Nesta terceira janela aberta exclusivamente para tratar da cidade mais vermelha do País, reproduzo três capítulos de minissérie que preparei no último trimestre de 2022 – exatamente 40 anos depois da vitória do metalúrgico Gilson Menezes, primeiro prefeito petista do País. E o resultado mostra o quanto a realidade é insatisfatória para quem imaginava que o PT aplicaria métodos e ações que pudessem servir de modelo a qualquer corte e recorte em gestão pública de valor coletivo amplo.
Do ponto de vista social e econômico, a realidade posta com provas contundentes é que Diadema é um fracasso. É impossível tentar agradar a plateia com qualquer avaliação paliativa. Selecionei três dos capítulos que mais de perto definem tanto o Desenvolvimento Econômico como o Desenvolvimento Social de Diadema.
É verdade que o contexto do Grande ABC, principalmente neste século, é uma corrente de desfalques na riqueza gerada e consolidada principalmente até os anos 1990. O novo século trouxe uma tempestade de mudanças. Melhor dizendo: os anos 1990 provocaram um estrondo na economia do Grande ABC seguido, no novo século, de agravamento da enfermidade chamada desindustrialização que atacou diretamente a mobilidade social. O Grande ABC é uma associação de derrocada econômica e fragmentação social.
TIROTEIO GENERALIZADO
Em meio ao tiroteio generalizado de salve-se-quem-puder, Diadema é um caso peculiar e especial. Os três capítulos escolhidos daquela minissérie são esclarecedores. E tudo isso, como nas abordagens anteriores, e também nas próximas desta série, com novos temários, foi solenemente ignorado pela Barcaça da Catequese e a alta rotatividade na Redação.
O Diário do Grande ABC está no Grande ABC mas desconhece o que ocorre no Grande ABC se o Grande ABC for observado como expressão de regionalidade. O Diário do Grande ABC carrega o paradoxo de evocar regionalidade com trajetória editorial dominadoramente municipalista. Nada surpreendente porque já consolidado inclusive com provas documentais nos capítulos anteriores.
Nas páginas da revista de papel LivreMercado e digitais de CapitalSocial acompanhamos há décadas a movimentação das pedras do Grande ABC em diferentes áreas. Acompanhem os três capítulos mencionados, publicados nas edições de 27 de outubro, 7 de novembro e 15 de dezembro de 2022 na revista digital CapitalSocial.
Entenda o fracasso de 40
anos do PT em Diadema
DANIEL LIMA -- 27/10/2022
O modelo socialista que o PT e outros partidos de esquerda aplicaram na gestão da Prefeitura de Diadema nos últimos 40 anos (com breve interrupção cronológica, mas não efetivamente programática durante dois mandatos do conservador Lauro Michels) se mostrou retumbante fracasso no campo socioeconômico. A vaca da mobilidade social foi para o brejo do desencanto. Um dos 20 Maiores Municípios do Estado de São Paulo, e integrante do G-22 coordenado por CapitalSocial, Diadema apresenta a menor proporção de Classe Rica e de Classe Média Tradicional no ranking de riqueza acumulada, o PIB de Consumo. E os Pobres e Miseráveis são abundantes.
A melhor tradução técnica para aferir o significado da constatação que se verifica no G-22 quando se coloca à mesa a proporção de classes sociais no conjunto da população (ricos, classe média, Classe C, pobres/ miseráveis) é o conceito de mobilidade social.
MOBILIDADE SOCIAL
Diadema de quase 500 mil habitantes tem baixíssima mobilidade social. Pobres e miseráveis têm maiores dificuldades para virarem Classe C, a Classe C pena um bocado para virar Classe Média Tradicional e os Ricos são minoria expressiva.
Na reportagem/análise que produzi para o Grupo Estadão em 1986, quando fiz profunda anatomia de 40 meses da primeira gestão de um prefeito petista no Brasil, no caso Gilson Menezes, descortinou-se entre os entrevistados a premissa de que a Classe Média e a Classe Rica se afastariam de Diadema.
Essa é uma das pautas da revisita às entranhas de Diadema neste começo de terceira década de novo século. Quarenta anos se passaram como um foguete e precisam ser resgatados não com o sabor do que se foi, mas do que se plantou e se colheu.
MUITAS DERROTAS
Os dados selecionados para essa abordagem são oficiais, de órgãos do governo federal, e fazem parte do portfólio de uma empresa que mais entende de distribuição da riqueza municipal, estadual e nacional. A Consultoria IPC, que anualmente produz o mais vasto estudo sobre potencial de consumo, espécie de PIB do Consumo. Diadema vai de mal a pior nesse indicador porque também vai mal em outros indicadores. Todos serão pauta nessa série.
