Economia

Exposição mostra
caminho das pedras

VERA GUAZZELLI - 03/07/2000

A 1ª Santo André Expo,  que mobilizou 54 expositores no Espaço De Nadai, antiga fábrica da Atlantis, permite reflexão quase irônica sobre o momento econômico vivido pela cidade. Justamente num dos muitos galpões desocupados e onde funcionou tradicional empresa química, Santo André descobriu com quase 20 anos de atraso que é possível interagir, fortalecer o marketing institucional e se mostrar à comunidade utilizando o potencial do próprio Município. Apesar de modesta,  a feira contou com estrutura e organização profissionais e procurou despertar a região para o turismo de negócios e para o fortalecimento de relações entre as próprias empresas locais. Afinal, não é de hoje que se discute a necessidade de o Grande ABC contar com um centro de convenções à altura da tradição empreendedora para fomentar empregos, economia e impostos.   


 


Desde que a Vera Cruz entrou em obras para resgatar a origem cinematográfica, a região perdeu espaço que sediava precariamente exposições, sobretudo do setor moveleiro, e passou a organizar feiras em áreas  ainda mais improvisadas. Concebida como institucional, a Expo Santo André  teve a missão de mostrar, também em local pouco apropriado, que com profissionalismo é possível atrair público e expositores, mesmo em espaços infinitamente menores que o Anhembi, por exemplo. Balanço preliminar indica que 22 mil visitantes estiveram na Expo Santo André. 


  


Os organizadores planejam repetir o evento no próximo ano. Caminho, aliás, considerado ideal por especialistas no assunto,  para criar  tradição e fidelização. Somente cronograma elaborado com antecedência pode conquistar público habituado a expôr e frequentar feiras de negócios nas grandes metrópoles brasileiras e do Exterior. "A perspectiva para a continuidade é total. Se o espaço for ampliado com a utilização de áreas ociosas as possibilidades se ampliam para eventos culturais e até sociais" --  analisa a representante da  Frate Promoções e Eventos, responsável pela organização da Expo, Andrea Lemos Brito.


 


Como a Expo foi apenas um passo, também seria inconsequente comparar os aproximados cinco mil metros quadrados do espaço disponível para exposição -- 1,3 mil metros quadrados utilizados na Expo Santo André  --  com os 67,6 mil metros quadrados do Pavilhão do Anhembi. "Sou favorável à continuidade da feira no local, porque há condições de ampliar a área para exposições" --  enfatiza o secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André, Nelson Tadeu Pereira.


 


O empresário Sérgio De Nadai, proprietário do espaço onde foi realizado a Expo Santo André, anunciou a intenção de oficializar o centro de convenções, enquanto pensa na melhor forma de adequar a estrutura do antigo galpão da Atlantis. "Durante a feira, recebi quatro solicitações de locação para eventos similares. Além disso, quero dobrar a capacidade de expositores para a próxima Expo" -- festeja. 


 


Só feiras


 


Muitas cidades se tornaram famosas mundialmente por aprimorarem a estrutura de eventos. Hannover, cidade alemã com 350 mil habitantes, vive das feiras e para as feiras. São 16 megaeventos por ano, que ocupam 26 pavilhões com 730 mil metros quadrados de áreas de exposição, além de outros 950 mil metros quadrados de apoio. A cidade de São Paulo, que conta com pelo menos 10 espaços para feiras e convenções, recebe 28,63% de turistas a negócios e outros 4,95% exclusivamente para feiras e congressos.


 


Direta e indiretamente, o turismo de eventos fatura anualmente em São Paulo US$ 2,8 bilhões e é responsável pelo recolhimento de US$ 110 milhões em impostos. Os números são pequenos se comparados aos dos Estados Unidos, que movimentam US$ 83 bilhões por ano em feiras, congressos e convenções. Valores que, sem dúvida, servem de estímulo a quem não pode acomodar-se na história de sucesso da indústria tradicional e busca alternativas para permanecer como referência no cenário econômico.                            


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