Fugitivo da Entrevista Indesejada desta revista digital, porque, todo mundo sabe, Entrevista Indesejada não é uma entrevista agradável, Maurício Xangola Mindrisz participou do Repórter Diário TV. O jornalista Airton Resende teve a oportunidade de ouvir o presidente da Fundação do ABC. Vale a pena acompanhar o trabalho, porque Xangola, como inadvertidamente começou a ser chamado pelo jornalista em determinado momento do encontro, dá o que chamaria de show de comunicação verbal, algo que está diretamente relacionado ao amplo conhecimento sobre a saúde pública na região. Entender o que disse o dirigente da instituição mais importante no âmbito público da Província do Grande ABC é tão simples como tomar sobremesa de encarcerado.
Prefiro não entrar em detalhes sobre o conteúdo nebuloso, porque pouco didático, de Maurício Xangola Mindrisz, mas dois pontos chamaram a atenção.
O primeiro é hilário, porque, de repente, não mais que de repente, a força da lógica se instaurou no estúdio do Repórter Diário: a sisudez do trabalho jornalístico, que pisava em ovos por conta do próprio perfil do entrevistador, profissional experiente, ruiu ante o ato falho de chamar de “Xangola” alguém que se negou a conceder a Entrevista Indesejada a CapitalSocial supostamente porque não aceitava o codinome com o qual, vejam só, ele próprio, Maurício Xangola Mindrisz, se apresenta e é apresentado aos amigos. Ante tamanha derrapagem do jornalista Airton Resende, não houve outra saída senão a descontração possível, esticando-se o tratamento até o final da entrevista de modo a parecer parte do script. É claro que Maurício Xangola Mindrisz não perdeu a oportunidade para, na tentativa de justificar presença no estúdio do Repórter Diário, dizer que o apelido estava liberado aos amigos. O conceito de “amigo” para Maurício Mindrisz é bastante seletivo. Depende entre outros fatores da manutenção de questionamentos longe de determinados temas. Entrevista Indesejada não preenche requisitos conceituais de Maurício Xangola Mindrisz.
Holding negada
O segundo ponto da entrevista que chamou a atenção é de ordem administrativa. Maurício Xangola Mindrisz definiu a Fundação do ABC como fantasia, no entendimento deste jornalista. Ele disse que a instituição não é holding e que, portanto, não teria responsabilidade pelo conjunto de “mantidas” que a compõem. Traduzindo: apesar de a Fundação do ABC ser o centro transmissor e captador das unidades que integram suas próprias ramificações nas relações com as prefeituras conveniadas, Maurício Xangola Mindrisz afirmou com a clareza das águas do Rio Tietê, na Capital, que a instituição não teria responsabilidade pelo conjunto da obra, daí negar a metáfora que ele mesmo citou, ou seja, “holding”.
Nada mais falso à luz orçamentária, diretiva e político-administrativa. Os convênios especificam e caracterizam a Fundação do ABC como controladora exclusiva da macrogestão legal das unidades de saúde. Trocando em miúdos: a Fundação do ABC é um grande negócio gerenciador de saúde que, transposto ao mercado varejista, contaria com várias lojas em pontos estratégicos. O desempenho individual dessas lojas não pode em hipótese alguma dissociar-se do centro gerencial, responsável, em última instância, por tudo de bom e de ruim que ocorrer. Tentar negar ou sugerir negar, como o fez Maurício Xangola Mindrisz durante a entrevista ao Repórter Diário, que o orçamento anual de mais de R$ 1,2 bilhão estaria em desacordo com a efetiva participação da instituição, é abstração pura. Até porque, Maurício Xangola cai em contradição quando alinhava a grandeza da Fundação do ABC, incorporando na dimensão o bilionário orçamento. No fundo, o que o dirigente pretendeu dizer com a sinuosidade de sempre é que a estrutura organizacional da Fundação do ABC não lhe permitiria total controle das unidades que chama de “mantidas”. Ou seja: a Fundação do ABC, por razões político-partidárias que a infestam, confessa publicamente, por seu presidente, que não faz jus aos contratos que assina.
A entrevista de Mauricio Xangola Mindrisz ao RDTV é um primor de reticências que certamente levam os internautas a interpretações e conclusões múltiplas. Fosse tudo proposital, Xangola seria um gênio da dissimulação.
Leiam também:
Barbada: Maurício Xangola foge mesmo de Entrevista Indesejada
Total de 1971 matérias | Página 1
20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)