No ambiente estritamente regional, que considera dados dos sete municípios do Grande ABC, Diadema só supera a pequena e pobre Rio Grande da Serra quando se confrontam as massas de Classe Rica e Classe Média Tradicional.
ESTRATOS SOCIAIS
Como um todo, o Grande ABC conta com 3,7% de Classe Rica e 27,0% de famílias de Classe Média Tradicional num total de 967.933 residências. Em números absolutos são 35.974 Ricos e 261.784 de Classe Média Tradicional. Um total, portanto, de 297.758 residências. Em Diadema a proporção de Ricos e de Classe Média em relação ao conjunto da população é de 1,8% e de 20,7%. Ou seja: no conjunto formado por Ricos e Classe Média Tradicional, Diadema soma participação relativa de 22,5% de famílias. A média do Grande ABC, incluindo-se Diadema, é de 30,7%. Sem Diadema chega a 40%.
MAIS CONSUMO
A distribuição de riqueza acumulada em Diadema nesta temporada chegaria próxima ao sonho de socialistas regressivos. Enquanto o Grande ABC como um todo (inclusive Diadema) apresenta quadro de distribuição que coloca Ricos e Classe Média com 58,9% no total de consumo geral de R$ 98.886.814 bilhões nesta temporada, em Diadema são bem menos os afortunados dos principais patamares de mobilidade social: 48,3%.
No conceito tradicional e deformador que despreza alternativas, a conclusão de acadêmicos se dirigiria à lógica de que Diadema é menos desigual que outros municípios da região e que, portanto, é um modelo que converge ao acerto de gestão pública. A Diadema Vermelha conta com distância mais restrita de riqueza acumulada nas duas extremidades sociais. Portanto, é menos desigual.
Será que essa interpretação rígida e de viés socialista mais avermelhado não se trataria de estupidez? Teria sustentação o argumento que embasa a teoria de que a aproximação de consumo (portanto, de estoque de riqueza) entre a extremidade menos distante da média de renda do Primeiro Mundo e a classe dos excluídos, pobres e miseráveis, é um sucesso a ser replicado?
Como se observa, a rigidez interpretativa e filosófica de que a desigualdade social é uma praga de face única não pode ser tão rigidamente esgrimida. Na média do Grande ABC, o fosso que separa o consumo anual desta temporada envolvendo Ricos e Classe Média ante Pobres e Miseráveis é de 9,6 pontos percentuais.
As duas classes do alto, formada por 297.758 residências, tem potencial de consumo de R$ 15.757.653 bilhões, ante R$ 6.305.348 bilhões do total de 670.175 mil Pobres e Miseráveis. Os demais valores seriam consumidos pela Classe C, com participação relativa de 34,7% no bolo.
CONTRADIÇÃO
Há evidente contradição no conceito de desigualdade social que, em resumo, pretende chegar ao paraíso de aproximar Ricos e Classe Média de Pobres e Miseráveis. Enquanto Diadema é um exemplo de baixíssima mobilidade social, superando apenas Rio Grande da Serra, São Caetano, de dados relativos mais contrastantes, é o sonho dourado de qualidade de vida.
Detentora regional de maior proporção de Ricos e de Classe Média em relação ao total de domicílios (7,1% ante média regional de 3,7% e de apenas 1,8% de Diadema), a distância no critério de potencial de consumo entre as faixas mais elevadas de recursos financeiros e os Pobres e Miseráveis que envolve São Caetano é de 14,5 pontos proporcionais.
Do total do PIB de Consumo de São Caetano desta temporada, a Classe Rica, somente a Classe Rica, ficará com 18,0%, ou R$ 1.444.782 bilhão de um total geral de R$ 8.059.469 bilhões. Já os Pobres e Miseráveis (11,5% das residências) ficarão com R$ 284.318.155 milhões, correspondente a 3,5% do valor total.
MÉDIAS DISTINTAS
Não custa confrontar mais uma vez a diferença entre os dois segmentos socioeconômicos na líder regional São Caetano e na quase lanterninha Diadema: os Ricos de São Caetano (7,1% do total de famílias) ficam com 18,0% do total de consumo, enquanto os Ricos de Diadema 1,8% das famílias) consomem 11,8%. E os Pobres e Miseráveis de São Caetano (11,5% das residências) ficam com 3,5% do consumo, enquanto em Diadema essas duas classes sociais coligadas somam 24,1% das residências e consome 10,6%.
