Economia

Exportações ao
alcance de todos?

ANDRE MARCEL DE LIMA - 10/03/2005

Se o plano de grupo de empresários, executivos e professores universitários for bem sucedido, a região vai contar com instituição especialíssima em matéria de fomento às exportações. Trata-se do Icomex (Instituto de Comércio Exterior do Grande ABC), lançado com cerca de 40 membros-fundadores na sede da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo). Quando operar a todo vapor, o Icomex vai ensinar o caminho das pedras a micro, pequenos e médios empresários interessados em embarcar na onda crescente das exportações. Estará permanentemente conectado às câmaras comerciais de vários países para conciliar interesses entre empresas do Grande ABC e importadores ao redor do mundo.


 


Quem explica a mecânica de iniciativa sem paralelo no Brasil é o idealizador Otto João Gustavo Bethke, advogado especialista na matéria. “Teremos banco de dados com informações dos tipos de produtos e a capacidade das empresas interessadas em exportar. Esse banco de informações detalhadas será vitrine permanente à disposição de importadores potenciais. Mais do que isso, vamos agir na adequação do mix com base nas demandas internacionais. Se tivermos fabricante de botas cadastrada mas o mercado internacional estiver comprando cintos de couro, vamos sugerir a diversificação com base nos recursos produtivos já existentes” — exemplifica Otto, em plena forma física e intelectual do alto de 80 anos.


 


Otto foi o primeiro professor de Comércio Exterior da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), de 1978 a 1983, e um dos responsáveis pela instalação do entreposto aduaneiro de São Bernardo quando era presidente da Acisbec, na década de 70. “Naquela época reivindiquei a vinda do entreposto ao então ministro da Fazenda, Delfim Netto. Foi o primeiro dos mais de 60 atualmente espalhados pelo País” — recorda.


 


A experiência, somada a de outros 40 fundadores, é o principal patrimônio do instituto enquadrado como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Na última década, o Brasil deixou a clausura comercial para ingressar na modernidade que, depois de provocar estragos sem precedentes sobre a cadeia automotiva, apresenta-se como campo fértil de oportunidades embaladas pelo real desvalorizado, apesar da preocupante valorização dos últimos meses.


 


A missão do Icomex é democratizar o ingresso na festa das exportações, que pequenas indústrias deixam de aproveitar principalmente por falta de canais de diálogo com importadores potenciais. “O sujeito que não tem coragem de exportar terá coragem de chegar a nós” — sintetiza Otto.


 


Hegemonia automotiva


 


Dados recentes comprovam a centralização das vendas externas nas grandes empresas. O Grande ABC respondeu por 42% do saldo positivo da balança estadual em 2004, de acordo com relatório da Agência de Desenvolvimento Econômico baseado em números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Dos US$ 3,94 bilhões contabilizados na unidade mais rica da federação, a região contribuiu com US$ 1,67 bilhão, volume 26,5% superior ao aferido em 2003 e que representa 5% do saldo nacional recorde de US$ 33,6 bilhões no ano passado.


 


São Bernardo sozinha gerou reservas de US$ 1,41 bilhão, equivalente a mais de 80% do saldo regional. O motivo é simples: a cidade acolhe plantas de montadoras de automóveis e caminhões cujas exportações atingiram recorde histórico no ano passado.


 


O Icomex ocupa sede provisória na Avenida Kennedy, em São Bernardo e deve entrar em operação em 90 dias. Diretoria, conselho deliberativo e conselho fiscal foram constituídos com representantes da iniciativa privada, do Poder Público e de entidades classistas.                                              


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