Imprensa

50 Tons de Província, um título
provisório ou será definitivo?

DANIEL LIMA - 07/08/2013

Ainda não encontrei tempo, embora sobre disposição, para escrever mais um livro que não seja coletânea de textos já publicados. Guardo na mente a ideia de um título provisório, que poderá ser definitivo. “50 Tons de Província” seria a embocadura ideal de uma marca que mostraria aos leigos ou não o quanto padecemos em institucionalidade, mãe de todos os apetrechos de cidadania. Ou seria a rarefeita cidadania fonte matricial e inercial das demais deformidades?


 


É claro que o conteúdo de “50 Tons de Província” não teria nada a ver com a inspiração de “50 Tons de Cinza”, um obra desdobrada em vários subtítulos. Não haveria nada de picante nos meus 50 tons, exceto se os leitores entenderem como pornografia e outras sacanagens dissimuladas ou não o que se passa por aqui para explicar a marca de “Província”, que também, como já escrevi, poderia ser de “Republiqueta”.


 


Confesso que nem tive a curiosidade de ler os “50 Tons” originais. Não tenho tempo para esse tipo de baboseira porque a concorrência múltipla de livros que desafiam meu cotidiano é enorme. Entretanto, não posso negar que uma corruptela do título me agrada preliminarmente até como marketing.


 


Aliás, se querem saber, me agrada de verdade desde a semana que passou quando fui convidado a proferir uma palestra na sede do Ciesp (Clube das Indústrias) de São Bernardo. Duas horas antes de me dirigir ao encontro prestigiado por grande número de convidados sentei-me ao computador e preparei rapidamente um conjunto temático sobre o qual pretendia avivar a memória durante aquele encontro. Levei a dúvida de que poderia esmiuçar exclusivamente um assunto ou abordar o maior número possível daquelas anotações. Dependia do tempo disponível. Quando fui informado de que contaria com 40 minutos e posterior participação da plateia, decidi pelo voo panorâmico, não rasante. Talvez não seja preciso dizer que constavam das anotações aleatoriamente 50 aspectos da vida econômica, institucional e social da região. Daí, no dia seguinte, surgir a ideia de um novo livro, o tal e ainda provisório “50 Tons de Província”. Nada fora programado. O numeral foi obra do destino.


 


Última obra em 2006


 


Faz bom tempo que não traduzo meu empenho jornalístico em formato convencional de livro. O mais recente foi lançado em 2006. Após nove meses e quase 200 artigos na coluna “Campo Aberto”, deixei (ou me deixaram) a direção de Redação do Diário do Grande ABC. Aquela saída e o encerramento das atividades da revista LivreMercado, uma bomba financeira que os sócios de muitos anos fizeram estourar em minhas mãos, comprovadamente a qualquer consulta, foram extraordinariamente benéficos à minha vida pessoal. E à minha vida profissional, CapitalSocial tem-se revelado ancoradouro de satisfação.


 


Estava dizendo que o último livro que lancei foi em 2006. Puxo pela memória nesta manhã de quarta-feira, depois de assistir na TV mais um vexame tricolor, agora no Japão, para não me confundir. Trata-se de “Na Cova dos Leões”, reunindo boa parte dos textos que preparei no Diário do Grande ABC entre julho de 2004 e abril de 2005. Possivelmente não completarei 50 anos de jornalismo, em 2015, sem apresentar novo livro. Os “50 Tons da Província” me agradam porque seria uma conjunção de análises em papel indispensáveis à compreensão da subalternidade regional nas áreas política, social, cultural e também econômica.


 


Possivelmente ainda escreverei outros artigos sobre a ideia dessa quinta obra (as anteriores são, além de Na Cova dos Leões, Complexo de Gata Borralheira, República Republiqueta e Meias Verdades). Tenho praticamente um ano e meio ou dois anos para me dar de presente um livro que, agora cai minha ficha, tem tudo a ver com meio século de jornalismo. São 50 anos de atividades que seriam festejados por mim – e é isso que me interessa – de uma forma que interligaria os 50 maiores problemas da região.


 


50 anos, 50 temas


 


Nestas alturas do campeonato – e escrevo este texto sem prévio planejamento estratégico – surge a ideia de juntar uma coisa à outra, ou seja, os 50 anos de loucuras jornalísticas como 50 temas de nossa regionalidade fajuta.


 


Então ficamos assim: vou fazer de tudo para me preparar financeiramente de modo a suportar a edição do livro dos 50 tons e dos 50 anos de jornalismo. Nem perderei tempo em busca de patrocínio. Não conheço nenhuma organização da região que tenha coragem de expor-se aos bandidos de plantão e também aos bandidos que já estiveram de plantão a ponto de incluir-se no projeto.


