Regionalidade

Aos poucos Marinho toma gosto
pelo Clube dos Prefeitos. E daí?

DANIEL LIMA - 04/09/2013

Ora, ora, se ele toma gosto pelo conglomerado dos prefeitos da Província do Grande ABC, oficialmente chamado Consórcio Intermunicipal mas jornalisticamente tratado aqui como Clube dos Prefeitos, essa é uma boa notícia. Melhor que a encomenda, porque Luiz Marinho relutou em assumir o cargo. Só o fez em janeiro último, premido pelas circunstâncias de ser o único prefeito da leva antiga, eleita em 2008, a esticar mandato de novos quatro anos. Sem escolha e impositivo na decisão de não ter concorrência ao cargo, Marinho chegou com a força de quem é mais que prefeito do Clube dos Prefeitos. É prefeito dos prefeitos, porque chefia o Município economicamente mais poderoso da região. Um prefeito de Rio Grande da Serra, de Mauá, de Santo André, de São Caetano, de Diadema, de Ribeirão Pires, se chamado de prefeito dos prefeitos, soaria estranho.


 


Provavelmente por dar-se conta de que ser prefeito dos prefeitos não é pouca coisa, mesmo que o Clube dos Prefeitos seja um acumulado de inutilidades e de idiossincrasias políticas, Luiz Marinho se lançou nos últimos tempos a tentar corrigir a demora em assumir o cargo. Tanto que na última reunião do Clube dos Prefeitos ele conseguiu aumentar de 0,11% para 0,5% do orçamento municipal a contribuição para o organismo. Por trás da decisão existe a imperiosa necessidade de contar com contrapartidas a investimentos, o que não representa lá essas coisas, porque de R$ 6 milhões a dinheirama passará a R$ 19 milhões.


 


Não dá para fazer muito com esses recursos? Dá sim. Luiz Marinho deveria substituir o plano de juntar esse dinheiro para eventuais contrapartidas e empreender medidas que redundariam no Planejamento Estratégico Regional, contratando consultoria especializada em regionalidade que se debruçaria nas questões a serem desenroladas tendo como referencial a macroeconomia e a macrocompetitividade entre territórios. Fizesse isso, ou seja, acabasse com a esculhambação de chutometrias, dissimulações e principalmente omissões do Clube dos Prefeitos, o mandato de um ano com possível renovação por mais 12 meses ganharia sentido de autenticidade e competência que o credenciaria a ser avaliado no futuro como gerenciador público que saiu do zero em regionalidade e alcançou marca respeitável.


 


É a economia, gente!


 


O grande lance da regionalidade é o plantio de pressupostos de especialistas que determinassem, na sequência, um apurado cronograma de investimentos que atenderiam critérios de prioridade principalmente ao desenvolvimento econômico. Não se conhece nenhum território mundial que não tenha colocado a economia como base dos demais projetos. O Clube dos Prefeitos não pode se manter como sarapatel subdividido em guetos de interesses específicos. A diversidade histórica da pauta do Clube dos Prefeitos está diretamente relacionada à dispersão e à ineficiência. Quando as atividades econômicas forem alçadas ao panteão da dedicação plena, não precisaremos rezar para que a cada final de ano o PIB regional saia do encalacramento do ano anterior.


 


Fico particularmente feliz com a possibilidade de Luiz Marinho ter despertado para a regionalidade à frente do Clube dos Prefeitos, como os jornais da Província publicaram nestes últimos dias, após mais uma sessão mensal da instituição. Apenas este jornalista fustigou Luiz Marinho ao longo dos últimos anos no sentido de que saísse da clausura municipalista e dedicasse parte do tempo aos pouco mais de 800 quilômetros da região. Imaginar que São Bernardo, por mais que eventualmente dê conta das demandas sociais e econômicas, não sofre com as sacudidelas que atingem a região, é supor que em qualquer estádio de futebol do País é possível misturar flamenguistas e vascaínos, ou corintianos e são-paulinos nas arquibancadas sem ter de recorrer a chamamento urgente de forças policiais e paramédicas.  



Ceticismo consolidado


 


Sei lá qual é o horizonte de Luiz Marinho agora regionalista, mas estou tão curtido em ceticismo após longuíssimas jornadas de desencantos que prefiro fixar os dois pés em solo firme: o que tivermos de positivo já será lucro porque de alguma forma a liderança regional do prefeito de São Bernardo haverá de catalisar investimentos sobretudo do governo federal, do qual é tão próximo.


 


No fundo, no fundo, é uma pena que este jornalista pense comedidamente sobre o que se espera de Luiz Marinho, mas é isso que me resta ante o passado recente de desdém do titular do Paço de São Bernardo a tudo que se referia ao Clube dos Prefeitos. Faltou-lhe uma assessoria íntima às entranhas regionais para convencê-lo sobre as vantagens de acumular a chefia do Executivo da Capital Econômica da região e da entidade. Afinal, por mais que pouco tenha realizado ao longo de duas décadas, o Clube dos Prefeitos é potencialmente alavancador de medidas que ultrapassariam os limites locais que, por mais flexíveis que sejam, jamais serão suficientemente apropriados para remeter  às alturas a imagem de qualquer agente público decidido a quebrar a rotina de arroz e feijão municipalista.


 


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