Economia

Há empreendedorismo em
excesso em São Caetano

DANIEL LIMA - 22/05/2003

Há empreendedorismo demais em São Caetano. É por isso, entre outras razões, que comércio e serviços choram as pitangas. Basta ouvir comerciantes e prestadores de serviços. O fenômeno de alta taxa de empreendedorismo em São Caetano é latente e está expresso nos números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) que constam de estudos da Target Marketing e Pesquisas.


 


Recebi o material há alguns dias do amigo Marcos Pazzini, dirigente daquela empresa paulistana que se lança anualmente a desvendar o mercado consumidor brasileiro, cidade por cidade num desenho lógico de estatísticas sérias e conhecimento das praças.


 


Avancei nas entranhas do trabalho de Marcos Pazzini. Botei a lupa da curiosidade nos sete municípios do Grande ABC para encontrar vetores importantes. E, para contrariar aqueles que temem com razão que os números sejam desalmados, isto é, que a utilização de algarismos retire o sentimento de humanização que jamais devemos perder, garanto que as conclusões a que cheguei são extraordinariamente representativas do pulsar do coração econômico e social dos nossos municípios.


 


Vários indexadores poderiam ser utilizados distintamente para definir o grau de empreendedorismo de uma localidade. Optei -- sempre com base no banco de dados da Target Marketing e Pesquisas, coletados junto ao IBGE  -- pelo confronto de números de domicílios e de negócios comerciais e de serviços. Também cruzei pura e simplesmente o número de habitantes e de estabelecimentos comerciais e de serviços.


 


Veja a que resultados cheguei:


 


 São Caetano tem 8.544 negócios comerciais e de serviços que representam 6,1% da população e 19,42% dos domicílios.


 


 São Bernardo tem 20.906 estabelecimentos do terciário, o que representa a taxa de 2,97% da população ou 9,59% dos domicílios.


 


 Santo André tem 20.533 estabelecimentos do terciário, o que representa 3,16% da população e 10,44% dos domicílios.


 


 Diadema tem 6.624 estabelecimentos do terciário, o que representa 1,8% da população e 6,20% dos domicílios.


 


 Mauá tem 6.617 estabelecimentos do terciário, o que representa 1,7% da população e 5,72% dos domicílios.


 


 Ribeirão Pires tem 2.525 estabelecimentos do terciário, o que representa  2,42% da população e 8,14% dos domicílios.


 


 No conjunto, o Grande ABC tem 66.008 estabelecimentos do terciário, o que representa 2,8% da população e 9,2% dos domicílios.


 


Deixo para amanhã análise mais detalhada de causas e efeitos do empreendedorismo em excesso de São Caetano. Entretanto, para aplacar eventuais reações apressadas de quem prefere a contestação por confissão de seus próprios métodos e, reflexo condicionado, passa a lançar desconfiança sobre quem resolve investigar os numerais além da superficialidade estatística, faço a seguinte observação: a exuberante Capital tão vizinha, dona do maior PIB do País e, comprovadamente, à parte os grotões de exclusão social, pródiga na geração de riqueza no setor terciário muito mais avançado do que o nosso, essa Capital à qual me refiro tem os seguintes números:


 


 Total de 451.541 estabelecimentos do terciário, com taxa de 4,32% da população e 14,22% dos domicílios.


 


Comparativamente ao Grande ABC, São Paulo apresenta taxa superior de estabelecimentos do terciário de 1,52 ponto percentual, ou 35,18%. Já na correlação com domicílios, a média paulistana é 5,02 pontos percentuais acima, ou 71%.


 


Explicamos amanhã nuances que permeiam os desdobramentos sociais desses números de aparente exclusividade estatística. Essa postura é indispensável porque não podemos cometer o equívoco renitente de muitos acadêmicos presos às armadilhas numerais, a gabinetes refrigerados, a salários sem riscos, e que, de vez em quando, aparecem no mercado para vender ilusões sustentadas em terrenos tão firmes quanto casca de ovo. 


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