O até outro dia e durante cinco meses prefeito interino de Diadema reuniu mais uma vez pequenos e médios empresários, instalou-os num ônibus fretado e os levou a conhecer alguns pontos da infra-estrutura social e econômica desse que é o Município mais socialista do País. Moldada pelos partidos de esquerda, principalmente pelo PT, quando, em 1982, o metalúrgico Gilson Menezes foi eleito primeiro prefeito petista do Brasil, Diadema de Joel Fonseca, anfitrião do que chama de “city tour”, é o retrato explícito de uma nova face de relacionamento público que já há alguns anos ganha moldura na administração do prefeito eleito José de Filippi Júnior.
Diadema está acrescentando ingredientes capitalistas em políticas sociais que deram certo ao longo de mais de duas décadas e que por isso mesmo não podem sofrer reveses. Com isso, a iniciativa não se esgota em mão única porque também está colocando mais socialismo no capitalismo.
Para compreender na dimensão mais próxima da realidade histórica a importância desse emblemático passeio de ônibus dos empresários com o então prefeito interino Joel Fonseca, vice-prefeito eleito e secretário de Desenvolvimento Econômico, é preciso voltar ao passado. A cidade que depende em larga escala do setor automotivo da vizinha e mais poderosa São Bernardo foi feita às pressas tanto por correntes migratórias infra-metropolitanas de uma Grande São Paulo ensandecida quanto externas de deserdados sociais de um País sem planejamento à ocupação territorial.
Diadema é estranhíssima mistura de improvisação e determinação. Em seu território de 30 quilômetros quadrados e a segunda densidade demográfica do País, tudo convergiria para o caos econômico e a desagregação social se não houvesse socialistas de comissão de fábrica e de academias no caminho. A diferença que torna Diadema contrastante em relação a tantas outras cidades igualmente ocupadas às pressas pelas sobras de uma sociedade desigual é que desde Gilson Menezes, há um quarto de século, o viés de investimentos sociais financiado pelos impostos industriais prevaleceu.
O então operário Gilson Menezes teve o então secretário municipal de Saúde e médico José Augusto da Silva Ramos como sucessor, depois veio o também então secretário municipal e engenheiro José de Filippi Júnior, de novo Gilson Menezes ocupou o Paço, seguido por José de Filippi Júnior, reeleito em 2000. Foram duas vitórias exatamente contra um José Augusto da Silva Ramos que deixou o PT mas manteve a base de eleitores intacta a ponto de tornar a escassa diferença de votos um drama.
Tropeços automotivos
O prefeito Filippi afastou-se da Prefeitura neste ano para atuar como tesoureiro da campanha de Lula da Silva à Presidência da República, mas não está fora de cogitação, embora não pareça muito provável, que reforce o segundo mandato do ex-operário de São Bernardo, situação que reconduziria Joel Fonseca à principal cadeira do Paço Municipal. Diadema é um caso sociológico que merece ser mais detidamente estudado porque contraria tudo que se poderia imaginar de território povoado ao sabor dos ventos e dos infortúnios pessoais ao se tornar exemplo de participação coletiva.
Entretanto, como não se vive apenas de investimento público em forma de rede de serviços sociais em Educação, Cultura, Saúde, Meio Ambiente, Habitação e tantas outras medidas consolidadas ao longo dos anos, Diadema começou a entrar em colapso na metade dos anos 1990. Dependente demais dos setores metalúrgico e químico, não escapou da irresponsabilidade do governo Fernando Henrique Cardoso, que abriu a economia nacional sem meios termos e contrapartidas. O parque de autopeças que dita o ritmo do coração econômico da cidade entrou em parafuso. Foi assim, mais por necessidade do que por vocação ideológica, que Diadema resolveu há cinco anos conceder pedaço do socialismo de centro-esquerda do PT ao capitalismo de resultados.
Mais precisamente quando José de Filippi Júnior ganhou as eleições de 2000 tendo ao lado como vice o metalúrgico Joel Fonseca. Desde então, Diadema aprofunda modelo que combina preocupação com níveis ainda inquietantes de indicadores sociais e desempenho negocial das empresas que, em última instância, se traduz em impostos que geram recursos públicos.