Quando se trata de média do PIB de Consumo por habitante, métrica que identifica o conjunto da obra de cada Município, São Caetano registra neste ano R$ 49.287,06 mil, enquanto Diadema não passa de R$ 26.830,36 mil. Definitivamente, o capitalismo privado no cabresto político de socialismo avermelhado de Diadema, resultado de uma multiplicidade de fatores embalados por uma visão discricionária da sociedade, não resiste ao que poderia ser chamado de modelo de capitalismo social.
Entenda o fracasso de 40
anos do PT em Diadema
DANIEL LIMA -- 07/11/2022
Selecionei um dos 20 maiores municípios do Estado de São Paulo, integrante do G-22, para estabelecer algumas comparações de desempenho socioeconômico com a Diadema Avermelhada que o PT e partidos congêneres construíram nas últimas quatro décadas. Diadema também está no G-22. Nesse período, houve intervalo estruturalmente irrelevante de comando municipal por um administrador (Lauro Michels) conservador.
Nada que alterasse o rumo da história. O Estado Socialista de Diadema não foi abalado por um intruso de curta duração.
O fracasso do PT em Diadema é seguramente o que chamaria de retrato-padrão da dificuldade de uma agremiação partidária dar vazão à combinação de duas porções essenciais de uma sociedade: a gestão pública propriamente dita e a gestão econômica.
Decidi escolher Jundiaí, vizinha da Grande São Paulo, como concorrente de Diadema. Poderia ter escolhido qualquer uma das demais cidades do G-22, para colocar frente a frente alguns indicadores econômicos. Somente Mauá e Guarulhos rivalizariam com Diadema.
EMPREENDEDORISMO
Jundiaí tem praticamente a mesma população de Diadema (432 mil habitantes). A realidade deste 2022 é amplamente favorável àquele Município do Estado de São Paulo que jamais foi administrado pelo PT.
O que diferencia flagrantemente um endereço do outro é que Jundiaí espalha conceitos de empreendedorismo privado em seu território. Em Diadema, ao longo da história, os empresários sempre foram maltratados ou tratados com indiferença. O viés socialista se ramificou tanto que nem mesmo a Rodovia dos Imigrantes e a Via Anchieta, potenciais ferramentas de industrialização, são levadas em conta. Diadema é um nó logístico interno.
O confronto entre Diadema e Jundiai coloca em choque o conceito de igualitarismo e desigualdade.
QUEM GANHA?
O que se pergunta é, afinal, qual é o endereço potencialmente de maior qualidade de vida, se o primeiro, Diadema, onde a distância entre famílias de Classe Rica e famílias de Pobres e Excluídos é estreita.
Em Diadema, há 7,47% de famílias de Classe Rica em relação à Classe dos Excluídos. O restante é de Classe Média Tradicional e de Classe C. São 2.606 famílias ricas ante 45.705 de Excluídos. Respectivamente, 1,8% e 24,10%.
Em Jundiaí,, há muito mais famílias de Classe Rica em relação à Classe dos Excluídos que também é menos densa. São 5,5% (8.038) ante 13,6% (19.895).
CONSUMO DESIGUAL
Sempre considerando como ponto à reflexão, Jundiaí e Diadema são municípios gêmeos demograficamente. Somente nesse ponto são iguais. No PIB de Consumo (também conhecido como Potencial de Consumo), uma especialidade da Consultoria IPC, as diferenças se agigantam.
Em Jundiaí, o PIB de Consumo por habitante ( ou seja, o que poderia ser transformado em consumo nesta temporada) é de R$ 37.676,28 mil, enquanto em Diadema não passa de R$ 26.830,36 mil. Diadema só supera Guarulhos entre os maiores 20 municípios do Estado.
PARTICIPAÇÃO
Enquanto a população de Jundiaí tem para gastar este ano R$ 16.229.509 bilhões, em Diadema o montante chega a R$ 11.596.702 bilhões. Ou seja: a participação relativa de Diadema corresponde a 71,45% de Jundiaí.
Se o conceito de PIB de Consumo é definido claramente como a capacidade de gastos da população, o conceito de PIB Convencional é traduzido como capacidade de geração de riqueza que nem sempre fica no mesmo Município.
A diferença entre os dois municípios também está estabelecida. O PIB per capita de Diadema é de 36.097,90, enquanto em Jundiai chega a R$ 112.068,21. Quase três vezes mais.
