organizaram suas campanhas estimulando a divisão da sociedade. Qual é a parcela de culpa do campo da esquerda na calcificação?  

FELIPE NUNES -- Se, por um lado, a direita é responsável por trazer valores e costumes para o debate, a esquerda é responsável por intensificar a questão identitária como se ela fosse o debate central na sociedade. Com isso, a direita se vê no direito de fazer a contraposição em torno das mesmas pautas.  

CAPITALSOCIAL -- A ordem cronológica desses embates é claramente a introdução de pautas identitárias pela esquerda, a fim de mitigar equívocos econômicos e sociais em experimentos mundo afora, e a contraofensiva da direita, no campo cultural.  

FOLHA -- Esse processo é reversível?  

FELIPE NUNES -- Precisamos ser otimistas de que há saída. Mas a resposta complexa é que, antes de pensar em uma alternativa e uma reversão, vamos ter que aprender a conviver com isso. Enquanto agirmos ignorando que a polarização veio para ficar, vamos continuar estimulando-a mesmo sem perceber.  

CAPITALSOCIAL -- A proposta-ideia do cientista político é ótima. E o princípio dessa pretendida jornada de harmonização possível está na compreensão dos fatos que não levem em conta apenas os aspectos políticos e partidários, mas, sobretudo, os estragos monumentais que o Estado malversador, incompetente e insensível impingiu à sociedade ao longo de décadas. Mais que isso: que palavras e expressões que estão embutidas no processo de mudanças sejam expostas sem constrangimento. No caso, não existe no léxico do cientista político nada que remete à corrupção, a lavajatismo, essas coisas que levaram os brasileiros a acreditarem em mudanças que se esvaíram graças principalmente ao Supremo Tribunal Federal.  

FOLHA -- Consegue apontar algum caminho prático? Os lados vão ter que abrir mão das suas convicções?  

FELIPE NUNES -- Do ponto de vista institucional, um passo importante é combater a desinformação e a ideia de querer vencer o debate público a qualquer custo. Individualmente, a saída é perceber que a divergência é natural numa sociedade plural e que o adversário não é inimigo. O denominador comum deve ser o respeito às regras do jogo, ou seja, não permitir que o 8 de janeiro aconteça novamente ou seja visto como algo banal, normal, possível.  

CAPITALSOCIAL – Mais uma vez o cientista político está correto, mas um adendo se faz necessário à resposta enviesada. O oito de janeiro não teve combustão espontânea, à parte o fato de ter sido lamentável sob todos os aspectos -- e sem juízo de valor sobre os efetivos estragos constitucionais que supostamente provocaria. Não tivemos um bando de malucos que saiu do nada para invadir Brasília. Tudo tem uma origem e, no caso específico, a campanha eleitoral de tratamento tão desigual. Não se pode de forma alguma eliminar as intervenções de ministros do Supremo Tribunal Federal como agentes causadores de desordens que não se justificam, mas se explicam. Não havia demônios apenas do outro lado do balcão do eleitorado. O oito de janeiro foi precedido de um ritual antidemocrático tanto quanto o vandalismo levado a campo.  

FOLHA -- A sua defesa de que a divergência é saudável na democracia se assemelha a falas de Lula desde a vitória, mas o presidente também faz provocações ao outro lado. Como avalia o papel dele?  

FELIPE NUNES -- A escolha do slogan do governo, "União e Reconstrução", e a postura de unidade institucional construída depois do 8 de janeiro me pareceram adequadas para a realidade que vivemos. Mas, no debate público, o nós contra eles sempre foi uma tônica da campanha petista. O que diferencia os lados é que um deles tenta aniquilar, destruir, acabar com o outro. No caso da esquerda, embora a visão seja irreconciliável [com a direita], ela joga dentro das quatro linhas, faz o jogo democrático. Não acho que o governo vá deixar de ser provocativo ou abrir mão de fazer o debate político-ideológico, mas estabelecer que o jogo respeite as regras democráticas é a maior contribuição que ele pode dar neste momento de calcificação.   

