O jogo de pressões que cerca o exercício do jornalismo é multifacetado como a verdade, traiçoeiro como a mentira, disforme como as idiossincrasias, dissimulado como a maledicência, camaleônico como as fantasias. Quanto mais credibilidade um produtor de informação detém, mais as forças de pressão da sociedade se organizam para transformá-lo em aliado. Faz parte do jogo da comunicação entender que o mercado de informação é um animal bravio que a qualquer instante pode dar o bote.
Não estou filosofando quando me refiro ao comportamento dos fazedores de informação. É assim que funciona a lógica entre as forças da comunidade e os interlocutores da mídia. A mensagem que o consumidor de informação vai receber depende da capacidade de análise de quem faz o papel intermediador.
O grande problema do jornalismo, especialmente do jornalismo diário, é que abdicou da interpretação qualificada em favor do registro nem sempre desinteressado. Conclusão? O leitor que se vire e tire suas próprias conclusões.
O terreno sobre o qual se construiu a barbeiragem de que não compete aos jornalistas interpretar os fatos é pantanoso. Começa na precariedade da qualidade de ensino do País, mais comprometida ainda no governo Fernando Henrique Cardoso em nome da quantidade, e chega ao topo da incompetência generalizada das escolas de comunicação.
Para complicar ainda mais o quadro, a maioria das empresas de comunicação está se lixando para a capacidade dos recursos humanos. Olham preferencialmente para os balanços e sofrem violentamente com as pressões de grupos próximos.
O melhor antídoto contra informação distorcida é competência. E não se é competente sem agregado de valores tangíveis e intangíveis, os quais passam pela ética, pela moral, pelo distanciamento partidário, pelo compromisso social, pelo combate ao politicamente correto que sustenta mediocridades; enfim, por um conjunto de atributos que se constrói no dia-a-dia.
Não se deve temer um bom combate jamais. A quebra de paradigmas é essencial para quem exercita jornalismo comprometido com o futuro. Ir contra a maré artificialmente instalada é uma arte que exige percepção e destemor. É muito mais cômodo e confortável seguir a manada. Mesmo que seja uma manada viciada.
Não se deve tomar a parte pelo todo e muito menos esforçar-se para brigar contra os fatos. Não adianta querer mistificar a realidade. Mais dia menos dia a verdade prevalecerá. Quantos e quantos casos se cristalizaram assim nos últimos anos no Grande ABC?
Quantos jornalistas têm coragem de submeter seus conhecimentos e vaticínios à apreciação pública pelo menos uma década depois de redigidos? Quantos quebrariam a cara pela falta de coerência se decidirem tomar essa medida? O que quero dizer com isso? Que reputação profissional, em qualquer que seja a atividade, mas sobretudo na exposição frequente que o jornalismo impõe, é ativo ou passivo que se alimenta diariamente. Eventuais tropeços circunstanciais não têm a força de negar o conjunto da obra, assim como a fluvialidade de equívocos não sustenta eventualidades de grandes obras.
Por que escrevo tudo isso? Resolvi tentar explicar o núcleo conceitual da revista LivreMercado, há 13 anos sob o comando do mesmo grupo de profissionais. Um show de jornalismo regional que tem muita história para contar. Histórias que os convidados da festa de 13 anos da publicação poderão avaliar, porque todas as capas da fase revista, a partir de novembro de 1996, serão utilizadas para decoração muito especial.
Nem LivreMercado nem Capital Social vão fazer o jogo das conveniências. O que significa jogo das conveniências? É a face dupla de agradar aos poderosos da vez ou, para dar uma satisfação aos opositores, participar de esquartejamentos encomendados só para passar a imagem de imparcialidade.
A pior das parcialidades é a imparcialidade forçada. A pior das imparcialidades é a parcialidade dissimulada.
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)