VÁRIAS VEZES MAIOR
A trajetória dos dois municípios neste século, tendo como base de dados o ano de 1999 e a chegada em 2019, a mais atualizada, Jundiaí registra crescimento nominal (sem considerar a inflação do período) de 971,37%. Diadema não passou de 224,78%.
Em 1999, enquanto o PIB per capita de Diadema registrava (em valores nominais) R$ 11.114,45 mil, Jundiaí apontava um pouco mais – R$ 14.408,47 mil. Uma diferença de 22,86% a favor da cidade do Interior. Já em 2019, o PIB per capital de Jundiaí apontava para R$ 112.068,21 mil, enquanto Diadema registrava R$ 36.097,90 mil. Ou seja: o PIB per capita de Diadema corresponde a apenas 32,21% do PIB per capita de Jundiaí.
DISTÂNCIA CRÔNICA
Sob qualquer aspecto econômico, as demograficamente gêmeas Diadema e Jundiaí oferecem cardápio de distanciamento crônico e resistente. E quem sempre vence é Jundiaí.
O total de empresas em Diadema ao final de 2021 chegava a 39.651 unidades. Em Jundiaí são 62.640. Nada menos que 57,97% superior em Jundiaí.
Nem se pode atribuir à velocidade do relógio do crescimento demográfico a separação desenvolvimentista dos dois municípios.
FATOR DEMOGRÁFICO
A taxa anual de crescimento da população é menor em Diadema (0,62%) do que em Jundiaí (0,89%).
E essa velocidade comparativa não é algo de avaliação de poucas temporadas anuais. Vem de longe.
Em 1999, Diadema contava com 77.130 residências, ante 86.404 de Jundiaí. Agora em 2022 são 144.253 residências em Diadema ante 146.147 em Jundiaí.
OUTRO CONCORRENTE
Talvez não faltem tentativas de desconsiderar o confronto entre Diadema e Jundiaí porque o adversário da cidade mais vermelha do Grande ABC estaria fora do foco metropolitano.
É uma desculpa relativamente esfarrapada quando se considera que o PT e congêneres desperdiçaram formulação de modelo reformista nos municípios brasileiros. Tempo não faltou para tanto.
Mas, considerando-se como legítima a argumentação, não custa buscar um exemplo no interior da maior metrópole da Grande São Paulo. Mogi das Cruzes também tem semelhanças demográficas com Diadema (são 460.293 moradores) que ocupam 142.419 residências.
NOVA DERROTA
A distância que separa famílias da Classe Rica e os Excluídos é de 18,6 pontos percentuais. São 3,3% de famílias ricas e 21,9% de famílias de pobres e excluídos. Há 15,07% famílias de Classe Rica em Mogi das Cruzes quando contrapostas a famílias de excluídos. Portanto, sob o conceito de desigualdade social convencional, Mogi das Cruzes ocupa degrau inferior em relação a Diadema. Ou seja: Diadema seria melhor que Mogi das Cruzes.
Mas quando se verifica o PIB de Consumo, Mogi das Cruzes supera Diadema. São R$ 31.295,36 mil por habitante, contra pouco mais de R$ 26 mil de Diadema.
MAIS NEGÓCIOS
O empreendedorismo em Mogi das Cruzes também é superior ao de Diadema. Há em estoque cadastral 54.118 negócios. Diadema, como se viu, não chega a 40 mil.
O fato incontestável é que o dinamismo econômico necessário para Diadema dar um salto de qualidade geral em políticas públicas tornou-se heresia. Não existe cultura empreendedora no Município mais vermelho da região.
Na média estadual, os dados de Diadema são semelhantemente ruins. A média do PIB de Consumo por habitante de todos os municípios paulistas alcança R$ 33.356.44 mil. Quase R$ 7 mil superior ao de Diadema. O PIB Convencional também é maior no Estado de São Paulo na média de todos os municípios: R$ 51.140,82 mil.
MAIS EXCLUÍDOS
Há proporcionalmente mais pobres e miseráveis em Diadema do que na média estadual: 21,4% do Estado estão nesse recorte, enquanto em Diadema são 24,1%.
Diadema só supera e mesmo assim de raspão a média de PIB de Consumo quando o concorrente é a média brasileira, que registra R$ 26.262,62 mil por habitante. Como se vê, apenas levemente inferior aos R$ 26.830,36 de Diadema. Mas nem mesmo essa vantagem é confortável, porque vai-se dissolvendo a cada temporada.