É essa Diadema mais inteira como expressão de sociedade contemporânea que o então prefeito em exercício e agora, de novo, vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico, Joel Fonseca, recepcionou e orientou naquele ônibus que deixou a sede da casa das indústrias locais, o Ciesp, numa manhã do começo do mês passado. O mesmo Joel Fonseca que ciceroneou empresários no conforto do ar-condicionado do ônibus que trafegou calmamente por Diadema era o torneiro-ferramenteiro que acalmava beligerantes ações do braço de Diadema do agressivo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, comandado então por Vicentinho Paulo da Silva. Esse passado é recente, do final dos anos 1980, começo dos anos 1990. Joel Fonseca de infinita paciência e vocação à conciliação já conquistara os empresários naquele período. Colocava-se sempre como intermediador de soluções que aproximassem capital e trabalho.
O “city tour” patrocinado pela Prefeitura de Diadema leva quem gera emprego e impostos às obras do Quarteirão da Saúde, à central de monitoramento de segurança pública, ao prédio do recentemente anunciado ramal da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que vai centralizar cursos na área de saúde e também ao Centro Público de Emprego recém-inaugurado. Não falta microfone nem tampouco sistema de TV e vídeo no ônibus que eleva Joel Fonseca à condição de dublê de autoridade pública e apresentador. Joel Fonseca fala pausadamente, explica todos os pontos. Tira dúvidas. O roteiro tem atrações-âncora, mas, eventualmente, no mês seguinte pode ganhar novas incursões. “Nossa disposição é mostrar para os empresários que estamos preocupados com a cidade e com eles também, por isso fazemos tudo para que se conheçam e, em seguida, interajam” — explica o vice-prefeito.
Não é por acaso que os pontos fixos das paradas do “city tour” são alguns dos marcos regulatórios do plano do governo municipal de Diadema. Saúde, emprego e segurança pública são áreas que ditam o ritmo de gestão. Educação e Economia também. Joel Fonseca é também guia das alternativas de produtos e serviços de Diadema. Aponta aos convidados confortavelmente instalados em poltronas reclináveis algumas das melhores opções em gastronomia que Diadema oferece. Levá-los a consumir no próprio Município é uma forma de integrá-los à comunidade.
Por acaso
O passeio por Diadema é ação programada. Resultados mensuráveis e intangíveis o tempo tratará de demonstrar. Nada que SE assemelhe, portanto, ao que Joel Fonseca descobriu por acaso quando, andarilho em busca de votos nas eleições de 2000, praticamente tropeçou num tesouro disperso entre ruas e vielas, entre casas populares que compõem a maioria das ocupações da cidade. Ele ficou encafifado com a incidência de pequenas indústrias de cosméticos. Um quase cluster nascido da localização estratégica do Município.
Eleições vencidas, secretaria municipal conquistada, Joel Fonseca lançou em parceria com os principais representantes do segmento o agora consagrado Pólo de Cosméticos. A cidade embrutecida durante décadas por índices de criminalidade finalmente sob controle e em seguida rebaixados absorvia, em contradição própria de um País fértil em contrapontos, mais de uma centena de empreendimentos voltados para a beleza.
O Pólo de Cosméticos já deu muitos frutos, inclusive com incremento de exportação, mas ainda há muitos frutos para dar. Ainda não atingiu a maioria dos empreendimentos com os benefícios da “coopetição”, mistura de cooperação e competição da qual todos saem vencedores. Bem melhor que o distanciamento que as empresas mantinham, muitas das quais apesar de praticamente dividirem vizinhança. Agora o que está em estudo e, mais que isso, em fase de aproximação dos semelhantes, é o chamado Pólo de Autopeças de empresas de metalurgia e borracha.
Estudos foram encomendados à Fundação Seade. Estatísticas que mostram as entranhas das atividades começam a pulular para dar consistência ao planejamento de medidas setoriais e territoriais. Diadema organiza-se numa atividade que praticamente lhe garante sustento orçamentário, de onde deriva todo o arsenal de prestação de serviços públicos.