CAPITALSOCIAL – Decididamente o cientista político escorregou na maionese do unilateralismo crítico. A resposta caberia perfeitamente, como uma luva, do outro lado do espectro político. Ou seja: quem se utiliza desse argumento de nós contra eles com o viés protetivo se antepondo ao viés provocativo também terá o mesmo destino de estatelamento analítico de Felipe Nunes. A esquerda não precisa de ações radicais supostamente de potencial da direita, conforme afirma o cientista político, porque tem o garfo do controle do Congresso Nacional e o queijo da intimidade com o Supremo Tribunal Federal para não se preocupar com o estado de conservação da bola da democracia, porque sempre fará os gols de que necessitar.    

FOLHA -- O livro aponta o ambiente escolar como um símbolo hoje da calcificação, como a continuação dos embates da arena política. Em que outros espaços esse fenômeno tem acontecido?  

FELIPE NUNES -- No esporte, dentro das famílias e sobretudo no mundo corporativo. No mundo empresarial é onde isso vai ficar cada vez mais impactante, com empresas prejudicadas em termos comerciais e de reputação. O caso Bis evidenciou que o processo de distanciamento não se encerrou em outubro de 2022. A escolha de um influenciador popular como Felipe Neto para a publicidade [do chocolate] passou a ser vista como uma ameaça, dada sua posição política [declarou voto em Lula]. No Brasil pré-calcificação, isso era inimaginável.  

CAPITALSOCIAL -- O ambiente pré-calcificação transposto para tentar explicar o ambiente de calcificação que se vive no Brasil é tão ingênuo como imaginar que o lobo mau deveria ser expelido do conto infantil. Ou seja: vivemos um ambiente político, social, cultural e comportamental que é um somatório, ou multiplicatório (com licença de Odorico Paraguaçu) de um passado remoto e recente que negligenciou a capacidade de reação social de um povo ignorado em larga escala pelos poderosos de plantão nos governos de todos os níveis. Deixar de considerar aspectos econômicos, de mobilidade social, à explicação do que temos hoje, é saltar de um navio no oceano sem o apetrechamento adequado. O caso do influenciador Felipe Neto é emblemático de quem passou o tempo todo desfechando impropérios à direita, depois de proferir declarações duríssimas contra Lula da Silva. Ou seja: se trata de um destrambelhado que o cientista político tenta traduzir como vítima indefesa.   

FOLHA -- Como esse ambiente vai afetar as eleições municipais de 2024?  

FELIPE NUNES -- O ano que vem será de teste para o bolsonarismo, com Bolsonaro fora do poder. Na nossa avaliação, o bolsonarismo se tornou uma identidade e independe do líder para sobreviver. As eleições nas grandes cidades devem sofrer uma influência da disputa calcificada. Já as cidades menores devem ter eleições muito mais sobre problemas de gestão e capacidade das lideranças locais de entregarem resultados e menos movidas por debate ideológico.   

CAPITALSOCIAL – A leitura do cientista social é correta.    

FOLHA -- Sobre a eleição de 2026, o livro afirma que é ingênuo supor uma normalidade política vigorando até lá. Por que já é possível fazer esse prognóstico?  

FELIPE NUNES -- O livro apresenta dados consistentes sobre o padrão de voto no PT e anti-PT. Comparando os pares de eleições [municipais e gerais] desde os anos 1990, a cada ciclo aumenta o grau de correlação dos votos. Independentemente dos candidatos de cada polo, o comportamento do eleitor está mais estável e previsível.   

CAPITALSOCIAL – A declaração do entrevistado só comprova que o processo de separação de corpos político-ideológicos não tem data de origem em 2018, com a disputa presidencial vencida por Jair Bolsonaro. “Desde os anos 1990 a cada ciclo aumenta o grau de correção de votos, à direita e à esquerda”, disse o entrevistado. Como se observa, o transbordamento precisava apenas de um empurrão e esse empurrão tem nome e sobrenome – Jair Bolsonaro. Com todos as virtudes e defeitos, mas visceralmente o antagonista de Lula da Silva, até então o único político arrebatador do eleitorado nacional.   

