Economia

Grande ABC no
foco do mundo

ANDRE MARCEL DE LIMA - 16/06/2005

O bombardeio socioeconômico ao qual o Grande ABC foi submetido nos anos 1990 e as pretensas operações de salvamento orquestradas em mecanismos como Câmara Regional, Consórcio Intermunicipal e Agência de Desenvolvimento magnetizaram as atenções do pesquisador internacional Xavier de Souza Briggs, professor-associado de Sociologia e Planejamento Urbano do prestigiado MIT (Massachusetts Institute of Techonology), dos Estados Unidos. Tanto que o pesquisador passou duas semanas na região colhendo informações para o livro que deve lançar até o final de 2006 nos Estados Unidos. A obra será intitulada Democracy as Problem Solving (Democracia como Estratégia para Resolução de Problemas), e retratará casos de outras cinco regiões do planeta além do berço automotivo e petroquímico brasileiro.


 


Briggs realizou série de entrevistas com alguns dos principais atores regionais durante o mês passado. Entre os interlocutores figuraram Paulo Lage, presidente do Sindicado dos Químicos do ABC, Silvana Pompermayer, presidente regional do Sebrae, Silvio Minciotti, da Agência de Desenvolvimento Econômico, Wilson Ambrósio, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), Nívio Roque, executivo da Polietilenos União e expert no Pólo de Capuava, Jeroen Klink, secretário de Desenvolvimento e Ação Regional de Santo André, além do jornalista Daniel Lima, diretor de LivreMercado. Falou de uma a duas horas com cada um e, para não perder detalhes da conversa, gravou e fez anotações.


 


“A metodologia do trabalho é chamada de key informance entreviews (entrevistas com informantes-chave)” — explica Briggs, dono de respeitado currículo que inclui formação em Engenharia Civil pela Universidade de Stanford, mestrado em Administração Pública por Harvard e doutorado em Sociologia pela Columbia University. “As informações a serem publicadas no livro não serão atribuídas aos interlocutores. Trata-se de cuidado proposital para evitar que fiquem com receio de falar dos problemas” — destaca o norte-americano criado nas Bahamas.


 


Antes de embarcar para o Brasil, o pesquisador já havia mergulhado no Grande ABC virtualmente, por meio da internet e de e-mails. “Tive acesso a muitos trabalhos sobre a região. As entrevistas pessoais serviram para consolidar o conhecimento absorvido à distância” — explica, ao deixar claro que a estratégia de leitura prévia sucedida de entrevistas pessoais vale para as outras regiões que vão compor o livro.


 


As seis regiões escolhidas pelo pesquisador serão contempladas em três eixos distintos. Reestruturação Produtiva será o tema do Grande ABC e da norte-americana Pittsburg, reconhecida como um dos principais pólos mundiais de produção de aço. Urbanização Desigual é o tema de Salt Lake City, nos Estados Unidos, e Mumbai, na Índia, enquanto San Francisco, também nos Estados Unidos, e Cidade do Cabo, capital da África do Sul, serão abordadas com foco no Capital Humano, mais especificamente oferta de programas profissionalizantes e de formação voltados à juventude.


 


Embora diga que não gosta de fazer interpretações durante a fase de coleta de informações, Xavier Briggs fez algumas considerações com base nas impressões dos interlocutores locais. “Me parece que uma questão chave para a região é não deixar morrer as iniciativas que afloraram durante os anos 90. É preciso reestruturar incentivos para aprofundar o comprometimento dos atores sociais. Isso significa que não basta promover reuniões. É preciso correr riscos inerentes às escolhas” — disse de forma genérica e sutil, no salão do Quality Suítes, em Santo André, onde ficou hospedado.


 


Ele deixou transparecer diferença fundamental entre o Grande ABC e a norte-americana Salt Lake City: aqui as instituições regionais resultaram da mobilização dos poderes públicos enquanto naquela região montanhosa e de forte apelo turístico, associações civis, empresariais, religiosas e não-governamentais são os principais motores da regionalidade. “Lá é de baixo para cima e no Grande ABC é de cima para baixo” — sintetiza.              


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