Em 1999, o PIB de Consumo per capita de Diadema era em valores originais R$ 4.590,43, enquanto a média brasileira chegava a R$ 3.491,41. Ou seja: a distância favorável a Diadema de 23,94% caiu para 2,12%.
Quem consegue a proeza de perder para o ritmo da média brasileira em duas décadas não oferece futuro encorajador. Diadema parece destinada a seguir patinando economicamente, com graves problemas sociais.
Entenda o fracasso de 40
anos do PT em Diadema
DANIEL LIMA -- 15/12/2022
Diadema será sempre um endereço sem futuro econômico e um eterno redemoinho social se não conseguir dar o drible da vaca em duas catástrofes contratadas nos últimos 40 anos, ou seja, desde que Gilson Menezes se tornou o primeiro prefeito petista no Brasil.
Há bombas gêmeas que tornam Diadema um endereço a ser evitado se o referencial for o futuro que combine desenvolvimento econômico e responsabilidade fiscal. Tanto numa coisa quanto na outra Diadema fracassou com a modelagem estatista do PT no poder.
Isso precisa ser dito e redito para que se faça uma guinada em busca de soluções cada vez mais inviáveis ante a combinação de menos Desenvolvimento Econômico e mais exclusão social.
DESAFIO DEMAIS
A cidade mais socialista do Grande ABC e do Brasil quando se considera endereços com mais de 100 mil habitantes é um desafio de gestão pública que possivelmente jamais será superado. A proporção de despesas com funcionalismo público em confronto com a receita total de Diadema é extraordinariamente dinamitadora de esperança de mudança estrutural.
Não há registro nacional no âmbito municipal tão catastrófico. Metade de tudo que Diadema amealha em forma de tributos de todas as categorias, diretas e indiretas, vai direto para o pagamento de obrigações com o funcionalismo público municipal. A proporção está completamente fora da curva.
SEM CONCORRÊNCIA
Na mesma métrica, nos municípios do Grande ABC, Santo André é o exemplo que poderia ser chamado mais próximo de Diadema, e mesmo assim está distante de Diadema. O custo do funcionalismo público em Santo André em confronto com a arrecadação total é de 37,69%. Bem abaixo, portanto, dos 49,87% de Diadema. Esses dados são do ano passado.
São Bernardo e São Caetano, outros endereços importantes do Grande ABC, gastam menos que Santo André e muito menos que Diadema quando se confrontam os números de despesas gerais com o funcionalismo público e as receitas totais. Em São Bernardo chega a 31,45%, enquanto em São Caetano sobe um pouco, para 33,68%. Portanto, menos que Santo André.
FRACASSO DOCUMENTADO
Para se ter uma ideia mais precisa e distante de qualquer tentativa de estabelecer vieses que possam colocar Diadema como exemplo retirado da cartola para justificar o mais que evidente fracasso do modelo socialista implantado no Município mais avermelhado do País, não custa também uma comparação com a Capital do Estado.
A cidade de São Paulo reservou no ano passado 30,83% das receitas totais para pagamento do funcionalismo público municipal. O custo do funcionalismo público em Diadema tem tudo a ver com a filosofia político-administrativa implantada pela esquerda nascida do PT em 1982 para produzir um modelo municipalista de socialismo inspirado no combate ao capital e na definição de políticas sociais revolucionárias.
EFEITO-CONTAMINAÇÃO
Resultado? O esgarçamento econômico avança a cada temporada e compromete medidas e ações sociais, fragilizando o atendimento à população. Sobremodo porque o orçamento municipal está estruturalmente comprometido só com os custos do funcionalismo público.
Diadema precisa incrementar crescimento econômico para incrementar políticas sociais com o farto uso de mão de obra estatal.
Só o crescimento da produção de riqueza permitiria ao Município dar conta do recado. Mas não é o que está ocorrendo há muito tempo.
NEM LOGÍSTICA SALVA
Tudo isso é muito ruim, porque Diadema é teoricamente privilegiada geograficamente, por estar na cara do gol das rodovias Anchieta, Imigrantes e também do Rodoanel. A verdade é que não há como transformar potencial logístico em sucesso gerencial municipal se não houver planejamento, determinação e implementação de medidas que incentivem investimentos privados.
Diadema não soube fazer a lição de casa durante os 40 anos de esquerda no poder, período interrompido apenas entre 2009-2019 quando o liberal Lauro Michels ocupou o Paço Municipal. Esse intervalo de oito anos é período escasso demais a mudanças relevantes.