Nada mais providencial. Embora o território não tenha sido fisicamente infiltrado pelo trecho sul do Rodoanel, a obra passará tão próxima da geografia local, no quilômetro 22 da Imigrantes, que é impossível desprezar tamanha sorte. Por isso, o conceito cartográfico de ocupação física do trecho sul do Rodoanel não serve para uma Diadema catapultada ao estrelato de investimentos industriais e de prestação de serviços pela força da geografia que tem a logística como ponto crucial.
Ou há alguma dúvida de que, pegada à Capital, colada a São Bernardo e na boca do gol da Imigrantes e da Anchieta, corredores de importação e exportação, Diadema poderia ser subestimada como endereço privilegiado a negócios? Resulta dessa combinação perfeita de fome de investimentos com vontade de comer de estar no meio caminho de tudo isso uma Diadema que, em pouco mais de três décadas, virou imensidão de mais de 400 mil habitantes em busca de mobilidade social.
Território articulado
O Jardim Inamar e o Jardim Ruyce demarcam nova etapa de interação entre Poder Público e empresariado, depois de ações seletivamente localizadas que ou amadurecem ou estão em fase de sensibilização. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico escolheu essas áreas para o projeto Território Articulado. Joel Fonseca explica que empresários e comunidades dos dois bairros já começam a trocar experiência. Como começou todos sabem. Como vai terminar, poucos conseguem imaginar.
A proposta é juntá-los, sempre com a intermediação do Poder Público, para encontrar soluções tanto sociais quanto econômicas. Da mesma maneira que empresas podem colaborar com a população em forma de parceria na manutenção de equipamentos públicos, de incremento de atividades culturais, esportivas e sociais, poderão igualmente se juntar em atividades cooperadas de serviços de alimentação, segurança, transporte, compras diversas. E requisitar localmente quadros de fornecedores e, também, de trabalhadores de que precisam.
Para isso, bastará consultarem banco de dados da nova central de cadastramento e encaminhamento de desempregados de Diadema. Está provado estatisticamente que quanto mais próximo o trabalhador mora do emprego, mais produtivo será. “Os primeiros resultados já surgiram com a compra conjunta de alimentos entre algumas empresas” — festeja Joel Fonseca.
A expectativa de ver prosperar a iniciativa só é inferior à confiança de que o tempo tratará de tornar o Jardim Ruyce e o Jardim Inamar endereços exemplares de um capitalismo social ou de um socialismo capitalista que tornaria Diadema referência em pragmatismo administrativo. A Nazca Cosméticos, por exemplo, já estuda criar uma sala de ginástica para o projeto Mulheres em Movimento, que contabiliza vários grupos em distintos bairros de Diadema.
Fábio Sampaio de Lacerda, gerente de Recursos Humanos da Nazca, visitou o Mulheres em Movimento da Avenida Casagrande e saiu entusiasmado. A empresa já desenvolve ações sociais com doação de produtos em datas específicas, como Dia das Mães, Dia das Crianças e Natal. Mas é o Mulheres em Movimento que agora ganha prioridade. Apesar da denominação, a iniciativa da Prefeitura reúne também homens. São aulas de ginástica duas vezes por semana. O leque de atividades inclui passeios culturais, encontros e palestras sobre saúde, bem-estar físico e direitos diversos. Enfim, uma cartilha aberta de cidadania com reflexos que vão muito além de fichas médicas geralmente implacáveis com os ociosos.
Também a Fama Ovos contribui sem precisar destinar recursos financeiros diretos, de acordo com seu diretor Celso Bueno Ferraz. Antiga Granja Ito, cuja barulhenta sede ocupava parte da área em Santo André onde na segunda década dos anos 1980 se instalou o Shopping ABC, a Fama ganhou nova identidade jurídica e expandiu negócios. Fornece ovos industrializados para o mercado interno. São mais de 1,3 milhão de unidades por mês, o suficiente para preencher espaços de 44 mil caixas de papelão que as donas de casa transportam com muito cuidado, sob pena de aborrecimentos.