FOLHA -- Existe um risco de, no limite, o Brasil ter uma guerra civil?  

FELIPE NUNES -- Não, não é para tanto, mas é um processo contínuo e gradual. Há mais pessoas que prefeririam sair do país ou que reprovariam o casamento de um filho com alguém do campo político oposto.   

CAPITALSOCIAL -- A possibilidade de uma guerra civil no Brasil não seria necessariamente o desfecho do ambiente de escaramuças e excessos que está aí. A guerra civil no Brasil está circunscrita às práticas do crime organizado. Mas é uma guerra silenciosa, que se esgota em nichos habitacionais onde o Estado é ainda mais compulsivamente um convite a transgressões.   

FOLHA -- O livro traz a avaliação de que a convivência entre diferentes é o principal desafio dos próximos anos. Que saídas o sr. propõe?  

FELIPE NUNES -- O desafio é caminhar para o fortalecimento das instituições representativas, para tentar fazer com que a disputa volte para o campo da política. Viver dessa maneira foi uma escolha coletiva, e a solução para reconstruir essas pontes também terá que ser coletiva. Os dois grupos vão ter que topar o desafio de baixar as armas ao mesmo tempo e tentar viver de uma maneira menos individualizada.  

CAPITALSOCIAL -- Sem uma atuação incisiva do Estado em várias frentes, a tendência inesgotável é de que o Brasil seguirá sendo um dos lugares mais problemáticos do mundo para a prática de democracia na plenitude da civilização moderna, o que significa muito mais que se dirigir a urnas eletrônicas criticadas até por ministros do Supremo quando interessava aos ministros do Supremo chamar a atenção para o risco de substituir o processo manual antiquado e inconfiável pela modernidade tecnológica fanatizada. 

UMA LEITURA CUIDADOSA

Exatamente 14 dias depois, voltei ao assunto em novo artigo. Em 22 de dezembro, sob  o título “Biografia do Abismo exige leitura muito cuidadosa”, procurei, fora do esquadro da entrevista virtual, examinar mais detalhadamente aquela obra. Vejam o resultado:  

Pretendia produzir um texto mais detalhista. É isso que merece o livro “Biografia do Abismo”, de Felipe Nunes e Thomas Traumann. Expandiria intervenções que fiz recentemente, diante de publicação de uma entrevista da Folha de S. Paulo com um dos autores, o primeiro citado acima. Vou ficar devendo.  

Quando voltar em janeiro, porque devo estar de plantão apenas até hoje, talvez volte ao assunto.  Não é certo que isso aconteça diante do que escreverei agora. Mas como sou escravo confesso de detalhes que procuram explicar posicionamentos, talvez volte ao assunto.  

Isso não significa que, além do que opus como invasor da entrevista da Folha, não possa dar algumas pinceladas hoje, abaixo da linha do Equador de simples enunciados. Há comichão de ombudsman por natureza e inconformismo. Quando isso é acionado, a impaciência assume o posto de comando. Não dá para segurar.  Até porque o efeito terapêutico-desopilador não atendido se transforma em inquietação psíquica.  

CONTRAPONTO ESSENCIAL  

Biografia do Abismo teve como contraponto uma provocação mais que justa. Minha réplica preliminar em forma de “Biografia da Redenção”, um dos textos mais lidos deste dezembro, é uma reunião de enunciados aparentemente contraditórios, mas de fato, esclarecedores. Poderia ser também “Biografia da Indignação”.  

O fato é que Biografia do Abismo é um sofisma. Já vem deformado. Faz louvação a um antigo Flamengo versus Madureira, de aconchegos e malandragens de parceiros de longa jornada supostamente democrática.  Não preciso dizer que o Madureira metafórico era a população brasileira. E que Fla-Flu atual é, com todos os defeitos, uma atmosfera em que a rebeldia vale mais que o anestesiamento.  Os autores preferem condenar o Fla-Flu sob um prisma insustentável, de que estaríamos melhor antes do que agora.   

