Sociedade

Corregedor-Geral do MP manda
abrir inquérito contra MBigucci

DANIEL LIMA - 12/06/2013

Estão contados os dias de penumbra das irregularidades cometidas pelo empresário Milton Bigucci ao arrematar de forma fraudulenta um terreno público em São Bernardo, no qual lançou o empreendimento Marco Zero. Por determinação do Corregedor-Geral do Ministério Público no Estado de São Paulo, Nelson Gonzaga de Oliveira, a 12ª Promotoria de Justiça de São Bernardo já realiza procedimentos preparatórios de inquérito civil para investigar o caso denunciado por CapitalSocial. A medida significa que o escândalo que causou sérios prejuízos aos cofres públicos será finalmente apurado por instâncias judiciais. CapitalSocial reitera que Milton Bigucci juntou-se a empresários do setor imobiliário para ensaiar e executar fraude durante o leilão realizado em 10 de julho de 2008.


 


Em setembro próximo vai completar dois anos desde que CapitalSocial denunciou a então e depois confirmada possibilidade de irregularidades na arrematação do terreno que pertencia à Prefeitura de São Bernardo, localizado entre a Avenida Kennedy e a Avenida Senador Vergueiro. Nesse intervalo, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) produziu ação que embora considerada investigatória, flutuou a léguas de distância da realidade dos fatos e de provas. Tanto que por duas vezes a promotora criminal Mylene Comploier mandou arquivar o caso. O corregedor-geral do Ministério Público tomou conhecimento das reportagens de CapitalSocial e, em 20 de maio último, determinou a apuração.


 


Após o segundo despacho da promotora criminal de São Bernardo pelo arquivamento, CapitalSocial preparou série de reportagens que somaram 125 mil caracteres. O material jornalístico aborda ponto por ponto todos os desvios cometidos pela MBigucci comandada pelo presidente do Clube dos Construtores e Incorporadores do Grande ABC. O mesmo Milton Bigucci que comanda a MBigucci, conglomerado que há poucos dias foi condenado pela Justiça de São Bernardo por cometer abusos contra a clientela. A juíza da 7ª Vara Criminal atendeu à denúncia do promotor de Justiça do Consumidor de São Bernardo, Marcelo Sciorilli. O representante do MP afirmou que a MBigucci é campeã de abusos no mercado imobiliário, bem como promove procedimentos comerciais que caracterizam enriquecimento ilícito.


 


Desfecho esperado


 


A determinação do Corregedor-Geral do Ministério Público no Estado de São Paulo é o desfecho natural que CapitalSocial esperava desde a primeira reportagem sobre o caso Marco Zero. Trata-se de uma engrenagem organicamente danosa aos cofres públicos que não comportaria jamais superficialidade investigativa. Embora sejam densos os textos produzidos na série de reportagens (veja links abaixo), o Ministério Público de São Bernardo poderia até mesmo dispensá-los, caso levasse em consideração apenas os artigos anteriores assinados por este jornalista.


 


Não seriam necessárias mais de 30 linhas de CapitalSocial para a adoção de medidas transparentes que fariam emergir as irregularidades que marcaram aquele leilão de área pública. O simples fato de que o edital de licitação determinava que a empresa vencedora efetivaria o pagamento aos cofres públicos bastaria para desmascarar a operação. Afinal, quem resgatou boa parte das parcelas do arremate foram as empresas consorciadas de forma irregular durante o leilão. Tratou-se de uma operação lambança que os executores imaginavam a salvo de descoberta.


 


A MBigucci, a Even e a Braido se aliaram ardilosamente para controlar o preço do arremate da área pública durante o leilão realizado em julho de 2008. O pagamento fracionado entre as empresas denunciou o artifício que sangrou os cofres públicos. Depósitos bancários que caracterizam a infração integram documentos de posse da Prefeitura de São Bernardo e também constam de ação judicial independente na cidade de São Paulo, cuja sentença em primeira instância confirma o conluio multiempresarial comando pela MBigucci.


 


Apesar das conclusões do Gaeco de São Bernardo flagrantemente em conflito com provas factuais e documentais, a direção de CapitalSocial jamais acreditou na possibilidade de o escândalo do Marco Zero cair no esquecimento. Tanto que este jornalista tem insistido publicamente em desafiar o empresário Milton Bigucci a buscar na esfera judicial, como tem feito em situações outras, respaldo para incriminar civil e criminalmente o autor das matérias.


 


A explicação para a fuga da raia de esclarecimentos que se tornariam obrigatórios como desdobramentos de eventuais tentativas de incriminar este jornalista é que a verdade dos fatos viria à tona num inquérito minucioso. Algo que certamente se dará agora com a intervenção do Corregedor-Geral do Ministério Público.


 


Fugindo de explicações


 


Milton Bigucci jamais aceitou responder a quatro entrevistas formuladas por CapitalSocial ao longo dos últimos dois anos, as quais se referem não só ao empreendimento Marco Zero, mas também às manipulações estatísticas e à ausência de representatividade da entidade que dirige há mais de duas décadas, quando o Muro de Berlim ainda estava de pé.


 


Milton Bigucci, segue, entretanto, à procura de punição judicial a este jornalista utilizando-se da subjetividade vazia de que as críticas de CapitalSocial são dirigidas à pessoa física. Milton Bigucci entronizou de tal maneira o mandonismo institucional e a avalanche corporativa em seu dia a dia que se deixou acreditar que suas atividades pessoais estariam intrinsecamente expandidas a esses territórios. Quer que quer por isso e por outras razões, por exemplo, que suas vontades e suas fantasias informativas como dirigente de classe, sejam propriedade pessoal, a salvo de qualquer avaliação jornalística. CapitalSocial discorda frontalmente das tentativas de Milton Bigucci amordaçar um dos raros endereços de jornalismo independente na Província do Grande ABC. E não se acovarda ante eventuais interpretações equivocadas de instâncias judiciais que não se debruçaram nas abordagens exclusivamente de interesse público.


 


A entrada em campo do Corregedor-Geral do Ministério Público do Estado de São Paulo é uma ótima oportunidade para a apuração detalhada da orquestração de irregularidade empresarial tão escandalosa que não se compreende a razão de ainda não ter chegado à conclusão mais imediata: a nulidade daquele processo licitatório com consequente impedimento da construção do empreendimento Marco Zero, além de penalidades previstas no ordenamento jurídico.


 


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