A Fama Ovos libera o campo de futebol para a comunidade em horários compatíveis com os turnos de trabalho dos colaboradores e participa de diferentes programas da Prefeitura com especialistas em alimentação.
Começo restrito
A amplitude do Território Articulado que começa com dois bairros e pode, depois de consolidado, expandir-se, se deve entre outras razões ao sucesso da relação entre Poder Público, empresariado e comunidade em áreas específicas. Caso de extenso trecho da Avenida Presidente Juscelino, que dividia como adversários indústrias de um lado e o Núcleo Habitacional Nova Conquista de outro. As relações eram tensas. Camelôs infestavam o espaço. Roubos e furtos diversos, principalmente depois do expediente, eram rotina nas empresas. O diálogo entre o secretário municipal Joel Fonseca e o executivo Ricardo Medrano, da Makeni Chemicals, uma das 10 indústrias do trecho degradado da avenida, colocou ordem na casa.
Barracos deram lugar a construções de alvenaria. Instalaram-se postos de saúde e saneamento básico. As ruas foram asfaltadas e os camelôs realocados. Até a posse dos terrenos foi regularizada. Também se ergueu escola para crianças. Montanhas de lixo viraram matéria-prima de cooperativa de catadores, responsável pela coleta e reciclagem do material. O que era incômodo virou fonte de assalariamento. “A parceria não se resume a apoio financeiro, inclui também desenvolvimento e gestão da iniciativa” — afirma Ricardo Medrano, que lembra: “Também apoiamos a Companhia de Danças de Diadema, que atua na transformação da vida de crianças e adolescentes por meio de atividades artísticas”. O reconhecimento já entra na contabilidade de responsabilidade social: o Instituto Ethos premiou a empresa.
A metalúrgica Brasmetal Waelzhoz também aderiu à Companhia de Danças de Diadema. Desde o ano passado essa empresa de 35 anos que produz relaminados de aço patrocina eventos com apoio da Lei Rouanet. “Muitas empresas não sabem que existe esse recurso” — observa Vani Buri Rebevelato, analista de Recursos Humanos. O apoio é consequência de visita à oficina da companhia artística que coloca a dança como contrapartida à retirada de crianças das ruas.
A Brasmetal também apóia a Associação Estrela da Esperança Internacional, que atende adolescentes de 10 a 18 anos que vivem longe de familiares. O trabalho de arte-educação inclui noções de cidadania e relacionamento interpessoal. Recentemente a Brasmetal levou adolescentes à Pinacoteca de São Paulo e, para valorizar as crias da casa, também à Companhia de Danças de Diadema. Presidente do Conselho de Administração da Paranoá, fábrica de mangueiras para a indústria automotiva, Toma Kass Mwosa explica que a empresa participa de mesa de intermediação trabalhista com representantes do Poder Público. “Dentro das possibilidades, a Prefeitura sempre quer colaborar com os empresários de Diadema” — atesta o empreendedor.
Espaço reservado
Outra empresa que leva a sério a parceria público-privada é a Prensas Schuller, há 40 anos no Brasil, todos em Diadema. Também do setor automotivo, a empresa mantém convênio de cessão de direito de uso do complexo de ginásio esportivo coberto, quadra ao ar livre, pista para caminhada, quiosques com churrasqueira e playground. Duas vezes por semana o espaço é ocupado por aulas de futebol de salão. A Prefeitura fornece professor que orienta duas turmas formadas por 30 alunos cada. “São crianças de sete a 10 anos, moradores do entorno da Vila São José, que, para frequentar as aulas de futebol de salão têm de estar matriculados na rede de ensino, com frequência boa e notas comprovadas” — afirma Sônia Maria Polisel, supervisora de Serviço Social da Schuller.
A metalúrgica também mantém 10 jovens em processo de formação profissional do projeto Adolescente Aprendiz, da Prefeitura. Em 2001 a empresa reformou e ampliou a UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São José. Há oito anos mantém grupo de caminhada de 65 idosos que, duas vezes por semana, se exercitam na empresa. A Prefeitura colabora com a contratação de um professor. Uma vez por semana um agente de saúde é cedido pela UBS da Vila São José para medir a pressão dos praticantes de caminhadas. Periodicamente são realizados exames diversos, como diabetes.