 


Sem falsa modéstia, seria uma ação de marketing fabulosamente positiva, mas como o que vale mais é o processo de domesticação coercitiva dos poderosos de ontem e de hoje, não vou cair na ingenuidade e acreditar que eventuais financiadores apareçam. Vou ter de me virar e vou me virar se decidir para valer levar o projeto adiante.


 


Sei que os leitores querem ter antecipadamente o conjunto que tracei e que balizou a conferência aos empresários de São Bernardo na semana passada. Como o material vai referenciar o projeto dos 50 tons e, mesmo ante a possibilidade de sofrer modificações, ficamos assim no trato: o que se segue abaixo é apenas uma possibilidade provisória, mesmo que bastante forte, de ser integralmente estruturada como insumos temáticos dos 50 tons.


 










Dito tudo isso, apreciem então o que teremos na obra prometida e que espero ver materializada.


 


 


 


1. O hexágono da corrupção no setor público.


2. Falta de vocação desenvolvimentista dos gestores públicos.


3. O engodo da Bancada do ABC.


4. A inutilidade dos legislativos convertidos em massa de manobra.


5. O conto da Carochinha do trecho sul do Rodoanel.


6. A degringolada do PIB Industrial como gênese da quebra da qualidade de vida.


7. Complexo de Gata Borralheira.


8. Os anos integralmente excepcionais, quase inúteis e totalmente frustrantes da gestão Celso Daniel.


9. Os vendedores de ilusão sempre protegidos por administradores públicos preguiçosos ou despreparados.


10. Pequenas e médias indústrias, uma cronologia do caos.


11. A opacidade ditada pela mídia da Capital e os efeitos sobre o modus operandi dos gerenciadores públicos locais.


12. Os estragos regionais dos anos Fernando Henrique Cardoso.


13. A negligência institucional dos anos Lula da Silva.


14. A ilusão passageira do Fórum da Cidadania.


15. A inutilidade do Clube dos Prefeitos.


16. A inutilidade da Agência de Desenvolvimento Econômico.


17. A descoberta por acaso do Polo de Cosméticos de Diadema.


18. O colunismo social inoperante e cristalizador de elite oportunista.


19. O sindicalismo corporativista de Lula confundido com movimento de cidadania regional.


20. A criação do IEME e agora do G-20 para parametrizar a realidade regional com endereços mais competitivos.


21. A ilusão dos empregos de serviços e comércio à falta de reação da indústria.


22. Por que desabamos em potencial de consumo?


23. O declínio e o quase extermínio das associações de bairros.


24. O Prêmio Desempenho como tapa de luva de pelica nos vendedores de títulos.


25. A Imprensa regional dependente demais do Poder Público.


26. A guerra fiscal de serviços na região nos anos 1990.


27. A ausência de clubes de massa na região e a repercussão nos canais de cidadania.


28. A evasão de cérebros em direção à Capital e o esvaziamento de capital social.


29. O currículo da Universidade Federal do Grande ABC em contraste com as necessidades regionais.


30. A dispersão da Administração Luiz Marinho em busca de novos setores industriais.


31. A proliferação de Madres Terezas e Freis Galvão.


32. A lorota de um aeroporto internacional em São Bernardo.


33. O diversionismo de um teleférico no Montanhão como símbolo mais recente de gestão pública voltada à plateia.


34. A usina de incineração de lixo de São Bernardo como referência de que quando quer, o Poder Público esmera-se em preparar-se para investimentos.


35. A fragmentação protecionista e destruidora das entidades empresariais.


36. Província do Grande ABC em vez de Grande ABC.


37. A preservação de elites econômicas, sociais e sindicais.


38. Os marqueteiros de plantão nas administrações públicas.


39. O Observatório de Promessas e Lorotas.


40. Quem vai ou como vai se abrir para valer as planilhas das concessionárias de transporte urbano?


41. Fundação do ABC, a única regionalidade que deu certo na história da região. Adivinhe qual é a razão?


42. Dupla ameaça para o futuro: a dependência exagerada da indústria automotiva e do setor petroquímico.


43. O aniquilamento do emprego industrial.


44. O mico imobiliário do Domo, em São Bernardo, e os novos micos de shoppings. 


45. Luiz Marinho e os arranjos produtivos sem respaldo estrutural.


46. O caso do Marco Zero e a desconfiança sobre a Administração Luiz Marinho.


47. O caso Celso Daniel.


48. Manifestação das ruas: a insensatez revolucionária.


49. As atribuições do Ministério Público e sua atuação na região.


50. Província envelhecida e sem recursos próprios para grandes investimentos.


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