Principalmente quando se defronta com o engessamento da peça orçamentária, comprometida pela metade pelo custo do funcionalismo público municipal.
CAINDO PELAS TABELAS
Considerando-se apenas os primeiros 20 anos deste século (a largada é o ano 2000, tendo como base o ano anterior, e a chegada o ano de 2019), Diadema despencou no ranking do G-22, grupo formado pelas 20 maiores economias do Estado de São Paulo. A cidade de São Paulo não integra o ranking porque é grandiosa demais. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra só têm os dados observados por pertencerem ao Grande ABC, de fato representado por cinco municípios.
Em 1999, Diadema ocupava a 11ª colocação no PIB dos Municípios do G-22, com nominais R$ 3.307,27 bilhões. Em 2019, Diadema constava da 18ª colocação com registrados R$ 15.301.32 bilhões. Os valores são nominais, ou seja, sem o contraponto dos efeitos inflacionários.
Em termos nominais, o PIB de Diadema no período avançou 300,04%. Muito pouco ante a inflação do IPCA de 234,91%. E muito menos ainda quando se consideram os concorrentes do ranking. Os 300,04% de crescimento nominal de Diadema são inferiores a todos os demais integrantes do G-22. Perde até para Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que estão no ranking apenas informalmente.
Ou seja: em matéria de Desenvolvimento Econômico neste século, Diadema é lanterninha absoluta. Essa é a raiz principal da derrocada social combinada com excesso de gastos com o funcionalismo público.
Para se ter ideia do que significa o desempenho pífio de Diadema nas duas primeiras décadas deste século, basta comparar os 300,04% de crescimento nominal do PIB com 1.450,74% de Osasco, 567,23% de Campinas, 504,32% de Guarulhos, 787,55% de Bauru, 971,37% de Jundiaí. E daí em diante.
DERROTA REGIONAL
Somente os municípios do Grande ABC não cresceram tão desproporcionalmente mais que Diadema, mas cresceram mais que Diadema neste século. São Bernardo registrou 388,03%, apesar do desmonte parcial do parque automotivo. Santo André avançou 409,54%, Mauá 473,69 e São Caetano 354,64%.
O critério que adotei para medir o tamanho do custo do funcionalismo público em Diadema (e dos concorrentes mencionados) é o mais apropriado para que a realidade apareça sem mistificações.
MELHOR INDICADOR
Havia a alternativa de o cálculo se prender à despesa com pessoal por habitante. Nesse caso, Diadema não saltaria aos olhos porque os valores absolutos do que gasta com o funcionalismo público não tem conexão com os demais municípios quando se sabe que são populações de tamanhos diferentes.
Confrontar as despesas de pessoal com arrecadação total dos cofres públicos é, portanto, a métrica mais apropriada para conhecer a estrutura de custos e investimentos de municípios.
Em termos absolutos, quem gasta mais com a manutenção do funcionalismo público é São Bernardo, com registrados R$ 1.526.824.348 bilhão. Diadema gasta bem menos: R$ 686.582.244 milhões.
O que coloca os dois municípios distantes entre si no ranking de comprometimento da arrecadação com o funcionalismo público é que, enquanto a Receita Total de São Bernardo no ano passado chegou a R$ R$ 4.855.060.407 bilhões, Diadema somou R$ 1.376.575.833 bilhão.
MENOS INVESTIMENTOS
Como se observa (e os confrontos com os demais municípios da região teriam o mesmo efeito explicativo), a proporção de gastos com pessoal em Diadema está muito acima de São Bernardo.
Apenas a título de exemplo: se São Bernardo houvesse gastado no ano passado a mesma proporção de Diadema com o funcionalismo público, o valor registrado na Secretaria do Tesouro Nacional não seria R$ 1.526.824.348 bilhão, mas exatamente R$ 2.421.218 bilhão. Ou seja: 49,87% do total arrecadado.
Em sentido inverso, um cálculo que leve em conta uma Diadema semelhante à vizinha São Bernardo no cômputo geral de despesas com pessoal em relação à Receita Total, permitiria a redução dos valores despendidos. Basta fazer uma conta simples: pegue a Receita Total de Diadema e multiplique pelo custo relativo do funcionalismo público em São Bernardo (31,45%). Isso significaria o total de R$ R$ 432.933 milhões. Como Diadema gastou R$ 686.582 milhões, haveria sobra orçamentária de R$ 253.649 milhões só na temporada passada.
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23/02/2026 ARCA DE NOÉ VEM AÍ: 60 ANOS EM 60 TEXTOS