Imprensa

Diário Regional mostra sem medo
o tamanho da crise da construção

DANIEL LIMA - 24/09/2014

A manchetíssima (manchete das manchetes de primeira página) de ontem do Diário Regional mostrou que jornalismo responsável não se faz exclusivamente ao se destacarem aspectos positivos do mundo econômico e social. Também a argamassa das notícias desagradáveis, ou principalmente a argamassa das notícias desagradáveis, deve ser exposta sem sofisticação diplomática e, mais que isso, sem se praticar esconde-esconde.


 


A manchetíssima de ontem (“Venda de material de construção cai 5,6% na região no 1o semestre”) é um chute na concorrência que leva a sério demais a balela de que manchetíssima só se faz com boas notícias ou com más notícias quando envolvem adversários políticos.


 


Mais que a manchetíssima do Diário Regional de ontem, o que deve ser destacado é a sustentação técnica da manchetíssima. A reportagem, embora não tenha invadido o terreno macroeconômico, é suficientemente densa em dados oficiais respaldados por metodologia a salvo de contestações. Não é um amontado de números vulneráveis como o costumeiro balanço do Clube dos Especuladores Imobiliários do Grande ABC, por exemplo.


 


Vale a pena pinçar alguns trechos da matéria que levou a direção editorial do Diário Regional a sapecar uma manchetíssima que, verdade das verdades, não é uma exceção à regra naquela publicação. Muito pelo contrário: o Diário Regional tem se revestido de conteúdo crítico na área econômica e também social a causar inveja aos demais veículos impressos e digitais da região. Acredito que entre os diretores e jornalistas do Diário Regional tenha brotado uma heroica resistência ao facilitarismo de cair na esparrela travestida de marketing que leva os demais veículos a optarem quase sempre pelo bom-mocismo editorial, sinônimo abominável de enganação despudorada.


 


Sonegar informações que o cotidiano nos esfrega na cara, e, mais que isso, deixar de levar ao topo da vitrine de primeira página essa mesma realidade, não são decisões que jornalistas conscienciosos da importância que ainda têm ao conjunto da sociedade devem aceitar, por mais que os donos dos jornais, muitos dos quais ignorantes sobre a importância social da atividade, pretendam em contrário.


 


Prova de responsabilidade


 


Reproduzo alguns trechos da matéria publicada pelo Diário Regional de modo que os leitores desta revista digital compreendam o entusiasmo com que saúdo a manchetíssima, dando-lhe sem cerimônia e desprezando até a ausência de maiores condimentos contextuais uma nota máxima, a 10, com louvor.


 


 O baixo desempenho da economia brasileira afetou as vendas do comércio de materiais de construção ao longo do primeiro semestre. Pesquisa divulgada, ontem (22), pelo Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Ferragens, Tintas, Louças e Vidros da Grande São Paulo (Sincomavi) revela que o faturamento do setor atingiu R$ 1,012 bilhão no primeiro semestre no ABC. O montante é 5,6% inferior, em termos reais (descontada a inflação), às vendas no mesmo período de 2013. As informações baseiam-se nos relatórios primários da Secretaria Estadual da Fazenda. O levantamento é estratificado em 16 Delegacias Regionais Tributárias (DRTs) paulistas. Para chegar ao desempenho da região metropolitana, o Sincomavi somou os números de quatro DRTs: São Paulo (Capital), ABC (sete mu­nicípios), Guarulhos (12) e Osasco (19). A queda nas vendas é generalizada na região metropolitana, onde a pesquisa detectou recuo de 3,1% no primeiro semestre ante igual período de 2013. Das quatro regiões, apenas a Capital – que responde por 57% do faturamento no agrupamento urbano – teve alta nas vendas de 1,2% na mesma comparação.(...). No Estado de São Paulo, a queda no faturamento foi de 0,7%, para R$ 18,6 bilhões. O presidente do Sincomavi, Reinaldo Pedro Correa, disse que não há como desvincular os números negativos das vendas do setor de material de construção ao próprio desempenho econômico em 2014. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou dois meses consecutivos de queda, o que configura recessão técnica, e o mercado projeta expansão de 0,30% para a economia neste ano. (...). Balanço divulgado em agosto pe­la Associação de Construtores, Imobiliárias e Administradores do ABC (ACIGABC) revela que as vendas de imóveis residenciais novos caíram 16,7% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2013.


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