É esse modelo ampliado que deverá encontrar abrigo em várias indústrias do Território Articulado. O que se tem caracterizado como varejo seletivo, embora inovador, deverá se consolidar como atacado com amplas possibilidades de novas modalidades de parceria. Diretora de Fomento e Atividade Econômica da Prefeitura, Ivoleide Dutra explica que toda a relação entre as companhias e a Administração Municipal tem como ponto de partida o olhar diferenciado do Executivo. “O objetivo é a manutenção e a criação de empregos” — afirma.
Já a diretora de Desenvolvimento Econômico, Silvia Costa, não tem dúvidas de que o reflexo da relação cada vez mais próxima e responsável entre o Poder Público e o empresariado tem consequência imediata: “Os empresários gostam da cidade e sabem como é importante Diadema crescer”. É por essas e outras iniciativas que Diadema não pode ser catalogada como endereço de desvarios da guerra fiscal disfarçada no Grande ABC pela expressão “incentivos fiscais”, uma tentativa de reduzir custos locacionais de uma região que não consegue encaixar o golpe da competitividade no queixo de concorrentes de industrialização mais recente.
Guerra fiscal
Por enquanto, a única iniciativa de Diadema para atrair empreendimentos com o chamariz de redução da carga tributária municipal é a compensação de custos com o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para as indústrias que aumentarem o Valor Adicionado, que, resumidamente, é a capacidade de produção detectada pela soma de valores financeiros de operações que envolvem mão-de-obra, matérias-primas, investimentos e serviços diversos. Uma grade de incentivos oferece descontos na medida em que se constatar aumento da participação de Diadema na redistribuição do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Ou seja: Diadema não infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal e, em contraponto à devolução de parte dos valores do IPTU, recebe nacos mais robustos de recursos tributários amealhados inicialmente pelo governo do Estado.
O vice-prefeito Joel Fonseca respira economia o dia inteiro numa Diadema que ainda não conta com shopping center e que só agora, pelo visto e pelo olhar encantado do maior incentivador da livre-iniciativa, deverá sediar o primeiro hotel de classe internacional da rede Accor. Pessoalmente, Joel Fonseca levou à mesa de negociações a proprietária de um terreno que parece sob medida e o representante do investidor. O argumento é implacável: “Temos mais de 300 empresas exportadoras” — afirma Joel Fonseca.
Ainda não recomposta dos anos de chumbo do período Fernando Henrique Cardoso, Diadema corre atrás de resultados para manter a infra-estrutura social duramente construída. Entre 1996 e 2005, perdeu 16% de produção de Valor Adicionado por habitante, contra média de 27% do Grande ABC. O impacto poderia ser menor se o crescimento populacional não continuasse a acrescentar demandas por serviços públicos, mas teria sido muito pior se o quadro regional contaminasse Diadema por inteiro.
O futuro dessa cidade de classe social praticamente uniforme não é compromisso que administração pública e empresariado mais sensível devem considerar. Dos 395 mil habitantes de Diadema, nada menos que 106 mil, ou 27%, estão na faixa de até 14 anos de idade. É o dobro, por exemplo, da vizinha São Caetano. Há demanda latente por produção de riqueza por parte da geração que vem chegando e que se sobrepõe a contingente semelhante de 120 mil jovens de 15 a 29 anos que engrossam o caudal de serviços sociais.
É por essas e outras que Joel Fonseca seguirá travestido de guia de negócios para destruir a imagem de que capitalistas, mesmo de pequeno porte, como é o perfil predominante, não seriam bem-vindos à Diadema marcantemente socialista. Esse desvio faz parte do passado. Por isso que novas reservas de ônibus e passageiros constam da agenda do vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico.
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20/02/2026 BARCAÇA DA CATEQUESE E O GATABORRALHEIRISMO (21)