Os beneficiários do antigo regime falsamente democrático lamentam o Fla-Flu que tanto condenam porque preferem a estratégia de vitimização. No fundo seguem a se beneficiar da resiliente e longeva estrutura de poder. Não toleram embates que os retirariam do pedestal de comodismo. 

VIESES DOUTRINÁRIOS  

Biografia do Abismo tem, portanto, ingredientes que, quando expostos, recomendariam aos leitores algo como aqueles alertas que saltam às primeiras imagens de produções cinematográficas. 

O conteúdo de Biografia do Abismo não reserva objeção a qualquer faixa etária, mas não é recomendado a quem é criterioso com condições econômicas básicas.  

Os analfabetos econômicos não se sentirão frustrados. Temos um caso específico de alienação atávica, típica de cientistas políticos que mal sabem o que significa PIB e, mais que isso, o quanto a Economia influi no comportamento humano em qualquer pedaço do universo. Principalmente quando se descobrem tantas falcatruas. As mesmas falcatruas com dinheiro público, principalmente, que os autores de Biografia do Abismo praticamente ignoram. Só faltaram execrar a Operação Lava Jato, tomando-se como base crítica os desvios do Ministério Público e do Judiciário, desprezando-se a massa demolidora de provas e testemunhos.  

POLARIZAÇÃO UNIDIRECIONADA  

Também a leitura de Biografia do Abismo é um vigoroso estimulante à descoberta do quanto se subestimam o contraditório dos minimamente versados em ideologias. Esse é um componente fortíssimo no conjunto de páginas. Somente cegos ideológicos acreditam-se intérpretes exclusivos de saberes humanos.  

Indo mais diretamente aos ponto: são vastos e complexos os quesitos que serviriam à sugestão de que há potencialidade de a leitura causar danos de arrependimentos.  

Comprei “Biografia do Abismo” assim que li a entrevista da Folha de S. Paulo. Consumi o produto em 48 horas intercaladas. O que me chamou atenção particular foi a possibilidade de enveredar por pesquisas de opinião pública, uma de minhas taras. E, é claro, a polarização entre Lulistas e Bolsonaristas.  

Sabia exatamente o que poderia encontrar. Conheço os dois autores o suficiente para instalá-los entre a maioria dos jornalistas e acadêmicos de esquerda. Estava, portanto, preparadíssimo para a leitura-embate.  

CONFLITOS BÉLICOS  

Aprendi na vida profissional que não há sentido algum em, como leitor voraz que sou, buscar apenas fortalecer minhas convicções de liberalismo com responsabilidade social tendo como premissa devorar publicações de autores igualmente liberais e eventualmente com sensibilidade social.  

O senso crítico que acionei à leitura do livro aplico diariamente a colunistas dos jornais brasileiros. Faço deles todos um sarapatel de degustação prazerosa. Não importa a coloração ideológica que entregam a cada parágrafo. Mas não arredo pé de desconfiar de tudo. A ideologia congela a mente dos que a expõem, mas não pode congelar a mente de quem a consome.  

A vida só tem graça quando confrontos bélicos de conhecimento sobrevivem à insensatez. Conflitos bélicos de conhecimento quer dizer que se trata mesmo de armar-se para uma guerra psicológica que coloca dois pontos diametralmente opostos na arena de mensuração e iminente sedução. É assim que se dá o que seria a explicação para a Biografia do Abismo. A narrativa se confunde com prestidigitação.  

O que li e li bem lido é que os autores reforçaram o tempo todo o embate direita versus esquerda. Carregaram as cores a favor do outro lado do lado que signifique o lado da esquerda. Ótimo que tenha sido assim.  

Minha leitura se tornou ainda mais viva, mais previsivelmente contestatória, mais enriquecida de elementos diversos com aquilo que professo com o pragmatismo desprovido de fundamentalismo.  

Um dos conselhos ou orientação que sempre transmiti a meus filhos também consumidores das mesmas cores esportivas que adotei desde criancinha é que não caiam na esparrela do unidirecionamento de avaliações típicas do extremismo esportivo que se reproduz em vários áreas humanas.  

LINGUAGEM DISCRIMINATÓRIA  

Aliás, por falar em “extremismo”, eis um verbete que, entre tantos, quando levado a cabo no campo político, entrega a identidade ideológica do usuário.  

Entender que a derrota do time pelo qual a gente torce se deve exclusivamente ou majoritariamente aos equívocos de nosso time é reducionismo que sempre gera equívocos. O instinto de autoproteção sempre fala mais alto.  

Biografia do Abismo trata disso, mas o faz pendendo sempre subjetivamente para um dos lados do espectro ideológico. Uma contradição que interfere na própria concepção da obra. Não haveria calcificação, termo utilizado na entrevista de um dos autores, e também na obra, caso houvesse verso e reverso ideológico.  

O princípio de que há sempre duas equipes correndo atrás do sucesso e que reações e contrarreações técnicas, táticas, emocionais e mesmo ambientais pesam no conjunto da obra do resultado final pode não ser agradável a quem enxerga o jogo pelo buraco de fechadura da idolatria.  

LEITURA INDISPENSÁVEL  

É com essa perspectiva, a perspectiva do confronto de ideias, que o livro Biografia do Abismo deve ser levado às férias em qualquer canto do planeta. Talvez o faça se dispuser de tempo a uma repassada geral, observando-se os códigos de anotação com que transformo cada livro em algo indecifrável aos leigos. Tenho minhas manias de intervir com canetas fosforescentes e sinais gráficos para construir uma espécie de edição particular à conexão, compreensão e produtividade do que metabolizo.  

Sei que o leitor quer uma espécie de breve manual de recomendações sobre Biografia do Abismo. Não posso descartar a medida.  

Precisaria de mais tempo para algo mais bem elaborado. Os festejos de fim de ano quebram a rotina de quem vive há quase três anos enclausurado em casa. Isso mesmo: saí apenas quatro vezes nesse período, todos me ocupando de eventos.  

Vamos então a alguns pontos que, ao invés de desestimular a leitura de Biografia do Abismo, deveria intensificar o desejo de compra e consumo – com a vantagem de que o leitor destas linhas teria um mapa crítico já elaborado e, portanto, sujeito, esse mesmo mapa, à intensificação de um escrutínio mais agudo, porque previamente desvendado. O livro Biografia do Abismo tem as seguintes características básicas, resultado de uma curadoria apressada, mas segura:  

 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL 

Temos um texto monótono que parece extraído da Inteligência Artificial. Segue-se uma toada típica de coração de atleta, sem grandes oscilações. É pragmático no sentido de não ter vaidade estilística. A autoria típica de uma máquina poderia gerar a ideia de que a restrição crítica tem vínculos com eventual ojeriza a modernidades. Não é o caso. Prefiro mesmo autores comoventes, devastadores, inquietos, profundos, acrobáticos mas, ao mesmo tempo, simples, objetivos, instigantes. Prevalece na obra o academicismo transparente, objetivo, e, por assim dizer, Alckminiano.   

 GLORIFICAÇÃO JURÍDICA 

Prevalece uma maldisfarçada glorificação irrestrita e covarde do Judiciário brasileiro, sabidamente uma ducha de água fria em tudo que se espera de uma democracia harmônica entre os três poderes. Há pouquíssimas menções ao Supremo Tribunal Federal e quando o faz não se aprofunda. Mais que isso: foge como o diabo da cruz como fomentadora do ambiente beligerante da política e da sociedade. Um dos autores, especialista em pesquisa, jamais poderia deixar de introduzir um capítulo sobre as pendengas do Judiciário nesse período de “Biografia do Abismo”. Se o fizesse, escalaria dois valores monumentais:  o Supremo está no centro do furacão de uma esbórnia midiática generalizada e a reprovação a essa mesma instituição ultrapassa o conceito de Fla-Flu lamentado pelos autores ao se encaixar em algo muito mais condenável, segundo a mesma ótica dos autores. Ativismo seria o primeiro de muitos adjetivos a definir o quadro.  

 DADOS EM CONFLITO 

Conta a obra com dados contraditórios que nocauteiam o próprio enunciado expresso na capa. Biografia do Abismo trata do que os autores chamam de calcificação do ambiente nacional, que divide famílias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil. Entretanto, o livro não reproduz estatisticamente o que tanto enfatiza. Uma determinada ponte numérica seria a comprovação de que o País está dividido entre Lulistas e Bolsonaristas, quando de fato, tecnicamente, os dados são contestáveis. Ou seja: quem não tem dúvidas de que o título do livro expressa a realidade social no País, como acredito, é surpreendido com números impressos no livro. A banda estatística que aproxima os dois lados como síntese do estágio de separatismo social não toca na proporção imaginada. Menos de um terço estaria em posição de antagonismo visceral.  

 ORIGEM E CAUSA 

Parece bobagem, mas a equação que coloca a disputa eleitoral do ano passado e as pesquisas mencionadas como prova provada de que temos sim um processo de calcificação política no País, ou seja, de separação implacável entre Lulistas e Bolsonaristas, não é exatamente a conclusão-síntese mais adequada. Os autores perderam a mão e com isso levaram para o título da obra uma troca entre origem e consequência. Traduzindo: a polarização política e comportamental no Brasil não é consequência do fenômeno eleitoral recente, mas justamente o inverso: as divisões da sociedade entre direita e esquerda, latentes neste século, principalmente a partir das manifestações de 2013, são a estrutura dorsal dos resultados eleitorais, não o inverso. Os autores poderiam ter lançado o livro quatro anos antes. O encaixe temporal seria o mais adequado, porque não se trata de um fato novo ou relativamente novo, mesmo quando se volta no tempo e se registra o resultado das eleições presidenciais de 2018.  Por isso e também por conta disso, ao contrário do que os incautos imaginam, o fervilhar da direita não é um fenômeno passageiro, como recentemente a Folha de S. Paulo confessou em editorial ter-se iludido com isso. O que se tem é a cristalização de uma sociedade em boa parte conservadora que, já inconformada com a classe política e o Estado malversador, decidiu ir adiante nas urnas, imantada por um fenômeno popular chamado Jair Bolsonaro. Como o fora, anteriormente, outro fenômeno popular, Lula da Silva, ao revolucionar o campo de pobres e miseráveis com o Bolso Família. Portanto, não são as urnas eleitorais recentes fontes calcificadoras do ambiente nacional, mas consequência de movimentações muito anteriores. A sociedade expressa a calcificação nas urnas eleitorais. Não se pode confundir origem e destino.  

 ESTADO MALVERSADOR 

Por serem produtores de diagnósticos e constatações de cunho social desconectados de realidades mais abrangentes, os autores não deram a devida atenção aos estragos que o Estado brasileiro provoca há muitas décadas. Ignorar o peso de instâncias públicas controladas em larga margem por administradores corruptos é algo como esquecer no vestiário a bola de um jogo de futebol. Não tem sentido. Mas os chamados cientistas políticos vinculados a causas e não integralmente também às motivações que fermentam o tecido de desigualdade econômica e suas consequências gravíssimas são assim mesmo. Eles não observam o óbvio. Não custa lembrar alguns dados atuais, abordados ainda recentemente por dois professores da Fundação Getúlio Vargas – Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso.  Após a redemocratização, o Estado decidiu implantar um amplo programa de assistência social envolvendo entre outros, a saúde universal via SUS, a aposentadoria rural precoce (praticamente) não contributiva (9,5 milhões de beneficiados), o Benefício de Prestação Continuada (totalmente) não contributivo (4,7 milhões), e o Bolsa Família (21,3 milhões). Em 2008, criou-se o MEI cuja contribuição simbólica para o INSS é de apenas 5% do salário mínimo (13,2 milhões de participantes), mas assegurará um salário mínimo de aposentadoria a seus aderentes. Segundo os autores do estudo, o custeio desses programas se fez via aumento da carga tributária federal, que passou de 15% do PIB em 1991 para 20% em 2000, chegou a atingir 23% em 2007 à véspera da crise do subprime, tendo-se estabilizado em 20%. As principais fontes são a alta contribuição patronal sobre a folha salarial, que estimula a informalidade do trabalho, a elevada tributação sobre lucros de empresas, que desestimula investimentos, além de outros pesados impostos federais (PIS, Cofins e IPI) que encarecem o custo de vida de toda a população. Governos estaduais e municipais também avançaram sobre os bolsos dos contribuintes.  

 ENVIESAMENTO IDEOLÓGICO 

Os autores pretendem o tempo todo, sempre que uma brecha semântica ou não se apresenta, tornar o movimento de direita conservadora uma página denunciatória à criminalização de instâncias legais ou de forma subliminar à conscientização dos consumidores da obra. Há uma profusão de expressões típicas do esquerdismo desclassificatório ou redutoras de barreiras de contenção às características do outro lado do campo ideológico. Há em contraposição à intolerância sempre patenteada como fonte de pecados da direita, o outro lado da recíproca verdadeira mas negada, quando não disfarçada, de mitigação da responsabilidade da esquerda. Há, portanto, prévias definições sobre vítimas e criminosos no ambiente político a contaminar as relações sociais. Como se sabe, não há santo em nenhum dos templos políticos.  

 PARAISO TROPICAL 

O livro também comete o pecado capital de subestimar uma equação que centraliza e torna fértil a mobilização da sociedade. A saída do armário da sociedade então negligente, quando não omissa, ao reagir aos imperialistas que dominavam o cenário político e institucional do País, foi totalmente ignorada – ou jamais esteve à altura editorial de um contexto solidamente reativo. O movimento ganhou subliminarmente o rótulo de crime coletivo de uma parte da população à direita. Ou o título da obra (Biografia do Abismo) não deixa essa mensagem mais que evidenciada? O Estado corrupto que gerou operações policiais espetaculares de contenção de roubalheiras que capturaram instâncias supostamente democráticas do País está na raiz da calcificação apregoada, mas erroneamente diagnosticada. É uma pena que uma versão digital do livro não esteja disponível. Com o uso da tecnologia seria possível localizar em instantes tanto a quantidade como a qualidade de trechos relativos à podridão institucional do País como massa crítica à insurreição levada às urnas. Os autores passam a certeza de que a versão atual de Fla-Flu é um risco imensurável a atingir um paraíso chamado Brasil. Ou seja: que a situação de beligerância social seria um despropósito ante o patamar de sucesso do modelo político e econômico que faz do País um recorrente ocupante dos melhores postos em diferentes rankings internacionais.  

UMA OUTRA BIOGRAFIA  

Lamento que não possa utilizar mais detalhadamente os insumos do próprio livro como contra-argumento aos enunciados explorados meticulosamente. O que temo em Biografia do Abismo é exatamente o que se esperava: a festa de lançamento contemplou aplausos de uma parte de representantes de uma sociedade dividida politicamente com ramificações deletérias no ambiente nacional. Quando a lista de convidados é compulsoriamente direcionada a um espectro da sociedade, ou mais propriamente de parte dos mandachuvas e mandachuvinhas de determinado espectro político-ideológico, o que temos é a confirmação de uma obra tutelada pela agenda retroalimentadora de um enviesado estágio de iniquidades.  

Como escrevi no texto anterior, na condição de penetra confesso da entrevista de Felipe Nunes à Folha, em contraponto à exploração metafórica e incriminadora de que o País vive um ambiente político de Fla-Flu de extrema nocividade social, de fato saímos de um confronto entre um time grande e um pequeno (Um Flamengo versus Madureira) de uma falsa democracia que contava com Lulistas e Tucanos a dividir galhardamente os confrontos amistosos para controlar o País. Até que o Mensalão e em seguida o Petrolão botaram tudo em pratos limpos por determinado período. A versão Biografia da Redenção é muito mais apropriada. O tratado discreto entre opositores de araque perdeu espaço para a barulheira às vezes um pouco acima do tom de confrontos que derrubaram as cínicas barreiras de contenção de um Estado vilipendiado em nome de suposta harmonia entre poderosos podres poderes. 


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